[Maná Celestial] Perseverança na Provação!

provação

“Bem-aventurado o homem que suporta com perseverança a provação; porque, depois de ter sido aprovado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor prometeu aos que o amam.” Tiago 1.12

A oração é o serviço de guerra espiritual mais pesado na vida de um renascido. Preste atenção o quanto Satanás lhe tenta justamente na sua vida de oração, procurando por todos os meios afastar você dela. Isso acontece porque por meio da oração perseverante almas preciosas são arrancadas das garras dele. Por isso, chamo a sua atenção para um determinado tipo de adversário que Satanás usa para nos distrair: ele usa pessoas. Que tipo de pessoas são essas? Pessoas religiosas. Quando Jesus andava aqui na terra, não foram os pecadores perdidos os seus maiores inimigos. Pelo contrário, Jesus estava sempre rodeado por eles. Seus piores inimigos foram os religiosos. No fim, até O pregaram na cruz. Hoje em dia acontece o mesmo. O maior desprezo você encontrará nos cristãos sem Cristo. Gostaria de perguntar aos assim chamados cristãos: vocês sabem para onde estão indo? Vosso cristianismo acomodado agrada muito ao diabo. Se vocês não se converterem, quer dizer, se não ocorrer a verdadeira renovação do coração, um dia passarão a pertencer a Satanás, o inimigo das vossas almas, para todo o sempre. Levemos todos a sério o que diz Tiago:

“Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. Chegai-vos a Deus e Ele se chegará a vós outros”. Tiago 4:7-8a

Autor: Dirley Volcov

[Estudo Bíblico] Quando o crente não ora!

LEITURA BÍBLICA

Jonas 1:1-5; 11-12; 15

E veio a palavra do SENHOR a Jonas, filho de Amitai, dizendo:

Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive, e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até à minha presença.

Porém, Jonas se levantou para fugir da presença do SENHOR para Társis. E descendo a Jope, achou um navio que ia para Társis; pagou, pois, a sua passagem, e desceu para dentro dele, para ir com eles para Társis, para longe da presença do SENHOR.

Mas o SENHOR mandou ao mar um grande vento, e fez-se no mar uma forte tempestade, e o navio estava a ponto de quebrar-se.

Então temeram os marinheiros, e clamavam cada um ao seu deus, e lançaram ao mar as cargas, que estavam no navio, para o aliviarem do seu peso; Jonas, porém, desceu ao porão do navio, e, tendo-se deitado, dormia um profundo sono.

E disseram-lhe: Que te faremos nós, para que o mar se nos acalme? Porque o mar ia se tornando cada vez mais tempestuoso.

E ele lhes disse: Levantai-me, e lançai-me ao mar, e o mar se vos aquietará; porque eu sei que por minha causa vos sobreveio esta grande tempestade.

E levantaram a Jonas, e o lançaram ao mar, e cessou o mar da sua fúria.

INTRODUÇÃO

Os benefícios de uma vida de oração são, de algum modo, co­nhecidos pela maioria dos cren­tes. Em geral, quando se estuda sobre oração, esses benefícios são destacados. É necessário que o cristão esteja ciente dos efeitos adversos na vida de quem é relapso nessa área. Há bênçãos divinas para os que se propõem a orar com regularidade e afinco; há também consequências desas­trosas para aqueles que são negligentes nessa prática.

I. QUANDO O HOMEM ORA, MAS NÃO OBEDECE

1. Jonas desobedece a Deus.

Jonas é um exemplo do crente que não quer fazer a von­tade Deus. É de se esperar que um homem chamado por Deus dependa exclusivamente dEle para realizar o trabalho proposto.

Todavia, como Jonas, muitos decidem por si mesmos que fazer e o modo como fazer. Esquecem-se de buscar a diréção do Senhor que os chamou, pois querem seguir a sua própria vontade.

2. Jonas foge da presença de Deus.

Jonas tinha comunhão com Deus, conhecia a vontade do Senhor e sabia exatamente o lugar para o qual Deus o tinha chama­do.

Todavia, decidiu, por conta própria, ir para outro lugar, longe da presença do Senhor (Jn 1.3). A desobediência de Jonas quase causou a morte de todos no navio.

Através desse episódio, aprende­mos que a nossa desobediência pode trazer prejuízos àqueles que estão próximos de nós. Ouça e obedeça à voz de Deus!

3. Jonas é jogado ao mar.

Jonas estava consciente da sua desobediência. Ele sabia que a tempestade era por sua causa, por isso, não hesitou em dizer: “lançai-me ao mar”.

Jonas tentava fugir da presença de Deus (Jn 1.12). Se não fosse a intervenção mi­lagrosa do Senhor, ele teria perecido. Dentro da barriga do grande peixe, Jonas clamou a Deus. O Senhor que é grande em misericór­dia, e está sempre dis­posto a perdoar, ouviu sua oração (Jn 2.1-9).

Jonas teve de ir parar no ventre de um grande peixe para aprender a respeito da obediência. Pare um instante e reflita: O que é necessário acontecer em sua vida para que você se disponha a obedecer a Deus e ter uma vida de oração?

Não seja como Jonas!

II. DEIXANDO DE BUSCAR A DIREÇÃO DE DEUS

1. Josué.

Quando o povo de Israel estava se estabelecendo na terra que o Senhor havia prometi­do a seus pais, os moradores de Gibeão, com astúcia, vieram até Josué para fazer um acordo de paz (Js 9.1-1 5).

Josué e os líderes do povo cometeram um grave erro: não buscaram o conselho de Deus (v. 14). Assim, sem orar e buscar a direção divina, fizeram um concer­to com os gibeonitas. Essa decisão imprudente trouxe os cananeus para dentro de Israel.

Além disso, o povo de Deus precisou entrar em guerra para honrar o pacto que ha­via feito fora da direção do Senhor, a fim de proteger aqueles que os haviam enganado (Js 10.6-11).

2. Davi.

Davi foi um homem que procurou viver em comunhão com o Senhor. Mas ele também teve seus deslizes, e, por vezes, esta comunhão foi interrompida.

Certa ocasião, Davi não consultou ao Senhor quando resolveu fazer um censo (2 Sm 24.1-25). Talvez o rei quisesse orgulhar-se do seu poderio militar. Todavia, quando o censo terminou, Davi sentiu-se mal e declarou:

“Muito pequei no que fiz” (v. 10).

