[Vida com Propósito] Dia 21 – Protegendo sua igreja

Vocês foram unidos na paz por meio do Espírito. Portanto façam todo o esforço para continuar dessa maneira. Efésios 4.3; NCV

Acima de tudo, deixem que o amor dirija a vida de vocês, porque assim toda a igreja permanecerá unida em perfeita harmonia. Colossenses 3.14; RV

É sua função proteger a unidade de sua igreja.

A unidade da igreja é tão importante que o Novo Testamento dá mais importância a isso do que ao céu ou ao inferno. Deus deseja profundamente que experimentemos unidade e harmonia uns com os outros.

A unidade é a alma da comunhão. Destrua-a, e estará rasgando o coração do corpo de Cristo. É a essência, o âmago de como Deus pretende que experimentemos a vida conjunta na igreja. Nosso modelo supremo de unidade é a Trindade. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são totalmente unidos em um. O próprio Deus é o maior de todos os exemplos de amor sacrificial, altruísmo e harmonia perfeita.

Assim como qualquer pai, nosso Pai celestial tem prazer em ver os filhos em harmonia uns com os outros. Em seus últimos momentos, antes de ser preso, Jesus orou apaixonadamente pela nossa unidade [João 17.2-23]. Era nossa união que estava em primeiro lugar em sua mente naquelas horas agonizantes. Isso mostra a importância do assunto.

Nada na terra é mais valioso para Deus que sua igreja. Ele pagou o mais alto preço por ela e a quer protegida, especialmente dos danos devastadores causados pelas divisões, conflitos e discordâncias. Se você é parte da família de Deus, é sua responsabilidade preservar a unidade no local em que você congrega. Você foi encarregado por Jesus de fazer todo o possível para preservar a unidade, proteger a comunhão e promover a harmonia na sua igreja e entre todos os crentes. A Bíblia diz:

Façam todo o esforço para conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz [Efésios 4.3].

Como podemos fazer isso? A Bíblia nos dá orientações práticas.

Concentre-se no que temos em comum, não em nossas diferenças. Paulo nos diz:

Portanto, concentremo-nos nas coisas que contribuem para a harmonia e no crescimento de nossa comunhão conjunta? [Romanos 14.19].

Como crentes, partilhamos um Senhor, um corpo, um propósito, um Pai, um Espírito, uma esperança, uma fé, um batismo e um amor [Romanos 10.12; 12.4-5; 1 Co 1.10; 8.6;].Partilhamos a mesma salvação, a mesma vida e o mesmo futuro — fatores muito mais importantes do que as diferenças que poderíamos enumerar. É nesses temas, e não em nossas diferenças pessoais, que devemos nos concentrar.

Devemos nos lembrar que foi Deus que escolheu nos dar diferentes personalidades, formações, raças e preferências; logo, deveríamos apreciar essas diferenças, e não simplesmente tolerá-las. Deus quer unidade, não uniformidade. Mas, para o bem da unidade, não devemos deixar que nossas diferenças nos dividam jamais. Precisamos nos manter concentrados no que mais importa — aprender a amar uns aos outros como Cristo nos amou e cumprir os cinco propósitos de Deus para cada um de nós e sua igreja.

O conflito é normalmente sinal de que o foco foi desviado para assuntos menos importantes; coisas que a Bíblia chama de assuntos controvertidos [Romanos 14.1;2 Tm 2.23]. Quando nos concentramos em personalidades, preferências, interpretações, estilos ou métodos, a divisão sempre acontece. Mas, se nos concentramos em amar uns aos outros e em cumprir os propósitos de Deus, chegamos à harmonia. Paulo implorou por isso:

Irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo suplico a todos vocês que concordem uns com os outros no que falam, para que não haja divisões entre vocês; antes, que todos estejam unidos num só pensamento e num só parecer [1 Co 1.10].

Seja realista em suas expectativas. Uma vez que você tenha descoberto como Deus quer que seja a verdadeira comunhão, é fácil ficar desanimado pela disparidade entre o ideal e o real em sua igreja. Você deve amar apaixonadamente a igreja, a despeito de suas imperfeições. Ansiar pelo ideal enquanto critica o real é sinal de imaturidade. Em contrapartida, conformar-se com o real sem lutar pelo ideal é passividade. Maturidade é conviver com essa tensão.

Outros crentes irão decepcioná-lo e desiludi-lo, mas isso não é desculpa para deixar de congregar com eles. Eles são a sua família, mesmo quando não agem desse jeito, e você não pode simplesmente abandoná-los. Em vez disso, Deus nos disse:

Sejam pacientes uns com os outros, fazendo concessões às faltas dos outros por causa do amor que há em vocês [Efésios 4.2].

As pessoas ficam desiludidas com a igreja por muitas razões compreensíveis. A lista poderia ser bastante longa: conflitos, mágoas, hipocrisia, negligência, mesquinharias, legalismo e outros pecados. Em vez de ficarmos abalados e surpresos, devemos lembrar que a igreja é feita de pecadores de verdade, inclusive nós mesmos. Por sermos pecadores, magoamos uns aos outros, às vezes intencionalmente e às vezes sem querer. Mas, em vez de deixarmos a igreja, precisamos ficar e solucionar o que for de alguma forma possível. A reconciliação, não a evasão, é a estrada para um caráter mais forte e para uma comunhão mais profunda.

Divorciar-se da igreja ao primeiro sinal de decepção ou desilusão indica imaturidade. Deus tem coisas que quer ensinar a você e aos outros também. Além do mais, não há nenhuma igreja perfeita para onde escapar. Toda igreja tem seu próprio conjunto de fraquezas e problemas, e você logo ficará novamente desapontado.

Groucho Marx era famoso por dizer que não gostaria de pertencer a um clube que o aceitasse como sócio. Se uma igreja deve ser perfeita para satisfazê-lo, essa mesma perfeição irá excluí-lo dentre seus membros, porque você não é perfeito! Dietrich Bonhoeffer, ministro alemão que foi martirizado por resistir aos nazistas, escreveu o clássico livro sobre comunhão: Life together [A vida em conjunto]. Nele, ele dá a entender que a desilusão com a igreja local é algo bom, porque destrói nossas falsas expectativas de perfeição. Quanto mais rápido renunciarmos à ilusão de que uma igreja deve ser perfeita para que a amemos, mais rápido deixaremos de fingir e admitiremos que somos todos imperfeitos e precisamos de graça. Esse é o início da verdadeira comunidade.

Toda igreja deveria afixar uma placa: “Pessoas perfeitas não precisam entrar. Este é um lugar somente para os que admitem ser pecadores, precisam de graça e querem crescer”.

Bonhoeffer disse:

“Aquele que ama seu sonho de uma comunidade mais do que a comunidade cristã em si torna-se um destruidor desta […] Se não dermos graças diariamente pela congregação cristã onde fomos colocados, mesmo quando não há nenhuma grande experiência, nenhuma riqueza a ser descoberta, mas apenas muita fraqueza, pouca fé e dificuldades, e se, ao contrário, continuamos nos queixando de que tudo é reles e insignificante, então impedimos que Deus permita à nossa congregação crescer” [Livro Vida em Comunhão].

Prefira incentivar a criticar. É sempre mais fácil ficar de lado e atirar pedras naqueles que estão servindo do que se envolver e contribuir. Deus nos adverte repetidamente que não critiquemos, comparemos ou julguemos uns aos outros. Quando você critica o que outro crente está fazendo na fé e com sincera convicção, está interferindo nos assuntos de Deus:

Que direito você tem de criticar o servo de alguém? Somente Deus pode decidir se ele está fazendo o que é certo [Romanos 14.4].

Paulo acrescenta que não devemos julgar ou desprezar crentes com convicções distintas das nossas:

Por que, então, você critica as ações de seu irmão? Por que tenta fazer com que ele pareça pequeno? Todos seremos julgados um dia, não com base nos padrões uns dos outros nem mesmo por nossos próprios padrões, mas pelo julgamento de Deus [Romanos 14.10].

Sempre que eu julgo outro crente, quatro coisas acontecem instantaneamente: perco minha comunhão com Deus, exponho meu próprio orgulho e insegurança, coloco-me em uma situação pela qual serei julgado por Deus e prejudico a comunhão da igreja. Um espírito crítico é um vício dispendioso.

A Bíblia chama Satanás de acusador dos nossos irmãos [Ap 12.10]. Culpar e criticar os membros da família de Deus queixando-se deles é trabalho do Diabo. No momento em que fazemos o mesmo, estamos sendo ludibriados para fazer o trabalho de Satanás. Lembre-se, os outros cristãos, não importa quanto você discorde deles, não são o verdadeiro inimigo. Todo tempo que desperdiçamos comparando ou criticando outros crentes é um tempo que deveríamos ter usado na edificação da unidade da congregação. A Bíblia diz:

Estejamos unidos no emprego de toda a nossa energia para nos harmonizarmos uns com os outros, ajudando os outros com palavras encorajadoras, não os colocando para baixo por lhes apontar as faltas [Romanos 14.19].

Recuse dar ouvidos a fofocas. Fofocar é transmitir informações quando você nem é parte do problema nem parte da solução. Você sabe que espalhar fofocas é errado, e não deve nem ouvi-las se quiser proteger sua igreja. Ouvir uma fofoca é como receptar mercadoria roubada; isso o faz igualmente culpado pelo crime.

Quando alguém começar a fofocar em seu ouvido, tenha a coragem de dizer: “Por favor, pare. Não preciso saber disso. Você já falou diretamente com a pessoa?”. Pessoas que fofocam para você também irão fofocar sobre você. Tais pessoas não são confiáveis. Se você dá ouvidos a fofocas, Deus diz que você é um criador de casos. Criadores de caso ouvem criadores de caso [Pv 17.4]. Esses são os que dividem igrejas, pensando apenas em si mesmos [Judas 19].

É triste que, no rebanho de Deus, as maiores feridas venham das outras ovelhas, e não de lobos. Paulo alertou sobre os cristãos canibais, que devoram uns aos outros e destroem a comunhão [Gálatas 5.15]. A Bíblia diz que esse tipo de encrenqueiro deveria ser evitado: A difamação revela segredos. Portanto, fique longe de quem é falador [Pv 20.19]. A forma mais rápida de pôr fim a um conflito, seja em uma igreja, seja em um grupo pequeno, é carinhosamente enfrentar os que estão fofocando e insistir em que parem. Salomão destacou que: Uma fogueira se apaga quando acaba a lenha; da mesma maneira, as brigas acabam quando o brigão e implicante é separado do grupo [Pv 26.20].

