[Artigo] A Jovem Puritana: Cortejando Pr. David Lipsy

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Ao preparar-se para pensar em casamento, era típico ser dito à jovem puritana que afeição estável de ambos os lados em um relacionamento era geralmente um sinal de apoio divino ao casamento. Todavia, ela não devia necessariamente procurar por alguém a quem ela amasse naquele exato momento, mas por alguém a quem ela poderia amar de forma permanente. Esta é uma importante distinção (expandir-emoção vs. critério).

A moça puritana era ensinada que o amor pelo Senhor devia vir primeiro e o amor humano devia alimentar esse amor e não desviá-la dele. Contudo, o amor marital, uma vez que o homem e a mulher estivessem unidos, devia ser igual ao da igreja por Cristo, embora subserviente ao amor dela pelo Senhor.

Packer nos fala que o homem puritano típico oraria muito e pensaria bastante sobre uma companheira em potencial. Que ela fosse uma cristã séria era uma condição. (Faça uma pausa e considere isto.) Beleza de mente e caráter era enfatizado bem mais que beleza externa. Uma avaliação completa do caráter da moça precederia a corte. Como isso era feito? Ele tentaria descobrir sua reputação, observar como ela costumava agir na convivência com outras pessoas, como ela se vestia e conversava, e a quem ela selecionava para seus amigos. O puritano Robert Cleaver escreveu:

“Escolhe uma companheira para tua vida como antes escolhestes companhias iguais a ti”.

Os puritanos Dod e Cleaver em seu A Godly Form of Household Government (Uma Forma Piedosa de Governar a Família):

“Vejam um ao outro comendo e acordando, trabalhando e brincando, conversando, rindo e desaprovando também; ou, caso contrário, pode ser que se tenha um para com o outro menos do que se procurava, ou mais do que desejassem”.

Os puritanos usavam o modelo de cortejar bíblico, experimentado e verdadeiro, em preferência ao moderno, em preferência às práticas mundanas de namoro de hoje. Eles tinham pouca esperança para com aqueles casais cujas afeições se sobrepunham à razão. De forma típica, a razão era empregada em primeiro lugar na procura de um parceiro e as afeições deveriam segui-la obedientemente. Talvez seja uma surpresa para nós, mas eles freqüentemente conseguiam.

Quando um certo Michael Wigglesworth desejou persuadir uma mulher piedosa a casar-se com ele, ele escreveu-lhe, não proclamando um amor violento por ela, mas, em vez disso, fez cuidadosamente uma lista de dez razões pelas quais ela deveria casar com ele e depois respondeu a duas objeções à união deles levantadas por ela. Embora a primeira das razões dele se assemelhe ao amor romântico com que todos nós estamos muito familiarizados – “meus pensamentos e coração têm sido somente por você desde nosso primeiro encontro” – as outras razões não foram produtos de paixão, mas de piedade. Na razão dois nós lemos que “mesmo buscando a Deus de forma séria, fervorosa e freqüente por orientação e direção em uma questão tão séria, meus pensamentos ainda têm sido determinados e fixos em você como a pessoa mais adequada para mim”. Razão três: “A isso eu não tenho sido levado por fantasias (como muitos são em casos assim), mas por um raciocínio e julgamento saudável, principalmente amando e desejando você por aqueles dons e graças que Deus lhe deu, e visando a glória de Deus, a beleza e promoção do evangelho.O bem espiritual, bem como o bem exterior de mim mesmo e de minha família, juntamente com o seu bem e de seus filhos, como meus objetivos, induzem-me a isso”. Para encurtar a história: a senhora casou com Wigglesworth.

Que pai hoje não invejaria tal pretendente para sua filha? Nossa forma de aproximarmos uma relação em nossos dias atuais não está talvez nos afastando desta preparação séria para o casamento? Uma conclusão errada à qual não queremos que se chegue é dizer que os sentimentos do amor não são importantes. Os puritanos apenas não os consideravam de todo-importante. O amor tinha que ser precedido e temperado com considerações sérias, espirituais.