Davi caiu em si. Então, clamou ao Senhor pedindo-lhe seu perdão. Quando um homem não busca a direção de Deus, coloca-se em situações bastante desagradá­veis e perigosas causando prejuízo a outras pessoas. A atitude errada de Davi fez com que setenta mil homens perdessem a vida (v. 15).

3. Sara.

Deus havia prome­tido um filho para Abraão e Sara (Gn 15.4). Tendo aguardado a pro­messa por muito tempo, Sara foi vencida pela impaciência. Ela quis agir por conta própria, tentando passar à frente de Deus. Sara não orou buscando a direção de Deus ao prover um filho para Abraão através de Agar, sua serva. A pre­cipitação de Sara causou-lhe uma série de problemas (Gn 16.5).

III. BUSCANDO CONSE­LHOS EM OUTRO LUGAR

1. Acazias.

O reinado de Acazias sobre Israel foi caracterizado pela iniquidade. Ele abertamente desprezou o Deus de Davi, servindo a Baal-Zebube.

Acazias após cair do alto de sua casa em Samaria ficou doente e recorreu a Baal-Zebube, a quem mandou perguntar se sararia de sua doença (2 Rs 1 .2).

Um ho­mem que se afasta dos caminhos do Senhor chega a extremos inima­gináveis, a ponto de consultar um deus sem condições de salvar ou de responder (Sl 115.4-8).

Por intermé­dio do profeta Elias, Deus perguntou a Acazias:

“Porventura, não há Deus em Israel, para que mandes consul­tar a Baal-Zebube, deus de Ecrom?” (2 Rs 1 .6)

Acazias não temia ao Senhor e morreu em consequência da sua enfermidade.

2. Saul.

Após a morte de Samuel, quando os filisteus se reuniram para uma batalha con­tra Israel, Saul resolveu consultar uma pitonisa, uma adivinha, que entrava em contato com espíritos demoníacos, para saber se deveria ou não entrar na guerra (I Sm 28.7,8).

Mais uma vez, pode-se depreender o profundo abismo no qual o homem sem Deus cai, de modo que aceita buscar conselhos em qualquer lugar, inclusive de agentes do inferno.Horóscopos, espiritismo, adivinhações, isso tudo é condenado pela Palavra de Deus (Dt 18.9-12; Lv 19.26,31; 20.6).

Através da oração e do es­tudo da Bíblia, o crente é dirigido por Deus, não necessitando de nenhum outro subterfúgio para encontrar o caminho a seguir.

3. Roboão.

Depois da morte de Salomão, Roboão tornou-se rei. Ele não procurou seguir o exemplo de seu pai, que pediu a Deus sabe­doria para governar. Roboão, além de não orar e de não buscar os conselhos divinos, preferiu seguir os conselhos insensatos de seus amigos (I Rs 12.8).

CONCLUSÃO

A falta da oração e da busca constante pela vontade de Deus levam o homem a uma vida que prejudica a si próprio e aos que o rodeiam, principalmente se este homem é um líder.

Que o Senhor, em sua infinita misericórdia, nos dê forças espirituais  para estar sempre aos seus pés, em oração, buscando sua direção para nossa vida e para o desen­volvimento do trabalho que Ele colocou em nossas mãos. Ele está sempre disposto a ouvir e atender àquele que o busca de coração (Jr 29. 13).

SUPLEMENTO

Subsídio Bibliológico

A Resposta de Jonas a Deus

“Apesar da desobediência e presunção, o próprio Jonas experi­mentara a libertação misericordiosa de Deus e recebera uma segunda chance. Quando comissionado por Deus para ira Nínive,Jonas fugiu na direção oposta. Quando lançado ao mar furioso e engolido por um peixe, ele teve a audácia de presumir que estava livre. Em lugar de oferecer um clamor penitencial e humilde por libertação, ele agradeceu ao Senhor portê-lo libertado (Jn 2.1-9).

Mas Deus perseverou e comissionou novamente o profeta (Jn 2.10 — 3.2). O livro termina com um Deus gracioso ainda tentando persuadir Jonas a pensar corretamente na sua misericórdia (Jn 4.9-1 1).

Embora Jonas, como Israel, fosse recebedor da misericórdia de Deus, o profeta negou a mesma misericórdia para o mundo gentio. Ironicamente, estes pagãos a quem Jonas detestava por serem idolatras (Jn 2.8), mostrou mais sensibilidade espiritual do que o profeta.

Jonas reivindicou temer ‘ao Senhor, o Deus do céu, que fez o mar e a terra seca’ (Jn 1.9). Mas suas ações contradisseram o seu credo.

Enquanto Jonas tentou fugir do Criador do mar através do mar, os pagãos expressa­ram que temiam genuinamente ao Senhor por meio de sacrifícios e ora­ções (Jn 1. 16).

Em contraste com Jonas que desobedeceu à palavra revelada de Deus e prevaleceu-se da misericór­dia divina, os ninivitas responderam imediata e positivamente à palavra de Deus e humildemente se lançaram aos pés do Deus soberano (Jn 3.4-9)”

(ZUCK, Roy B. Teologia do Antigo Testamento, l. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2009, pp. 467-8).

Fonte: CPAD/2010

[Estudo Bíblico] A Oração que conduz ao Perdão!

LEITURA BÍBLICA

Salmos 51:1-13

Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias.

Lava-me completamente da minha iniqüidade, e purifica-me do meu pecado.

Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim.

Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista, para que sejas justificado quando falares, e puro quando julgares.

Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe.

Eis que amas a verdade no íntimo, e no oculto me fazes conhecer a sabedoria.

Purifica-me com hissope, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais branco do que a neve.

Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que gozem os ossos que tu quebraste.

Esconde a tua face dos meus pecados, e apaga todas as minhas iniqüidades.

Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto.

Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo.

Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário.

Então ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os pecadores a ti se converterão.

INTRODUÇÃO

A oração é o modo pelo qual o homem fala com Deus e coloca diante dEle suas alegrias, tristezas, necessidades, anseios, enfim, tudo o que aflige sua alma. Quando se peca, é através da oração que se chega a Deus para confessar as culpas e pedir-lhe o seu perdão.