Pratique os métodos de Deus para a solução de conflitos. Além dos princípios mencionados no capítulo anterior, Jesus deu à igreja um processo simples dividido em três etapas:

Se o seu irmão pecar contra você, vá e, a sós com ele, mostre-lhe o erro. Se ele o ouvir, você ganhou seu irmão. Mas, se ele não o ouvir, leve consigo mais um ou dois outros, de modo que qualquer acusação seja confirmada pelo depoimento de duas ou três testemunhas. Se ele se recusar a ouvi-los, conte à igreja [Mateus 18.15-17].

Em meio a um conflito, temos a tentação de nos queixar a terceiros, em vez de corajosamente falar a verdade de maneira amorosa à pessoa com quem estamos aborrecidos. Isso só torna o assunto mais grave. Em vez disso, você deve ir diretamente à pessoa envolvida.

O confronto em particular é sempre o primeiro passo, e você deve tomá-lo o mais rapidamente possível. Se você não for capaz de resolver as coisas somente entre os dois, o próximo passo é levar uma ou duas testemunhas para ajudarem a confirmar o problema e reconciliar o relacionamento. E o que fazer se a pessoa ainda persistir teimosamente? Jesus ordena que se leve o assunto à igreja. E, se a pessoa ainda assim se recusar a escutar, você deve tratá-la como a um incrédulo.

Apóie o seu pastor e os líderes. Não existe um líder perfeito, mas Deus dá aos líderes a responsabilidade e a autoridade para que mantenham a unidade da igreja. Durante conflitos interpessoais, esse é um trabalho ingrato. Pastores têm freqüentemente a desagradável tarefa de agir como mediadores entre membros magoados e imaturos que estão em conflito. Eles também receberam a impossível tarefa de tentar fazer que todos fiquem felizes, o que nem Jesus conseguiu fazer!

A Bíblia é clara sobre como devemos nos relacionar com aqueles nos servem:

Sejam sensíveis a seus líderes pastorais. Ouçam seus conselhos. Eles estão atentos à condição da vida de vocês e trabalham sob a restrita supervisão de Deus. Contribuam para a alegria de sua liderança e não para os sobrecarregar. Por que tornar as coisas difíceis para eles? [Hebreus 13.17].

Os pastores algum dia estarão perante Deus e terão de prestar contas de como zelaram por você.

Eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas [Hebreus 13.17].

Mas você também terá de prestar contas. Você prestará contas a Deus sobre a forma que seguiu seus líderes.

A Bíblia dá aos pastores instruções específicas sobre como lidar com pessoas desagregadoras no meio da congregação. Eles devem evitar discussões e ensinar gentilmente o contrário, enquanto oram para que elas mudem. Devem admoestar os que são polêmicos, rogar por harmonia e unidade, repreender os que forem desrespeitosos com a liderança e remover os desagregadores da igreja, caso não considerem os dois avisos.

Protegemos a congregação quando honramos os que nos servem como líderes. Os pastores e anciãos necessitam de nossas orações, incentivos, apreço e amor. Recebemos as seguintes orientações:

Agora lhes pedimos, irmãos, que tenham consideração para com os que se esforçam no trabalho entre vocês, que os lideram no Senhor e os aconselham. Tenham-nos na mais alta estima, com amor, por causa do trabalho deles [1 Ts 5.12-13].

Eu o desafio a aceitar a responsabilidade de proteger e promover a união em sua igreja. Empenhe-se nisso com todo o seu esforço, e Deus irá se agradar. Nem sempre será fácil. Algumas vezes você terá de fazer o que é melhor para o corpo, e não para si mesmo, mostrando preferência pelos outros. Este é um dos motivos pelos quais Deus nos colocou em uma família eclesiástica: para aprendermos o altruísmo. Em comunidade, aprendemos a dizer “nós” em vez de “eu” e “nosso” em vez de “meu”. Deus diz:

Não pensem só em seu próprio bem. Pensem nos outros cristãos e no que é melhor para eles [1 Co 10.24].

Deus abençoa igrejas unidas. Na igreja de Saddleback, cada membro assina um pacto que inclui uma promessa de proteger nossa unidade. Conseqüentemente, a igreja jamais teve um conflito que dividisse a congregação. Tão importante quanto isso é o fato de todos quererem fazer parte dela, uma vez que se trata de uma comunidade unida e amorosa. Nos últimos sete anos, a igreja batizou mais de 9 100 novos convertidos. Quando Deus tem um punhado de novos cristãos que quer libertar, ele busca como incubadora a igreja mais carinhosa que puder encontrar.

O que você está fazendo no plano pessoal para tornar sua igreja local mais aconchegante e amorosa? Existem muitas pessoas em sua comunidade que estão procurando amor e um lugar ao qual pertencer. A verdade é que todo o mundo precisa e quer ser amado e, quando as pessoas acham uma igreja onde os membros verdadeiramente amam e se importam uns com os outros, elas vão dar um jeito de entrar ainda que as portas estejam trancadas.

DIA 21

PENSANDO SOBRE MEU PROPÓSITO

Um tema para reflexão: Tenho a responsabilidade de proteger a unidade de minha igreja.

Um versículo para memorizar: Portanto, concentremonos nas coisas que contribuem para a harmonia e no crescimento de nossa comunhão conjunta (Romanos 14.19; CH).

Uma pergunta para meditar: O que estou fazendo pessoalmente para proteger a unidade em minha família eclesiástica neste exato momento?

Anúncios

[Vida com Propósito] Dia 20 – Restaurando a comunhão quebrada

[Deus] restaurou o nosso relacionamento consigo por meio de Cristo e nos deu o ministério da restauração de relacionamentos. 2 Coríntios 5.18; GWT

Sempre vale a pena restaurar relacionamentos.

Uma vez que a vida consiste em aprender a amar, Deus quer que valorizemos os relacionamentos e nos esforcemos para mantê-los, em vez de descartá-los sempre que houver um desacordo, uma mágoa ou um conflito. Na verdade, a Bíblia diz que Deus nos deu o ministério da restauração de relacionamentos [2 Co 5.18]. Por esse motivo, boa parte do Novo Testamento é dedicada a nos ensinar a ter um bom relacionamento uns com os outros. Paulo escreveu:

Se vocês receberam algo por seguir a Cristo, se o amor dele fez alguma diferença na vida de vocês, se participar da comunidade do espírito significa algo para vocês […] concordem uns com os outros, amem uns aos outros, sejam amigos de verdade [Fil 2.1-2].

Paulo ensinou que a nossa habilidade de nos dar bem com as pessoas é uma marca de maturidade espiritual [Rm 15.5].

Uma vez que Cristo quer que sua família seja conhecida pelo amor entre seus membros [Jo 13.35], perder a comunhão é um testemunho deplorável para os que não crêem. Foi por isso que Paulo ficou tão envergonhado quando os membros da igreja de Corinto se dividiram em facções contrárias, chegando até mesmo a apresentar uns aos outros perante o juiz. Ele escreveu:

Que vergonha! Será que entre vocês não existe alguém com bastante sabedoria para resolver uma questão entre irmãos? [1 Co 6.5].

Ele ficou escandalizado ao descobrir que não havia ninguém maduro na igreja para resolver o conflito pacificamente. Na mesma carta, ele disse:

Digo isto com toda a veemência que posso: Vocês devem estar de acordo uns com os outros [1 Co 1.10].

Se você quer a bênção de Deus em sua vida e quer ser conhecido como filho de Deus, deve aprender a ser um pacificador. Jesus disse:

Deus abençoa os que trabalham pela paz, pois eles serão chamados filhos de Deus [Mateus 5.9].

Note que Jesus não disse “Bem-aventurados os que amam a paz, pois todo mundo ama a paz”. Nem disse “Bem- aventurados os pacíficos”, que nunca se incomodam com nada. Jesus disse: Bem aventurados aqueles que trabalham pela paz — aqueles que procuram efetivamente solucionar conflitos. Pacificadores são raros porque fazer a paz é um trabalho árduo.

Como você foi moldado para ser parte da família de Deus e o segundo propósito de sua vida na terra é aprender a amar e a se relacionar com as pessoas, promover a paz é uma das habilidades mais importantes que você pode desenvolver. Infelizmente, a maioria de nós jamais aprendeu a resolver conflitos.

Promover a paz não é evitar conflitos.Fugir de um problema, fingindo que ele não existe, ou ter medo de falar nele é na verdade covardia. Jesus, o Príncipe da Paz, nunca teve medo de conflitos. Em determinada ocasião, ele provocou um conflito para o bem de todos. Algumas vezes precisamos evitar conflitos, outras precisamos criá-los e ainda outras precisamos solucioná-los. É por isso que precisamos orar pedindo a direção contínua do Espírito Santo.

Pacificar também não é acalmar. Sempre desistir, agir como capacho e permitir que os outros sempre o atropelem não era o que Jesus tinha em mente. Ele se recusou a voltar atrás em muitas questões, sustentando seus argumentos em face de uma oposição diabólica.

Como restaurar um relacionamento

Como crentes, Deus nos chamou para ajustar nossos relacionamentos uns com os outros [2 Co 5.18]. Seguem sete passos bíblicos para a restauração da comunhão.

Fale com Deus antes de falar com a pessoa. Converse sobre o problema com Deus. Se antes de mais nada você for orar a respeito do conflito em vez de fofocar com um amigo, descobrirá que em geral ou Deus muda o seu coração, ou muda o coração da outra pessoa, sem sua ajuda. Todos os seus relacionamentos seriam mais tranqüilos se você tão-somente orasse mais a respeito deles.

Assim como Davi compôs seus salmos, use a oração para desabafar verticalmente. Conte a Deus suas frustrações. Grite por sua ajuda. Ele nunca fica surpreso ou chateado com sua raiva, mágoa, insegurança ou qualquer outra emoção. Diga-lhe, portanto, exatamente como se sente.

A maioria dos conflitos tem suas razões em necessidades não-satisfeitas. Algumas dessas necessidades só podem ser alcançadas por Deus. Quando você espera que uma pessoa qualquer amigo, mulher, chefe ou membro da família — satisfaça uma necessidade que somente Deus pode atender, você está se candidatando à amargura e à decepção. Ninguém pode suprir todas as suas necessidades, exceto Deus.