Fonte: Mulheres Piedosas


*Este post é parte da Palestra “A Mulher Puritana” proferida na “Conferência da Mulher – HNRC” no ano de 1998 pelo Pr. David Lipsy. Traduzido e publicado em português originalmente na ”Revista Os Puritanos” (Ano XII, nº 02:2004), re-publicado com permissão do Projeto Os Puritanos e do autor. *O Rev. David Lipsy é pastor da Grace Reformed Christian Church, Arkansas, USA. É casado com Ruth desde 1981 e são abençoados com oito filhos e dois netos. Depois de participar de Rutgers College of Pharmacy por quatro anos, completou a licenciatura em Educação em Lakeland College e serviu 14 anos como professor da escola cristã em Wisconsin. Cursou o M. Div. no Puritan Reformed Theological Seminary (PRTS) em Grand Rapids, MI e completou programas de certificação introdutória e avançada em Aconselhamento Bíblico no “Aconselhamento Cristão e Fundação Educacional” de Glenside, PA. Ele está próximo de completar o Doutorado do programa no Ministério Aconselhamento Pastoral de Westminster Seminary, na Filadélfia. Atua no Conselho de Administração do PRTS bem como no Covenant College, na Zâmbia, na África. Periodicamente ensina em ambas as instituições. Pastoreou a Congregação Reformada Heritage of New Jersey 1999- 2008.

SUPLEMENTO

[Artigo] “Como Se Tornar Uma Garota Piedosa” por Kristen Clark

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Eu estava em um casamento recentemente e percebi o quão bonito o bolo de casamento da noiva era. Ele não só parecia bom, mas o gosto era muito bom também. Mas o bolo não foi dessa forma desde o início.

Um dia antes do casamento não era nada mais do que uma pilha de farinha, açúcar, ovos, manteiga, etc. A fim de obter o resultado final surpreendente que foi exibido na recepção do casamento, alguém tinha de seguir cuidadosamente as instruções da receita.

Se alguma coisa fosse deixada de fora, ou se muito de um ingrediente fosse adicionado, o bolo teria sido um desastre.
A vida real funciona da mesma maneira. Como uma jovem cristã, você está colocando determinados ingredientes em sua vida diariamente. Você vê as mulheres piedosas mais velhas e espera que se torne como elas um dia.

Mas você está usando os ingredientes certos para chegar lá? Você está seguindo a receita de Deus para uma menina piedosa e bem sucedida? Ou, você está enchendo o seu coração e mente com ingredientes do mundo?

Quando eu era jovem, uma senhora disse à minha mãe que desejava que sua filha viesse a ser como eu, algum dia. Conforme os anos passaram, sua filha tomou um caminho muito diferente do que a mãe esperava. O que aconteceu? A filha não estava colocando os ingredientes certos em sua vida quando ela era jovem, para obter o resultado de uma mulher de Deus quando ela fosse mais velha. Tornar-se uma menina piedosa não vai acontecer por padrão. A fim de colher os resultados certos, você tem que usar intencionalmente os ingredientes certos. E isso começa agora. Talvez você esteja animada sobre como usar os ingredientes certos para tornar-se uma menina piedosa, mas não tem certeza por onde começar.

Aqui está uma lista de 5 ótimos pontos de partida:

  1. Conheça o seu Salvador.
    Faça um cronograma e reserve um tempo especial a cada dia para estudar a Bíblia e falar com Deus. O livro de Provérbios é um ótimo lugar para começar, porque há um capítulo para cada dia do mês.
  2. Sirva sua família.
    Jesus foi o maior exemplo de um servo e Ele nos chama para nos tornarmos como Ele. Procure maneiras de servir seus pais e irmãos a cada dia.
  3. Encha sua mente com a verdade.
    A maioria dos principais meios de comunicação não promove a verdade bíblica. Escolha substituir suas escolhas de mídia secular por escolhas cristãs que honrem a Deus. A frase “você é o que você come” é realmente verdade em um sentido espiritual, quando se trata do que você coloca em sua mente.
  4. Leia livros desafiadores.
    Crie uma lista de livros e comprometa-se a ler várias páginas por dia de um livro cristão sólido. Para começar, há várias ótimas opções na página de recursos MulheresPiedosas.com.br
  5. Evite autopromoção.
    Vivemos em uma cultura que incentiva uma mentalidade do tipo “tudo sobre mim, selfie”. Evite o estilo de vida “selfie” e foque a sua atenção na construção de relações profundas e significativas com a sua família e amigos.

