[Estudo Bíblico] A Oração no Antigo Testamento

LEITURA BÍBLICA

1 Reis 18:31-39

E Elias tomou doze pedras, conforme ao número das tribos dos filhos de Jacó, ao qual veio a palavra do SENHOR, dizendo: Israel será o teu nome.E com aquelas pedras edificou o altar em nome do SENHOR; depois fez um rego em redor do altar, segundo a largura de duas medidas de semente.

Então armou a lenha, e dividiu o bezerro em pedaços, e o pôs sobre a lenha.

E disse: Enchei de água quatro cântaros, e derramai-a sobre o holocausto e sobre a lenha. E disse: Fazei-o segunda vez; e o fizeram segunda vez. Disse ainda: Fazei-o terceira vez; e o fizeram terceira vez;

De maneira que a água corria ao redor do altar; e até o rego ele encheu de água.

Sucedeu que, no momento de ser oferecido o sacrifício da tarde, o profeta Elias se aproximou, e disse: O SENHOR Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, manifeste-se hoje que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo, e que conforme à tua palavra fiz todas estas coisas.

Responde-me, SENHOR, responde-me, para que este povo conheça que tu és o SENHOR Deus, e que tu fizeste voltar o seu coração.

Então caiu fogo do SENHOR, e consumiu o holocausto, e a lenha, e as pedras, e o pó, e ainda lambeu a água que estava no rego.

O que vendo todo o povo, caíram sobre os seus rostos, e disseram: Só o SENHOR é Deus! Só o SENHOR é Deus!

INTRODUÇÃO

Estudar a respeito da oração no Antigo Testamento é ter contato com as origens deste impres­cindível meio de relacionamento do homem com Deus. Nada se iguala à segurança de sabermos que o Senhor está no controle: Ele pode tudo, sabe tudo e tudo vê.

O povo de Deus do Antigo Testamen­to tinha esta certeza, embora muitas vezes não vivesse de acor­do com ela por se afastarem dEle. Nas principais divisões do cânon judaico, citadas por Jesus Cristo em Lucas 24.44, nota-se que a oração sempre foi uma prá­tica das pessoas que possuíam intimidade com o Eterno Deus. Tendo em vista os seus exem­plos, o presente estudo mencionará algumas breves narrativas das Escrituras veterotestamentárias, sendo provenientes de cada uma das divisões em que o diálogo com Deus foi decisivo.

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I. A ORAÇÃO NO PENTATEUCO

1. A oração durante o Êxodo de Israel.

 Todo o rela­cionamento divino com Israel foi aprofundado pela experiência do Êxodo; antes, durante e após este. No deserto de Midiã, o Senhor ressaltou esta verdade:

“Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ou­vido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheci as suas dores. Portanto, desci para livrá-lo da mão dos egípcios, e para fazê-lo subir daquela terra a uma terra boa e larga, a uma terra que mana leite e mel”. (Êx 3.7b,8a).

2. A gratidão de Israel a Deus.

O povo de Deus era feliz e agradecido ao Eterno Deus por ter sido liberto do jugo do Egito, da escravidão, do cativeiro, da aflição (Êx 14.30,31; Sl 105.37-43; 136.11-26).

Após sair do Egito e sofrer a perseguição do exército de Faraó que acabou  morto no Mar Vermelho, o povo de Israel, uma vez livre, exultou e agradeceu ao Senhor (Êx 15.1 ,2; Sl 136.10-16).

Que tipo de adoração o crente eleva ao Senhor se estiver sempre em sua mente a grandíssima libertação operada em sua vida com a sua entrega ao Senhor Jesus, conversão e salvação? Tudo recebido pela graça e amor de Deus! Esse crente se prostrará agradecido diante daquEle que o livrou da escravidão do pecado e o tirou do reino das trevas para a sua maravilhosa luz e também testemunhará de Cristo para os outros.

3. O esquecimento e a n ingratidão de Israel.

O povo de Deus demonstrou ingratidão ao esquecer-se daquEle que o ajudou e também daquilo que dEle receberam. Em sua obstinada ingratidão, Israel mentiu ao afirmar que a comida que haviam deixado para trás, no Egito, era  de “graça”, pois foi paga com o trabalho escravo (Nm  11.5).

Israel foi ingrato e descuidado ao deixar o Egito com pessoas não crentes entre eles (Êx 12.38). A “mistura de gente” levou o povo ao declínio espiritual, levando a adoração a Deus a se transformar em murmuração e idolatria (Êx 15.23,24; 16.2-12; 17.2,3; 32.1-11; Nm 11.1-6; 14.1-4).

O crente deve descansar nos propósitos de Deus e ser-Lhe grato por tudo (Rm 8.28; 1 Ts 5.18). Nesse aspecto, o texto paulino de l Coríntios 10.1-13 é um aviso de Deus para a igreja de hoje.

II. A ORAÇÃO E OS PROFETAS

1. A oração como fator decisivo no ministério profé­tico.

A oração era o elo entre os profetas do Antigo Testamento e Deus. Por transmitir somente a verdade do Senhor, os porta-vozes de Deus não eram muito benquistos pela sociedade da época.

Entretanto, as orações dos profetas mostram seu zelo pela Palavra de Deus, seus lamen­tos e advertências quando não eram ouvidos pelo povo.