O apóstolo Tiago notou que muitos de nossos conflitos são causados por falta de oração:

De onde vêm as guerras e contendas que há entre vocês? […] Vocês cobiçam coisas, e não as têm. […] Não têm porque não pedem [Tiago 4.1-2].

Em vez de confiarmos em Deus, confiamos que os outros nos farão felizes, e então nos zangamos quando eles nos decepcionam. Deus diz: Por que vocês não vêm primeiro a mim?

Tome sempre a iniciativa. Não importa se você ofendeu ou foi ofendido: Deus espera que você dê o primeiro passo. Não espere pela outra parte, vá primeiro a ela. Restaurar a comunhão perdida é tão importante que Jesus ordenou até mesmo que tivesse precedência sobre o culto de adoração. Ele disse:

Se você entrar no lugar da adoração e na hora de entregar a oferta você repentinamente se lembrar de um rancor que um amigo tem contra você, abandone sua oferta, deixe-a imediatamente, procure esse amigo e acerte as contas com ele. Então, só depois de fazer isso, volte e acerte as coisas com Deus [Mateus 5.23-24].

Quando a comunhão é prejudicada ou rompida, planeje imediatamente uma conferência de paz. Não fique procrastinando, arrumando desculpas, nem prometa: “Dou um jeito nisso um dia desses”. Programe um encontro o mais rápido possível. Demoras só aprofundam ressentimentos e pioram a situação. Quando se trata de conflitos, o tempo não cura nada; ele faz que as mágoas se aprofundem.

Agir rapidamente também reduz os danos espirituais para você. A Bíblia diz que o pecado, o que inclui conflitos não-resolvidos, bloqueia a comunhão com Deus e impede que as orações sejam respondidas [Pv 28.9;1 Pe 3.7], além de nos tornar infelizes. Os amigos de Jó lembraram a ele que ficar desgostoso e amargurado é loucura, é falta de juízo, que leva à morte, lembram também que com a sua raiva, você só está se ferindo [Jó 5.2; 18.4].

O sucesso de uma conferência de paz em geral depende de escolher o momento e o local adequado. Não se reúna se você estiver cansado, apressado ou for ser interrompido. O melhor momento é quando ambos estão tranqüilos.

Tenha compaixão pelos sentimentos dos envolvidos. Use mais os ouvidos do que a boca. Antes de procurar solucionar qualquer desavença, você deve primeiro dar ouvidos aos sentimentos das pessoas. Paulo aconselhou:

Que ninguém procure somente os seus próprios interesses, mas também os dos outros [Fil 2.4].

A frase “cuidar de” é a palavra grega skopos, de onde formamos as palavras “telescópio” e “microscópio”. Significa prestar total atenção! Concentre-se em seus sentimentos, e não nos fatos. Comece pela compaixão, e não pela solução.

Não comece tentando conversar com as pessoas sobre como elas se sentem. Apenas ouça-as e deixe-as descarregar emocionalmente, sem ficar na defensiva. Assinta com a cabeça, sinalizando que compreende mesmo quando não concorda. Sentimentos nem sempre são verdadeiros ou lógicos. Na verdade, ressentimentos nos fazem agir e pensar como tolos. Davi admitiu:

O meu coração estava cheio de amargura, e fiquei revoltado. Eu não podia compreender, ó Deus; era como um animal, sem entendimento [Salmos 73.21-22].

Todos agimos como animais quando estamos feridos.

Em contrapartida, a Bíblia diz:

A sabedoria do homem lhe dá paciência; sua glória é ignorar as ofensas [Pv 19.11].

A paciência vem do conhecimento, e o conhecimento vem de escutar a perspectiva dos outros. Quando ouve, você está dizendo: “Valorizo a sua opinião, preocupo-me com nosso relacionamento e você é importante para mim”. O ditado é verdadeiro: as pessoas não se importam com o que sabemos até que saibam que nos importamos.

Para restabelecer a comunhão, é preciso carregar o “fardo” de termos consideração para com as dúvidas e temores de outras pessoas — daqueles que sentem que essas coisas estão erradas.

Agrademos ao outro, e não a nós próprios, e façamos aquilo que é para o seu bem e assim o edificaremos no Senhor [Romanos 15.2].

É sacrificante absorver pacientemente a raiva dos outros, sobretudo quando ela é infundada. Mas lembre-se: foi isso que Jesus fez por você. Ele suportou uma fúria infundada e maliciosa para salvá-lo. Cristo não agradou a si próprio, mas, como está escrito:

Os insultos dos que te injuriaram caíram sobre mim [Romanos 15.3].

Confesse sua parte no conflito. Se você realmente deseja restaurar um relacionamento, deve começar admitindo os próprios erros e transgressões. Jesus disse que esta é a forma de ver as coisas com mais clareza:

Tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão [Mateus 7.5].

Já que todos temos pontos cegos, você precisará pedir a uma terceira pessoa que o ajude a avaliar suas ações antes de se encontrar com a pessoa com quem você tem um conflito. Também peça a Deus que lhe mostre quanto do problema foi causado por você. Pergunte: “Sou eu o problema? Estou sendo irrealista, insensível ou sensível demais?”. A Bíblia diz:

Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamos a nós mesmos [1 Jo 1.8].

A confissão é uma ferramenta poderosa para a reconciliação. Freqüentemente, a forma de lidarmos com um conflito cria um problema ainda maior do que o problema inicial em si. Quando você começa admitindo humildemente os seus erros, isso neutraliza a raiva da outra pessoa e desarma o seu ataque, porque ela provavelmente esperava que você ficasse na defensiva. Não dê desculpas nem transfira a culpa; apenas confesse sinceramente qualquer participação que você tenha tido no conflito. Aceite a responsabilidade pelos seus erros e peça perdão.

Invista contra o problema, não contra a pessoa. Não há como solucionar o problema se você estiver preocupado em identificar a culpa. Você terá de fazer uma escolha. A Bíblia diz:

A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira [Pv 15.1]

Você nunca se fará entender estando zangado, então escolha cuidadosamente as palavras. Uma resposta branda é sempre melhor que uma resposta sarcástica.

Na solução de conflitos, a maneira em que você fala é tão importante quanto o que você fala. Se você falar de forma ofensiva, a outra pessoa ouvirá de forma defensiva. Deus nos diz:

Quem tem coração sábio é conhecido como uma pessoa compreensiva; quanto mais agradáveis são as suas palavras, mais você consegue convencer os outros [Pv 16.21].

Irritar as pessoas jamais funciona, e você nunca é persuasivo quando é áspero.

Durante a Guerra Fria, ambos os lados concordaram em que algumas armas eram tão destrutivas que jamais deveriam ser usadas. Atualmente, as armas químicas e biológicas foram banidas, e os estoques de armas nucleares estão sendo reduzidos e destruídos. Para o bem da comunhão, você deve destruir seu arsenal de armas nucleares relacionais, ou seja: condenar, menosprezar, comparar, rotular, insultar, ser irônico e sarcástico. Paulo resume tudo isso desta forma:

Não digam palavras que fazem mal aos outros, mas usem apenas palavras boas, que ajudam os outros a crescer na fé e a conseguir o que necessitam, para que as coisas que vocês dizem façam bem aos que ouvem [Efésios 4.29].

Coopere tanto quanto possível. Paulo disse:

Façam todo o possível para viver em paz com todas as pessoas [Romanos 12.18].

A paz sempre tem uma etiqueta de preço. Às vezes custa o nosso orgulho; freqüentemente custa o nosso egoísmo- Pelo bem da comunhão, faça o melhor que puder para chegar a um acordo, adapte-se aos outros e mostre preferência pelas necessidades deles [Rm 12.10; Fil 2.3]. Uma paráfrase da sétima bem-aventurança de Jesus diz: Você é bem-aventurado quando mostra às pessoas como cooperarem em vez de competirem e brigarem. É então que você descobre quem realmente é e o seu lugar na família de Deus [Mt 5.9].

Dê ênfase à reconciliação, não à solução. Não é realista esperar que todos concordem a respeito de tudo. A reconciliação se atem ao relacionamento, enquanto a solução se atém ao problema. Quando focamos a reconciliação, o problema perde importância e não raro se torna irrelevante.

Podemos restabelecer um relacionamento mesmo quando somos incapazes de resolver nossas diferenças. Os cristãos muitas vezes discordam sincera e legitimamente dando opiniões divergentes; mas podemos discordar sem ser desagradáveis. O mesmo diamante tem diferentes aspectos quando visto de diferentes ângulos. Deus espera unidade, não uniformidade. Podemos caminhar de braços dados sem concordarmos em todos os assuntos. Isso não significa que você deva desistir de encontrar uma solução. Você pode precisar continuar conversando e até mesmo discutindo — mas faça issocom espírito de harmonia. Reconciliação significa fazer as pazes, não necessariamente esquecer o assunto.

Com quem você precisa entrar em contato, por causa deste capítulo? Com quem você precisa restaurar a comunhão? Não demore mais nem um segundo. Dê uma parada agora mesmo e converse com Deus sobre essa pessoa. Então pegue o telefone e comece o processo. Esses sete passos são simples, mas não são fáceis. É necessário muito esforço para restaurar a comunhão com alguém. Foi por isso que Pedro recomendou:

Esforcem-se para viver em paz com os outros [1 Pe 3.11].

Mas, quando trabalha pela paz, você está fazendo o que Deus faria. É por isso que Deus chama os pacificadores de seus filhos [Mateus 5.9].

DIA 20

PENSANDO SOBRE MEU PROPÓSITO

Um tema para reflexão: Sempre vale a pena restaurar os relacionamentos.

Um versículo para memorizar: Façam todo o possível para viver em paz com todas as pessoas (Romanos 12.18; NTLH).

Uma pergunta para meditar: Com quem preciso restaurar meu relacionamento no dia de hoje?

[Vida com Propósito] Dia 19 – Cultivando a comunidade

Vocês podem desenvolver uma comunidade saudável e robusta que viva de acordo com Deus e desfrute os resultados se tão-somente derem conta da árdua tarefa de se relacionarem bem uns com os outros, tratando-se digna e honradamente. Tiago 3.18; Msg

Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos, à vida em comum, à refeição comunitária e às orações. Atos 2.42; Msg

Comunidade exige comprometimento.

Somente o Espírito Santo pode criar uma verdadeira comunhão entre crentes, mas ele processa isso através das escolhas e compromissos que fazemos. Paulo trata dessa dupla responsabilidade:

Vocês estão unidos na paz por meio do Espírito. Esforcem-se, portanto, para continuar unidos desse modo [Efésios 4.3].

