[Exortação] “Mamãe Devia Ter Me Ensinado a Depender Financeiramente do Meu Marido – Parte 1″ por Simone Quaresma

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“Depender emocionalmente e espiritualmente de meu marido já é difícil. Depender financeiramente já é demais!!” “Pedir dinheiro ao meu marido até para comprar um batom?? Nem pensar.” “E se acontecer alguma coisa de ruim? Se ele ficar doente, me abandonar ou morrer?” Estas e dezenas de outras perguntas povoam a mente das mulheres cristãs de nossos dias, quando descobrem que sua missão de mãe e de esposa não são compatíveis com prover financeiramente para uma família. Neste momento, quando ela se dá conta de que o trabalho que a aguarda é tão gigantesco que tomará praticamente todo seu tempo, as dúvidas sobre como sobreviverá sem seu próprio dinheiro e a possibilidade de depender exclusivamente do salário do marido as atormentam. Como viver apenas com um salário? Como poderemos tirar férias sem o meu 13º? E o planejamento da compra da casa própria, que eu pagaria mais da metade da prestação? Como trocaremos de carro? Como?! Só o salário dele não é suficiente!

Em Gênesis, quando a primeira família é formada, Deus dá a cada um, homem e mulher, suas principais funções. O homem é o líder, o que recebe a Lei de Deus e aquele que protege e cultiva o jardim. Ao homem cabia plantar e colher, prover o sustento de sua família (Gn 2.15). Mais tarde, depois da queda, vemos a reafirmação dos papéis de cada um. A maldição por causa do pecado que atinge a cada um, homem e mulher, são lançadas sobre sua esfera de ação, naquilo que o Senhor havia designado para que fizessem, nos mandatos que o Senhor fixou a cada um deles.

“E à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos; o teu desejo será para o teu marido e ele te governará”(Gn 3.16). E a Adão disse: …maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias da tua vida. Ela produzirá cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão.” (Gn 3.17-18).

Neste texto, percebemos claramente que a maldição recaiu sobre a mulher no seu principal papel, o de mãe e esposa, e sobre o homem, no papel de provedor.

Também percebemos a mesma descrição dos papéis lá no Salmo 128.1,2 e 3:

“Bem aventurado o homem que teme ao Senhor e anda nos seus caminhos”. Como se organiza a vida familiar deste homem que ama ao Senhor e quer pautar sua vida pelas ordens dadas por Deus? “Do trabalho de tuas mãos comerás, feliz serás, e tudo te irá bem. Tua esposa, no interior de tua casa, será como a videira frutífera…”

Percebem a disposição das coisas? Percebem que cada um está atacando uma área? Percebem que eles são uma equipe?

O que tem acontecido nos dias de hoje é que os dois estão saindo para obter o pão (o pão ou o luxo??), e ninguém fica “no interior da tua casa”. Marido e mulher têm corrido para fora de casa, ambos para cumprirem o papel de provedor que Deus deu ao homem, e o papel de mãe e esposa fica para ser ‘cumprido’ por empregadas, babás, sogras e creches. Todo mundo sai de casa, todo mundo desempenha o mesmo papel e deixa um rombo, naquilo que o Senhor ordenou para a família.

Numa empresa, por exemplo, se todos resolverem trabalhar na mesma função, como ficarão as outras? Como gerir um negócio que tem dez sócios que desempenham o mesmo papel? Esta empresa está fadada ao fracasso. Não é diferente com nossas famílias. Cada um tem sua área de ação, cada um tem responsabilidades que foram dadas por Deus e serão cobradas.

Não quero dizer com isso que mulheres casadas não possam gerar renda. Há muitos modos de fazê-lo. Conheço mulheres que vendem produtos de beleza, outras que revisam textos para editoras em casa. Eu mesma fiz e vendi bijuterias durante vários anos. A questão que estamos abordando aqui é quando a mulher delega suas responsabilidades com a casa, o marido e os filhos, para ganhar dinheiro, dentro ou fora de casa. Quando ela se sente responsável por prover a família, ou quando seu marido exige que ela contribua com o orçamento da casa, negando-se a ser o provedor de sua família, aí temos um problema instalado!

Mas o que será que leva as mulheres cristãs de hoje a abandonarem seus postos como cuidadoras de suas família e abraçarem com tanto afinco o papel de provedor dado por Deus ao homem? Gostaria de compartilhar com vocês algumas prováveis situações que as levam a isso, mostrar onde estão erradas e qual a solução para cada caso.

Medo de ter que pedir dinheiro até para um batom

Este é um medo clássico que brota no coração de mulheres imersas numa cultura feminista. Como será a minha vida se eu tiver que pedir dinheiro ao meu marido para minhas necessidades mais básicas? Seria muita humilhação!

Na verdade, pensar assim é ignorar por completo a forma como Deus designou que uma família funcionasse. Este pensamento provém de uma distorção dos padrões familiares instituídos por Deus. Isto é compartimentar a família, é não entender que os dois são um, que tudo que pertence a um, pertence ao outro, que todos os ganhos são destinados ao bem comum. O casamento não é uma união onde duas pessoas têm vidas paralelas, cuidam das próprias necessidades e apenas se encontram para jantar e dormir. O casamento é uma associação que visa o bem estar e o crescimento mútuo, onde tudo gira em torno do bem comum. E na área das finanças do casamento não poderia ser diferente!

Ouço muitas mulheres dizerem que se sentem humilhadas por não terem seu ‘próprio dinheiro’, por não ganharem um salário! Ora, o salário de seu marido é o seu salário! Ele foi constituído provedor exatamente para te sustentar! Isto não é um favor, é uma obrigação! Você foi constituída auxiliadora idônea justamente para dar a ele condições, ao ficar na retaguarda, para que ele vá o mais longe possível no trabalho e nos estudos, sem preocupação alguma, pois tem alguém de confiança cuidando de sua casa e dos seus filhos. Ele está livre para ganhar o sustento da família! Você está ali para suprir a casa enquanto ele está nas ruas! Não é esta a descrição da mulher virtuosa de Provérbios 31? Lá está aquela mulher trabalhadora, que levanta ainda noite para cuidar da casa, fazer roupas, vender o que sobra aos mercadores. Ali está ela, no interior de seu lar, dando ordens às criadas, atendendo ao bom andamento de sua casa e falando e instruindo com sabedoria. Ela cuida até dos necessitados ao redor. O coração do seu marido confia nela! Ele está livre para se assentar com os anciãos da terra e cumprir com seus deveres na sociedade. Ele tem toda a logística da casa funcionando bem! Ele é estimado entre os juízes que reconhecem como sua vida familiar é bem ordenada. Eles são um time!