A oração que Davi fez, logo após ser confron­tado pelo profeta Natã a respeito de seu adul­tério (com Bate-Seba) seguido de assassinato (de Urias), é um exem­plo do que se deve fazer ao pecar, a fim de alcançar misericórdia diante de Deus.

I. O PECADO NOS AFASTA DE DEUS

1. O pecado afronta a Deus.

Pecado é a transgressão deliberada e consciente das leis estabelecidas por Deus.

O pecado afronta o caráter de Deus e a sua santidade. Esta falta de conformi­dade com a lei moral de Deus é re­belião; quem usa dessa prática se distancia da comunhão com Deus, que, por hipótese alguma, comun­ga com o pecado ou com alguém que permanece nesse estado.

Davi pecou gravemente e permaneceu em pecado até que, advertido pelo profeta, se arrependeu e suplicou ao Senhor o perdão.

2. As consequências do pecado.

Os relatos do rei Davi evi­denciam que o pecado entristece o Espírito Santo e causa separação entre Deus e o homem (Is 59.2).

Foi esse afastamento de Deus que Davi viveu. A única maneira de o crente manter comunhão com Deus, por meio do seu Espírito Santo, é andar segundo a sua von­tade (Rm 8.1,2,8,9,1 3,14).

3. Consciência do pecado.

A expressão que Davi usou para rogar a Deus a sua purificação, revela o reconhecimento do seu estado de impureza moral, pois havia cometido delitos contra a santidade de Deus e à sua Lei.

Ao pedir a Deus que o limpasse com hissopo (v.7), ele revela que se havia contaminado tal qual um leproso ou alguém que havia tocado em um morto; símbolos de impureza máxima em sua época (Lv 14; Nm 19. 16-19).

O pecado destrói a paz com Deus, e a falta dessa paz, como decorrência do pecado, é como um sinal vermelho, a fim de que o crente pare imediatamente e volte-se para Deus em oração.

É preciso que se arrependa, confes­se o seu pecado e abandone-o, e pela fé em Cristo, receba o perdão de Deus (1 Jo 1.7-9).

II. CONFISSÃO E PERDÃO

1. Reconhecer e confessar o pecado.

Ao pecar, Davi não considerou as consequências de seus atos. No entanto, assim que caiu em si como pecador, reconheceu a gravidade dos seus pecados cometidos e a necessida­de de confessá-los, para, em se­guida, pedir perdão.

Todo ser hu­mano deve saber que:

“Aquele que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará mise­ricórdia” (Pv 28.13)

O rei sabia que seu pecado era, em primeiro lugar, contra o próprio Deus (v.4). No Salmo 32, Davi mostra o dever e a necessidade de reconhecer e de confessar o pecado a Deus (Sl 32.1-5) e expressa a certeza do perdão do Senhor (v.5).

2. Conhecendo o cará­ter de Deus (vv.6,16).

Davi conhecia a Deus e sabia que só homens limpos de mãos e puros de coração entram no santuário (Sl 24.3,4). Seus salmos revelam que ele conhecia a Deus pessoalmente e tinha um relacionamento íntimo com o Senhor.

3. O afastamento de Deus.

Como todo o crente que deso­bedece às ordenanças divinas, Davi estava sentindo a angústia resultante da falta de comunhão com Deus.

O pecado era como um muro, que o impedia de ver e sen­tir a presença de Deus. Para um homem acostumado à comunhão com o Criador, o vazio provocado pela falta desta doía como um cor­po com os ossos quebrados (v.8); a tristeza havia tomado conta de seu ser.

III. A RESTAURAÇÃO DO PECADOR

1. Arrependimento e con­trição.

Davi tinha consciência do seu pecado. Porém, sabia que Deus está sempre disposto a perdoar todo homem que, com o coração arrependido, volta-se para Ele, confessando as suas culpas e rejeitando-as, por meio da oração espontânea e sincera (Pv 28.13).

O perdão divino está à disposição de todos os pecadores que, arrependidos, confessam a Deus os seus pecados e aceitam a purificação provida pelo Senhor mediante o sangue de Jesus Cristo (Lc 24.46,47; 1 Jo 1.9).

Todavia, é necessário que se rejeite totalmen­te a prática do pecado, pois o que alcança misericórdia é aquele que confessa e deixa (Pv 28.13).

2. Mudança de atitude.

O verdadeiro arrependimento resul­ta em mudança de vida.Pode-se tomar como exemplo o Filho Pródigo!

Ele, distante do pai, sem dinheiro ou condições dignas de, inclusive, se alimentar reconheceu seu pecado e resolveu voltar. Con­fessou suas transgressões ao pai e pediu-lhe perdão.

O importante, porém, foi que a oração o levou à ação. Ele foi, fez tudo o que havia proposto e alcançou misericór­dia (Lc 15.11-24). Davi também demonstrou com atos sinceros e profundos o arrependimento, vindo da alma.

3. Renovação interior.

Na oração de Davi, pode-se ver que o Senhor já estava trabalhando em seu interior. Observe os desejos de Davi depois de confessar seus peca­dos e buscar o perdão de Deus:

a) Um espírito voluntário.

O que demonstra seu desejo e sua disposição de servir a Deus (v. 12).

b) Ensinar os caminhos do Se­nhor.

 Assim que se sente perdo­ado Davi se propõe a falar sobre o quanto Deus fora compassivo e misericordioso com ele, para que mais pecadores (como ele) se convertam de seus caminhos (v. 13). Davi não se contenta em apenas desfrutar o seu perdão; ele também quer que o mundo conheça o Deus perdoador.

c) Louvar a Deus.

Conhecen­do o seu Senhor, Davi sabia que, na situação de pecado em que se encontrava, seus louvores não seriam aceitos. Era necessário que, antes de oferecer sacrifí­cios, ele se quebrantasse diante de Deus. Só então, estaria livre para louvá-Lo (vv. 16,17).

Deus recebe o louvor dos filhos obe­dientes, que procuram viver de acordo com a Palavra; a estes Ele denomina verdadeiros adorado­res (Jo 4.23).

O verdadeiro louvor ao Senhor não está em palavras ou canções, mas primeiramente na vida santa e consagrada e no testemunho do adorador.

d) Prontidão para agradar a Deus.