Muitos profetas exerceram seus minis­térios em uma época em que os israelitas viviam uma vida espi­ritual apenas de aparência. Eles empenhavam-se em fazer com que o povo compreendesse que para Deus o que vale realmente é uma vida de compromisso com Ele, um culto real, uma adoração precedida da consagração, e não uma adoração de palavras va­zias jogadas ao ar (Mq 6.6-8; Is 29.13; Am 5.10-15).

Deus requer o mesmo dos seus filhos hoje (Tg 1.25-27). O crente em Jesus deve viver de forma compatível com a nova natureza que lhe foi gerada (Cl 3.1-17; Ef 4.17-32; 2 Pe 1.4-9).

2. O profeta Elias.

A ne­cessidade e o anseio de tornar Deus conhecido no meio do seu próprio povo, que estava en­volvido com idolatria, motivou o profeta Elias a proferir uma das mais notáveis, destemidas e fervorosas orações do Antigo Testamento.

Elias arriscou sua vida e demonstrou submissão, coragem e fé em Deus diante de todo o povo escolhido e dos profetas de Baal e Asera (quantos podem fazer isso abertamente como Elias nos dias atuais?) e orou, depositando toda sua con­fiança no Deus de Israel, pedindo fogo do céu, no que foi pronta­mente atendido. O Senhor foi glorificado no meio do povo, e a história de Israel mudou naquele dia (1 Rs 18.36-39).

3. O profeta Eliseu.

Assim como Elias, Eliseu demonstrou ter uma vida de humildade e íntima comunhão com o Senhor. Sua vida de oração permitiu que tivesse uma profunda e ampla visão de mundo, algo que só os íntimos podem usufruir (2 Rs 6.8-23).

Este relacionamento com o Senhor lhe dava a certe­za de que suas orações seriam prontamente atendidas. Quanto mais o homem conhece a Deus e sua Palavra, mais suas orações estarão de acordo com a von­tade divina e, portanto, mais e prontamente serão respondidas (Jo 15.7). Tal homem de Deus orava “no Espírito Santo” (Jd v.20; Ef 6.18).

III. OS LIVROS POÉTICOS E A ORAÇÃO

1. Jó.

Este é um livro que mostra claramente o valor da adoração e da oração (Jó 1.5; 16.1 6,17; 42.8). Mesmo em meio às adversidades sofridas, Jó manteve-se fiel ao Senhor (1 .20-22) e pôde experimentar grande vitória justamente no momento em que orava (42.10).

2. Salmos.

Os Salmos ex­pressam o relacionamento de Israel com Deus. Neles observamos a relação do homem com seu  Criador: suas alegrias, tristezas, louvores, lamentações, súplicas e adorações são expressas por meio das mais diversas formas.

Os vários tipos de salmos evidenciam que se pode expressar o estado da alma diante de Deus, pois os seus diferentes estados  não precisam ser suprimidos na vida de um autêntico servo de Deus.

3. A experiência de Asafe.

É praticamente impossível não se identificar, em algum momento de nossa vida, com os sentimentos expressados por Asafe no Salmo 73. Entretanto, precisamos, através da oração, entrar no santuário de Deus para, assim como o salmista, entender os propósitos do Senhor para nossas vidas.

CONCLUSÃO

Estudar a oração no Antigo Testamento leva o crente a aprimo­rar seu relacionamento e crescer em maturidade para com Deus. Homens do passado usufruíram de íntima comunhão com o Criador mediante a oração. Como seres humanos, nossas ansiedades e necessidades podem e devem ser colocadas diante daquEle que é o nosso Pai (Fp 4.6; 1 Pe 5.7).

Fonte: CPAD-2010

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[Estudo Bíblico] O que é Oração?

LEITURA BÍBLICA

1 Crônicas 16

8 – Louvai ao SENHOR, invocai o seu nome, fazei conhecidos entre os povos os seus feitos.

10 – Gloriai-vos no seu santo nome; alegre-se o coração dos que buscam o SENHOR.

11 – Buscai ao SENHOR e a sua força; buscai a sua face conti­nuamente.

12 – Lembrai-vos das suas maravilhas que tem feito, dos seus prodígios, e dos juízos da sua boca.

13 – Vós, semente de Israel, seus servos, vós, filhos dejacó, seus eleitos.

14 – Ele é o SENHOR, nosso Deus; em toda a terra estão os seus juízos.

15 – Lembrai-vos perpetua­mente do seu concerto e da palavra que prescreveu para mil gerações;

16 – do concerto que fez com Abraão e do seu juramento a Isaque;

17 – o qual também a Jacó ratificou por estatuto, e a Israel por concerto eterno,

João 15

16 – Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vos conceda.

INTRODUÇÃO

A oração é o meio que Deus proveu ao homem, a fim de que este viesse a estabelecer um relacionamento de comunhão contínua com Ele.

Tanto mais o cristão ora com fé em Deus, mais desenvolve sua comunhão e sub­missão com o seu Criador, Pai, Senhor, Intercessor e Conselheiro, manifes­tando, assim, o se­nhorio de Cristo Jesus em sua vida, por amor e devoção.