Esta mulher parece se sentir humilhada por não estar, ela mesma, assentada entre os anciãos da terra? De forma alguma! Ela é, isso sim, louvada por seus filhos que a chamam ditosa, e por seu marido que reconhece seu magnífico trabalho na manutenção da boa ordem do lar e diz: “muitas mulheres procedem virtuosamente, mas tu a todas sobrepujas.”

Outro texto que nos trás à lembrança a justiça feita para com os que ficam na retaguarda é I Samuel 30. Naquela ocasião, Davi, fugitivo pelos desertos com seus homens, teve suas mulheres e crianças levados cativos pelos amalequitas. Na estratégia de recuperá-los, Davi ordenou que parte do grupo, que estava mais cansado, ficasse guardando a bagagem de todos. O restante partiu para a peleja e recuperaram as mulheres, crianças, gado e absolutamente tudo que os amalequitas haviam levado. Quando chegaram de volta, homens maus, chamados de filhos de Belial, sugeriram a Davi que desse aos homens que tinham ficado com a bagagem, apenas suas mulheres e crianças. Eles acharam que estes não tinham direito aos despojos. Mas Davi não concordou com esta injustiça: “Quem vos daria ouvidos nisso? Porque qual é a parte dos que desceram à peleja, tal será a parte dos que ficaram com a bagagem; receberão partes iguais. E assim, desde aquele dia em diante, foi isso estabelecido por estatuto e direito em Israel, até ao dia de hoje.” O princípio de justiça estabelecido aqui é o mesmo! Eles formavam uma equipe e, cada um cumpria a sua parte para que o alvo fosse alcançado e o ‘despojo’ era de todos, igualmente de todos!

Portanto, minha irmã, o dinheiro ‘do seu marido’ não é dele, é da família! E sendo dinheiro da família precisa ser usado para o bem comum, designado para as necessidades de todos e usado com o consentimento de ambos para suprir o todo! Não sinta vergonha de viver da forma como Deus ordenou.

Continua…

Mulheres Piedosas

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[Exortação] “Mamãe devia ter me ensinado a depender do meu marido – Parte 2″ por Simone Quaresma

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Como vimos no texto anterior, desaprender a ser independente e remodelar nossa mente para dependermos de nosso esposo não é uma tarefa simples, mas é necessária! Esta é a metamorfose ensinada por Paulo em Romanos 12.2:

“E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”

Esta mudança precisa acontecer sempre que percebemos que nossos conceitos e ideologias estão em desacordo com a sagrada Escritura. Portanto, se você tem dificuldades em admitir que ao se casar deve depender de seu marido, repense à luz da sua regra de fé e prática. Duvide sempre das suas próprias convicções quando você for confrontada pela Palavra de Deus, afinal, você pode estar errada, a Bíblia não!

Nesta segunda parte do texto, falaremos de duas áreas da nossa vida que precisam negar autonomia, e buscar refúgio em nosso líder! Quando falo de depender do nosso marido nestas áreas, não estou negando nossa dependência total do Senhor, em primeiríssimo lugar! Claro que não! Estou apenas trazendo à lume a verdade de que o próprio Deus estabeleceu funções que devem ser respeitadas, para a nossa proteção e para a glória do seu Reino. Quando dependo do Senhor, posso descansar tranqüila nas mãos daquele que Ele designou para cuidar de mim! E se você ainda não é casada, este papel pertence ao seu pai, que é o responsável por você diante de Deus, tenha você quantos anos tiver! Á medida que você desenvolve a confiança em Deus, baseada na confiança e entrega aos líderes que Ele constituiu sobre você, sua alma estará sendo guardada de grandes armadilhas.

Dependendo emocionalmente de seu marido

Por dependência emocional, me refiro a uma entrega completa, a ser uma só carne também no aspecto emocional. Não ter joguinhos de esconde-esconde, não ter medo de dizer o que pensa e o que sente. Desejos, afetos, pensamentos, todos entregues ao nosso cônjuge sem reservas. Ele é a única pessoa com quem você pode ser exatamente quem é. Em sua presença você pode estar completamente desnudada, sem medo do que ele pensará de você. O Puritano Henry Smith descreveu assim o casamento: “um unir de corações e um entretecer de afeições juntos.”

Quando a Bíblia fala que os dois se tornam um, que Eva foi formada da costela de Adão, da mesma essência, devemos entender que dependemos desta completude! Quem diz que não precisamos dos homens e que somos tão fortes quanto eles é o feminismo. A Bíblia diz o contrário, diz que somos a parte mais frágil:

“Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher COMO PARTE MAIS FRÁGIL, tratai-a com dignidade…” I Pedro 3.7.

E todo homem temente a Deus, não vê nesta verdade uma oportunidade de reinar tiranicamente sobre sua esposa, mas de servi-la e tratá-la como um vaso raro e frágil.

O amor romântico e a entrega total de ambos os cônjuges, faz com que o casamento seja uma união deliciosa. Segundo o Puritano Thomas Becon, “o matrimônio é uma alta, santa e abençoada ordem de vida, ordenada não pelo homem, mas por Deus…na qual um homem e uma mulher são acoplados e entretecidos numa carne e corpo no temor e amor de Deus, pelo livre, amável, entusiástico e bom consentimento de ambos, com a intenção de que os dois habitem juntos como uma carne e corpo, e uma mente e vontade, em toda honestidade, virtude e santidade, e passem suas vidas a compartilhar igualmente de todas as coisas quantas Deus lhes enviará, com ações de graças.” Esta união tão forte não se constrói com autonomia, mas com interdependência!