Como Donald Whitney diz: “Nós não vamos crescer muito em piedade, se não sabemos muito sobre o que significa ser piedoso.”

Aqui estão algumas perguntas de “verificações da realidade” para refletir:

Que ingredientes (filmes, música, livros, revistas, amizades, etc) que você está colocando em sua vida agora? Eles estão ajudando ou dificultando sua caminhada cristã? Em cinco anos, vai ser uma garota mais piedosa por causa do que você está fazendo em sua vida hoje, ou você vai lentamente derivar fora do caminho? Anote os cinco pontos acima em um pedaço de papel. Eu desafio você a aplicar essas cinco verdades à sua vida hoje.

Fonte: Mulheres Piedosas

Deixe-me saber seus pensamentos na seção de comentários abaixo! Eu adoro ouvir de você.

[Exortação] “Mamãe Devia Ter Me Ensinado a Depender Financeiramente do Meu Marido – Parte 1″ por Simone Quaresma

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“Depender emocionalmente e espiritualmente de meu marido já é difícil. Depender financeiramente já é demais!!” “Pedir dinheiro ao meu marido até para comprar um batom?? Nem pensar.” “E se acontecer alguma coisa de ruim? Se ele ficar doente, me abandonar ou morrer?” Estas e dezenas de outras perguntas povoam a mente das mulheres cristãs de nossos dias, quando descobrem que sua missão de mãe e de esposa não são compatíveis com prover financeiramente para uma família. Neste momento, quando ela se dá conta de que o trabalho que a aguarda é tão gigantesco que tomará praticamente todo seu tempo, as dúvidas sobre como sobreviverá sem seu próprio dinheiro e a possibilidade de depender exclusivamente do salário do marido as atormentam. Como viver apenas com um salário? Como poderemos tirar férias sem o meu 13º? E o planejamento da compra da casa própria, que eu pagaria mais da metade da prestação? Como trocaremos de carro? Como?! Só o salário dele não é suficiente!

Em Gênesis, quando a primeira família é formada, Deus dá a cada um, homem e mulher, suas principais funções. O homem é o líder, o que recebe a Lei de Deus e aquele que protege e cultiva o jardim. Ao homem cabia plantar e colher, prover o sustento de sua família (Gn 2.15). Mais tarde, depois da queda, vemos a reafirmação dos papéis de cada um. A maldição por causa do pecado que atinge a cada um, homem e mulher, são lançadas sobre sua esfera de ação, naquilo que o Senhor havia designado para que fizessem, nos mandatos que o Senhor fixou a cada um deles.

“E à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos; o teu desejo será para o teu marido e ele te governará”(Gn 3.16). E a Adão disse: …maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias da tua vida. Ela produzirá cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão.” (Gn 3.17-18).

Neste texto, percebemos claramente que a maldição recaiu sobre a mulher no seu principal papel, o de mãe e esposa, e sobre o homem, no papel de provedor.

Também percebemos a mesma descrição dos papéis lá no Salmo 128.1,2 e 3:

“Bem aventurado o homem que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos”. Como se organiza a vida familiar deste homem que ama ao Senhor e quer pautar sua vida pelas ordens dadas por Deus? “Do trabalho de tuas mãos comerás, feliz serás, e tudo te irá bem. Tua esposa, no interior de tua casa, será como a videira frutífera…”

Percebem a disposição das coisas? Percebem que cada um está atacando uma área? Percebem que eles são uma equipe?