Uma das características mais marcantes de um homem perdoado por Deus é o desejo profundo de agradá-Lo.

O próprio Jesus fez alusão a este fato, quando estava em casa de Simão (Lc 7.36-50).

A motivação maior do serviço do crente no Reino é o fato de ter sido perdoado, isto o constrange a fazer tudo e qualquer coisa para agradar ao Deus que o perdoou e o livrou da morte e do inferno.

Por isso, um dos desejos expressos por Davi em sua oração foi o de ser um prestador de serviço para Deus com espírito voluntário.

CONCLUSÃO

A oração é um instrumento de comunhão com Deus, inclusive para aquele que a perdeu por causa do pecado. Depois que o homem reconhece que pecou, através da oração sincera, como a do publicano em Lucas 18.10-14, pode confessar seus pecados ao Senhor e pedir-lhe o seu perdão.

O verdadeiro arre­pendimento, no entanto, implica na mudança de atitude e conduta daquele que pecou. A orientação amorosa do Senhor Jesus é: “vai-te e não peques mais” (Jo 8.11).

SUPLEMENTO

Subsídio 1

O Pecado e seu Domínio

“Infelizmente, para o questionamento do porquê de Davi ter pecado, a resposta é simples e, ao mesmo tempo, complexa: Ele pecou exatamente porque é um ser humano.

[…] Mesmo sendo o ‘homem segundo o coração de Deus’, ele não possuía uma natureza divina assim como Jesus Cristo que, apesar de ser chamado de ‘Filho de Davi’ — por sua ascendência ou natureza humana—, era Deus e, portanto, não sujeito a pecar (Hb 4.15; 1 Pe 2.21,22).

Ser um ‘homem de Deus’ (2 Cr 8.14), como Davi o era, infelizmente não significa invulnerabilidade ou imunidade em relação ao pecado. Talvez nisso reside o problema de muitas pessoas que se espelham em outras. Quando seus re­ferenciais fracassam, elas igualmente perdem a fé, pois caíram na ilusão de acreditar que existe alguém perfeito.

A doutrina do pecado ou hamartiologia é um dos grandes ensinos que precisa ser resgatado nos dias atuais. Saber que todos nós fomos afetados pela realidade do pecado, que por meio de um ato único entrou no mundo e, consequentemente, no seio da humanidade (Gn 3), é muito importante, pois mostra que a sua universalidade é algo que só pode ser resolvido com um único ato universal (Rm 5.18,19).

O pecado é, por definição, um desvirtuamento do propósito original de Deus para o homem, pois o ‘sentido básico da palavra é o de errar um alvo ou um caminho’ “.

 (CARVALHO, César Moisés. Davi. As vitórias e as derrotas de um homem de Deus. l. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2009, pp. 147-8).

Subsídio 2

O Perdão Pela Confissão

“Qual é a garantia de que a confissão é importante para Deus? A própria Palavra de Deus. Ela garante que a confissão é premiada com a misericórdia.

‘O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia’ (Pv 28.13)

Deus sabe que estamos sujeitos às leis deste mundo, mais exige que pautemos uma vida dentro dos padrões estabelecidos por Ele. E quando nos afastamos desse padrão, Ele espera que admitamos nossa falha e retornemos para Ele por meio da confissão.

Todos nós conhece­mos o texto áureo da confissão:

‘Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça’ (1 Jo 1.9)

Não podemos ter por hábito apenas dizer para Deus o que fizemos como se lêssemos para Deus uma lista de nossas infelizes decisões e atos. Mais que enumerar pecados, Deus espera que concordemos com Ele que erramos e que precisamos do seu perdão.

E Davi reconheceu o seu erro. Ele sabia que em Deus acharia a graça para a recuperação de seu pecado. Deus, por meio da confissão de Davi, não permitiu que ele permanecesse naquela situação:

‘Os passos de um homem bom são confirmados pelo Senhor, e ele deleita-se no seu caminho. Ainda que caia, não ficará prostrado, pois o Senhor o sustém com a sua mão’ (Sl 37.23,24)

Como diz Richard D. Philips, ‘enquanto a verdade condena, a verdade e a graça juntas restauram o pecador‘.

Não estamos imunes ao pecado em um mundo decaído. Não po­demos dizer que jamais pecaremos, ou que ficaremos o tempo todo em vigilância. Mas podemos ter certeza de que Deus, em sua grande misericórdia, aceitará o pecador arrependido e o restaurará à comunhão perdida”

(COELHO, Alexandre. Davi. As vitórias e as derrotas de um homem de Deus. l.ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2009, pp. 168-72).

Fonte: CPAD/2010

[Estudo Bíblico] O Ministério da Intercessão

LEITURA BÍBLICA

Gênesis 18:23-29;32-33
E chegou-se Abraão, dizendo: Destruirás também o justo com o ímpio?Se porventura houver cinqüenta justos na cidade, destruirás também, e não pouparás o lugar por causa dos cinqüenta justos que estão dentro dela?Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti. Não faria justiça o Juiz de toda a terra?Então disse o SENHOR: Se eu em Sodoma achar cinqüenta justos dentro da cidade, pouparei a todo o lugar por amor deles.E respondeu Abraão dizendo: Eis que agora me atrevi a falar ao Senhor, ainda que sou pó e cinza.

Se porventura de cinqüenta justos faltarem cinco, destruirás por aqueles cinco toda a cidade? E disse: Não a destruirei, se eu achar ali quarenta e cinco.

E continuou ainda a falar-lhe, e disse: Se porventura se acharem ali quarenta? E disse: Não o farei por amor dos quarenta.

Disse mais: Ora, não se ire o Senhor, que ainda só mais esta vez falo: Se porventura se acharem ali dez? E disse: Não a destruirei por amor dos dez.E retirou-se o SENHOR, quando acabou de falar a Abraão; e Abraão tornou-se ao seu lugar.
INTRODUÇÃO

O amor é a característica mais marcante do cristão (Jo 13.35). Esse amor deve ser demonstrado em todo o seu viver, inclusive em suas orações intercessórias.

