[Exortação] “Mamãe devia ter me ensinado a depender do meu marido – Parte 2″ por Simone Quaresma

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Como vimos no texto anterior, desaprender a ser independente e remodelar nossa mente para dependermos de nosso esposo não é uma tarefa simples, mas é necessária! Esta é a metamorfose ensinada por Paulo em Romanos 12.2:

“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”

Esta mudança precisa acontecer sempre que percebemos que nossos conceitos e ideologias estão em desacordo com a sagrada Escritura. Portanto, se você tem dificuldades em admitir que ao se casar deve depender de seu marido, repense à luz da sua regra de fé e prática. Duvide sempre das suas próprias convicções quando você for confrontada pela Palavra de Deus, afinal, você pode estar errada, a Bíblia não!

Nesta segunda parte do texto, falaremos de duas áreas da nossa vida que precisam negar autonomia, e buscar refúgio em nosso líder! Quando falo de depender do nosso marido nestas áreas, não estou negando nossa dependência total do Senhor, em primeiríssimo lugar! Claro que não! Estou apenas trazendo à lume a verdade de que o próprio Deus estabeleceu funções que devem ser respeitadas, para a nossa proteção e para a glória do seu Reino. Quando dependo do Senhor, posso descansar tranqüila nas mãos daquele que Ele designou para cuidar de mim! E se você ainda não é casada, este papel pertence ao seu pai, que é o responsável por você diante de Deus, tenha você quantos anos tiver! Á medida que você desenvolve a confiança em Deus, baseada na confiança e entrega aos líderes que Ele constituiu sobre você, sua alma estará sendo guardada de grandes armadilhas.

Dependendo emocionalmente de seu marido

Por dependência emocional, me refiro a uma entrega completa, a ser uma só carne também no aspecto emocional. Não ter joguinhos de esconde-esconde, não ter medo de dizer o que pensa e o que sente. Desejos, afetos, pensamentos, todos entregues ao nosso cônjuge sem reservas. Ele é a única pessoa com quem você pode ser exatamente quem é. Em sua presença você pode estar completamente desnudada, sem medo do que ele pensará de você. O Puritano Henry Smith descreveu assim o casamento: “um unir de corações e um entretecer de afeições juntos.”

Quando a Bíblia fala que os dois se tornam um, que Eva foi formada da costela de Adão, da mesma essência, devemos entender que dependemos desta completude! Quem diz que não precisamos dos homens e que somos tão fortes quanto eles é o feminismo. A Bíblia diz o contrário, diz que somos a parte mais frágil:

“Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher COMO PARTE MAIS FRÁGIL, tratai-a com dignidade…” I Pedro 3.7.

E todo homem temente a Deus, não vê nesta verdade uma oportunidade de reinar tiranicamente sobre sua esposa, mas de servi-la e tratá-la como um vaso raro e frágil.

O amor romântico e a entrega total de ambos os cônjuges, faz com que o casamento seja uma união deliciosa. Segundo o Puritano Thomas Becon, “o matrimônio é uma alta, santa e abençoada ordem de vida, ordenada não pelo homem, mas por Deus…na qual um homem e uma mulher são acoplados e entretecidos numa carne e corpo no temor e amor de Deus, pelo livre, amável, entusiástico e bom consentimento de ambos, com a intenção de que os dois habitem juntos como uma carne e corpo, e uma mente e vontade, em toda honestidade, virtude e santidade, e passem suas vidas a compartilhar igualmente de todas as coisas quantas Deus lhes enviará, com ações de graças.” Esta união tão forte não se constrói com autonomia, mas com interdependência!

Cada um cumprindo o papel que Deus designou, entregando-se ao outro em profundo amor. Desta forma, esta só pode ser a melhor de todas as uniões! Quando um marido sabe ser um doce líder e a esposa uma companheira ajudadora, a amizade e união que virão desta relação será forte e duradoura. Como afirmou o Puritano Benjamin Wadsworth, “um bom marido fará seu governo sobre ela tão fácil e suave quanto possível, e lutará mais para ser amado que temido.” Samuel Willard dizia que um bom marido reinará de tal forma “que sua mulher possa deleitar-se na sua liderança, e não tê-la como escravidão, mas como liberdade e privilégio.” Nesta esfera de amor e respeito mútuos não há o que temer! Podemos depender e descansar completamente em seu amor incondicional!