Cada um cumprindo o papel que Deus designou, entregando-se ao outro em profundo amor. Desta forma, esta só pode ser a melhor de todas as uniões! Quando um marido sabe ser um doce líder e a esposa uma companheira ajudadora, a amizade e união que virão desta relação será forte e duradoura. Como afirmou o Puritano Benjamin Wadsworth, “um bom marido fará seu governo sobre ela tão fácil e suave quanto possível, e lutará mais para ser amado que temido.” Samuel Willard dizia que um bom marido reinará de tal forma “que sua mulher possa deleitar-se na sua liderança, e não tê-la como escravidão, mas como liberdade e privilégio.” Nesta esfera de amor e respeito mútuos não há o que temer! Podemos depender e descansar completamente em seu amor incondicional!

Dependendo espiritualmente de seu marido

A liderança espiritual do homem sobre sua família foi-lhe entregue no Éden. Quando Deus dá a ordem a Adão para que não comesse da árvore do conhecimento do bem e do mal, Eva sequer havia sido criada. Mas não é apenas neste texto da Bíblia que nos baseamos para dizer que as mulheres devem ser docemente guiadas até Deus por seus maridos. Se você abrir comigo em Efésios 5. 25-27, verá a forma maravilhosa que Paulo descreve esta liderança:

“ Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a SANTIFICASSE, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, SEM MÁCULA, NEM RUGA, nem coisa semelhante, porém SANTA E SEM DEFEITO.”

Este é o ministério dos maridos na vida de suas esposas! Entregá-las de volta ao verdadeiro Noivo naquele grande e esperado Dia, o Dia do senhor! É das mãos deles que Deus vai pedir contas sobre como a santidade de sua esposa e de seus filhos foi desenvolvida! A eles cabe conduzir a família neste deserto, rumo à Cidade Celestial, zelando por suas almas, cuidando para que abandonem pecados, cresçam no conhecimento de Deus e tenham vidas piedosas. O marido que é como Cristo, é aquele que está preocupado com os perigos que rondam a alma de sua amada, que a ajuda a vencer as lutas sangrentas que são travadas contra o pecado. Por isso moças, se vocês ainda não se casaram é tempo de verificar o tipo de homem que estão desejando ter ao seu lado. Não estou falando de moças que destroem suas vidas e desobedecem uma ordem clara do Senhor se casando com homens ímpios. Estou falando de moças que acham que por freqüentarem uma igreja, o rapaz já é um pretendente em potencial. Nossas igrejas estão lotadas de rapazes que não fazem a menor ideia do chamado de Deus para eles, nunca ouviram que serão sacerdotes de sua família, apresentando-as a Deus. Estou falando de homens que não amam a Palavra de Deus, que não têm prazer em falar sobre ela, que não têm brilho nos olhos quando ouvem uma pregação. Não se engane: se este jovem não tem as coisas de Deus como as mais amáveis, as mais desejáveis de sua vida, esta será a triste realidade de sua futura família. “Mamãe deveria ter te ensinado” que esta é a principal característica que você deve observar num futuro marido: o quanto ele ama a Deus, o quanto busca a santificação e o quanto está disposto a ir às últimas conseqüências por amor ao seu Deus. Não se case com um fariseu. Ele jamais será capaz de te apresentar a Cristo no último dia sem manchas nem rugas.

No entanto, minha irmã, se você já é casada e seu marido é crente, mas não tem consciência da importância do seu papel de líder espiritual da família, você precisa auxiliá-lo. O fato de seu marido não exercer a liderança espiritual que deveria sobre a família, não te dá autoridade para fazê-lo em seu lugar. Este papel é dele! Você deve encorajá-lo em amor e respeito a assumir o culto doméstico, por exemplo. Deve, com muita sabedoria, ajudá-lo a crescer no conhecimento de Deus. Conheço casais que não tinham o hábito da leitura de bons livros, e com o auxílio da esposa, lendo para o marido algumas páginas por dia, têm conseguido sanar esta deficiência. Conheço esposas que se utilizam de áudios de pregações enquanto percorrem longas distâncias juntos. Outras precisarão pedir ajuda a seu pastor ou a um presbítero de sua igreja, para que aconselhem seus esposos.

Seu marido é seu pastor, e mesmo que ele não esteja fazendo isto de forma brilhante hoje, você tem de respeitá-lo como tal, e orar e contribuir para que ele chegue perto do padrão estabelecido por Deus: Como Cristo é para a Igreja, assim seu esposo deve ser para você. Talvez o fato de você não considerá-lo assim, ou achar que ele tem menos conhecimento doutrinário que você pode impedir que ele assuma esta responsabilidade. Talvez uma mudança de atitude sua nesta área, abrindo mão do controle, seja o primeiro passo para que ele progrida no seu chamado.

Não quero dizer com isto que você deva se esquivar de toda e qualquer responsabilidade da esfera espiritual de sua família. Embora o marido seja o líder, o sacerdote do lar, você é sua ajudadora, conselheira e consoladora. O Puritano Samuel Willard pensava que havia um dever de advertência mútua entre marido e mulher e que os cônjuges deveriam “escolher ocasiões apropriadas para reprovarem um ao outro, por coisas que seu amor e dever exigem.”. Como auxiliadora idônea você pode e deve ajudá-lo a guiar seus filhos a Deus, pode e deve advertí-lo em amor, quando perceber que ele está em pecado.

Desta forma, com o marido assumindo o papel que Deus deu a ele, e a esposa amavelmente ajudando-o nesta tarefa, a família seguirá crescendo com força e vigor, para a glória de Deus e fortalecimento de sua Igreja.

No próximo texto, se o Senhor permitir, falaremos sobre como deveríamos ter aprendido a depender financeiramente de nosso marido. Contracultural? Demais!

Mulheres Piedosas

[Exortação] “Mamãe devia ter me ensinado a ser uma Boa Dona de Casa – Parte 2” por Flávia Silveira

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Ainda não leu a Parte 1? Leia Aqui.

“Atende ao bom andamento da sua casa
e não come o pão da preguiça.
Levantam-se seus filhos e lhe chamam ditosa;
seu marido a louva, dizendo:
Muitas mulheres procedem virtuosamente,
mas tu a todas sobrepujas.” (Provérbios 31: 27-29)

 

Como já mencionei em um artigo anterior, eu não nasci em lar cristão. Fui criada em uma família matriarcal em que o feminismo é considerado lindo. As mulheres de minha família querem ser independentes, bem sucedidas profissionalmente e intelectuais. Palavras como submissão e dependência são consideradas coisa de gente burra, bitolada e ignorante. Priorizar o lar e a família? Incogitável! Absurdo!