Inter­cessão quer dizer orar a Deus em favor de outra pessoa. A Palavra ordena aos filhos de Deus a orar por seus irmãos (Ef 6.18,19), pela obra de Deus (Mt 9.38), pelas autoridades constitu­ídas (1 Tm 2.1,2) e até pêlos inimigos (Mt 5.44).

Se você, meu irmão, não é um inter­cessor, está perdendo a bênção de Deus. Por­tanto, entre na esfera da intercessão agora!

I. A ORAÇÃO INTERCESSÓRIA

1. No Antigo Testamen­to.

Entre o povo de Israel havia muitos homens fiéis, amorosos e dedicados, que perseveraram em oração a Deus por seus ir­mãos e pela nação inteira. Samuel (I Sm 7.8,9; 12.19-25), Moisés (Êx 32.11-14, 30-32; Dt 9.13-19), Jeremias (Jr 14.19-22), Esdras (Ed 9. 6-1 5), Daniel (Dn 9.3-19) e tantos outros servem como exemplo.

O próprio Deus menciona nomi­nalmente homens como Samuel e Moisés como intercessores (Jr 15.1). Estes homens santos se afligiam com o pecado do povo, sentiam a necessidade do perdão divino e choravam diante de Deus, suplicando-lhe uma solução.

2. Em o Novo Testamento.

O ministério da inter­cessão perante Deus continuou, sendo o Senhor Jesus o nosso supremo exemplo (Jo 17). Pessoas vinham ao Mestre pedindo por seus parentes, amigos e servos (Mc 5.22-43; 10.13; Jo 4.46-53).

Jesus demonstrou a prática da intercessão muitas vezes orando pelos per­didos (Lc 19.10), por Jerusalém e seus discípulos (Jo 17.6-26). Na igreja, a partir do livro de Atos e das Epístolas há muitos e va­riados exemplos de intercessões em oração, nos quais há grandes lições para a nossa vida cristã.

A igreja é incentivada a orar uns pelos outros (Tg 5.16; Ef 6.18). Ela deve habituar-se a pelas necessidades dos irmãos (At 12.5; 13.3). Na igreja, às ve­zes há grupos que se organizam e se intitulam “Os Intercessores”, mas não perduram.

O verdadeiro intercessor não gosta de aparecer. Ele em si mesmo se compraz em ver, mediante sua intercessão, o nome de Deus ser glorificado pelas bênçãos concedidas.

3. Nos dias atuais.

A Bíblia nos ensina que é dever do crente orar pelos outros (1 Jo 5.16;1 Tm 2.1,8; Ef 6.18;Tg 5.16). Contudo, não é só um dever, mas principal­mente um privilégio e um canal de bênção.

Aquele que persevera em orar pelos ostros, Deus levanta intercessores para orar por ele e, assim, todos são abençoados. A oração intercessória enquadra-se na verdade bíblica:

“Mais bem-aven-turada coisa é dar do que receber” (At 20.35).

Quem ora, se coloca diante de Deus, entra em sua pre­sença e nunca sai deste encontro da mesma forma que entrou. Ser alvo de uma oração é gratificante; orar é glorioso.

A prática de estar com Deus em oração, muda o homem (Gn 32.22-32). As pessoas conse­guem perceber a diferença daquele que cultiva a comunhão com Deus (Êx 34.29-35). Dentre os discípulos de Jesus, três conviveram mais com Ele; e dentre os três, um era-lhe ainda mais chegado.

II. CARACTERÍSTICAS DE UM INTERCESSOR

1. Perseverança.

Abraão foi um homem perseverante. Sua súplica a Deus por Sodoma e Gomorra demonstra sua diligência. Ele intercedeu diante de Deus e nisso perseverou até obter a resposta (Gn 18.22-33).

O inter­cessor não pode se deixar levar pelas dificuldades e aparentes “impossibilidades”. Foi o caso da mulher siro-fenícia perante Jesus. Apesar de ser ignorada e receber inicialmente um “não” do Senhor, como teste da sua fé, ela insistiu em seu pedido, humilhando-se diante dEle, até que foi atendida em sua petição (Mt l 5.22-28).

2. Altruísmo.

Em um autênti­co intercessor não pode haver ego­ísmo, mesmo porque, se alguém é egoísta, não é intercessor. O oposto do egoísmo é o altruísmo.A pessoa esquece de si mesma e cuida do outro por amor.

O caso de Moisés é emblemático. O Senhor falou em acabar com o povo de Israel e iniciar, a partir dele (Moisés), outro povo (Êx 32.7-14). O amor que Moisés tinha por aquelas pessoas, que com tanto zelo e devoção eram conduzidas por ele, dominava o seu ser. Esse amor o levou a rejeitar a proposta e interceder pelo povo que havia desprezado a Deus e ao próprio Moisés (Êx 32.1,4).

Na mesma ocasião, esse servo de Deus pediu para ser riscado do livro di­vino, caso o Senhor não perdoasse aos israelitas (Êx 32.30-32). Um fato semelhante é o de Jó, que em meio a severas provações, grande necessidade e graves problemas de saúde, intercedia diante de Deus por seus “amigos” (Jó 42.10).

O apóstolo Paulo, com profundo amor pelo seu povo e anseio por sua salvação, afirmou que abriria mão de sua própria salvação em favor deles (Rm 9.3). Jesus, crava­do no madeiro, sofrendo grandes dores, intercedeu por seus algozes (Lc 23.33,34), e pelo ladrão arre­pendido crucificado ao seu lado (w.40-43).

3. Empatia.

Empatia é, no campo natural, a capacidade de uma pessoa identificar-se com outra; harmonizar-se, combinar com outra pessoa, sentir o que ela sente, desejar o que ela quer, apreender do modo como ela apre­ende.

Interceder, no campo espiri­tual, é mais do que simplesmente apresentar pedidos em favor de outros diante de Deus. É ter a capacidade de se colocar no lugar daquela pessoa ou pessoas, sentir suas misérias, sua dor, seu estado, sua necessidade e, por conse­guinte, implorar a Deus por sua resposta.

Esdras e Jeremias foram exemplos nesta área. Eles mesmos não haviam pecado contra Deus, cometendo as abominações que o povo cometia em sua época. No entanto, em oração apresentaram o povo a Deus, rogando-lhe o seu perdão e implorando por salvação (Jr 14.18-22; Ed 9.6-1 5).