Quando isso ocorre, o homem passa a ter sua vida espiritual e emocional estáveis e sua pers­pectiva,além dos objetivos,  naturalmente mudam. A oração quando asso­ciada à obediência dos preceitos das Santas Escrituras e à vigilância espiritual é também um meio de vitória sobre o pecado (cf. Mc 11.24-26; Mt 26.41).

I. A QUEM ORAR E QUANDO ORAR?

1. Devemos orar a Deus.

São muitos os textos bíblicos que lembram, ensinam, advertem e estimulam o homem a buscar a Deus, em oração em todo o tempo (Dt 4.29,30; l Cr 16.4; SI 119.2; Jr29.13; Ef 6.18).

A Bíblia ensina que devemos orar somente a Deus e a ninguém mais, pois não há ne­nhum outro deus além do nosso, que possa ouvir e responder às nossas orações.

Aliás, a Palavra de Deus condena a adoração e a oração a qualquer outro ser que não seja o Deus Eterno, Criador, Sustentador do universo e Re­dentor da humanidade (Êx 20.3; Dt 6.4; Is 44.8-20). Tudo isso, já representa um bom e grande motivo para o crente orar ( Lc2.37,38).

2. Quando tudo está bem.

Não há dúvida de que devemos orar em todo tempo e em qualquer circunstância (Ef 6.18; 1 Tm 2.1-3; Sl 118.5). Jesus ensinou essa ver­dade dando seu exem­plo aos discípulos (Mc 6.45-48; Lc 22.39-46).

Entretanto, parece que descuidamos da prática da oração quando as coisas estão indo bem. Ainda que tudo pareça tranquilo, o crente deve estar vigilante, cons­ciente de suas fragilidades e na presença do Senhor, em constante oração, pois, entre as muitas bên­çãos da oração, destaca-se o fato de que ela preserva-nos do mal (Mt 26.41).

Sansão, por exemplo, não é alguém para ser imitado (Jz 14-16). Ele só clamava ao Senhor quando estava em grandes apuros (Jz 15.18; 16.28). Para muitos, a oração só deve ser feita quando alguém se acha enfermo, desem­pregado, sofrendo algum tipo de problema no seu trabalho, quando seus bens são subtraídos ou quan­do desaparece um membro da fa­mília e coisas semelhantes aconte­cem. Atitudes como essas privam o crente das bênçãos divinas através da oração preventiva (Mt 26.36; Lc 21.36;Rm 15.30,31).

3. No dia da angústia e da adversidade.

O verdadeiro discí­pulo do Senhor enfrenta nesta vida,lutas, provas e aflições, e Jesus mes­mo afirmou que não seria diferente (Jo 16.33). Os discípulos, inclusive, eram conscientes desse fato (1 Pe 4.12-16; Rm 5.3).

O apóstolo Paulo dá-nos a receita bíblica para vencermos no dia da adversidade: perseverar na oração (Rm 12.12).

A comunhão com o Senhor, cultivada através da oração, muda no crente sua visão acerca das coisas que o cercam. Os problemas e as circuns­tâncias contrárias não abatem a sua fé em Deus e a sua confiança firme de que Ele é poderoso para que, caso não o livre, o fará, da situação problemática, vencedor ou tornará o mal em bem (Rm 8.28; Gn 50.20).

Nossa oração deve ser para que o Senhor nos abra os olhos, para que possamos ver o invisível e assim, pela fé descansar nEle, sabendo que todas as coisas estão sob seu domínio.

II. COMO ORAR?

1. Com reverência.

Todo crente deve saber que não se pode chegar à presença de Deus sem reverência, sem fé, e sem santo temor. Quando o homem foi criado, Deus já era adorado e reverenciado pelos anjos.

A reverência para com Deus é um princípio bíblico (Sl 96.9; 132.7; Mt4.10; 1 Tm 1.17). Todo o relacionamento do homem com o Senhor deve levar em considera­ção a reverência que lhe é devida, inclusive não somente na oração, mas também no seu serviço (Hb 12.28).

Considerando que o Senhor é Deus, Ele próprio espera esse tipo de atitude do homem (Ec 3.14). Orar a Deus com fé, reverência e temor é falar com Ele pelo novo e vivo caminho provido por Jesus (Hb 10.20-22) e ajudado pelo Espírito Santo (Rm 8.26,27).

2. Com fé e humildade.

É uma contradição um crente entrar na presença de Deus em oração, duvidando do seu poder, da sua graça e das suas promessas. De um crente se espera entrar na presença de Deus crendo que Ele é poderoso para fazer tudo, muito mais, além daquilo que pedimos ou pensamos, pelo seu poder que opera em nós, a nossa fé (Ef 3.20; Tg 1.6).

Deve o crente re­conhecer a sua insignificância em si mesmo, suas tendências, suas fragilidades, necessidades e estar disposto a confessar seus pecados e deixá-los, e buscar fazer a boa, perfeita e agradável vontade de Deus para a sua vida (Lc 18.1 3,14; Rm 12.1,2).

3. Priorizando o Reino de Deus e seus valores eternos.

De todo o cristão espera-se que quando se encontrar no altar do Senhor em oração, dê prioridade ao Reino de Deus e aos valores eternos que o constitui (Lc 11.2; Mt 6.19-21). Primeiro, porque isso deve fazer parte do caráter cristão; segundo, porque com esta atitude aquelas coisas essenciais que foram pronunciadas por Jesus Cristo serão acrescentadas à sua vida (Mt 6.33).