“Quem sabe o dia de amanhã, minha filha?”, sempre me questiona a minha amorosa mãe, sinceramente preocupada com o meu futuro e a minha segurança. Ela não entende que a minha segurança está no Senhor, e que, por isso confio a Ele o meu futuro.

Eu fico imaginando quantas de vocês cresceram em um ambiente assim. O fato é que infelizmente hoje em dia, dentro e fora da igreja, a mentalidade feminista está impregnada em nossa cultura de forma tão profunda que nem sequer conseguimos distinguir os seus ensinos demoníacos tentando enfraquecer e destruir as nossas famílias. O Inimigo sabe que famílias cristãs fortes são o meio ordinário que Deus usa para construir a sua Igreja. Filhos da Aliança criados na disciplina e admoestação do Senhor (Efésios 6:4) são, via de regra, futuros membros preciosos da Igreja de Cristo. Satanás não quer isso. Ele quer famílias cristãs vazias, superficiais e fracas.

Quando me formei em Direito, toda a minha família se orgulhou muito de mim. Eles nutriam muitas esperanças de que eu seria uma grande juíza e essas esperanças se fortaleceram quando eu passei no exame da OAB mesmo antes de colar grau. A verdade é que eu amava o meu curso, sentia paixão pela advocacia e de fato me realizava nisso, mas, eu sabia que não era esse o chamado do Senhor para mim, por isso foi um choque para todos quando decidi que não atuaria, mas ficaria em casa.

Na época eu nem sequer entendia bem as implicações da minha decisão. Eu não tinha filhos, minha diarista fazia tudo em casa 2x por semana e eu praticamente estava tendo uma vida de dondoca. Mas o Senhor queria trabalhar em minha vida, e quando nos mudamos para os EEUU, onde apenas pessoas muito ricas tem uma faxineira, eu precisei colocar a mão na massa e de fato ser uma dona de casa. Seis meses depois eu engravidei.

Todos os dias eu desejo que minha mãe tivesse me preparado desde pequena para ser uma boa dona de casa. Eu tenho exercido essa função em tempo integral há 3 anos e com raras exceções, não há um dia em que eu não me sinta desqualificada. Como eu gostaria de ter cursado “faculdade de serviços domésticos”! Como eu gostaria de ter sido treinada a preparar o cardápio da semana para que eu pudesse ter a lista de compras organizada de tal forma que não houvesse desperdícios no meu lar. Como eu gostaria de saber passar roupa bem. Como eu gostaria de saber desde pequena que para cuidar do lar eu precisaria ser extremamente organizada e disciplinada. Como eu gostaria… quantos momentos de frustração, tristeza e até conflitos teriam sido evitados se mamãe tivesse me ensinado a ser uma boa dona de casa!

Glorifico ao Senhor por que em sua misericórdia tenho entendido a importância da esposa em seu lar! Meu objetivo aqui é dividir com vocês aquilo que tenho aprendido e tentado colocar em prática no dia-a-dia. Muitas dessas coisas ainda são grandes desafios para mim, mas confio que o Senhor continuará me ajudando e aperfeiçoando, como tem feito.

Economizando

A decisão de ser esposa e mãe em tempo integral geralmente acarreta em uma decisão por uma vida mais simples. Ao deixarmos de ajudar no orçamento da família, muitas vezes somos obrigadas a abrir mão de algumas “regalias”. Algumas delas se tornam realmente desnecessárias, como faxineira, passadeira, cozinheira, babá, etc. Como estamos em casa, e a nossa nova profissão é cuidar do nosso lar e da nossa família, não há mais a necessidade de contratarmos alguém para fazer essas tarefas. É claro que há ocasiões em que podemos precisar de uma ajuda, quando temos um bebê pequeno por exemplo, e quando temos condições financeiras para tanto, por que não?

Por passar mais tempo em casa, também poderemos abrir mão de comprar todas aquelas roupas novas que precisávamos para ir ao trabalho todos os dias, e diminuir a frequência no salão de beleza, poderemos então economizar nisso!

Para as poucas felizardas que moram em casa, mais uma opção legal para economizar é fazer uma horta. Há muitas verduras, legumes e até frutas super fáceis de plantar. Nada melhor do que comer aquilo que nós mesmas plantamos fresquinho, tirado do pé, e de graça! Aqui nos EEUU nós moramos em casa, então estou me aventurando pela primeira vez em plantar uma horta e estou super empolgada! Aposto que vocês também vão amar.

Organizando

Como Carol bem disse na parte 1, organização é essencial se você quer ser uma boa dona de casa! Existem vários métodos de organização da rotina de uma dona de casa. Você apenas precisa encontrar aquela que mais se adequa à sua personalidade e família. (Se, assim como acontece comigo, a falta de organização é um problema para você, não deixe de ler o livro “Como Organizar Sua Vida e Seu Coração” de Staci Eastin, Vida Nova).

A falta de organização rouba a nossa alegria nos trabalhos domésticos. Estamos sempre ocupadas, pois nunca terminamos aquilo que deveríamos fazer, e isso nos deixa sempre cansadas e estressadas. Isso nos rouba tempo com os nossos filhos, nos impede de exercer a hospitalidade, deixa o nosso marido decepcionado e tudo isso vira uma bola de neve, desencadeando problemas maiores.

Precisamos tornar o nosso lar em um refugio de paz e descanso em que nossos filhos e marido sentem prazer em estar. Para tanto, precisamos manter tudo limpo e organizado, mas cuidado com o perfeccionismo. Lembre-se que a organização de seu lar é para o deleite de sua família e Glória de Deus, não se preocupe tanto para que tudo esteja em seu devido lugar a ponto de tornar o ambiente desagradável e sem vida. Permita que seus filhos brinquem e façam memórias em seu lar. Não tem problema se eles bagunçarem um pouco, depois vocês podem reorganizar tudo novamente. Essa será uma excelente oportunidade para ensiná-los sobre organização.