Neemias, o governador, fez a mesma coisa (Ne 9.33,37). Em Jesus esta carac­terística é notória; Ele sentia a dor das pessoas, o que o levava à com­paixão (Lc 7.11 –13; Mt 9.36; 14.14). Quando viu a dor de Maria ao perder seu irmão, chorou (Jo 11.32-35). O cristão deve sempre ter em si esta virtude (Rm 12.15) ao interceder diante de Deus por outro.

III. A FORÇA DA ORAÇÃO COLETIVA

l. Nínive.

O Senhor havia de­terminado a destruição de Nínive. Seus habitantes, no entanto, deci­diram arrepender-se e humilhar-se diante de Deus, como um só ho­mem, apregoando um jejum que incluía até os animais, clamando a Deus por misericórdia e pela revogação da sentença destrui­dora que fora motivada por eles mesmos. Apesar dos protestos do profeta Jonas, tiveram sua petição atendida, e todo o povo foi salvo da destruição (Jn 3.5-10).

2. Israel.

Quando Ester to­mou conhecimento do terrível e destruidor edito real que decretava a morte de todos os judeus, ela e suas auxiliares decidiram orar e je­juar para que o Senhor preservasse ávida dos Descendentes de Abraão e desse vitória sobre seus inimigos. Mais uma vez, Deus respondeu à oração (Et 4. 15-17; 8.1-17).

3. Igreja Primitiva.

A igreja começou em plena atmosfera de oração (At 2.42). Eles apresenta­vam seus pedidos a Deus de forma unânime. Quando Pedro foi preso, a igreja reuniu-se para interceder a Deus por ele (At 12.1-17).

Aquela reunião de súplica fopi certamente transformada em reunião de louvor e agradecimento a Deus pela oração respondida!

CONCLUSÃO

Orar pelos outros é um dever e uma prova de que o amor de Deus está derramado no coração do intercessor. Buscara Deus com fé é o modo correto de começar. To­dos os cristãos devem desenvolver uma vida de oração e intercessão, buscando ter em si virtudes como altruísmo, perseverança e empatia espiritual. Assim fazendo, além de aprimorar sua vida de comunhão com Deus, o cristão estará cum­prindo o mandato divino de amar ao próximo como a si mesmo.

Subsídio Bibliográfico

Intercessão

“O vocábulo hebraico ‘paga’ ocorre 46 vezes no Antigo Testamento. Sua forma verbal significa ‘encontrar-se’, ‘pôr pressão sobre’ e, finalmente, ‘pleitear’. Já sua forma causativa, com lê (‘para’), significa ‘interceder diante de’. O texto a seguir é um exemplo de seu uso no Antigo Testamento.

‘Pelo que lhe darei a parte de mui­tos, e, com os poderosos, repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma na morte e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos e pêlos transgressores intercedeu [fez inter­cessão]'(Is 53.12).

Em o Novo Testamento, a palavra ‘intercessão’ vem do termo grego entugcnano, que significa ‘apelar a’, ‘pleitear’, ‘fazer intercessão’, ‘orar’. Duas bem familiares e preciosas pas­sagens incluem este vocábulo:

E da mesma maneira também o ‘Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemi­dos inexprimíveis. E aquele que exami­na os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pêlos santos’ (Rm 8.26,27).

‘Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens’ (1 Tm 2.1).

[…] A ‘intercessão’ representa ‘o ato de uma ou mais pessoas, hu­manas ou divinas, que fazem inter­cessão a Deus em favor de outrem”‘ (BRANDT, Robert L; BICKET, ZenasJ. Teologia Bíblica da Oração. Rio de Janeiro, CPAD, 4. ed., 2007, p.29).

[Estudo Bíblico] A Oração e a Vontade de Deus

LEITURA BÍBLICA

João 14:13-17

E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.

Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.

Se me amais, guardai os meus mandamentos.

E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre;

O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós.

João 15:7

Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito.

E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve.

1 João 5:14-15

E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos.

INTRODUÇÃO

Todo crente deseja ter uma vida de oração eficaz, ou seja, de súplicas atendidas pelo Senhor. Contudo, muitos não têm sido eficientes nesse assunto por desconhecerem completamente a vontade de Deus para os ho­mens em geral e para sua própria vida. Neste Estudo, você aprenderá que conhe­cer o Senhor e, por conseguinte, a von­tade dEle para o seu viver, é imprescindível para obter respostas aos seus clamores.

I. A ORAÇÃO E A VONTADE DE DEUS

1. O caráter de Deus.

É fundamental que o su­plicante conheça profundamente a quem Ele dirige suas orações, a fim de que possa ser atendido. A Bíblia nos revela que Deus é amor, misericórdia, longanimida­de, bondade, fidelidade e justiça.

Portanto, o conhecimento de tais atributos divinos é imprescindível para orarmos a Deus com enten­dimento e sermos respondidos em nossas súplicas. Quanto mais conhecermos a Deus, melhor compreenderemos, aceitaremos e identificaremos a sua vontade para nós.

2. A vontade de Deus e as Sagradas Escrituras.

Jesus declarou que as orações de seus discípulos seriam atendidas se eles guardassem e praticassem a sua Palavra (Jo 15.7; 1 Jo 3.22).

A vontade geral de Deus está expressa na Bíblia, portanto, é indispensável que manejemos bem a Palavra da Verdade, a fim de sabermos como orar de acordo com a vontade dEle.

Muitas vezes não é necessário perguntar se algo é da vontade do Senhor, porque as Escrituras explicitam claramente que tal pedido está completamente fora dos propósitos divinos para seus filhos.

Tiago e João tiveram essa experiência, quan­do insensatamente pediram algo a Jesus Cristo em conflito com sua natureza e vontade, e foram repreendidos pelo Se­nhor (Lc 9.54-56).

3. A vontade de Deus para cada in­divíduo.

Outro fator que deve ser considerado ao di­rigirmos nossos pedidos a Deus é a sua soberana vontade para cada um de nós. Para descobri-la, é necessário que o servo de Deus cultive uma vida de íntima comunhão com Deus.

À medida que conhecemos o Senhor, sua vontade vai se tornando mais evidente para nós. Além disso, um crente fiel, que busca agradar ao Senhor através de uma vida santa e dedicada ao seu Reino, naturalmente desfrutará da von­tade de Deus, pois é impossível que alguém possa ser tão íntimo dEle e estar fora da sua vonta­de.