É necessário tanto o poder de Deus quanto o nosso esforço para produzir uma comunidade cristã amorosa.

Infelizmente, muitas pessoas crescem em famílias com relacionamentos perniciosos, então carecem das habilidades relacionais necessárias à verdadeira comunhão. Elas devem ser ensinadas a lidar e se relacionar com as outras pessoas na família de Deus. Felizmente, o Novo Testamento é repleto de instruções sobre como partilhar uma vida. Paulo escreveu:

Escrevo-lhe estas coisas, [para que] saiba como viver na família de Deus. Essa família é a igreja [1 Timóteo 3.14-15].

Se você está cansado de comunhão fajuta e gostaria de cultivar uma comunidade amorosa com uma comunhão verdadeira em seu grupo pequeno, classe de escola dominical ou igreja, será necessário fazer algumas escolhas difíceis e assumir alguns riscos.

Formar uma comunidade exige sinceridade. Você deverá ter uma grande dedicação a falar a verdade de forma carinhosa, mesmo quando preferir passar por cima de um problema ou desconsiderar um assunto. Embora seja muito mais fácil permanecer em silêncio enquanto os outros à sua volta prejudicam a si próprios e aos outros com alguma prática pecaminosa, essa não é a atitude de amor a ser tomada. Poucas pessoas podem contar com alguém que as ame o suficiente para dizer-lhes a verdade (mesmo quando a verdade machuca), então continuam em caminhos de autodestruição. Nós freqüentemente sabemos o que precisa ser dito a alguém, mas nossos temores nos impedem de dizer. Muitas comunidades são sabotadas pelo medo: ninguém tem coragem de falar em meio ao grupo, enquanto a vida de um membro desmorona.

A Bíblia nos manda falar a verdade em amor [Efésios 4.15], porque não podemos ter uma comunidade sem sinceridade. Salomão disse:

A resposta sincera é sinal de uma amizade verdadeira [Pv 24.26].

Algumas vezes, isso significa importar-se a ponto de carinhosamente questionar aquele que estiver pecando ou sendo tentado a pecar. Paulo diz:

Irmãos, se alguém for surpreendido em algum pecado, vocês, que são espirituais, deverão restaurá-lo com mansidão [Gálatas 6.1-2].

Muitas comunidades e grupos pequenos permanecem superficiais por terem receio de conflitos. Toda vez que uma questão vem à tona e pode causar tensão ou desconforto, é imediatamente encoberta, a fim de preservar uma falsa sensação de paz. O Sr. “Panos Quentes” intervém e tenta aplacar os ânimos. O assunto nunca é resolvido, e todos vivem com uma frustração dissimulada. Todos sabem do problema, mas ninguém fala sobre ele abertamente. Isso cria um ambiente doentio de segredos, onde floresce a fofoca. A solução de Paulo era direta:

Chega de mentiras, chega de fingimento. Fale a verdade ao seu próximo. Afinal, no corpo de Cristo, estamos todos ligados uns aos outros. Quando você mente para os outros, você acaba mentindo para si mesmo [Efésios 4.25].

A verdadeira comunhão, seja no casamento, seja na amizade, seja na sua igreja, depende da franqueza. Na verdade, o túnel do conflito é a travessia para a intimidade em qualquer relacionamento. Até que vocês se importem o suficiente para confrontar e solucionar os obstáculos encobertos, jamais ficarão íntimos uns dos outros. Quando um conflito é tratado corretamente, crescemos em intimidade uns com os outros ao enfrentar e resolver nossas diferenças. A Bíblia diz:

No final, as pessoas valorizam a sinceridade mais que a bajulação [Pv 28.23].

Franqueza não é uma licença para dizer o que você quer, onde quiser e sempre que quiser. Não é grosseria. A Bíblia diz que existe um tempo certo e um modo certo de fazer cada coisa [Ec 8.6]. Palavras impensadas deixam feridas permanentes. Deus nos manda falar uns aos outros na igreja como carinhosos membros da mesma família:

Não repreenda asperamente o homem idoso, mas exorte-o como se ele fosse seu pai; trate os jovens como a irmãos, as mulheres idosas como a mães, e as moças como a irmãs [1 Tm 5.1-2].

Lamentavelmente, milhares de comunidades foram destruídas por falta de honestidade. Paulo teve de repreender a igreja de Corinto pelo seu código de silêncio passivo, ao permitir a imoralidade em sua comunidade. Visto que ninguém tinha coragem de enfrentar o problema, ele disse:

Vocês não podem simplesmente virar para o outro lado e esperar que isso vá embora por si mesmo. Exponham a situação e lidem com ela […] melhor a desolação e o constrangimento do que a condenação […] Vocês deixam isso passar como sendo algo pequeno, mas é tudo, menos pequeno […] Não deveriam agir como se tudo estivesse tranqüilo, quando um de seus companheiros cristãos é promíscuo ou delinqüente, é impertinente com Deus ou indelicado com os amigos, quando se embebeda ou se torna ganancioso e voraz. Vocês não podem simplesmente concordar com isso, agindo como se fosse um comportamento aceitável. Não sou responsável pelo que fazem os de fora, mas não teríamos alguma responsabilidade por aqueles de dentro de nossa comunidade? [1 Co 5.3-12].

Formar uma comunidade exige humildade. A presunção, o convencimento e o orgulho obstinado destroem a comunhão mais rápido que qualquer outra coisa. O orgulho ergue muros entre as pessoas; a humildade ergue pontes. A humildade é o ungüento que acalma e suaviza as relações. É por isso que a Bíblia diz:

Sejam todos humildes uns para com os outros [1 Pe 5.5].

A vestimenta adequada à comunhão é a postura humilde. O resto do último versículo diz:

… porque Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes[1 Pe 5.5].

Essa é a outra razão pela qual precisamos ser humildes: o orgulho obstrui a graça de Deus em nossa vida, a qual devemos ter para crescer, nos transformar, ser sarados e ajudar os outros. Recebemos a graça de Deus ao admitir humildemente que precisamos dela. A Bíblia diz que, no momento em que somos arrogantes, vivemos em oposição a Deus! Essa é uma maneira tola e perigosa de viver.

Você pode desenvolver a humildade de várias maneiras práticas: admitindo suas fraquezas, sendo paciente com as fraquezas dos outros, estando aberto para admoestações e pondo os outros em evidência. Paulo orientou:

Tenham a mesma atitude uns para com os outros. Não sejam orgulhosos, mas estejam dispostos a associar-se a pessoas de posição inferior. Não sejam sábios aos seus próprios olhos [Romanos 12.16].

Aos cristãos em Filipos ele escreveu:

Humildemente considerem os outros superiores a si mesmos. Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros [Fil 2.3-4].

Humildade não é pensar menos de si mesmo, mas pensar menos em si mesmo; humildade é pensar mais nos outros. Os humildes concentram-se de tal forma em servir os outros, que não pensam em si.

Formar uma comunidade exige cortesia. Somos corteses quando respeitamos nossas diferenças e somos cuidadosos com os sentimentos uns dos outros e pacientes com as pessoas que nos irritam. A Bíblia diz:

É preciso carregar o “fardo” de termos consideração para com as dúvidas e temores de outras pessoas — daqueles que sentem que essas coisas estão erradas. Agrademos ao outro, e não a nós próprios, e façamos aquilo que é para o seu bem e assim o edificaremos no Senhor [Rm 15.2].

Paulo disse a Tito:

O povo de Deus deve ser generoso e cortês [Tito 3.2].

Em toda igreja e em todo pequeno grupo, há sempre pelo menos uma pessoa “difícil”, e normalmente mais que uma. Essas pessoas podem ter carências emocionais, insegurança profunda, maneirismos irritantes e escassas habilidades sociais. Você deve chamá-las de pessoas NTE (“Necessária Tolerância Extra”).

Deus pôs essas pessoas em nosso meio tanto para benefício delas quanto nosso. Elas são uma oportunidade para crescermos e um teste para a comunhão. Será que conseguiremos amá-las como irmãos e irmãs, tratando-as com dignidade?

Em uma família, a aceitação não se baseia em quanto você é esperto, bonito ou talentoso. Baseia-se no fato de pertencermos uns aos outros. Defendemos e protegemos a família. Um membro da família pode ser um pouco pateta, mas ainda assim é um de nós. Da mesma forma, a Bíblia diz:

Sejam dedicados uns aos outros como uma família afetuosa. Aprimorem-se em demonstrar respeito uns para com os outros [Romanos 12.10].

A verdade é que todos temos excentricidades e traços de temperamento irritantes, mas comunidade não tem nada que ver com compatibilidade. O fundamento para termos comunhão é nosso relacionamento com Deus: somos uma família.

Um segredo para a cortesia é saber de onde as pessoas estão vindo. Descubra o histórico delas. Quando você souber por que coisas passaram, certamente será mais compreensivo. Em vez de pensar na distância que elas ainda têm a percorrer, pense na distância que já percorreram apesar da dor que carregam.

Outra parte da cortesia é não subestimar as dúvidas das outras pessoas. O fato de você não temer alguma coisa não torna esse sentimento inválido. A verdadeira comunidade se forma quando as pessoas sabem que é seguro partilhar seus medos e suas dúvidas sem serem julgadas.

Formar uma comunidade exige sigilo. Somente em um ambiente seguro, onde houver um acolhimento carinhoso e sigilo confiável, as pessoas se abrirão e compartilharão suas maiores mágoas, necessidades e erros. Sigilo não significa ficar em silêncio enquanto seu irmão ou irmã peca, e sim saber que aquilo que for comentado no grupo ficará restrito ao grupo. O grupo precisa conviver com isso e evitar a fofoca.

Deus detesta a fofoca; principalmente quando é maldosamente disfarçada como “pedido de oração” a favor de alguém. Deus diz:

Os maus provocam discussões, e quem fala mal dos outros separa os maiores amigos [Pv 16.28].

A fofoca sempre causa mágoa e discórdia, e isso destrói amizades. Deus é claro quando nos orienta a advertir os que causam dissensão entre cristãos [Tito 3.10]. Eles podem se enfurecer e deixar seu grupo ou igreja ao serem enfrentados por causa de suas ações que semeiam a discórdia; mas a comunhão da igreja é mais importante que qualquer indivíduo.