Tempo para os Filhos

Uma parte importante de estar em casa é poder estar presente no dia-a-dia de seus filhos. Ter uma mãe presente (e pai) dá à criança um senso de segurança que poderá ser determinante na formação de sua personalidade. Aproveite que você está por perto e lembre-se de sempre separar um tempo para brincar, cantar, ler livros e a Bíblia e ensinar ao seu filho. Não deixe que a correria dos afazeres domésticos roube de vocês esse tempo precioso. Nossos filhos crescem rápido. Portanto, certifique-se de curtir cada fase o máximo possível!

Se você tem uma filha, lembre-se de envolvê-la nos trabalhos domésticos junto com você. Escolha receitas fáceis que ela possa fazer e deixe que ela lhe ajude a lavar os pratos. Ensine-a a fazer a própria cama, guardar os brinquedinhos, livros e roupas no lugar correto e torne esses momentos divertidos. Compre brinquedos que imitem as suas atividades, tábuas de passar roupa, vassoura, fogãozinho e incentive o amor dela por essas atividades. Ela irá querer te imitar. Use isso em seu treinamento e lembre-se de dar o exemplo demonstrando que você também ama servir ao seu marido e filhos. Assim ela crescerá sabendo que cuidar do lar e da família é um privilégio.

Aguardando a chegada do Marido

Tente criar um ambiente agradável para a chegada do seu marido. Lembre-se que ele está cansado depois de um dia cheio de trabalho e está anelando pelo seu lar. Torne a sua chegada um momento prazeroso!

Tente deixar o jantar ou café pronto, os filhos de banho tomado e tente fazer um mutirão com as crianças para deixar a casa arrumada e limpa antes dele chegar.

Venha recebê-lo na porta com um beijo, demonstrando que você sentiu sua falta e demonstrando interesse pelo seu dia.
Como Carol bem sugeriu, se tiver tempo, tente tirar uma soneca à tarde, para que você esteja bem disposta e descansada para ele.

Lembre-se que a mulher é quem dita o clima da casa, inspire um clima de tranquilidade e felicidade. Assim você estará edificando o seu lar e fortalecendo o seu casamento.

A mulher sábia edifica a sua casa, mas a insensata, com as próprias mãos, a derriba.” (Provérbios 14:1) 

Corra para a Cruz de Cristo

Antes de começar o trabalho, lembre-se de buscar ao Senhor pela manhã em oração. Ele lhe dará força e auxilio para exercer todas as atividades que você planejou para aquele dia. Saber que Ele não te desamparará será o incentivo necessário para que você faça todas as coisas com ânimo e alegria.

Lembre-se de servir de boa vontade, como ao Senhor e não como a homens (Efésios 6:7). O nosso trabalho é edificar o nosso lar e servir à nossa família, mas em última instância é ao Senhor que devemos agradar. Portanto, quer comais, quer bebais, quer varreis, quer lavais, fazei tudo para a glória de Deus. (1 Coríntios 10:31).

O trabalho doméstico é repetitivo e às vezes frustrante! Não faça nada buscando reconhecimento e elogios, muitas vezes eles não virão (até porque muitas vezes nem sequer notarão todo o trabalho que tivemos para deixar o fogão limpinho, a pia brilhando e o jantar delicioso).

Nos momentos de desânimo traga à memória aquilo que pode te dar esperança (Lamentações 3: 21). Você está exercendo o chamado que Ele mesmo te deu, Ele te capacitará para a Sua Própria Honra e Glória. Aleluia!

Mulheres Piedosas

SUPLEMENTO

Paul Washer – Recuperando a feminilidade bíblica

[Exortação] “Mamãe devia ter me ensinado a ser uma Boa Dona de Casa” por Ana Carolina Oliveira

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Quero, portanto, que as viúvas mais novas se casem, criem filhos, sejam boas donas de casa e não deem ao adversário ocasião favorável de maledicência. 1 Timóteo 5.14 (grifo meu)

Quanto às mulheres idosas, semelhantemente, que sejam sérias em seu proceder, não caluniadoras, não escravizadas a muito vinho; sejam mestras do bem, a fim de instruírem as jovens recém-casadas a amarem ao marido e a seus filhos, a serem sensatas, honestas, boas donas de casa, bondosas, sujeitas ao marido, para que a palavra de Deus não seja difamada. Tito 2. 3 – 5 (grifo meu)

Destas claras passagens sobre a missão da mulher casada, certamente, a função de dona de casa é a menos desejada ou mais polêmica em nossos dias de supervalorização à carreira da mulher fora do lar, renegando-se o trabalho dentro dele, como Deus graciosamente ordenou às mulheres.

Como todos os textos da série “Mamãe devia ter me ensinado”, este não é dirigido apenas às solteiras ou recém-casadas. Mas, também pode trazer instruções àquelas que já são donas de casa há anos ou às que se tornaram de fato há pouco tempo, por exemplo, após deixar a carreira fora e ter passado a se dedicar ao lar.

Foco errado na instrução às jovens

Com o total distanciamento da sociedade dos padrões estabelecidos pela Palavra do Senhor e o triunfo do feminismo em nossos tempos, infelizmente, é possível notar, que de poucas gerações pra cá, tem sido cada vez mais raro ver mães conscientemente engajadas em instruir suas filhas para que sejam boas donas de casa. Sem mencionar as outras instruções indicadas em Tito 2 que devem ser passadas de uma mãe cristã às suas filhas ou por uma irmã em Cristo mais velha e piedosa às jovens que discipula.

Desde muito novinhas, as meninas recebem orientações diretas ou indiretas a valorizarem e buscarem com empenho uma formação e uma carreira fora de casa. Eu cresci num lar onde minha mãe era dona de casa, mas eu fui incentivada a me dedicar integralmente aos estudos para “ser alguém na vida”. Claro, que me responsabilizo também por não ter aproveitado oportunidades de aprender com minha mãe. Meu foco realmente era outro!

Algumas mães acham que é melhor poupar a filha de trabalhos que um dia ela terá que lidar inevitavelmente, porém este é um pensamento nocivo para o desempenho de parte da responsabilidade da mãe e para o futuro da moça.

Quando mãe e filha entendem o chamado de Deus para a mulher casada de dedicar-se ao lar, a caminhada de ambas juntas será mais proveitosa e abençoadora. A mãe intencionalmente ensinará à filha serviços domésticos com os quais ela lidará com frequência ao se casar. A filha aproveitará os ensinos, certa de que um dia lhes serão muito úteis. Não há nada melhor do que aprender com alguém que está com você todos os dias e te ensinará com doçura, sabendo que isto faz parte de sua missão de instruir a filha.