III. ONDE ORAR E POR QUEM ORAR?

1. O lugar da oração.

É uma necessidade o crente ter um lugar próprio e adequado para fazer as suas orações devocionais diárias (Mt 6.6; Mc 1.35; At 10.9). O ho­mem que assim faz é tido como bem-aventurado (Pv 8.34,35).

O crente também precisa sempre estar na casa do Pai para a oração congregacional, considerando o que disse o próprio Deus a res­peito (quando da consagração do Templo construído por Salomão):

“Agora, estarão abertos os meus olhos e atentos os meus ouvidos à oração deste lugar” (2 Cr 7.1 5).

Próximo do momento de sua cru­cificação, Jesus entrou no Templo e, repreendendo os vendilhões que ali estavam, referiu-se ao tex­to de Isaías 56.7:

“A minha casa será chamada casa de oração” (Mt 21. 13).

O Espírito Santo desceu no cenáculo onde estavam os discípu­los em oração há dias. Foi assim que a Igreja teve o seu início (At 1.12-14). Os crentes do primeiro século oravam juntos regularmen­te no Templo (At 3.1).

No altar da oração devemos ter em mente ao menos três pro­pósitos: adorar a Deus, agradecer-lhe e pedir algo para nós ou para outrem (intercessão). Ao pedir, o crente deve:

a) Orar por si próprio.

Nin­guém melhor do que o próprio crente para conhecer as suas ne­cessidades espirituais, sociais, afetivas, familiares, económicas e físi­cas. Há necessidades que, por sua natureza e estratégias espirituais, não podem ser do conhecimento de mais ninguém, devendo o crente, orar ao Senhor no seu íntimo.

b) Pelos amigos.

Nem todo crente se comporta como Jó, que estando sob severo sofrimento e com necessidades múltiplas, dedicava um tempo em suas ora­ções para orar pêlos seus amigos (Jó 42.10).

c) Orar pelos inimigos.

Esta é uma tarefa que demanda muito amor, renúncia, e propósito de agra­dar a Deus, obedecer a sua Palavra e dominar seu próprio coração (Mt 5.44; Rm 12.14). Nesse aspecto Je­sus também deixou o seu exemplo (Lc23.34; 1 Pe 2.23).

2. Orar pela igreja de Deus.

O profeta Samuel orou pelo povo de Deus (1 Sm 7.5-14). Em o Novo Testamento, vemos em Paulo um intercessor exemplar à medida que ora pelas diferentes igrejas, apresentando as suas necessida­des específicas (Fp 1.1-7, 9; Rm 1.8-12; Ef 1.16).

3. Orar por todos os ho­mens e pelas autoridades constituídas (1 Tm 2.1,2).

A vida de oração torna o crente sensível às necessidades dos que lhe rodeiam e dos que estão dis­tantes, sejam eles conhecidos ou não e em qualquer esfera social, como, por exemplo, o profeta Eliseu (2 Rs 4.1 2-36).

SUPLEMENTO

Objetivos da oração

“[…] Todos já nos sentimos impulsionados a orar com mais in­tensidade nos momentos de decisão e de angústias; não podemos viver distanciados da presença divina.

1. Buscar a presença de Deus.

‘Quando tu disseste: Buscai o meu rosto, o meu coração te disse a ti: O teu rosto Senhor, buscarei’ (Sl 27.8).

Seja nos primeiros alvores do dia, seja nas últimas trevas da noite, o salmista jamais deixava de ouvir o chamado de Deus para contemplar-lhe a face. Tem você suspirado pelo Senhor? Ou já não consegue ouvi-Lo? O sorriso de Deus é tudo o que você precisa para vencer as insídias humanas.

2. Agradecê-lo pêlos imere­cidos favores.

Se nos limitarmos às petições, nossa oração jamais nos enlevará ao coração do Pai. Mas se, em tudo, lhe dermos graças, até mesmo pelas tribulações que nos sitiam a alma, haveremos de ser, a cada ma­nhã, surpreendidos pêlos cuidados divinos. J. Blanchard é mui categórico: ‘nenhum homem pode orar biblica­mente, se orar egoisticamente’.

3. Interceder pelo avanço do Reino de Deus.

Na Oração Dominical, insta-nos o Senhor Jesus a orar: ‘

Venha teu Reino’ (Mt 6.10).

No Antigo Testa­mento, os judeus rogavam a Deus que jamais permitisse que suas possessões viessem a cair em mãos gentias. Basta ler o Salmo136 para se enternecer com o cuidado dos israelitas por sua herança espiritual e territorial”

(AN­DRADE, Claudionor. As Disciplinas da vida Cristã. Como alcançar a verdadeira espiritualidade. Rio de Janeiro, CPAD, 2008, pp. 36-8).

CONCLUSÃO

Não há limite para o crente viver uma vida de constante e crescente oração. Um alerta final da Bíblia para todos nós sobre a oração temos em 1 Pedro 4.7. A Palavra de Deus admoesta-nos a orar sem cessar (1 Ts 5.1 7), sem prejuízo de nossas atividades diárias, tendo em vista que são muitas as formas de orar. Você já orou hoje?