Formar uma comunidade exige constância. Você deve manter um contato constante e regular com seu grupo, a fim de desenvolver a verdadeira comunhão. Relacionamentos exigem tempo. A Bíblia nos diz:

Não abandonemos, como alguns estão fazendo, o costume de assistir às nossas reuniões. Pelo contrário, animemos uns aos outros [Hebreus 10.25].

Devemos desenvolver o hábito de nos reunir. Hábito é algo que você faz com freqüência, e não uma vez ou outra. Você tem de passar tempo com as pessoas — muito tempo — para estabelecer relacionamentos íntimos. É por isso que a comunhão é tão superficial em muitas igrejas; não passamos tempo suficiente juntos, e o tempo que passamos é usado normalmente para ouvir uma única pessoa falar.

Uma comunidade não é formada de acordo com nossa conveniência (“Vamos nos reunir quando eu tiver vontade”), mas na convicção de que ela é necessária para nossa saúde espiritual. Se você quiser cultivar uma comunhão verdadeira, isso significará reunir-se mesmo quando você não tenha vontade, porque você acredita que é importante. Os primeiros cristãos se reuniam todos os dias!

Regularmente eles adoravam juntos no templo todos os dias, reuniam-se em grupos pequenos nas casas para a Comunhão, e participavam das suas refeições com grande alegria e gratidão [Atos 2.46].

Viver em comunhão requer investimento de tempo.

Se você é membro de um grupo pequeno ou de uma classe de escola dominical, recomendo que se faça um pacto entre todos, o qual inclua as nove características da comunhão bíblica: “Partilharemos nossos verdadeiros sentimentos (autenticidade), incentivaremos uns aos outros (reciprocidade), apoiaremos uns aos outros (compaixão), perdoaremos uns aos outros (misericórdia), falaremos a verdade com amor (sinceridade), admitiremos nossas fraquezas (humildade), respeitaremos nossas diferenças (cortesia), não fofocaremos (sigilo) e faremos do grupo uma prioridade (constância)”.

Quando você olha a lista de características, torna-se evidente o motivo por que comunhão é tão rara. Ela significa desistir de nosso individualismo e independência para nos tornar interdependentes. Mas os benefícios de dividir a vida com os outros suplanta largamente os custos e nos prepara para o céu.

DIA 19

PENSANDO SOBRE MEU PROPÓSITO

Um tema para reflexão: Comunidade exige comprometimento.

Um versículo para memorizar: Nós compreendemos o que é o amor quando descobrimos que Cristo deu sua vida por nós. Significa que temos de dar nossa vida pelos outros crentes (1 João 3.16; GWT).

Uma pergunta para meditar: Como posso hoje ajudar a criar as características de uma comunidade verdadeira em meu grupo pequeno e em minha igreja?

[Vida com Propósito] Dia 18 – Tendo uma vida em comum

Cada um de vocês é parte do corpo de Cristo, e vocês foram escolhidos para viver juntos em paz. Colossenses 3.15; CEV

Como é bom e agradável que o povo de Deus viva unido como se todos fossem irmãos! Salmos 133.1; NTLH

A vida foi feita para ser partilhada.

Deus quer que vivamos juntos. A Bíblia chama essa experiência compartilhada de comunhão. Hoje em dia, entretanto, a palavra perdeu grande parte de seu significado bíblico. “Comunhão” ou “confraternização” hoje se refere normalmente a uma conversa casual, uma atividade social, comida e diversão. A pergunta “Onde você busca comunhão [congrega]?” significa “Qual igreja você freqüenta?”. “Ficar para a confraternização [comunhão]” normalmente significa “esperar pelo lanche”.

A real comunhão significa muito mais do que apenas aparecer nos cultos. É ter vida em comum. Ela inclui amar altruisticamente, compartilhar com transparência, servir nas necessidades práticas, ser generoso com o sacrifício de si mesmo, consolar compassivamente e todas as outras orientações “uns aos outros” encontradas no Novo Testamento.

Quando se trata de comunhão, o tamanho importa: quanto menor melhor. Você pode adorar no meio de uma multidão, mas não pode ter comunhão com ela. Quando um grupo se torna algo maior do que dez pessoas, alguém deixa de participar — normalmente o mais pacato —, e umas poucas pessoas acabam dominando o grupo.

Jesus ministrou no contexto de um pequeno grupo de discípulos. Ele podia ter escolhido mais, porém sabia que doze estava em torno do número máximo de pessoas que um grupo pequeno pode conter para que todos possam participar.

O corpo de Cristo, assim como seu próprio corpo, é na verdade um conjunto de muitas pequenas células. A vida do corpo de Cristo, tal qual o seu corpo, está contida no interior das células. Por essa razão, todo cristão deve estar envolvido em um pequeno grupo dentro de sua igreja; seja um grupo de comunhão nos lares, seja uma classe de escola dominical, seja um grupo de estudo bíblico. É ali que ocorre a verdadeira comunhão, e não nas grandes reuniões. Se você imaginar sua igreja como um navio, os grupos pequenos são os botes salva-vidas presos a ela.

Deus fez uma fantástica promessa a respeito de grupos pequenos de crentes:

Pois onde se reunirem dois ou três em meu nome, ali eu estou no meio deles [Mateus 18.20].

Infelizmente, mesmo estar em um grupo pequeno não lhe garante experimentar uma comunhão real. Muitas classes de escola dominical, bem como grupos pequenos, ficam presos à superficialidade e não fazem idéia de como é experimentar a verdadeira comunhão. Qual é a diferença entre a comunhão verdadeira e a falsa?

Na comunhão verdadeira, as pessoas encontram autenticidade. A comunhão autêntica não é superficial; um papo-furado repleto de banalidades. É genuína, de coração para coração; às vezes permitindo partilhar coisas íntimas. Ela ocorre quando as pessoas são verdadeiras sobre quem são e sobre o que está acontecendo em sua vida. Elas dividem suas mágoas, revelam seus sentimentos, confessam suas falhas, dão a conhecer suas dúvidas, admitem seus medos, reconhecem suas fraquezas e pedem ajuda e oração.

Autenticidade é exatamente o oposto do que você encontra em algumas igrejas. Em vez de uma atmosfera de honestidade e humildade, há uma conversação fingida, representada, politiqueira, superficialmente educada e frívola. As pessoas vestem máscaras, mantêm a guarda levantada e agem como se tudo em sua vida fosse positivo. Essas atitudes são a morte da verdadeira comunhão.

É somente quando somos abertos sobre nossa vida que experimentamos a real comunhão. A Bíblia diz:

Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros […] se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamos a nós mesmos [1 João 1.7-8].

O mundo pensa que a intimidade ocorre na escuridão, mas Deus diz que ocorre na luz. As trevas são usadas para esconder ferimentos, erros, medos, fracassos e falhas. Mas, na luz, nós os trazemos todos para um lugar aberto e admitimos quem realmente somos.

Naturalmente, ser autêntico exige tanto coragem quanto humildade. Significa enfrentar seu medo de exposição, de rejeição e de ser novamente magoado. Por que alguém correria tal risco? Porque é a única maneira de crescer espiritualmente e ser emocionalmente saudável. A Bíblia diz:

Portanto, confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados [Tiago 5.16].

Nós só crescemos assumindo riscos, e o mais difícil risco de todos é sermos honestos com nós mesmos e com os outros.

Na verdadeira comunhão, as pessoas encontram reciprocidade. Reciprocidade é a arte de dar e receber. É depender um do outro. A Bíblia diz:

A forma em que Deus estruturou os nossos corpos é o modelo para compreendermos as vidas reunidas como igreja: todas as partes são interdependentes [1 Co 12.25].

Mutualidade é o coração da comunhão: edificar relacionamentos recíprocos, dividir responsabilidades e ajudar uns aos outros. Paulo disse:

Quero que nos ajudemos uns aos outros com a fé que temos. A vossa fé me ajudará, e a minha fé os ajudará [Romanos 1.11-12].

Todos somos mais constantes em nossa fé, quando outras pessoas caminham conosco e nos incentivam. A Bíblia ordena que haja prestação de contas, incentivo recíproco, mútuo atendimento e honra recíproca [Rm 12.10]. Por mais de cinqüenta vezes ao longo do Novo Testamento, somos orientados a realizar diferentes tarefas “uns aos outros” e “entre si”. A Bíblia diz:

Esforcemo-nos em promover tudo quanto conduz à paz e à edificação mútua [Romanos 14.19].

Você não é responsável por todos no corpo de Cristo, mas é responsável para com eles. Deus espera que você faça tudo que puder para ajudá-los.

Na verdadeira comunhão, as pessoas encontram compaixão. Compaixão não é dar um conselho ou oferecer uma ajuda rápida e superficial; compaixão é penetrar e partilhar a dor dos outros. A compaixão diz: “Compreendo o que você está passando, e o que você sente não é estranho ou absurdo”. Hoje em dia algumas pessoas chamam isso de “empatia”, mas a palavra bíblica é “compaixão”. A Bíblia diz:

Como povo escolhido de Deus […] revistam-se de profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência [Colossenses 3.12].

A compaixão alcança duas necessidades fundamentais dos seres humanos: a necessidade de ser compreendido e a necessidade de ter seus sentimentos confirmados. Toda vez que compreende e confirma o sentimento de alguém, você constrói comunhão. O problema é que estamos freqüentemente tão apressados em corrigir as coisas que não temos tempo de sentir compaixão. Ou ainda estamos preocupados com nossas mágoas. A autopiedade esgota completamente a compaixão pelas outras pessoas.

Existem diferentes níveis de comunhão, e cada um é adequado a um momento diferente. Os níveis mais superficiais de comunhão são: a comunhão de colaboração e a comunhão de estudo da Palavra de Deus em conjunto. Em um nível mais profundo está a comunhão de serviço, como quando ministramos em conjunto em viagens missionárias ou em obras de caridade. O nível mais profundo e intenso é a comunhão de sofrimento [Filipenses 3.10; Hebreus 10.33-34], quando entramos na dor e no sofrimento uns dos outros e carregamos os fardos uns dos outros. Os cristãos que melhor compreendem esse nível são os que ao redor do mundo estão sendo perseguidos, depreciados e freqüentemente martirizados por sua fé.

A Bíblia ordena:

Compartilhem os seus problemas e transtornos uns com os outros e dessa forma obedeçam à lei de Cristo [Gálatas 6.2].