Desafios enfrentados: 

  • Motivação correta

Se não compreendermos que ser dona de casa é a vontade de Deus para as mulheres casadas, não enxergaremos nossa função do dia-a-dia como algo digno, não veremos significado para nossas tarefas. Você certamente enfrentará mais dificuldades do que imaginava… Ao lidar consigo mesma! Tudo o que fazemos sem propósito não “gera combustível” o suficiente para irmos adiante, levantando a cada manhã para desempenhar nossas atividades com contentamento e excelência.

E o essencial: Só com o entendimento correto, a decisão de dedicar-se integralmente à família e ao lar será tomada com a motivação que glorifica a Deus. Parar de trabalhar fora, por exemplo, por qualquer outro motivo que não centrado na obediência à Palavra, não chegará como aroma suave de adoração ao nosso Deus (Cl. 3: 23 e 24). Todo o nosso empenho será em vão. Você pode focalizar em outros motivos para fazer tudo o que faz, mas se não for primeiramente por amor e temor ao Senhor, você não estará cumprindo o principal fim de todo ser humano que é glorificar a Deus e satisfazer-se plenamente nEle.

Ideologia feminista

Com o coração enganoso e corrupto que temos (Jr. 17:9), todo cristão fiel trava batalhas interiores e contra as ideologias mundanas que nos rodeiam e atacam sem dó nem piedade. Certamente, um grande desafio de toda mulher cristã é o feminismo que está impregnado em nossa sociedade e, infelizmente, não passamos ilesas. Se não tomarmos os devidos cuidados, nos surpreenderemos com tantos pensamentos e sentimentos nocivos que cultivamos e, dentre eles, os advindos do feminismo.

Quando uma mulher corajosamente decide ser dona de casa, terá que lidar com acusações interiores e de outras pessoas, tais como de que ser dona de casa é algo indigno, que você é uma inútil e seus dias devem ser ociosos e sem sentido. Como se a verdadeira realização da mulher estivesse à parte da vontade de Deus, estivesse numa carreira bem longe do lar e marcado pela sua ausência na família.

Mas, louvado seja o nosso Deus providente que nos concede armas para lutarmos esta guerra: vigiar, orar e nos alimentarmos constantemente da Palavra. Não temos recursos em nós mesmas, não temos outro refúgio e fortaleza que não seja Cristo. Se nos distanciarmos dEle um instante sequer, poderemos sucumbir nas ideologias mundanas.

Dificuldades com atividades específicas

Depois de cinco anos de casada, foi que me tornei de fato uma dona de casa. Até então, não tinha tempo, nem energia, nem vontade de me responsabilizar pelos cuidados com o lar. Cuidados estes que devem estar focados em servir às pessoas que nele vivem. Limpar e organizar a casa, a roupa, cozinhar, não são fins em si mesmos. Todas as atividades de uma esposa e mãe dedicada devem ser voltadas para o bem-estar de sua família. Temos um grande exemplo em Provérbios 31: 10-31, com a mulher virtuosa que lidava com maestria com todas as tarefas voltadas principalmente aos seus. E sua competência e energia eram tantas que ainda conseguia ajudar ao próximo de fora dos limites de seu lar.

Mas, assim como eu, você pode ainda não ter alcançado o “nível” da mulher virtuosa. Faltam-lhe habilidade suficiente e satisfação em executar algumas das atividades no lar. Podem ser dificuldades em tarefas específicas, como por exemplo: Como deixar as roupas cheirosas, macias e sem manchas? Qual produto usar para cada tipo de superfície ou material? Nunca fritei um ovo sequer… Como farei para cozinhar diariamente? Como lavar bem um banheiro? Como conciliar as tarefas do lar e as atividades com os filhos? Como organizar meus horários e atividades de forma eficiente e eficaz? Como sentir-se realizada ao executar minhas tarefas diárias? Etc, etc…

Não me proponho a responder neste texto a cada uma dessas possíveis dúvidas pontualmente. Mas, gostaria de compartilhar algumas dicas práticas que me ajudaram muito na minha adaptação como dona de casa e ainda têm me ajudado.

Dicas práticas

Quando se tem uma carreira profissional ascendente é comum que se procure as melhores instituições e outros profissionais gabaritados da área, de know how, para aprendermos com eles, nem que seja simplesmente para ter seus nomes no currículo. Por que para a “formação” de uma boa dona de casa não podemos buscar aprender com as “melhores na área”, mulheres experientes e excelentes no que fazem? Claro que se você é uma jovem e ainda mora com sua mãe e esta se dedica ao lar, certamente poderá aprender a maioria das coisas com ela. Mas, nada impede que você aprenda coisas diferentes com diferentes mulheres, já que cada uma acaba tendo mais aptidão para algumas atividades do que para outras.

Quando mudei de carreira, deixando o trabalho no escritório para administrar melhor meu lar, fui até a casa de mulheres mais experientes e fiz várias ligações a elas. Por exemplo, minha mãe é exímia cozinheira – peguei várias receitas com ela, ligava muitas vezes fazendo perguntas elementares e, surpreendentemente, lembrei-me de como ela fazia muitas coisas na época que ainda morava com ela. Sem mencionar as diversas receitas que troco frequentemente com amigas. Não deixo passar um prato gostoso sem pedir a receita; Minha sogra lava uma roupa como ninguém, então corri na casa dela para aprender a lavá-las da melhor maneira possível; Sobre faxina, sempre estou perguntando para irmãs mais velhas como fazer isso e aquilo. Quem tem o privilégio de contar com uma faxineira ou uma diarista de confiança, também não pode perder a oportunidade de aprender várias coisas com ela – veja como ela faz, pergunte, ajude-a nas atividades. É importante que você saiba como faz tudo numa casa, mesmo tendo uma grande ajudante!