Fonte: CPAD – 2010

[Estudo Bíblico] A Leitura Devocional da Bíblia

LEITURA BÍBLICA 

2 Pedro 1.16-21.

16 – Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas arti­ficialmente compostas, mas nós mes­mos vimos a sua majestade,

17 – porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da mag­nífica glória lhe foi dirigida a seguin­te voz: Este é o meu Filho amado, em quem me tenho comprazido.

18 – E ouvimos esta voz dirigida do céu, estando nós com ele no monte santo.

19 – E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia esclareça, e a estrela da alva apareça em vosso coração,

20 – sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação;

21 – porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem al­gum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.

INTRODUÇÃO

Neste domingo, veremos por que a leitura da Bíblia é-nos tão im­prescindível e vital. Aliás, mais im­prescindível do que o ar que respi­ramos e mais vital do que o pão que nos sustenta (Dt 8.3). Tem você a necessária disciplina para ler e estu­dar a Bíblia? Faz-se a Palavra de Deus parte de seu cotidiano? (Sl 119.97). Ou ela já se perdeu entre os livros de sua estante?

I. O QUE É A BÍBLIA

1. Definição.

A definição mais simples, porém direta e forte, que en­contramos das Escrituras Sagradas é esta: A Bíblia é a inspirada e inerrante Palavra de Deus. Infelizmente, nem todos os teólogos aceitam a ortodo­xia deste conceito; alegam que, nes­te, há um desconcertante simplismo. Todavia, encontra-se esta definição isenta do erro dos liberais e livres das sutilezas dos neo-ortodoxos.

2. A posição liberal.

Os libe­rais sustentam que a Bíblia apenas contém palavras de Deus, mas não é  a Palavra de Deus. Outros liberais vão mais longe: asseveram que a Bíblia não é nem contém a Palavra de Deus; não passa de um livro qualquer.

3. A posição neo-ortodoxa.

Já os neo-ortodoxos lecionam: a Bíblia torna-se a Palavra de Deus à medida que, alguém, ao lê-la, tem um encon­tro experimental com o Senhor Je­sus. Todavia, quer o leitor da Bíblia curve-se quer não se curve ante os arcanos divinos, continuará a Bíblia a ser a Palavra de Deus.

4. A posição ortodoxa.

Os ortodoxos, porém, com base nas Sagradas Escrituras, asseveramos que a Bíblia é, de fato, a Palavra de Deus. Ela não se limita a conter a Palavra de Deus; ela é a Palavra de Deus. Ela também não se torna a Palavra de Deus; ela é e sempre será a Palavra de Deus (2 Tm 3.16).

II. AS GRANDES REIVINDICAÇÕES DA BÍBLIA

É de fundamental importância tenhamos sempre, no coração, as grandes reivindicações da Bíblia Sagrada: sua inspiração, inerrância, in­falibilidade, soberania e completude.

1. A inspiração da Bíblia.

 Já que a Bíblia é a Palavra de Deus, sua inspiração não é comum nem vulgar; é singular e única, porquanto inspi­rada pelo Espírito Santo. As Escritu­ras mesmas reconhecem sua divina inspiração (2 Tm 3.16; 2 Pe 1.21).

2. A inerrância da Bíblia.

Ins­pirada divinamente, há que se con­cluir: a Bíblia acha-se, em termos absolutos e infinitos, isenta de er­ros. Nela, não encontramos a míni­ma inexatidão quer histórica, quer geográfica, seja teológica seja dou­trinária (Sl 19.7;119.140).

REFLEXÃO

“A Escritura é uma revelação e proclama­ção de vida, mas quando é rejeitada é uma proclamação de morte (Dt 30.15;2 Co 2.16).”

(John R. Higgins)

3. A infalibilidade da Bíblia.

A Bíblia não é apenas inerrante; é também infalível. Tudo o que o Se­nhor prometeu-nos, em sua Palavra, cumpre-se absolutamente. Entretan­to, há teólogos que alegam defen­der a infalibilidade da Bíblia, mas lhe rejeitam a inerrância. Ora, como podemos considerar algo infalível se é errante? Sua errância, por acaso, não virá a contraditar-lhe, inevitavel­mente, a infalibilidade?

Quanto a nós, reafirmamos: tan­to a inerrância quanto a infalibilida­de da Bíblia são incontestáveis (Dt 18.22;1 Sm 3.19; Mc 13.31; At 1.3).

4. A soberania da Bíblia.

Evan­gélicos e herdeiros da Reforma Pro­testante, confessamos ser a Bíblia a autoridade suprema em matéria de fé e prática (Is 8.20; 30.21; 1 Co 14.37). Isto significa que encontra-se a Bíblia acima das tradições e primados hu­manos; ela é a inquestionável e abso­luta Palavra de Deus.

5. Completude da Bíblia.

O Apocalipse encerrou, definitiva e irrecorrivelmente, o cânon da Bíblia Sagrada; nenhuma subtração, ou adi­ção, está autorizada à Palavra de Deus (Ap 22.18-21). Portanto, não se ad­mite quaisquer escrituras, profecias, sonhos ou visões que, arrogando-se palavra de Deus, reivindique autori­dade semelhante ou superiora Bíblia.