É em tempos de crise, tristeza e dúvidas profundas que mais precisamos uns dos outros. Quando as circunstâncias nos esmagam a ponto de nossa fé vacilar, é que mais precisamos de amigos crentes. Precisamos de um grupo pequeno de amigos que tenham fé em Deus por nós e para nos fazer vencer as dificuldades. Em um grupo pequeno, o corpo de Cristo é real e palpável, mesmo quando Deus parece distante. Foi disso que Jó necessitou durante seu sofrimento. Ele exclamou:

Um homem desesperado deve receber a compaixão de seus amigos, muito embora ele tenha abandonado o temor do Todo-Poderoso [Jó 6.14].

Na comunhão verdadeira, as pessoas encontram misericórdia. A comunhão é uma situação em que opera a graça; em que os erros não são lembrados, mas apagados. A comunhão acontece quando a misericórdia triunfa sobre a justiça.

Todos precisamos de misericórdia, porque todos tropeçamos e caímos e precisamos de ajuda para voltar ao caminho. Precisamos oferecer misericórdia uns aos outros e estar dispostos a recebê-la uns dos outros. Deus diz:

Quando as pessoas pecarem, vocês devem perdoá-las e confortá-las, para que não sejam vencidas pelo desespero [2 Co 2.7].

Você não pode ter comunhão sem que haja perdão. Deus alerta: Jamais guardem rancor [Col 3.13], porque amargura e ressentimento sempre destroem a comunhão. Como somos imperfeitos e pecadores, inevitavelmente magoamos uns aos outros quando ficamos juntos por algum tempo. Às vezes magoamos uns aos outros intencionalmente e às vezes sem querer, mas de qualquer forma são necessárias enormes quantidades de graça e misericórdia para criar e manter a comunhão. A Bíblia diz:

Vocês precisam ter consideração para com as faltas uns dos outros e perdoar aos que lhes ofendem. Lembrem-se: assim como o Senhor lhes perdoou, vocês devem perdoar aos outros [Col 3.13].

A misericórdia de Deus para conosco é um estímulo para mostrarmos misericórdia com os outros. Lembre-se: jamais lhe será pedido que perdoe a alguém mais do que Deus já lhe perdoou. Sempre que é magoado por alguém, você tem uma escolha a fazer: usar sua energia e seus sentimentos para buscar vingança ou encontrar solução. Você não tem como buscar a ambos.

Muitas pessoas relutam em mostrar misericórdia porque não sabem a diferença entre confiar e perdoar. Perdoar é esquecer o passado. Confiar tem relação com comportamento futuro.

O perdão deve ser imediato, tenha ou não a pessoa pedido por ele. A confiança deve ser reconstruída com o transcurso do tempo. Confiança exige antecedentes. Se o magoam repetidamente, Deus lhe ordena que perdoe imediatamente; mas não se espera que você volte a confiar imediatamente ou que continue permitindo que tais pessoas o magoem. Elas devem mostrar que mudaram com o tempo. O melhor lugar para restaurar a confiança é no contexto de apoio mútuo de um grupo pequeno que ofereça tanto encorajamento como prestação de contas mútuos.

Existem muitos outros benefícios que você irá experimentar ao fazer parte de um grupo pequeno comprometido com a verdadeira comunhão. Essa é uma parte essencial da sua vida cristã que não pode ser ignorada. Por mais de dois mil anos, os cristãos têm se reunido regularmente em grupos pequenos para buscar comunhão. Se você nunca fez parte de um grupo ou de uma classe como essa, não sabe o que está perdendo.

No próximo capítulo, veremos o que é necessário para criar esse tipo de comunidade com os outros crentes, mas espero que este capítulo o tenha deixado ansioso para experimentar a autenticidade, a reciprocidade, a compaixão e a misericórdia da verdadeira comunhão. Você foi criado para viver em comunidade.

DIA 18

PENSANDO SOBRE MEU PROPÓSITO

Um tema para reflexão: Preciso de outras pessoas em minha vida.

Um versículo para memorizar: Compartilhem os seus problemas e transtornos uns com os outros e dessa
forma obedeçam à lei de Cristo (Gaiatas 6.2; NLT).

Uma pergunta para meditar: Que passo posso dar hoje para me unir a outro crente de forma mais íntima e verdadeira?

[Vida com Propósito] Dia 17 – Um lugar ao qual pertencer

Agora vocês […] são […] membros da própria família de Deus e cidadãos do país de Deus, e pertencem à casa de Deus como todos os outros cristãos. Efésios 2.19; BV

A família de Deus é a igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade. 1 Timóteo 3.15; GWT

Você é chamado para participar, não somente para crer.

Mesmo no mais perfeito e imaculado ambiente do Éden, Deus disse:

Não é bom que o homem esteja só [Gênesis 2.18].

Fomos criados para viver em comunidade, moldados para o companheirismo e formados para uma família; e nenhum de nós pode cumprir os propósitos de Deus sozinho e sem ajuda.

A Bíblia não apresenta nenhum santo solitário ou eremita espiritual que vivesse isolado dos outros crentes, privado de companhia. A Bíblia diz que fomos ajuntados, reunidos, juntamente edificados, juntamente tornados membros, juntamente feitos herdeiros, combinados, mantidos juntos e que seremos juntamente arrebatados. Você não está mais por conta própria.

Embora seu relacionamento com Cristo seja pessoal, Deus nunca quis que fosse particular. Na família de Deus, você está unido a todos os outros crentes, e faremos parte uns dos outros por toda a eternidade. A Bíblia diz:

Em Cristo nós, que somos muitos, formamos um corpo, e cada membro está ligado a todos os outros [Romanos 12.5].

Seguir a Cristo inclui integrar, não apenas acreditar. Somos membros de seu corpo — a igreja. C. S. Lewis observou que a palavra “membro” é de origem cristã, mas foi esvaziada de seu significado original. Lojas oferecem descontos a “membros”, e os anunciantes usam os nomes desses membros para criar listas de mala-direta. Nas igrejas, tornar-se membro significa simplesmente adicionar o seu nome a uma lista, sem nenhum requisito ou expectativa.

Para Paulo, ser “membro” da igreja significava ser um órgão vital de um corpo vivo, parte indispensável e interconectada a todo o corpo de Cristo [Romanos 12.4-5; 1 Co 6.15; 12.12-27]. Precisamos restabelecer e praticar o significado bíblico dessa palavra. A igreja é um corpo, não um edifício; um organismo, não uma organização.

Para que os órgãos de seu corpo cumpram o seu propósito, eles precisam estar conectados ao corpo. O mesmo ocorre com você como parte do corpo de Cristo. Você foi criado para uma função específica, mas irá perder esse segundo propósito para a sua vida se não estiver agregado a uma igreja local. Você descobre o seu papel nesta vida pelo relacionamento com os outros. A Bíblia diz:

Cada parte tem seu sentido no corpo como um todo, e não ao contrário. O corpo de que falamos é o corpo de Cristo, formado pelos escolhidos. Cada um de nós acha o seu significado e função como membro desse corpo. Mas, como um dedo amputado ou um dedão arrancado não somos grande coisa, não é mesmo? [Romanos 12.4-5]

Se um órgão é de alguma forma desligado do corpo, ele murcha e morre. Ele não pode existir por si mesmo, nem você. Desligado e arrancado do sangue vital da igreja local, sua vida espiritual fenece e acaba por deixar de existir [Efésios 4.16]. É por isso que o primeiro sintoma de declínio espiritual é normalmente o comparecimento irregular aos cultos e a outras reuniões. Sempre que nos tornamos descuidados com a igreja, todo o resto também começa a desmoronar.

Ser membro da família de Deus não é irrelevante, nem é algo a ser despreocupadamente desconsiderado. A igreja é o plano de Deus para o mundo. Jesus disse:

Edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela [Mateus 16.18].

A igreja é indestrutível e existirá eternamente. Ela sobreviverá ao universo, assim como sua função nele. A pessoa que diz “Eu não preciso da igreja” é tanto arrogante quanto ignorante. A igreja é tão importante que Jesus morreu na cruz por ela. Cristo amou a igreja e entregou-se por ela [Efésios 5.25].

A Bíblia chama a igreja de “a noiva de Cristo” e de o corpo de Cristo [2 Co 11.2; 1 Co 12.27; Ef 5.27]. Eu não posso imaginar alguém dizendo para Jesus “Eu te amo, mas não gosto de tua esposa”. Ou: “Eu te aceito, mas rejeito teu corpo”. Mas é isso que fazemos quando desprezamos e depreciamos a igreja, ou reclamamos dela. Em vez disso, Deus nos manda amar a igreja, tanto quanto Jesus a amou. A Bíblia diz:

Amem a sua família espiritual. [1 Pedro 2.17].

Lamentavelmente, muitos cristãos usam a igreja, mas não a amam.

Sua comunidade local

Salvo em poucas e importantes exceções, como quando alude a todos os crentes ao longo da história, quase todas as vezes que a palavra “igreja” é utilizada na Bíblia, ela se refere a uma congregação visível e local. O Novo Testamento parte do princípio de que o membro pertence à congregação local. Os únicos cristãos que não pertenciam a grupos locais eram aqueles sob a disciplina da igreja, os quais eram removidos de entre a irmandade por causa de pecados públicos flagrantes [1 Co 5.1-13].

A Bíblia diz que o cristão sem igreja local é como o órgão sem o corpo, a ovelha sem o rebanho ou a criança sem a família. É uma situação anormal. A Bíblia diz:

… e pertencem à casa de Deus como todos os outros cristãos [Efésios 2.19].

Os valores de hoje, que advogam a independência e o individualismo, criaram muitos órfãos espirituais — o “crente-coelho”, que fica saltando de uma igreja para outra, sem filiação, responsabilidade ou compromisso. Muitos crêem que é possível ser um “bom cristão” sem estar unido [ou mesmo sem freqüentar) uma igreja local, mas Deus discordaria veementemente. A Bíblia oferece muitas razões irrefutáveis para sermos ativos e comprometidos em uma comunidade local.

Por que você precisa da família eclesiástica

A família eclesiástica o identifica como crente autêntico. Não posso afirmar que sou um seguidor de Cristo se não sou comprometido com um grupo específico de discípulos. Jesus disse:

O amor de vocês uns pelos outros irá provar ao mundo que vocês são meus discípulos [João 13.35].

Quando em amor, reinumo-nos como uma família na igreja, com diferentes formações, raça e status social, levamos ao mundo um poderoso testemunho [Gálatas 3.28]. Você não é o corpo de Cristo isoladamente; você precisa de outros para expressar essa condição. Juntos, e não separados, somos o seu corpo [1 Co 12.27].