A resposta divina às nossas orações está profundamente re­lacionada à sua vontade para os seus filhos, como veremos nos tópicos a seguir.

II. ORAÇÕES NÃO RESPONDIDAS POR DEUS

1. Orações egoístas (Tg 4.3).

O apóstolo Tiago afirma que pedidos egoístas, que visam interesses próprios, não são respondidos pelo Senhor. Eles estão fora da vontade divina, pois contrariam o desejo dEle de que seus filhos sejam altruístas. Na verdade, tais pedidos refletem uma natureza ainda não rege­nerada, pois o coração daquele que foi transformado por Deus pensa primeiro no próximo.

Após conhecer o Senhor mais profundamente, Jó intercedeu por seus amigos (Jó 42.10). Experimente orar mais pêlos outros do que por si mesmo.

2. Orações por posição social (Mt 20.17-28).

Muitos oram a Deus buscando reconhe­cimento humano, honras, glórias, poder, dinheiro, enfim, coisas que satisfaçam sua natureza humana pecaminosa.

A mãe dos filhos de Zebedeu pediu a Jesus um lugar de destaque para seus filhos, mas o Mestre explicou que não com­petia a Ele outorgar essa posição, mas ao Pai (Mt 20.21,22).

Ela não tinha consciência de que não existe posição melhor do que ser um servo de Deus, que foi trans­portado do reino das trevas para o Reino do Filho do seu amor (Cl 1. 13), e agora vive não mais para si mesmo, mas em e por Cristo (Gl 2.1 9,20). A vontade de Deus é que pensemos e busquemos as coisas celestiais, incorruptíveis (1 Co 9.25).

3. Orações hipócritas (Mt 6.5,6).

Algumas pessoas pensam que podem enganar a Deus com uma aparência de piedade, fingin­do ser espiritual, um “homem” ou “mulher de oração”. Esquecem-se de que Deus é o maior conhece­dor das motivações humanas.

Jesus por diversas vezes repro­vou o comportamento hipócrita e mentiroso. O Senhor ama a verdade e a sinceridade. É melhor ser sincero como um publicano, carente da misericórdia de Deus, do que um fariseu, cheio de justiça própria, pois aquele teve sua oração atendida e este não (Lc 18.9-14).

III. ORAÇÕES ATENDIDAS POR DEUS

Na Bíblia temos muitos exem­plos de orações respondidas, uma vez que estavam em harmonia com a vontade de Deus.

1. A oração do rei Salo­mão (2 Cr 1.7-10).

Há quem faça longas orações, mas inconve­nientes, impróprias, insensatas, irreverentes. Salomão fez uma oração curta, porém, sábia. Ele tinha consigo um “cheque em branco” da parte de Deus (v.7).

No entanto, não teve desejos egoístas, pensou em seu reino e no povo, orando com sabedoria, e Deus lhe respondeu sem demo­ra (vv.11,12).

Por conseguinte, tornou-se o homem mais sábio e rico do mundo de sua época (1 Rs 4.29-34). Você não deseja ter essa sabedoria? Peça a Deus! A Bíblia garante que o Senhor a dá a todos liberalmente, ou seja, a resposta é certa (Tg 1.5).

2. A oração do profeta Elias (1 Rs 18.36-39).

A oração que glorifica e exalta a Deus será respondida. Um exemplo desta oração é a do profeta Elias. Ele lançara um desafio aos falsos pro­fetas de Baal. Aquele que respon­desse enviando fogo do céu para consumir os sacrifícios oferecidos seria o verdadeiro Deus.

O único desejo de Elias era que o nome do Senhor fosse reconhecido e aclamado no meio daquele povo, como fica claro em suas palavras (v.37). Um pedido que busque única e exclusivamente a glória do Senhor e o reconhecimento de seu poderio será prontamente atendido por Ele (Jo 14.13).

3. A oração de Davi (Sl 51.1-17).

Esta súplica por perdão, misericórdia e restauração provém de um coração sincero, arrepen­dido e consciente de seus erros. E tal coração, afirma a Bíblia, não despreza o Senhor (v. 17).

Davi re­conhece a gravidade de seus erros e, principalmente, que havia peca­do contra o seu Deus. Em seguida, arrepende-se profundamente e busca com lágrimas o perdão e a restauração divina.

É importante ressaltar que o relacionamento íntimo que o rei cultivava com o seu Soberano foi decisivo para que ele tomasse essa atitude. Uma vez que Davi conhecia o caráter do Deus a quem servia, tinha certeza de que alcançaria misericórdia de sua parte se o buscasse com um coração sincero.

CONCLUSÃO

O segredo para uma vida de oração eficaz, ou seja, de pedidos realizados conforme a vontade de Deus, é cultivar um relacionamento íntimo e sincero com o Senhor. Você deseja ter suas orações atendidas? Ore de acordo com a vontade de Deus! Você quer saber a vontade de Deus para a sua vida? Então, cultive um profundo relaciona­mento com Ele.

Subsídio Teológico

A vontade de Deus e a von­tade do Homem

“Um dos mistérios com relação à doutrina da vontade de Deus está centrado no ensino bíblico no que diz respeito à soberania de Deus e a responsabilidade do homem. A liberdade do homem condiciona e impõe limites sobre a vontade de Deus? Ou todas as ações dos homens são determinadas no sen­tido de que eles tornam-se meros robôs? Além disso, a solução está além da mente finita, assim como o homem é incapaz de entender a natureza do conhecimento divino e sua compreensão das leis que governam a conduta humana. O homem é incapaz de compreender como uma ação que parece ser livre pode, entretanto, ser a operação da vontade de Deus e assim ser determinada. Nenhum homem pode entender totalmente a vontade e os caminhos de Deus (Jó 9.10). No entanto, o problema de relacionar a liberdade que o homem pensa experimentar com a soberania de Deus, torna-se menos exato se esta liberdade for entendida como a habilidade para fazer o que se de­seja, ao invés do poder de escolha contrária ou arbitrária” (Dicionário Bíblico Wycliffe. Rio de janeiro: CPAD, 2009, p.2026).