III. COMO LER A BÍBLIA

Afirmou com muita precisão o teólogo Martin Anstey: “A qualifica­ção mais importante exigida do lei­tor da Bíblia não é a erudição, mas sim a rendição; não a perícia, mas a disposição de ser guiado pelo Espírito de Deus”. Estudemos, pois, a Palavra de Deus, conscientes de que o Senhor continua a falar-nos hoje como outrora falava a Israel e à Igreja Pri­mitiva. Devemos, por conseguinte:

1. Amar a Bíblia.

Nossa pri­meira atitude em relação à Bíblia é amá-la como a inspirada Palavra de Deus. Declara o salmista todo o seu amor às Escrituras: “Oh! Quanto amo a tua lei! É a minha meditação em todo o dia” (Sl 119.97).

2. Ter fome da Bíblia.

Se ti­vermos fome pela Bíblia, haveremos de lê-la todos os dias. Se é penoso passar sem o pão de cada dia, como privar-se do alimento que nos vem diretamente do Espírito de Deus as Sagradas Escrituras? O profeta Ezequiel, tão logo encontra a Pala­vra de Deus, come-a (Ez 3.3).

3. Guardar a Bíblia no cora­ção.

Ao cantar as belezas da Pala­vra de Deus, o salmista confessa ternamente:

“Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti” (Sl 119.11).

Os leitores periféricos da Bíblia lêem-na, mas dela se esquecem. Não assim o sua­ve cantor de Israel; mesmo fechan­do-a depois de seu devocional, abria-a em seu coração.

4. Falar continuamente das grandezas singulares da Bíblia.

Eis o que Moisés prescreve aos filhos de Israel, a fim de que estes jamais venham a se esquecer dos manda­mentos do Senhor:

“Estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; e as intimarás ateus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te. Também as ata­rás por sinal na tua mão, e te serão por testeiras entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas”

(Dt 6.6-9)

IV. OS EFEITOS DA BÍBLIA EM NOSSA VIDA

Quanto mais lermos a Bíblia, mais sábios nos tornaremos. Ela orienta-nos em todos os nossos caminhos; conso­la-nos quando nenhum consolo huma­no é possível; mostra-nos a estrada do Calvário e leva-nos ao lar celestial.

1. A Bíblia dá-nos sabedoria.

“Os teus mandamentos me fazem mais sábio que os meus inimigos; porque, aqueles, eu os tenho sem­pre comigo” (Sl 11 9.98 – ARA).

2. A Bíblia dá-nos a orienta­ção segura.

 “Tu és a minha rocha e a minha fortaleza; … guia-me e encaminha-me” (Sl 31.3).

3. A Bíblia dá-nos o neces­sário consolo.

 “Isto é a minha con­solação na minha angústia, porque a tua palavra me vivificou” (Sl 119.50).

4. A Bíblia dá-nos a provisão de salvação.

“Desfalece-me a alma, aguardando a tua salvação; porém espero na tua palavra” (Sl 119.81 -ARA).

5. A Bíblia leva-nos ao lar celeste.

No encerramento do cânon sagrado, somos revigorados com a viva esperança de, um dia, virmos a tomar posse da Cidade Santa (Ap 22.18-20).

CONCLUSÃO

Tem você lido regularmente a Bí­blia? Ela é o seu consolo? Ou não pas­sa a Palavra de Deus de um simples acessório em sua estante? É hora de nos voltarmos, com mais empenho e amorosa dedicação, ao Livro de Deus.

[Estudo Bíblico] A Comunhão com Deus

LEITURA BÍBLICA

Salmos 42.1-5.

l – Como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus.

2- A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?

3 – As minhas lágrimas servem-me de mantimento de dia e de noite, porquan­to me dizem constantemente: Onde está o teu Deus?

4 – Quando me lembro disto, dentro de mim derramo a minha alma; pois eu havia ido com a multidão; fui com eles à Casa de Deus, com voz de alegria e louvor, com a multidão que festejava.

5 – Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei na salvação da sua presença.

REFLEXÃO

“Certo é que não podes fruir duas alegrias: deleitar-te neste mundo e depois reinar com Cristo.

Logo tudo é vaidade, exceto amar a Deus e só a Ele servir.”

(Tomás de Kempis)

INTRODUÇÃO

Norman Snaith, comentando o Salmo 42, realça quão inefável é a co­munhão que desfrutamos com o Se­nhor: “O homem que já experimentou a alegria da comunhão com Deus, não estará apático quanto às oportunida­des de renovar, com Ele, a sua intimi­dade, quer em suas devoções particu­lares, quer nas adorações públicas. Esse homem simplesmente não consegue ficar longe de Deus. Sua alma sedenta, haverá de o impelir sempre à presença do Pai Celeste“.

Assim também diria William Bates, escritor puritano do século XVII. Ao dis­correr sobre a intimidade entre a nos­sa alma e o Supremo Ser, descreve ele a alegria que lhe ia na alma: “A comu­nhão com Deus é o princípio do céu“.

I – O QUE É A COMUNHÃO COM DEUS

Tem você sede de Deus? Anela por sua presença? Suspira por seus átrios? Anseia aprofundar com Ele a sua co­munhão? Aliás, sabe você o que é, re­almente, a comunhão com Deus?

l. Definição.