Sobre organização de tempo, devemos considerar nossas prioridades. O tempo é escasso para todos. Quando deixei meu emprego, imaginava que teria tempo de sobra para fazer diversas coisas, algumas vezes até temi ficar ociosa… Ledo engano! Uma dona de casa e mãe nunca terá tempo para pensar “Hum… O que tenho para fazer agora?!”. Mulheres cristãs, então, têm ainda mais atividades! Além dos constantes esforços para cuidar bem de nosso lar, ainda existem tantas coisas boas para ler, tanto trabalho a ser feito na obra do Senhor, muitas lições a ensinar aos nossos filhos e atividades para realizar com eles. E a noite, devemos estar dispostas e tranquilas para receber bem ao nosso marido e desfrutar de momentos valiosos com ele.

Em termos práticos, aconselho o uso de agenda, quadro de anotações, check-list ou coisa semelhante. Nem que seja simplesmente uma montagem mental do seu roteiro diário. Uma dona de casa não pode comer o pão da preguiça (Pv. 31: 27) e não deve começar um dia sem planejá-lo antes. Organize todas as atividades de forma que os de casa não sejam prejudicados, ou melhor, sejam os primeiros a serem beneficiados pelas obras de suas mãos. Estabeleça horários aproximados de início e término de cada atividade. Sempre que possível, procure também tirar um cochilo a tarde. Isso ajudará a repor suas energias e estar bem para a noite conversar e namorar com seu esposo.

Claro que imprevistos acontecem, mas quando você é organizada, certamente, estará mais preparada para manobras de última hora. Quem se organiza, consegue ser mais produtivo.

Mamães ensinem estes princípios de organização aos seus filhos – sejam meninas ou meninos: a priorizar atividades, organizar seu tempo, guardar seus brinquedos, atribua a eles responsabilidades no lar conforme a idade de cada um. Além de contribuir para manter sua casa organizada, você estará forjando futuras esposas e donas de casa dedicadas e bons maridos que sabem viver a vida comum do lar (1 Pe. 3:7).

E por último, gostaria de deixar uma palavra de encorajamento. Como ter contentamento ao ser dona de casa? Isto está inteiramente ligado à motivação correta como vimos anteriormente. Um puritano chamado William Perkins fez uma citação bem interessante: “Há uma diferença entre lavar louças e pregar a Palavra de Deus; mas no tocante a agradar a Deus, nenhuma em absoluto.”

A vocação dada por Deus às mulheres casadas é servir à sua família, sendo as principais responsáveis por propiciar um ambiente agradável, confortável, acolhedor e piedoso. Cuidar do lar é uma forma prática, evidente e constante do nosso serviço amoroso para com a nossa família e de obediência a Deus.

O chamado para que sejamos boas donas de casa também é para que a Palavra de Deus não seja difamada (Tt. 2:5) e para não dar ao adversário ocasião favorável de maledicência (1 Tm. 5.14). Ter uma casa organizada e limpa e, uma família bem cuidada é ser mulher sábia que edifica sua casa (Pv. 14:1) e traz glórias ao nome do Senhor. É testificar com nossas vidas sobre o Deus ordeiro, cuidador e perfeito a quem servimos!

Mulheres Piedosas

SUPLEMENTO

Paul Washer – Recuperando a feminilidade bíblica

[Exortação] “Garotas Não Deveriam Estudar Muito…” por Jacinda Vandenberg

mulher-sabia

Garotas não deveriam estudar muito… é algo que eu nunca disse, nem acredito, mas frequentemente se presume tal posicionamento a meu respeito, pois eu advogo em prol do lar e do papel da mãe que fica em casa.

Regularmente, recebo e-mails e comentários de pessoas preocupadas com a possibilidade de eu estar propagando a idéia de que meninas precisam apenas da escolaridade suficiente para exercerem os papéis de esposa e mãe. Combine essa falsa suposição com minha real decepção com as universidades seculares e o efeito que elas têm nas mulheres, e você pensará que eu estou fazendo apologia a práticas discriminatórias contra o meu próprio gênero.

Todos os dias, recebo cartas de mães sérias, sinceras e bem instruídas que dizem o seguinte:

“Sinto-me tão sobrecarregada! Você tem dicas de como manter tudo sob controle? Minha casa sempre se parece com um desastre e eu simplesmente não consigo me organizar…”

“O que você faz quando seu marido quer começar um novo negócio? Estou nervosa por causa da idéia e há tensão no nosso casamento. Sei que ele deve ser o líder e eu devo me submeter. Como lidar com esse tipo de situação?”

“Você sabe de algum lanche saudável para crianças pequenas? Não sou muito habilidosa na cozinha, mas sei que o açúcar não é bom para ele, e eu estava me perguntando se você teria alguma recomendação…”

Sempre me surpreendo ao descobrir que essas perguntas vêm de mulheres graduadas; professoras, enfermeiras e outras que se tornaram donas de casa. Elas trocaram seu diploma pelo seu papel de esposa e mãe, acreditando (assim como eu) que o lugar mais importante para uma mãe é no lar. Enfrentando a oposição cultural, elas vêem o valor da dona de casa e entendem sua importância à luz das Escrituras.

Todavia, elas se sentem perdidas e sobrecarregadas. Elas pensaram que esse era um papel que elas poderiam simplemente exercer quando a hora chegasse, mas agora que estão neste momento, elas se perguntam porquê investiram todos aqueles anos e dinheiro num diploma que parece inútil.

Por quê ninguém jamais as encorajou a aprenderem como ser uma boa esposa e mãe? Não deveria ser algo natural? Se cuidar de uma casa não exige muito empenho e planejamento, então por quê este sentimento de ser pega desprevinida? Como é possivel que a coisa mais difícil que elas se propuseram a fazer não requeira estudo ou preparação intencional? Por quê não se oferecem graduações em como cuidar de um lar? Há muito material para estudar aqui!

Como é a submissão? Se meu marido faz algo com o qual não concordo, como reagir? Que sistema devo usar para não me deixar sucumbir no meio da roupa suja? Como decido qual o melhor método de educação para meus filhos? Meu marido ama bife e batata, mas eu nunca grelhei nada antes. Como sei que a carne está pronta?

Nossa cultura diz às nossas meninas que elas precisam ter uma graduação para que elas possam ser independentes e capazes de prover para si (nenhum desses conceitos são bíblicos). “Nem todas vão casar”, eles alertam, “e nem todas podem ter filhos”.