Dependendo espiritualmente de seu marido

A liderança espiritual do homem sobre sua família foi-lhe entregue no Éden. Quando Deus dá a ordem a Adão para que não comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal, Eva sequer havia sido criada. Mas não é apenas neste texto da Bíblia que nos baseamos para dizer que as mulheres devem ser docemente guiadas até Deus por seus maridos. Se você abrir comigo em Efésios 5. 25-27, verá a forma maravilhosa que Paulo descreve esta liderança:

“ Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a SANTIFICASSE, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, SEM MÁCULA, NEM RUGA, nem coisa semelhante, porém SANTA E SEM DEFEITO.”

Este é o ministério dos maridos na vida de suas esposas! Entregá-las de volta ao verdadeiro Noivo naquele grande e esperado Dia, o Dia do senhor! É das mãos deles que Deus vai pedir contas sobre como a santidade de sua esposa e de seus filhos foi desenvolvida! A eles cabe conduzir a família neste deserto, rumo à Cidade Celestial, zelando por suas almas, cuidando para que abandonem pecados, cresçam no conhecimento de Deus e tenham vidas piedosas. O marido que é como Cristo, é aquele que está preocupado com os perigos que rondam a alma de sua amada, que a ajuda a vencer as lutas sangrentas que são travadas contra o pecado. Por isso moças, se vocês ainda não se casaram é tempo de verificar o tipo de homem que estão desejando ter ao seu lado. Não estou falando de moças que destroem suas vidas e desobedecem uma ordem clara do Senhor se casando com homens ímpios. Estou falando de moças que acham que por freqüentarem uma igreja, o rapaz já é um pretendente em potencial. Nossas igrejas estão lotadas de rapazes que não fazem a menor ideia do chamado de Deus para eles, nunca ouviram que serão sacerdotes de sua família, apresentando-as a Deus. Estou falando de homens que não amam a Palavra de Deus, que não têm prazer em falar sobre ela, que não têm brilho nos olhos quando ouvem uma pregação. Não se engane: se este jovem não tem as coisas de Deus como as mais amáveis, as mais desejáveis de sua vida, esta será a triste realidade de sua futura família. “Mamãe deveria ter te ensinado” que esta é a principal característica que você deve observar num futuro marido: o quanto ele ama a Deus, o quanto busca a santificação e o quanto está disposto a ir às últimas conseqüências por amor ao seu Deus. Não se case com um fariseu. Ele jamais será capaz de te apresentar a Cristo no último dia sem manchas nem rugas.

No entanto, minha irmã, se você já é casada e seu marido é crente, mas não tem consciência da importância do seu papel de líder espiritual da família, você precisa auxiliá-lo. O fato de seu marido não exercer a liderança espiritual que deveria sobre a família, não te dá autoridade para fazê-lo em seu lugar. Este papel é dele! Você deve encorajá-lo em amor e respeito a assumir o culto doméstico, por exemplo. Deve, com muita sabedoria, ajudá-lo a crescer no conhecimento de Deus. Conheço casais que não tinham o hábito da leitura de bons livros, e com o auxílio da esposa, lendo para o marido algumas páginas por dia, têm conseguido sanar esta deficiência. Conheço esposas que se utilizam de áudios de pregações enquanto percorrem longas distâncias juntos. Outras precisarão pedir ajuda a seu pastor ou a um presbítero de sua igreja, para que aconselhem seus esposos.

Seu marido é seu pastor, e mesmo que ele não esteja fazendo isto de forma brilhante hoje, você tem de respeitá-lo como tal, e orar e contribuir para que ele chegue perto do padrão estabelecido por Deus: Como Cristo é para a Igreja, assim seu esposo deve ser para você. Talvez o fato de você não considerá-lo assim, ou achar que ele tem menos conhecimento doutrinário que você pode impedir que ele assuma esta responsabilidade. Talvez uma mudança de atitude sua nesta área, abrindo mão do controle, seja o primeiro passo para que ele progrida no seu chamado.