O que tem acontecido nos dias de hoje é que os dois estão saindo para obter o pão (o pão ou o luxo??), e ninguém fica “no interior da tua casa”. Marido e mulher têm corrido para fora de casa, ambos para cumprirem o papel de provedor que Deus deu ao homem, e o papel de mãe e esposa fica para ser ‘cumprido’ por empregadas, babás, sogras e creches. Todo mundo sai de casa, todo mundo desempenha o mesmo papel e deixa um rombo, naquilo que o Senhor ordenou para a família.

Numa empresa, por exemplo, se todos resolverem trabalhar na mesma função, como ficarão as outras? Como gerir um negócio que tem dez sócios que desempenham o mesmo papel? Esta empresa está fadada ao fracasso. Não é diferente com nossas famílias. Cada um tem sua área de ação, cada um tem responsabilidades que foram dadas por Deus e serão cobradas.

Não quero dizer com isso que mulheres casadas não possam gerar renda. Há muitos modos de fazê-lo. Conheço mulheres que vendem produtos de beleza, outras que revisam textos para editoras em casa. Eu mesma fiz e vendi bijuterias durante vários anos. A questão que estamos abordando aqui é quando a mulher delega suas responsabilidades com a casa, o marido e os filhos, para ganhar dinheiro, dentro ou fora de casa. Quando ela se sente responsável por prover a família, ou quando seu marido exige que ela contribua com o orçamento da casa, negando-se a ser o provedor de sua família, aí temos um problema instalado!

Mas o que será que leva as mulheres cristãs de hoje a abandonarem seus postos como cuidadoras de suas família e abraçarem com tanto afinco o papel de provedor dado por Deus ao homem? Gostaria de compartilhar com vocês algumas prováveis situações que as levam a isso, mostrar onde estão erradas e qual a solução para cada caso.

Medo de ter que pedir dinheiro até para um batom

Este é um medo clássico que brota no coração de mulheres imersas numa cultura feminista. Como será a minha vida se eu tiver que pedir dinheiro ao meu marido para minhas necessidades mais básicas? Seria muita humilhação!

Na verdade, pensar assim é ignorar por completo a forma como Deus designou que uma família funcionasse. Este pensamento provém de uma distorção dos padrões familiares instituídos por Deus. Isto é compartimentar a família, é não entender que os dois são um, que tudo que pertence a um, pertence ao outro, que todos os ganhos são destinados ao bem comum. O casamento não é uma união onde duas pessoas têm vidas paralelas, cuidam das próprias necessidades e apenas se encontram para jantar e dormir. O casamento é uma associação que visa o bem estar e o crescimento mútuo, onde tudo gira em torno do bem comum. E na área das finanças do casamento não poderia ser diferente!

Ouço muitas mulheres dizerem que se sentem humilhadas por não terem seu ‘próprio dinheiro’, por não ganharem um salário! Ora, o salário de seu marido é o seu salário! Ele foi constituído provedor exatamente para te sustentar! Isto não é um favor, é uma obrigação! Você foi constituída auxiliadora idônea justamente para dar a ele condições, ao ficar na retaguarda, para que ele vá o mais longe possível no trabalho e nos estudos, sem preocupação alguma, pois tem alguém de confiança cuidando de sua casa e dos seus filhos. Ele está livre para ganhar o sustento da família! Você está ali para suprir a casa enquanto ele está nas ruas! Não é esta a descrição da mulher virtuosa de Provérbios 31? Lá está aquela mulher trabalhadora, que levanta ainda noite para cuidar da casa, fazer roupas, vender o que sobra aos mercadores. Ali está ela, no interior de seu lar, dando ordens às criadas, atendendo ao bom andamento de sua casa e falando e instruindo com sabedoria. Ela cuida até dos necessitados ao redor. O coração do seu marido confia nela! Ele está livre para se assentar com os anciãos da terra e cumprir com seus deveres na sociedade. Ele tem toda a logística da casa funcionando bem! Ele é estimado entre os juízes que reconhecem como sua vida familiar é bem ordenada. Eles são um time!

Esta mulher parece se sentir humilhada por não estar, ela mesma, assentada entre os anciãos da terra? De forma alguma! Ela é, isso sim, louvada por seus filhos que a chamam ditosa, e por seu marido que reconhece seu magnífico trabalho na manutenção da boa ordem do lar e diz: “muitas mulheres procedem virtuosamente, mas tu a todas sobrepujas.”