A comunhão com Deus é a intimidade que o crente, me­diante a obra redentora de Cristo e por intermédio da ação do Espírito Santo, desfruta com o Pai Celeste, e que o leva a usufruir de uma vida espiritual plena e abundante (Rm 5. 1; 2 Co 13. 13).

Andar com Deus é o mais perfei­to sinônimo de comunhão com o Pai Celeste. Tão profunda era a comunhão de Enoque com o Senhor, que o mes­mo Senhor, um dia, o tomou para si (Gn 5.24). Andar com Deus significa, ainda, ter uma vida como a de Eliseu que, por onde quer que fosse, era de imediato reconhecido como homem de Deus (2 Rs 4.9). Comunhão com Deus é ser chamado de amigo pelo próprio Deus (Is 41.8).

2. A comunhão com Deus é uma disciplina consoladora.

Ape­sar de seus grandes e lancinantes so­frimentos, Jó sempre refugiava-se na comunhão com o seu Deus (Jó 19.25). Suas perdas eram grandes; aos olhos humanos, irreparáveis. Todavia, confi­ava ele nas providências de um Deus de quem era íntimo. Até parece que Willard Cantelon, autor de imortais devoções, inspirou-se na experiência de Jó, quando escreveu: “Posso suportar a perda de todas as coisas, exceto do m toque de Deus na minha vida“.

II. A ALMA HUMANA ANSEIA PELOS ÁTRIOS DE DEUS

O ser humano não é o resultado de um processo evolutivo; é a plenitu­de de um ato criativo de Deus (Gn 1 .26). Se fomos criados por Deus, nossa alma, logicamente, aflige-se por Deus; anseia por seus átrios. E só haveremos de descansar, quando em Deus repousarmos (Sl 42.11). E se nos alongarmos do Criador? O vazio passa a ser a única realidade de nosso ser.

1. O vazio  humano. 

Billy Graham visitava, certa vez, uma universidade norte-americana, quando perguntou ao reitor: “Qual o maior pro­blema que o senhor enfrenta com os seus alunos“. O educador respondeu-lhe: “Vazio. Há um vazio muito grande de Deus em seus corações“. Como preencher este vazio?

Buscando preencher o vazio de sua alma, vagueia o homem pelo álcool, transita pelas drogas e erra pêlos devaneios da carne. Depois de toda essa busca, conclui: “Não tenho neles prazer” (Ec 12.1 -ARA). Mas o que acei­ta a Cristo, esse experimenta uma vida abundante e inefável (Jo 4.14).

2. A plenitude da comunhão divina.

Sabia o salmista que somen­te em Deus encontramos a razão de nossa existência e a satisfação plena de nossa alma. Eis por que deixa ema­nar de seus lábios este lamento:

“Por que estás abatida, ó minha alma? E por que te perturbas dentro de mim? Es­pera em Deus, pois ainda o louvarei. Ele é a salvação da minha face e Deus meu” (Sl 43.5).

John Bunyan, em O Peregrino, descreve a angústia da alma em sua jornada à Jerusalém Celeste. Quanto mais caminha, mais falta do Senhor vai sentindo até que, ao longe, avista a ditosa cidade, onde se encontra o amante de sua alma – Jesus Cristo.

III. O DEUS DE NOSSA COMUNHÃO

Afinal, por qual Deus anseia a nossa alma? Pelo Deus teologicamente correio que se acomoda a todas as religiões e credos? Ou pelo Deus úni­co e verdadeiro que se revelou a si mesmo por intermédio de nosso Se­nhor?

1. O Deus onipotente.

O Deus pelo qual suspira a nossa alma pode todas as coisas; para Ele inexiste o impossível (Gn 17.1; Lc 1.37). Entre­tanto, há um grupo de teólogos mo­dernos que, menosprezando as Sa­gradas Escrituras, ensinam: Deus na verdade é poderoso, mas não pode ser considerado Todo-Poderoso. As­sim eles argumentam: “Fora Ele realmente poderoso e tudo soubesse, certamente evitaria as tragédias que tanto infelicitam a humanidade“.

Será que esses falsos doutores desconhe­cem a soberania de Deus? Se Ele per­mite determinados males, não nos cabe questionar-lhe as razões. De uma coisa, porém, estou certo: to­dos os seus atos são movidos pelo mais puro, elevado e sublime amor.

2. O Deus onisciente.

O Deus, a quem tanto amamos, sabe todas as coisas; tudo lhe é patente. No Salmo 139, o salmista canta-lhe a onisciência, declarando que Ele nos conhece profundamente; esquadrinha nossos mais íntimos pensamentos, e não se surpreende com nenhuma de nossas ações.

Lecionam, porém, alguns dos sectários do Teísmo Aberto: “Deus, às vezes, é incapaz de penetrar nos recônditos de nosso livre-arbítrio por ser-lhe este um mistério“. Ora, se por um lado aceitamos o livre-ar­bítrio; por outro, cremos na sobera­nia divina; esta é inquestionável. E não será nenhuma “liberdade libertária” que haverá de impedir o nosso Deus de sondar as mentes e corações (Ap 2.23).