A família eclesiástica o retira do isolamento egoísta. A igreja local é a sala de aula onde você aprenderá a se relacionar com a família de Deus. É o laboratório para a prática do altruísmo e do amor compassivo. Como membro ativo, você aprende a se interessar pelos outros e a partilhar suas experiências:

Se uma parte do corpo sofre, as demais partes sofrem com ela. Ou, se uma parte é honrada, as demais compartilham de sua honra [1 Co 12.26].

Somente pelo contato regular com crentes comuns e imperfeitos podemos aprender o verdadeiro companheirismo e experimentar a verdade do Novo Testamento: ser unidos e dependentes uns dos outros.

O companheirismo bíblico compreende sermos tão comprometidos uns com os outros quanto o somos com Jesus Cristo. Deus espera que entreguemos nossa vida uns pelos outros. Muitos cristãos que conhecem João 3.16 são alheios a 1 João 3.16:

Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos.

Esse é o tipo de amor sacrificial que Deus espera que você demonstre aos outros crentes — uma disposição para amá-los da mesma forma que Jesus o amou.

Fazer parte da igreja ajuda a desenvolver músculos espirituais. Você jamais chegará à maturidade apenas comparecendo aos cultos de adoração como espectador passivo. Somente a plena participação nas atividades da igreja local desenvolve músculos espirituais. A Bíblia diz:

À medida que cada parte realiza o seu trabalho, ela coopera para o crescimento das outras partes, para que todo o corpo esteja saudável, crescendo e cheio de amor [Efésios 4.16].

As expressões “uns com os outros” e “entre si” são usadas mais de cinqüenta vezes no Novo Testamento. Somos ordenados a amar uns aos outros, a orar uns pelos outros, a incentivar uns aos outros, a admoestar uns aos outros, a saudar uns aos outros, a servir uns aos outros, a ensinar uns aos outros, a aceitar uns aos outros, a honrar uns aos outros, a carregar os fardos uns dos outros, a perdoar uns aos outros, a nos submeter uns aos outros, a ser dedicados uns aos outros, além de muitas outras obrigações mútuas. Isso é ser um membro, do ponto de vista bíblico! Essas são suas “responsabilidades familiares”, que Deus espera que você cumpra na comunidade local. Com quem você vem agindo dessa forma?

Pode parecer mais fácil ser santo quando não há mais ninguém por perto para frustrar suas preferências, mas essa é uma santidade falsa. O isolamento produz a falácia; é fácil nos enganarmos pensando sermos maduros quando não há ninguém para nos contestar. A verdadeira maturidade se manifesta nos relacionamentos.

Precisamos mais do que a Bíblia para crescer; precisamos de outros crentes. Crescemos mais fortes e mais rapidamente aprendendo uns com os outros e sendo responsáveis uns pelos outros. Quando os outros compartilham o que Deus os está ensinando, também aprendemos a progredir.

O corpo de Cristo precisa de você. Deus tem uma função específica para você desempenhar na sua família. Isso se chama “ministério”, e Deus lhe concedeu talentos para esta missão:

Um dom espiritual é dado a cada um de nós, visando ajudar a toda a igreja [1 Co 12.7]

A comunidade local é o lugar que Deus planejou para que você descobrisse, desenvolvesse e utilizasse seus talentos. Você até pode ter um ministério mais amplo, mas adicionalmente ao seu serviço no corpo local. Jesus não prometeu edificar seu ministério; prometeu edificar a igreja dele.

Você participará na missão de Cristo no mundo. Enquanto Jesus andou sobre a terra, Deus trabalhou por meio do corpo físico de Cristo; nos dias de hoje, ele usa seu corpo espiritual. A igreja é o instrumento de Deus na terra. Não devemos apenas ser exemplo do amor de Deus ao nos amarmos uns aos outros; devemos transmiti-lo em conjunto para o resto do mundo. Esse é um privilégio incrível que foi concedido a todos nós. Como membros do corpo de Cristo, nós somos suas mãos, seus pés, seus olhos e seu coração. Ele trabalha no mundo por meio de nós, e cada um de nós tem uma contribuição a dar. Paulo nos diz:

Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos [Efésios 2.10]

A família de Deus irá impedi-lo de decair. Nenhum de nós está imune à tentação. Nas circunstâncias apropriadas, você e eu somos capazes de qualquer pecado [Jeremias 17.9; 1 Co 10.12;1 Timóteo 1.19]. Deus sabe disso, então nos atribuiu individualmente a responsabilidade de mantermos uns aos outros no caminho certo. A Bíblia diz:

Encorajem-se uns aos outros todos os dias […] de modo que nenhum de vocês seja endurecido pelo engano do pecado [Hebreus 3.13].

“Não é da sua conta” não é uma frase cristã. Somos chamados e ordenados a nos envolver na vida uns dos outros. Se você conhece pessoas que estão vacilando espiritualmente neste exato momento, é sua a responsabilidade de ir atrás delas e trazê-las de volta para a comunhão. Tiago nos diz:

Se vocês conhecerem pessoas que se desviaram da verdade de Deus, não as desprezem. Procurem-nas e tragam-nas de volta [Tiago 5.19-20].

Um benefício correlato da igreja local é que ela também proporciona a proteção espiritual de líderes devotos. Deus dá aos pastores a responsabilidade de guardar, proteger, defender e cuidar do bem estar espiritual de seus fiéis. Foi-nos dito:

A responsabilidade deles é zelar por suas almas, e eles sabem que devem prestar contas disso a Deus [Hebreus 13.17].

Satanás adora crentes afastados, desligados da vida no corpo, isolados da família de Deus e incompreensíveis para os líderes espirituais; porque ele sabe que eles são indefesos e impotentes contra suas estratégias.

Está tudo na igreja

Em meu livro Uma igreja com propósitos, explico como ser parte de uma igreja saudável é essencial para levar uma vida saudável. Espero que você também leia esse livro, pois ajudará a compreender como Deus planejou sua igreja especificamente para auxiliá-lo a cumprir os cinco propósitos que ele tem para sua vida. Ele criou a igreja para satisfazer suas cinco necessidades mais cruciais: um propósito para o qual viver, pessoas com quem viver, princípios pelos quais viver, uma profissão para se sustentar e força para seguir vivendo. Não há nenhum outro lugar na terra em que você possa achar esses cinco benefícios em um só lugar.

Os propósitos de Deus para sua igreja são idênticos aos cinco propósitos que ele tem para você. A adoração o ajuda a se concentrar em Deus, a comunidade ajuda-o a enfrentar os problemas da vida, o discipulado ajuda a fortificar a sua fé, o ministério ajuda a descobrir seus talentos e o evangelismo ajuda a cumprir sua missão. Nesta terra, não há nada como a igreja.

Sua escolha

Sempre que uma criança nasce, torna-se automaticamente parte da família universal dos seres humanos. Mas essa criança também se torna membro de uma família específica, onde será nutrida, cuidada e crescerá forte e saudável. O mesmo ocorre do ponto de vista espiritual. Quando você nasce de novo, torna-se automaticamente parte da família universal de Deus, mas também precisa se tornar membro de uma versão local da família de Deus.

A diferença entre visitar a igreja e ser membro da igreja está no comprometimento. Visitantes são espectadores que ficam à parte; membros se envolvem no ministério. Visitantes consomem; membros contribuem. Visitantes querem os benefícios que a igreja traz, sem participar das responsabilidades. São como casais que querem viver juntos sem se casar.

Por que é importante se juntar a uma igreja local? Porque isso prova que você está de fato comprometido com seus irmãos e irmãs espirituais, não somente de forma teórica. Deus quer que você ame pessoas reais, e não pessoas ideais. Você pode passar a vida inteira buscando a igreja perfeita, porém jamais irá encontrá-la. Você foi chamado para amar pecadores imperfeitos, assim como Deus faz.

Em Atos dos Apóstolos, os cristãos de Jerusalém eram bem específicos em seus compromissos uns com os outros. Eles eram dedicados à comunidade. A Bíblia diz:

Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações [Atos 2.42].

Hoje, Deus espera que você se comprometa com as mesmas coisas.

A vida cristã é mais do que apenas um compromisso com Cristo; ela inclui compromisso com os outros cristãos. Os cristãos da Macedônia compreenderam isso. Paulo disse:

Primeiro, eles deram a si mesmos ao Senhor e depois, pela vontade de Deus, eles se deram a nós também [2 Co 8.5].

Tornar-se membro de uma igreja local é o passo que vem naturalmente a seguir, uma vez que você tenha se tornado filho de Deus. Você se torna cristão ao se comprometer com Cristo, mas se torna membro de uma igreja ao se comprometer com um grupo específico de crentes. A primeira decisão traz a salvação, a segunda traz a comunhão.

DIA 17

PENSANDO SOBRE MEU PROPÓSITO

Um tema para reflexão: Sou chamado para participar, não para apenas crer.

Um versículo para memorizar: … assim também em Cristo nós, que somos muitos, formamos um corpo, e cada membro está ligado a todos os outros (Romanos 12.5; NVI).

Uma pergunta para meditar: Meu nível de envolvimento em minha igreja local demonstra que amo e estou comprometido com a família de Deus?

[Vida com Propósito] Dia 16 – O QUE REALMENTE IMPORTA


Não importa o que eu diga, creia e faça; sem amor, estou arruinado. 1 Coríntios 13.3b; Msg

Amor significa viver da maneira que Deus nos mandou viver. Como vocês ouviram desde o início, o seu mandamento é este: Viva uma vida de amor. 2 João 1.6; NCV

Viver consiste em amar.

Uma vez que Deus é amor, a lição mais importante que ele quer que você aprenda na terra é como amar. É quando amamos que somos mais parecidos com ele, de modo que o amor é o fundamento de todos os mandamentos que ele nos deu:

Toda a lei pode ser resumida neste único mandamento: “Ame aos outros como você ama a si mesmo” [Gálatas 5.14].

Aprender a amar altruisticamente não é tarefa fácil; vai contra a nossa natureza egoísta. É por isso que temos toda uma vida para aprender. É lógico que Deus quer que amemos a todos, mas ele se interessa especialmente por que aprendamos a amar as outras pessoas que fazem parte de sua família. Como já vimos, esse é o segundo propósito para nossa vida. Pedro nos diz:

Mostrem um amor especial pelo povo de Deus [1 Pedro 2.17].