Outro texto que nos trás à lembrança a justiça feita para com os que ficam na retaguarda é I Samuel 30. Naquela ocasião, Davi, fugitivo pelos desertos com seus homens, teve suas mulheres e crianças levados cativos pelos amalequitas. Na estratégia de recuperá-los, Davi ordenou que parte do grupo, que estava mais cansado, ficasse guardando a bagagem de todos. O restante partiu para a peleja e recuperaram as mulheres, crianças, gado e absolutamente tudo que os amalequitas haviam levado. Quando chegaram de volta, homens maus, chamados de filhos de Belial, sugeriram a Davi que desse aos homens que tinham ficado com a bagagem, apenas suas mulheres e crianças. Eles acharam que estes não tinham direito aos despojos. Mas Davi não concordou com esta injustiça: “Quem vos daria ouvidos nisso? Porque qual é a parte dos que desceram à peleja, tal será a parte dos que ficaram com a bagagem; receberão partes iguais. E assim, desde aquele dia em diante, foi isso estabelecido por estatuto e direito em Israel, até ao dia de hoje.” O princípio de justiça estabelecido aqui é o mesmo! Eles formavam uma equipe e, cada um cumpria a sua parte para que o alvo fosse alcançado e o ‘despojo’ era de todos, igualmente de todos!

Portanto, minha irmã, o dinheiro ‘do seu marido’ não é dele, é da família! E sendo dinheiro da família precisa ser usado para o bem comum, designado para as necessidades de todos e usado com o consentimento de ambos para suprir o todo! Não sinta vergonha de viver da forma como Deus ordenou.

Continua…

Mulheres Piedosas

[Exortação] “Mamãe devia ter me ensinado a ser uma Boa Dona de Casa – Parte 2” por Flávia Silveira

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Ainda não leu a Parte 1? Leia Aqui.

“Atende ao bom andamento da sua casa
e não come o pão da preguiça.
Levantam-se seus filhos e lhe chamam ditosa;
seu marido a louva, dizendo:
Muitas mulheres procedem virtuosamente,
mas tu a todas sobrepujas.” (Provérbios 31: 27-29)

 

Como já mencionei em um artigo anterior, eu não nasci em lar cristão. Fui criada em uma família matriarcal em que o feminismo é considerado lindo. As mulheres de minha família querem ser independentes, bem sucedidas profissionalmente e intelectuais. Palavras como submissão e dependência são consideradas coisa de gente burra, bitolada e ignorante. Priorizar o lar e a família? Incogitável! Absurdo!

“Quem sabe o dia de amanhã, minha filha?”, sempre me questiona a minha amorosa mãe, sinceramente preocupada com o meu futuro e a minha segurança. Ela não entende que a minha segurança está no Senhor, e que, por isso confio a Ele o meu futuro.

Eu fico imaginando quantas de vocês cresceram em um ambiente assim. O fato é que infelizmente hoje em dia, dentro e fora da igreja, a mentalidade feminista está impregnada em nossa cultura de forma tão profunda que nem sequer conseguimos distinguir os seus ensinos demoníacos tentando enfraquecer e destruir as nossas famílias. O Inimigo sabe que famílias cristãs fortes são o meio ordinário que Deus usa para construir a sua Igreja. Filhos da Aliança criados na disciplina e admoestação do Senhor (Efésios 6:4) são, via de regra, futuros membros preciosos da Igreja de Cristo. Satanás não quer isso. Ele quer famílias cristãs vazias, superficiais e fracas.

Quando me formei em Direito, toda a minha família se orgulhou muito de mim. Eles nutriam muitas esperanças de que eu seria uma grande juíza e essas esperanças se fortaleceram quando eu passei no exame da OAB mesmo antes de colar grau. A verdade é que eu amava o meu curso, sentia paixão pela advocacia e de fato me realizava nisso, mas, eu sabia que não era esse o chamado do Senhor para mim, por isso foi um choque para todos quando decidi que não atuaria, mas ficaria em casa.