Nós as encorajamos a investirem sua energia em uma carreira ao invés de recomendar que elas estudem todas.  Nós as preparamos para a solteirice ao invés do plano normativo de Deus para as mulheres: serem esposas (amarem seus maridos), mães (amarem seus filhos) e donas de casa (“boas donas de casa… para que a palavra de Deus não seja difamada.” Tito 2:5)

Depois, elas casam. Elas querem ser esposas piedosas, mas depois de anos e anos sendo treinadas para pensar de forma independente ao invés de uma co-dependente, elas não sabem como. Elas têm filhos, mas não têm ideia de como criá-los. Elas têm uma casa para governar, mas estão perdidas na logística disso tudo.

Cuidar de uma casa rapidamente se torna um fardo e uma frustração. Esta simples ocupação que não demanda nenhuma inteligência e da qual o feminismo tentou protegê-las é mais desafiadora do que elas pensaram. Ao contrário da ideologia popular, é necessária muita inteligência e bom senso para ser uma dona de casa gloriosa

Quantos casamentos infelizes, lares despedaçados, esposas tristes e desesperadas e crianças rebeldes serão necessárias até que venhamos a admitir que  preparar nossas filhas de forma intencional para cuidarem de seus lares não é somente “uma boa ideia”, mas algo necessário? Harvey Bluedorn em Teaching the Trivium (Ensinando o Trivial) escreve:

“Não podemos prepará-las para todas as possibilidades do futuro. O dia tem apenas 24 horas. Como uma jovem pode investir o seu tempo da melhor forma? Deveríamos passar tanto tempo preparando-as para a possibilidade de morrerem num acidente de carro? Claro que não… A carreira independente de uma mulher não deveria ser o ideal ou a norma. Emergências podem requerer que uma mulher assuma tarefas que comumente deveriam ser atribuídas ao chamado do homem, mas uma boa educação e treinamento em todas as habilidades de uma família normal irão preparar uma mulher para quase toda emergência. Por outro lado, se preparamos nossas filhas para casarem – para ter um espírito submisso, a se importarem com os outros e governarem suas casas – então seremos surpreendidas se elas se tornarem esposas amorosas e mães com lares organizados e tranquilos? Se nossas filhas nunca casarem, que mal virá de aprenderem a ter um espírito submisso, a se importarem com os outros e a governarem seus lares?Antes, que melhor virá disso!” (cap. 15, p. 438) (grifo da autora)

Será que uma menina deveria ter um alto grau de instrução?

Sim, sim, SIM!

Deixe-a estudar a arte culinária para que ela possa grelhar uma boa carne e fazer pão caseiro para sua família.

Deixe-a ler, escrever e praticar a oratória para que ela possa ensinar seus filhos com confiança e excelência.

Deixe-a aprender tudo que ela puder sobre medicina, ervas e vacinas para que ela possa tomar decisões acertadas sobre a saúde de sua família.

Deixe-a estudar desenvolvimento infantil e técnicas sobre a maternidade.

Deixe-a explorar sobre planejamento familiar e obstetricía para que ela possa dar a luz aos seus filhos sem medo.

Deixe-a aprender contabilidade para que ela possa gerir os livros e controlar o orçamento.

Se ela aprender bem todas essas coisas, ela ingressará na maternidade bem preparada e se ela nunca casar, ela terá mais ferramentas do que o necessário para “dar conta de si”.

Uma dona de casa piedosa é vital para uma família saudável, que é o fundamento de toda a sociedade. Sem famílias fortes, tudo desmorona. Se queremos realmente começar a reformar nossa cultura, temos que:

  • Parar de dizer às nossas meninas que o propósito de sua educação é sua futura carreira;
  • Parar de supor que elas serão a exceção do chamado normativo de Deus para as mulheres (Tito 2:3-5; Provérbios 31; Gênesis 3:16);
  • Parar de insistir que elas deveriam ser capazes de prover para si (I Pe 3:7; I Tm 2:13; Ef 5:23; I Tm 5:1-16);
  • Parar de encorajá-las a estudarem de forma e em lugares que a desviam do alvo final;
  • Parar de menosprezar meninas que escolhem investir na sua educação domiciliar sob a proteção de seus pais;
  • Parar de ter tanta fé em graduações ao invés de habilidades da vida real e experiência;
  • Parar de dizer coisas como:

“Desculpe, mas… O que é isso, querida? Você quer ser mãe quando crescer? Bom, você não precisa ter filhos, sabia? Você pode ser o que quiser, como uma médica importante ou mesmo uma astronauta!”

“É adorável que você queira ser mãe, mas não é realista. Hoje em dia, você precisa de uma graduação se você quiser ser capaz de prover para si (o que não é necessariamente verdade).”

“É tão fofo que ela queira ser mãe. Isso mudará logo que ela perceber o trabalho que dá!”

Imagine se esposas virtuosas não fossem tão difíceis de encontrar! Meninos teriam que ser homens e nossa cultura, pela graça de Deus, deixaria de ser uma terra inculta onde o feminismo governa para se transformar em um cenário de belos casamentos e lares saudáveis que retratam o amor entre Cristo e Sua Noiva.

Nunca é tarde para preparar nossas filhas para o glorioso futuro que Deus tem reservado para elas!

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Jacinda Vandenberg

* Este post foi publicado originalmente no blog  “Growing Home” , traduzido e re-publicado com permissão da autora.
** Jacinda Vandenberg é casada com Brad há 5 anos com quem tem 3 filhos,  Charity Sofia, de 4 anos, Judah Paul, de 2 anos e Anna Grace de 8 meses. Eles moram no Canadá onde frequentam a Maranatha Free Reformed Church em Hamilton, Ontário. Ela já escreveu dois livros: “How to Design Your own Blog for FREE (Como fazer o design de seu blog de Graça)” e “How To Grow Your Blog and Manage Your Home (Como fazer o seu blog crescer e Adminstrar o seu Lar)“. Ela também é co-autora de Homeschooling Day by Day (Educação no Lar no Dia a Dia)”. Jacinda bloga no “Growing Home” onde escreve com uma abordagem holística sobre a economia doméstica centrada no Evangelho.

*** Tradução: Vivian Junqueira Viviani

Fonte: http://www.mulherespiedosas.com.br/garotas-nao-deveriam-estudar/

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