Não quero dizer com isto que você deva se esquivar de toda e qualquer responsabilidade da esfera espiritual de sua família. Embora o marido seja o líder, o sacerdote do lar, você é sua ajudadora, conselheira e consoladora. O Puritano Samuel Willard pensava que havia um dever de advertência mútua entre marido e mulher e que os cônjuges deveriam “escolher ocasiões apropriadas para reprovarem um ao outro, por coisas que seu amor e dever exigem.”. Como auxiliadora idônea você pode e deve ajudá-lo a guiar seus filhos a Deus, pode e deve advertí-lo em amor, quando perceber que ele está em pecado.

Desta forma, com o marido assumindo o papel que Deus deu a ele, e a esposa amavelmente ajudando-o nesta tarefa, a família seguirá crescendo com força e vigor, para a glória de Deus e fortalecimento de sua Igreja.

No próximo texto, se o Senhor permitir, falaremos sobre como deveríamos ter aprendido a depender financeiramente de nosso marido. Contracultural? Demais!

Mulheres Piedosas

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[Exortação] “Mamãe devia ter me ensinado a depender do meu marido” por Simone Quaresma

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Tenho certeza absoluta que depois do título deste artigo, muitas mulheres sequer continuarão a leitura! Tenho convicção de que tratar deste assunto em pleno século 21, parece anacronismo- olhar para o passado com olhos contemporâneos. Meu convite para você, ao ler este texto, não é para que você se volte para o exemplo de sua mãe ou de sua avó. Não quero propor uma análise de costumes do passado à luz do nosso mundo pós-moderno. Meu desejo é para que juntas, avaliemos o que as Escrituras dizem. Esta análise sim, vale a pena, afinal, a Palavra de Deus é infalível, inerrante, suficiente e ATEMPORAL!

O conceito de depender de alguém pode parecer repugnante para uma mulher que nasceu e foi criada numa cultura feminista. Se você tem menos de cinqüenta anos de idade, se enquadra neste grupo: mulheres que cresceram num mundo dominado por conceitos e ideologias extremamente feministas, mesmo que estes venham sob a capa mais inocente de “liberdade e direitos” das mulheres. Tendo sido criada neste contexto, depender de alguém pode soar mal para você. Que tal, então, vermos o que as Escrituras falam sobre este assunto? Será que realmente fomos criadas para a autonomia? Será que o alvo de Deus para nós é a independência, o autogoverno?

Em Efésios 5: 21, Paulo ordena: “…enchei-vos do Espírito”. O apóstolo vai além e diz COMO podemos viver uma vida piedosa, que nos encherá com seu Santo Espírito: “falando entre vós com Salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, SUJEITANDO-VOS UNS AOS OUTROS NO TEMOR DE CRISTO.” (versos 19-21). E depois deste impressionante chamado à sujeição mútua geral entre os crentes, Paulo prossegue o texto divinamente inspirado, demonstrando a sujeição vocacional: “As mulheres, sejam submissas ao seu próprio marido, como ao Senhor…” (verso 22). Como uma mulher pode obedecer a estas duas ordens – sujeitar-se uns aos outros no temor de Cristo e ser submissa ao marido – sendo autônoma? Como os conceitos de auto-suficiência e liberdade feminista podem se encaixar na ordem para a sujeição mútua? Simplesmente não pode! Ou abandonamos de vez o conceito mundano de independência, ou abandonamos a Bíblia e o Evangelho!

No decorrer do texto que lemos e no capítulo 6, Paulo continua mostrando como somos cheios do Espírito Santo ao vivermos vidas santas e obedientes. Os maridos dando suas vidas pelas esposas, os filhos obedecendo aos pais, os paisnão provocando os filhos à ira, os servos obedecendo aos senhores, os senhores tratando os servos com dignidade, pois são iguais perante Deus. Onde podemos ver, nesta lista descritiva de relações ordenadas por Deus, a autonomia? Não é fato que em todos estes relacionamentos estão patentes o dar-se, o cuidar, o obedecer, o prover o melhor? Não está clara a sujeição mútua?

“Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros.” (Romanos 12.10)

“Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmos. Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros.” (Filipenses 2.3 e 4)

“Não negligencieis, igualmente, a prática do bem e a mútua cooperação; pois, com tais sacrifícios, Deus se compraz.Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles…” (Hebreus 13.16 e 17)

Todos estes textos das Escrituras nos ensinam o quanto a interdependência (dependência mútua), é o padrão de Deus. O tempo todo a Palavra de Deus vai mostrar que o alvo é o outro. O Evangelho nos ensina a tirar os olhos de nós mesmas e colocar em nosso próximo. O bem do outro, a obediência, a sujeição, o serviço, o amor mútuo são conceitos que nada têm a ver com independência e autonomia. O Evangelho resume todos os mandamentos em dois: Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Obediência a Deus e amor e serviço ao outro. Onde haverá espaço, então, para eu me focar em mim e nos meus próprios interesses, independente do Corpo de Cristo, dos meus irmãos?

O Medo de depender

Não ignoro que depender de alguém pode trazer medo e instabilidade para algumas mulheres, principalmente àquelas que já foram feridas em situações semelhantes. Colocar sua confiança em alguém, depender desta pessoa e ser traída por ela é uma dor que gera insegurança. E esta é uma falta gravíssima. O Catecismo Maior de Westminster nos ensina que o pecado é agravado quando é praticado contra alguém que confiava no ofensor. “Pecar contra aqueles com quem estamos intimamente relacionados, ou especialmente comprometidos, é ter a culpa agravada.” (Johannes G. Vos, comentando a pergunta 151 em: Catecismo Maior de Westminster comentado- Editora Os puritanos). De forma alguma podemos minimizar a dificuldade de alguém que foi ferido, de voltar a confiar e a descansar na condução de um líder. Maridos que trocam a mulher de sua mocidade por outras; pais que somem e não suprem as necessidades dos filhos; mães que abandonam suas crianças à própria sorte. Estas são algumas situações terríveis que o pecado gera. Nossa sociedade está afogada neste mar de descaso e egoísmo, de fuga de responsabilidades, de hedonismo, de amor exagerado por si mesmo e de desprezo ao próximo. Isto é abominável ao Deus que instituiu a família e o casamento para cuidado e auxílio mútuo.

De forma alguma, entretanto, estes pecados podem gerar outros. Sei que a tendência de uma moça que foi criada apenas por sua mãe, já que o pai sumiu no mundo, é rejeitar a idéia de depender do marido. Aquelas que tiveram pais violentos, não querem nem pensar em se submeter espontaneamente ao futuro cônjuge. Mulheres que se casaram com homens “crentes” que as abandonaram, talvez instruam suas filhas a procurar no mundo, já que os “da igreja” estão fazendo pior! Mas estas dificuldades têm de ser vencidas pela fé nAquele que instituiu o padrão para se viver em família. O que Deus instituiu é superior às nossas experiências pessoais. Não é porque o pecado corrompeu e estragou seu casamento, que os padrões de Deus estão errados e devem ser substituídos! O padrão de Deus para a família é santo e é a expressão da sua santa vontade. Não podemos achar que a nossa experiência dolorosa tem mais valor que uma ordenança do Altíssimo. Será que vamos fazer coro com este mundo que jaz no maligno, e dizer que o casamento é uma instituição falida? Será que decidiremos ter apenas um filho, porque a economia não está estável e emprego anda difícil? Será que vamos nos preparar com antecedência para um divórcio, já que mais cedo ou mais tarde nosso marido pode nos trocar por uma mulher mais jovem? Como viveremos nossas vidas? Pautadas no que este mundo perverso vive ou no padrão santo, estabelecido pelo Deus Santo, que revelou como nossas famílias deveriam andar e viver?

Meu pedido a você, amada irmã, é que se despoje dos conceitos mundanos e feministas, deixe um pouco de lado a dor causada por seu pai ou seu marido, e caminhe comigo, tentando descobrir o modo como DEUS deseja que você viva em dependência. Ele é o nosso padrão, a sua Palavra é a nossa regra de fé (aquilo que cremos) e de prática (como gerimos nossa vida). Você está pronta para abandonar suas idéias de liberdade e autonomia e se submeter à norma estabelecida pelo criador para suas criaturas? Então, no próximo texto falaremos sobre três aspectos em que somos chamadas a depender dos nossos maridos: Dependência emocional, espiritual e financeira. Até lá!

Fonte: http://www.mulherespiedosas.com.br/

SUPLEMENTO

Paul Washer – Recuperando a feminilidade bíblica