[Estudo Bíblico] A Oração Sacerdotal de Jesus Cristo

LEITURA BÍBLICA

João 17:1-4; 15-17; 20-22

Jesus falou assim e, levantando seus olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que também o teu Filho te glorifique a ti;

Assim como lhe deste poder sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos quantos lhe deste.

E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.

Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer.

Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.

Não são do mundo, como eu do mundo não sou.

Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade.

E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim;

Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.

E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um.

INTRODUÇÃO

A oração sacerdotal de Jesus, em João 17, expressa os sentimen­tos, pensamentos e vontades mais íntimas do Mestre em relação aos seus discípulos.

Este estu­do bíblico é re­levante, porquanto não somente revela o que nosso Senhor espera de sua Igreja, mas também evidencia a importância da intercessão de um líder em favor de seus liderados.

I. ORAÇÃO POR UMA VIDA DE COMUNHÃO COM O PAI

1. Relacionamento com Deus (17.2,3).

Nos seus últimos momentos, Jesus demonstra em suas palavras dirigidas ao Pai o seu anseio para que os discípu­los aprofundassem o conheci­mento deles referente a Deus.

Só conseguimos nos relacionar intimamente com alguém a quem conhecemos de modo profundo. Como o profeta Oséias recomen­da:

“Conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor” (6.3).

2. Meditação e prática da Palavra de Deus (Jo 17.6).

As Escrituras revelam o caráter de seu Autor e seus mais profundos anseios para o homem. A melhor maneira de conhecer o Pai e a sua vontade para seus filhos é medi­tar em sua Santa Palavra.

A Lei do Senhor é capaz de ensinar, redar­guir, corrigir, instruir em justiça (2 Tm 3.16), bem como produzir alegria (Jr 15.16), prosperidade (Sl 1.1-3) e vida eterna (Jo 6.63; Hb4.12; Sl 119.50).

3. Uma vida que glorifi­que a Deus (17.4).

O homem foi criado para glorificar a Deus (Is 43.7,21; 1 Co 6.20). Jesus, enquanto esteve na terra, viveu para glorificar a Deus em todos os seus atos (Jo 17.4).

De igual modo, o crente deve viver neste mundo para a glória do Senhor. À medida que nos relacionamos intimamente com o Senhor por meio da oração e da medita­ção em seus manda­mentos, o seu caráter vai sendo moldado em nós e, por conseguinte, externamos uma vida que glorifica ao Senhor. Que a Igreja de Cristo busque arden­temente agradá-Lo e glorificá-Lo em todo tempo (1 Co 10.31).

REFLEXÃO

“Se tivermos toda a Bíblia e nenhuma oração, teremos um grande monte de verdade, mas nenhum poder. Seria como ‘luz sem calor’. Por outro lado, se tivermos toda a oração, porém nenhum ensino bíblico, estaremos em perigo de nos tornarmos fanáticos – calor sem luz!” Warren W. Wiershe

II. ORAÇÃO POR PERSEVERANÇA, ALEGRIA E LIVRAMENTO

1. Perseverança (Jo 17.11,12).

Enquanto Jesus esteve com os discípulos, ensinava-os a verdade e conduzia-os para que não se desviassem desta. Entretanto, sabia que, na sua ausência, a fé desses homens poderia enfraquecer. Por isso, intercede ao Pai para que continuassem crendo nEle e guardando a sua Palavra, a fim de conseguirem perseverar no caminho, na fé, na verdade e na comunhão.

2. Alegria (Jo 17.13).

Je­sus ora para que a alegria dos discípulos permaneça na sua ausência. A alegria do cristão, produzida pelo Espírito Santo, torna-o mais forte e resistente às adversidades. Por essa razão, Paulo recomenda aos tessaloni-censes e filipenses: “Regozijai-vos” (Fp 4.4;1 Ts 5.16).

3. Livramento (Jo 17.15).

Por conhecer o mundo em que viveriam seus discípulos – um mundo que jaz no maligno- Jesus revela uma preocupação muito grande com eles. Sendo assim, roga a Deus, como um bom Pai, que livre seus filhos do mal, ou seja, dos perigos, das tentações e investidas do Diabo.

Podemos descansar na proteção divina, uma vez que estamos refugiados no esconderijo do Altíssimo (Sl 91.1). Contudo, é nosso dever orar e vigiar, “em todo o tempo” (Ef 6. 18), a fim de não entrarmos em tentação (Lc 22.40).

III. ORAÇÃO POR SANTIDADE, UNIDADE E FRUTOS ESPIRITUAIS

1. Santidade (Jo 17.17,19).

Jesus suplicou a Deus que santi­ficasse seus filhos. Ao longo de toda a Bíblia, observamos que o Senhor sempre requereu de seu povo separação total do mundo e do pecado, a fim de adorá-lo e servi-lo. Esse é um processo natural, porquanto, à proporção que nos aproximamos de Deus, afastamo-nos do pecado; e vice-versa. Tal santificação é obtida por meio da verdade, que é ao mesmo tempo Jesus e as Escrituras Sagra­das. Ser santo não é apenas um desejo do Noivo para a sua Noiva, é uma ordem (1 Pe 1. 16).

2. Unidade (Jo 17.21,22).

Em sua oração, Jesus ressalta a unidade existente entre Ele e o Pai. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são Pessoas divinas e dis­tintas, mas são um em essência e vivem em perfeita unidade. Cristo anseia que seu Corpo viva de igual modo, unido. Essa virtude é conquistada e conservada por meio de um andar em Espírito (Gl 5.16-26).

3. Frutificação espiritual (Jo 17.18).

Assim como Deus en­viara o seu amado Filho ao mundo, Jesus enviaria seus discípulos, a fim de que produzissem frutos perma­nentes.

Aquele que está em Cristo -a Videira Verdadeira – naturalmente produz frutos da mesma espécie (Jo 15.5). É impossível estar ligado ao Senhor e, por conseguinte, desfru­tar de comunhão íntima com Ele, e não frutificar (15.4).

CONCLUSÃO

A oração intercessória de Je­sus no capítulo 17 de João revela, sobretudo, seu anseio por uma Igreja que desfrute de um relacio­namento profundo com Deus, reflita o seu caráter e busque única e exclusivamente a sua glória.

Fonte: CPAD/2010