3. O Deus de amor.

Se Deus é amor, porque nos sobrevêm aflições, dores e perdas? Ainda que não tivés­semos resposta alguma a essa per­gunta, de uma coisa teríamos convic­ção: Ele é amor! Somente um Deus que é o mesmo amor, poderia enviar o seu Unigênito para redimir-nos de nossos pecados (Jo 3.16;1 Jo 4.8). É por esse Deus que almejamos.

Quando aceitamos a Cristo, cientifica-nos Ele: a jornada ser-nos-á pontilhada de lutas e aflições, mas conosco estará até à consumação dos séculos (Jo 16.33). O Filho de Deus é bem claro quanto às aflições que nos aguardam:

“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me” (Lc 9.23)

Se Ele nos amou com um amor eterno e sacrificai, por que deixaría­mos nós de amá-lo? Oremos: “Cristo, tu sabes que, apesar de nossas im­perfeições e falhas, nós te amamos“. Leia o Salmo 34, e repouse em cada promessa que você encontrar.

4. O Deus soberano.

No epí­logo de suas provações, confessa Jó:

“Bem sei eu que tudo podes, e nenhum dos teus pensamentos pode ser impedido” (Jó 42.2)

Implicitamente, estava ele almejando aprofundar a sua comunhão com um Deus, cuja soberania é inquestionável. Este é o nosso Deus; por Ele nos desfalece a alma.

Por conseguinte, não podemos aceitar os falsos mestres e teólogos que, torcendo as Escrituras Sagradas, emprestam a Satanás uma soberania que pertence exclusivamente a Deus.

Refiro-me àqueles que dizem, por exemplo, que, para Cristo salvar um pecador, é-lhe necessária a permis­são do Diabo. Ora, Cristo jamais foi constrangido a negociar com Sata­nás; sua missão é clara. Veio Ele para destruir as obras do Maligno, e foi exatamente isso que fez na cruz do Calvário (1 Jo 3.8). Nada devemos ao Adversário. Adoremos, pois a Cristo. Mantenhamos com Ele a mais doce e meiga das comunhões. Por esse Deus maravilhoso, anseia a nos­sa alma.

CONCLUSÃO

Em suas Confissões, demonstra Agostinho um profundo e incontido anseio por Deus. Abrindo o coração, suspira: “Quem me dera descansar em ti! Quem me dera viesses ao meu cora­ção e que o embriagasses, para que eu me esqueça de minhas maldades e me abrace contigo, meu único bem“. O que evidencia esse anelo? Fomos criados por Deus, e por Deus ansiamos.

Sua alma tem sede de Deus? Se não o amarmos de todo o coração, ja­mais poderemos ser contados entre os seus filhos. Amar a Deus é a essência de nossa vida devocional.

A Verdadeira Fé

“Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.” Hb 11:6

       

       Fé para os dias de desespero. A Bíblia está cheia de dias assim. Seus registros são formados deles, seus cânticos são inspirados neles, sua profecia está ocupada com eles e sua revelação veio através deles. Os dias de desespero são as pedras que pavimentam o caminho de luz. Parecem ter sido a oportunidade de Deus e a escola de sabedoria para o homem( … eu que o diga… sei bem o que é isso).

       No Velho Testamento, no Salmo 107, há a história de uma festa de amor; e em cada história de livramento, o ponto de desespero trouxe a oportunidade de Deus. O fim das forças humanas foi o começo do po­der de Deus. Devemos nos lembrar da promessa de uma descendência numerosa como as estrelas do céu e como a areia do mar, feita a um casal já idoso. Leiamos novamente a história do mar Vermelho e daquela liber­tação, e do Jordão com a arca passando em seco. Estudemos mais uma vez as orações de Asa, Josafá e Ezequias, quando estavam em grande angústia e não sabiam o que fazer. Tornemos a ler a história de N eemias, Daniel, Oséias e Habacuque. Cheguemos com reverência ao Getsêmani c nos curvemos junto ao túmulo no Jardim de José de Arimatéia durante aqueles dias terríveis. Busquemos o testemunho da igreja primitiva e pe­çamos aos apóstolos que nos contem a história daqueles dias desesperadores.

       A fé não é responsável pelos nossos dias de desespero. Mas a obra da fé é dar-nos alento e mostrar a solução.

       Não há um exemplo melhor dessa verdade do que o dos três jovens hebreus na fornalha. A situação era desesperadora, mas eles responderam corajosamente: “Se o nosso Deus, a quem servimos, quer livrar-nos, ele nos livrará da fornalha de fogo ardente e das tuas mãos, ó rei. Se não, fica sabendo, ó rei, que não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que levantaste.” Eu gosto deste “se não”!

       Tenho espaço apenas para mencionar o Getsêmani. Consideremos pro­fundamente o seu “Todavia“, “Se possível… Todavia“! Profunda escuridão tinha descido sobre a alma do Senhor. Confiar-se na mão do Pai significava angústia até ao sangue e trevas até à descida ao Hades – Todavia! Todavia! ­Rev. Samuel Chadwick

Havia Alguém com eles na fornalha,

Uma presença augusta era o Senhor!

 O mesmo Alguém promete estar comigo

Sempre presente, e sei que nunca falha.

Na chama ardente, no maior calor,

Há Alguém comigo, perto o Salvador!

 

Fonte: Mananciais no Deserto