Paulo expressa o mesmo sentimento:

Quando tivermos oportunidade de ajudar a alguém, nós devemos fazê-lo. Mas devemos dar uma atenção especial àqueles que são da família dos crentes [Gálatas 6.10].

Por que Deus insiste em que devemos dar amor e atenção especial aos outros crentes? Por que eles devem ser priorizados? Porque Deus quer que sua família seja conhecida pelo seu amor, mais do que por qualquer outra coisa. Jesus disse que nosso amor uns pelos outros — e não nossas crenças doutrinárias — é o nosso maior testemunho perante o mundo. Ele disse:

Esse profundo amor que vocês tiverem uns pelos outros provará ao mundo que vocês são meus discípulos [João 13.35].

No céu, desfrutaremos da família de Deus para sempre, mas primeiro temos algum trabalho duro para fazer aqui na terra, a fim de nos prepararmos para uma eternidade de amor. Deus nos educa dando “responsabilidades familiares”, e a principal é a prática de amarmos uns aos outros.

É da vontade de Deus que você tenha uma associação íntima e constante com os outros crentes, para que possa desenvolver a habilidade de amar. O amor não pode ser aprendido solitariamente. Você tem de ter pessoas por perto — pessoas irritantes, imperfeitas e frustrantes. Por meio dessa união, aprendemos três verdades importantes.

A melhor utilidade que se pode dar à vida é amar

Amar deve ser sua principal prioridade, seu objetivo primordial e sua maior ambição. Amar não é uma parte boa de sua vida; é a parte mais importante. A Bíblia diz:

Que o amor seja o maior alvo de vocês [1 Co 14.1].

Não basta dizer “Uma coisa que quero na vida é ser amoroso”, como se isso estivesse na sua lista dos dez principais objetivos. Seus relacionamentos devem ter prioridade acima de todo o resto. Por quê?

A vida sem amor não tem realmente nenhum valor. Paulo levanta a questão:

Não importa o que eu diga, creia e faça; sem amor, estou arruinado [1 Co 13.3]

Freqüentemente, agimos como se os relacionamentos devessem ser espremidos em nossas agendas. Conversamos sobre arrumar um tempo para nossos filhos ou criar tempo para as pessoas que fazem parte de nossa vida. Isso dá a impressão de que os relacionamentos são apenas uma parte de nossa vida, juntamente com muitas outras tarefas. Mas Deus diz que a vida se constitui de relacionamentos.

Quatro dos Dez Mandamentos versam sobre nosso relacionamento com Deus, enquanto os outros seis falam sobre nosso relacionamento com as pessoas. Mas todos os dez são sobre relacionamentos! Mais tarde, Jesus resumiu o que mais importa para Deus em duas instruções: amar a Deus e amar as pessoas. Ele disse:

Ame o SENHOR, o seu Deus de todo o seu coração […] Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a ele: Ame o seu próximo como a si mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas [Mateus 22.37-40].

Após aprender a amar a Deus (adorar), aprender a amar os outros é o segundo propósito de sua vida.

Os relacionamentos, e não as realizações ou a compra de bens, são o que mais importa na vida. Então, por que permitimos que nossos relacionamentos fiquem com a pior parte? Quando nossa agenda fica sobrecarregada, começamos a tratar de forma superficial os nosso relacionamentos, diminuindo o tempo, a atenção e a energia que os relacionamentos de amor exigem. O que é mais importante para Deus é substituído pelo que é mais urgente.

As ocupações são um grande inimigo dos relacionamentos. Tornamo-nos preocupados com ganhar a vida, fazer o nosso trabalho, pagar as contas e cumprir metas, como se essas tarefas fossem a razão de nossa vida. Elas não são! O objetivo da vida é aprender a amar; tanto a Deus quanto às pessoas. Vida menos amor é igual a zero.

O amor é para sempre. Outra razão pela qual Deus nos manda fazer do amor nossa principal prioridade é que ele é eterno.

Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O maior deles, porém, é o amor [1 Co 13.13].

O amor deixa um legado. A forma de você tratar outras pessoas, e não sua riqueza ou suas façanhas, é a influência mais duradoura que se pode deixar na terra. Como disse madre Tereza: “Não é o que você faz, mas quanto amor você dedica no que faz que realmente importa”. O amor é o segredo de uma herança duradoura.

Estive ao lado de muitas pessoas no leito de morte, quando elas se encontram no limite da eternidade, e jamais ouvi nenhuma delas dizer: “Tragam os meus diplomas! Eu quero olhar para eles mais uma vez. Mostre-me meus títulos, minhas medalhas, aquele relógio de ouro que recebi”. Quando a vida na terra está no fim, as pessoas não se cercam de objetos. Querem em torno de si pessoas — pessoas que amam e com as quais mantêm relacionamentos.

Em nossos momentos finais, todos percebemos que são os relacionamentos que constituem a vida. Ser sábio é aprender essa verdade o mais rapidamente possível. Não espere até estar no leito de morte para compreender que nada é mais importante.

Seremos avaliados quanto ao nosso amor. A terceira razão para tornar o aprendizado do amor o objetivo de sua vida é que seremos avaliados com base nele na eternidade. Uma das formas pelas quais Deus mede nossa maturidade espiritual é pela qualidade de nossos relacionamentos. No céu, Deus não dirá: “Fale-me de sua carreira, de sua conta bancária e de seus passatempos”. Em vez disso, vai rever como você tratou as outras pessoas, especialmente as necessitadas [Mateus 25.34-46]. Jesus disse que a forma de amá-lo é amar a família dele e cuidar de suas necessidades práticas:

Digo-lhes a verdade: O que vocês fizeram a algum dos meus menores irmãos, a mim o fizeram [Mateus 25.40].

Quando partir para a eternidade, você deixará todo o resto para trás. Tudo que levará será o caráter. É por isso que a Bíblia diz:

Porque em Cristo Jesus nem circuncisão nem incircuncisão têm efeito algum, mas sim a fé que atua pelo amor [Gálatas 5.6].

Tendo conhecimento disso, sugiro que, ao se levantar pela manhã, você se ajoelhe ao lado da cama, ou se sente na beirada, e ore desta forma: “Deus, conseguindo ou não realizar qualquer outra coisa no dia de hoje, quero ter certeza de que terei tempo para amá-lo e para amar as outras pessoas — porque é nisso que a vida consiste. Não quero desperdiçar este dia”. Por que Deus deveria lhe dar outro dia, se você vai desperdiçá-lo?

A melhor expressão do amor é o tempo

A importância das coisas pode ser medida pelo tempo que estamos dispostos a investir. Quanto maior o tempo dedicado a alguma coisa, mais você demonstra a importância e o valor que ela tem para você. Se você quiser conhecer as prioridades de uma pessoa, observe a forma como ela utiliza o tempo.

O tempo é sua dádiva mais importante, pois você só recebeu uma quantidade fixa dele. Você pode fazer mais dinheiro, mas não pode fazer mais tempo. Quando você dedica seu tempo a alguém, você está dedicando uma porção de sua vida que jamais irá recuperar. O seu tempo é a sua vida. É por isso que o maior presente que você pode dar a alguém é o seu tempo.

Não é o bastante dizer que relacionamentos são importantes; nós devemos provar essa posição investindo tempo neles. Palavras isoladas não detêm nenhum valor.

Meus filhinhos, o nosso amor não deve ser somente de palavras e de conversa. Deve ser um amor verdadeiro, que se mostra por meio de ações [1 João 3.18].

Relacionamentos tomam tempo e esforço, e a melhor maneira de soletrar amor é TEMPO.

A essência do amor não é o que pensamos, fazemos ou proporcionamos aos outros, mas quanto damos de nós mesmos. Os homens, em especial, com freqüência não compreendem isso. Muitos me dizem: “Não entendo minha mulher e meus filhos. Eu proporciono tudo que eles precisam. O que mais eles podem querer?”. Eles querem você! Seus olhos, seus ouvidos, seu tempo, sua atenção, sua presença, seu interesse — seu tempo. Nada pode substituir isso.

O mais desejado presente de amor não são diamantes, rosas ou chocolate; é a atenção concentrada. O amor se concentra tão atentamente na outra pessoa que por um momento você se esquece de si. A atenção diz: “Eu valorizo você o bastante para lhe dar meu mais precioso bem — meu tempo”. Sempre que você dá seu tempo, está fazendo um sacrifício, e o sacrifício é a essência do amor. Jesus foi um exemplo disso:

Sejam cheios de amor pelos outros, seguindo o exemplo de Cristo, que amou vocês e se entregou a Deus como sacrifício a fim de tirar os seus pecados [Efésios 5.2].

Você pode dar sem amar, mas não pode amar sem dar.

Porque Deus tanto amou o mundo que deu… [João 3.16].

Amar significa abrir mão — ceder minhas preferências, conforto, objetivos, segurança, dinheiro, energia ou tempo para o benefício de outra pessoa.

O melhor momento para amar é agora

Algumas vezes, procrastinação é uma resposta válida para uma tarefa trivial. Mas, como o amor é o que mais importa, ele tem prioridade máxima. A Bíblia enfatiza isso repetidamente. Ela diz:

Portanto, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos [Gálatas 6.10].

Aproveite cada chance que tiver para fazer o bem [Efésios 5.16].

Sempre que puder, ajude os necessitados. Não diga ao seu vizinho que espere até amanhã, se você pode ajudá-lo hoje [Pv 3.27-28].

Por que agora é o melhor momento para expressar amor? Porque você não sabe até quando terá oportunidade. As circunstâncias mudam, as pessoas morrem, os filhos crescem. Você não tem nenhuma garantia do amanhã. Se você quiser expressar seu amor, é melhor que o faça agora.

Tendo consciência de que algum dia ficará perante Deus, eis algumas questões que você precisa levar em consideração. Como você explicará aqueles momentos em que projetos e coisas foram mais importantes para você do que as pessoas? Com quem você precisa começar a passar mais tempo? O que você precisa eliminar de sua agenda para tornar isso possível? Que sacrifícios você precisa fazer?

A melhor utilidade que pode se dar à vida é amar. A melhor expressão do amor é o tempo. O melhor momento para amar é agora.

DIA 16

PENSANDO SOBRE MEU PROPÓSITO

Um tema para reflexão: A vida consiste em amar.

Um versículo para memorizar: Toda a Lei se resume num só mandamento: Ame o seu próximo como a si mesmo (Gálatas 5.14; NVI).

Uma pergunta para meditar: Honestamente, será que os relacionamentos são a minha prioridade? Como posso me assegurar de que são?