Na época eu nem sequer entendia bem as implicações da minha decisão. Eu não tinha filhos, minha diarista fazia tudo em casa 2x por semana e eu praticamente estava tendo uma vida de dondoca. Mas o Senhor queria trabalhar em minha vida, e quando nos mudamos para os EEUU, onde apenas pessoas muito ricas tem uma faxineira, eu precisei colocar a mão na massa e de fato ser uma dona de casa. Seis meses depois eu engravidei.

Todos os dias eu desejo que minha mãe tivesse me preparado desde pequena para ser uma boa dona de casa. Eu tenho exercido essa função em tempo integral há 3 anos e com raras exceções, não há um dia em que eu não me sinta desqualificada. Como eu gostaria de ter cursado “faculdade de serviços domésticos”! Como eu gostaria de ter sido treinada a preparar o cardápio da semana para que eu pudesse ter a lista de compras organizada de tal forma que não houvesse desperdícios no meu lar. Como eu gostaria de saber passar roupa bem. Como eu gostaria de saber desde pequena que para cuidar do lar eu precisaria ser extremamente organizada e disciplinada. Como eu gostaria… quantos momentos de frustração, tristeza e até conflitos teriam sido evitados se mamãe tivesse me ensinado a ser uma boa dona de casa!

Glorifico ao Senhor por que em sua misericórdia tenho entendido a importância da esposa em seu lar! Meu objetivo aqui é dividir com vocês aquilo que tenho aprendido e tentado colocar em prática no dia-a-dia. Muitas dessas coisas ainda são grandes desafios para mim, mas confio que o Senhor continuará me ajudando e aperfeiçoando, como tem feito.

Economizando

A decisão de ser esposa e mãe em tempo integral geralmente acarreta em uma decisão por uma vida mais simples. Ao deixarmos de ajudar no orçamento da família, muitas vezes somos obrigadas a abrir mão de algumas “regalias”. Algumas delas se tornam realmente desnecessárias, como faxineira, passadeira, cozinheira, babá, etc. Como estamos em casa, e a nossa nova profissão é cuidar do nosso lar e da nossa família, não há mais a necessidade de contratarmos alguém para fazer essas tarefas. É claro que há ocasiões em que podemos precisar de uma ajuda, quando temos um bebê pequeno por exemplo, e quando temos condições financeiras para tanto, por que não?

Por passar mais tempo em casa, também poderemos abrir mão de comprar todas aquelas roupas novas que precisávamos para ir ao trabalho todos os dias, e diminuir a frequência no salão de beleza, poderemos então economizar nisso!

Para as poucas felizardas que moram em casa, mais uma opção legal para economizar é fazer uma horta. Há muitas verduras, legumes e até frutas super fáceis de plantar. Nada melhor do que comer aquilo que nós mesmas plantamos fresquinho, tirado do pé, e de graça! Aqui nos EEUU nós moramos em casa, então estou me aventurando pela primeira vez em plantar uma horta e estou super empolgada! Aposto que vocês também vão amar.

Organizando

Como Carol bem disse na parte 1, organização é essencial se você quer ser uma boa dona de casa! Existem vários métodos de organização da rotina de uma dona de casa. Você apenas precisa encontrar aquela que mais se adequa à sua personalidade e família. (Se, assim como acontece comigo, a falta de organização é um problema para você, não deixe de ler o livro “Como Organizar Sua Vida e Seu Coração” de Staci Eastin, Vida Nova).

A falta de organização rouba a nossa alegria nos trabalhos domésticos. Estamos sempre ocupadas, pois nunca terminamos aquilo que deveríamos fazer, e isso nos deixa sempre cansadas e estressadas. Isso nos rouba tempo com os nossos filhos, nos impede de exercer a hospitalidade, deixa o nosso marido decepcionado e tudo isso vira uma bola de neve, desencadeando problemas maiores.

Precisamos tornar o nosso lar em um refugio de paz e descanso em que nossos filhos e marido sentem prazer em estar. Para tanto, precisamos manter tudo limpo e organizado, mas cuidado com o perfeccionismo. Lembre-se que a organização de seu lar é para o deleite de sua família e Glória de Deus, não se preocupe tanto para que tudo esteja em seu devido lugar a ponto de tornar o ambiente desagradável e sem vida. Permita que seus filhos brinquem e façam memórias em seu lar. Não tem problema se eles bagunçarem um pouco, depois vocês podem reorganizar tudo novamente. Essa será uma excelente oportunidade para ensiná-los sobre organização.

Tempo para os Filhos

Uma parte importante de estar em casa é poder estar presente no dia-a-dia de seus filhos. Ter uma mãe presente (e pai) dá à criança um senso de segurança que poderá ser determinante na formação de sua personalidade. Aproveite que você está por perto e lembre-se de sempre separar um tempo para brincar, cantar, ler livros e a Bíblia e ensinar ao seu filho. Não deixe que a correria dos afazeres domésticos roube de vocês esse tempo precioso. Nossos filhos crescem rápido. Portanto, certifique-se de curtir cada fase o máximo possível!

Se você tem uma filha, lembre-se de envolvê-la nos trabalhos domésticos junto com você. Escolha receitas fáceis que ela possa fazer e deixe que ela lhe ajude a lavar os pratos. Ensine-a a fazer a própria cama, guardar os brinquedinhos, livros e roupas no lugar correto e torne esses momentos divertidos. Compre brinquedos que imitem as suas atividades, tábuas de passar roupa, vassoura, fogãozinho e incentive o amor dela por essas atividades. Ela irá querer te imitar. Use isso em seu treinamento e lembre-se de dar o exemplo demonstrando que você também ama servir ao seu marido e filhos. Assim ela crescerá sabendo que cuidar do lar e da família é um privilégio.

Aguardando a chegada do Marido

Tente criar um ambiente agradável para a chegada do seu marido. Lembre-se que ele está cansado depois de um dia cheio de trabalho e está anelando pelo seu lar. Torne a sua chegada um momento prazeroso!

Tente deixar o jantar ou café pronto, os filhos de banho tomado e tente fazer um mutirão com as crianças para deixar a casa arrumada e limpa antes dele chegar.

Venha recebê-lo na porta com um beijo, demonstrando que você sentiu sua falta e demonstrando interesse pelo seu dia.
Como Carol bem sugeriu, se tiver tempo, tente tirar uma soneca à tarde, para que você esteja bem disposta e descansada para ele.

Lembre-se que a mulher é quem dita o clima da casa, inspire um clima de tranquilidade e felicidade. Assim você estará edificando o seu lar e fortalecendo o seu casamento.

A mulher sábia edifica a sua casa, mas a insensata, com as próprias mãos, a derriba.” (Provérbios 14:1) 

Corra para a Cruz de Cristo

Antes de começar o trabalho, lembre-se de buscar ao Senhor pela manhã em oração. Ele lhe dará força e auxilio para exercer todas as atividades que você planejou para aquele dia. Saber que Ele não te desamparará será o incentivo necessário para que você faça todas as coisas com ânimo e alegria.

Lembre-se de servir de boa vontade, como ao Senhor e não como a homens (Efésios 6:7). O nosso trabalho é edificar o nosso lar e servir à nossa família, mas em última instância é ao Senhor que devemos agradar. Portanto, quer comais, quer bebais, quer varreis, quer lavais, fazei tudo para a glória de Deus. (1 Coríntios 10:31).

O trabalho doméstico é repetitivo e às vezes frustrante! Não faça nada buscando reconhecimento e elogios, muitas vezes eles não virão (até porque muitas vezes nem sequer notarão todo o trabalho que tivemos para deixar o fogão limpinho, a pia brilhando e o jantar delicioso).

Nos momentos de desânimo traga à memória aquilo que pode te dar esperança (Lamentações 3: 21). Você está exercendo o chamado que Ele mesmo te deu, Ele te capacitará para a Sua Própria Honra e Glória. Aleluia!

Mulheres Piedosas

SUPLEMENTO

Paul Washer – Recuperando a feminilidade bíblica