[Estudo Bíblico] Os Dons Espirituais

DONS ESPIRITUAIS

 

LEITURA BÍBLICA

Romanos 12. 3-8

3- Porque, pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vos que não saiba mais do que convém saber, mas que saiba com temperança, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um.

4- Porque assim como em um corpo temos muitos membros, e nem todos os membros têm a mesma operação,

5- assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros.

6- De modo que, tendo diferentes dons, segundo a graça que nos é dada: se é profecia, seja ela segundo a medida da fé;

7- se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino;

8- ou o que exorta, use esse dom em exortar; o que reparte, faça-o com liberalidade; o que preside, com cuidado; o que exercita misericórdia, com alegria.

Coríntios 12. 4-7

4- Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.

5- E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo.

6- E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.

7- Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil.

INTRODUÇÃO

A Bíblia de Estudo Pentecostal define “dons” como “manifestações sobrenaturais concedidas da parte do Espírito Santo, e que operam através dos crentes, para o seu bem comum”.

Neste estudo analisaremos os dons de Deus dispensados à Igreja para que, com graça e poder, ela proclame o Evangelho de Jesus a toda criatura. Além de auxiliar o Corpo de Cristo no exercício da Grande Comissão, os dons divinos subsidiam os santos para que cheguem à unidade da fé (Ef 4. 12, 13).

I – OS DONS NA BÍBLIA

1. No Antigo Testamento.

O Dicionário Bíblico Wycliffe mostra que há várias palavras hebraicas que significam “dádiva”. A origem dessas palavras está na raiz hebraica nathan, que significa “dar”. Por isso, podemos afirmar que no Antigo Testamento há vislumbres dos dons divinos concedidos a pessoas peculiares como reis, sacerdotes, profetas e outros. Todavia, os dons divinos não estavam acessíveis ao povo de Deus da Antiga Aliança como observamos no regime da Nova Aliança.

2. No Novo Testamento.

O mesmo dicionário informa ainda que ao longo do Novo Testamento a palavra “dom” aparece com diferentes significados, que se relacionam ao verbo grego didomi. Este verbo representa o sentido ativo da palavra “dar” em Filipenses 4. 15. Na Nova Aliança, os dons de Deus estão disponíveis para que a Igreja, em nome de jesus, promova a libertação dos cativos, ministre a cura aos doentes e proclame a salvação do homem para a glória de Deus. O Novo Testamento também deixa claro que todos os crentes têm acesso direto a Deus através de Cristo Jesus e, por isso, podem receber os dons do Espirito.

3. Uma dádiva para a Igreja.

A fim de sermos mais didáticos e eficientes no estudo a respeito dos dons, dividiremos este assunto em três categorias principais: Dons de Serviço, Dons Espirituais e Dons Ministeriais. Esta divisão acompanha a classificação dos dons conforme se encontra nas epístolas paulinas aos Romanos, Coríntios e Efésios, respectivamente. Insistimos, porém, que esta classificação é apenas um recurso didático, pois quando o apóstolo expõe o assunto em suas cartas, ele não parece querer exaurir os dons em uma lista, antes, preocupa-se em exortar os irmãos a buscá-los e usá-los para encorajar, confortar e edificar a Igreja de Cristo, bem como glorificar a Deus e evangelizar o mundo.

II-OS DONS DE SERVIÇO, ESPIRITUAIS E MINISTERIAIS

1. Dons relacionados ao serviço cristão.

Em Romanos 12 o apóstolo Paulo admoesta a igreja, lembrando-a de que o membro do Corpo de Cristo não pode se achar autossuficiente. Assim como um membro do corpo humano depende dos outros para exercer a sua função, na igreja necessitamos uns dos outros para o fortalecimento da nossa vida espiritual e comunhão em Cristo.

Por isso, a categoria de dons apresentada em Romanos 12 traz a ideia da manutenção dessa comunhão dos santos, pois ao falarmos de serviços, subentende-se que quem serve está prestando um serviço para alguém. Observe os dons de serviço listados por Paulo em Romanos: Ministério (ofício diaconal), exortação (encorajamento), repartir, presidir e exercer misericórdia. Note que esses dons estão relacionados com uma ação em prol do outro, do próximo. Portanto, se você tem um dom, deve usá-lo em benefício da Igreja de Cristo na Terra.

2. Conhecendo os dons espirituais.

“Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes”(1 Co 12. 1).

Os dons listados em 1 Coríntios 12 são: palavra da sabedoria; palavra da ciência; ; curas; operação de maravilhas; profecia; discernimento de espíritos; variedades de línguas; interpretação de línguas.

Apesar de as manifestações sobrenaturais pertencerem ao mundo espiritual, isto é, a uma categoria particular da experiência religiosa do crente, o apóstolo Paulo desejava que as igrejas, e em especial a de Corinto, conhecessem algumas considerações importantes sobre os dons espirituais. Uma característica predominante em Corinto, segundo o Comentário Bíblico Beacon (CPAD), era a vida pregressa dos membros envolvidos com idolatria. Muitas manifestações espirituais na Igreja lembravam a experiência mística das religiões de mistérios. Os coríntios precisavam ser ensinados de forma correta sobre a existência dos dons e de sua utilização dentro do culto e fora dele. Por isso, à luz da Palavra de Deus, devemos ensinar a respeito dos dons espirituais para que a igreja seja edificada. A Bíblia traz os ensinos corretos sobre o uso dos dons, e se há distorções nessa esfera, estas acontecem por algumas igrejas não ensinarem de forma correta o que a Bíblia diz, e isso contribui para o surgimento do fanatismo religioso, da corrupção doutrinária dos movimentos estranhos e de muitas heresias. Portanto, o ensino correto das Escrituras nos orienta sobre a forma adequada da utilização dos dons e previne o surgimento de práticas condenáveis no culto.

3. Acerca dos dons ministeriais.

A Epístola de Paulo aos Efésios classifica os dons ministeriais assim: Apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e doutores (4. 11). Os propósitos de o Senhor concedê-los à Igreja, segundo a Bíblia de Estudo Pentecostal, são, em primeiro lugar, capacitar o povo de Deus para o serviço cristão; em segundo, promover o crescimento da igreja local: terceiro, desenvolver a vida espiritual dos discípulos de Jesus (4. 12-16). O Senhor deu a sua Igreja ministros para servi-la com zelo e amor (1 Pe 5. 2, 3). O ensino do Novo Testamento acerca do exercício ministerial está ligado a concepção evangélica de serviço (Mt 20. 20-28; Jo 13. 1-11), jamais à perspectiva centralizadora e sacerdotal do Antigo Testamento.

REFLEXÃO

Nenhum membro do corpo de Cristo é autossuficiente, dependemos de Cristo, assim como dependemos uns dos outros. Para que a Igreja, o corpo de Cristo, seja edificada pelos dons ministeriais é necessário que eles sejam utilizados para o benefício de todos.

III-CORINTO : UMA IGREJA PROBLEMÁTICA NA ADMINISTRAÇÃO DOS DONS ESPIRITUAIS (1 Co 12. 1-II)

1. Os dons são importantes.

Um argumento utilizado pelos cessacionistas (pessoas que defendem a errônea ideia de que os dons espirituais cessaram no primeiro século), é que os crentes pentecostais tendem a se achar superiores uns aos outros por terem algum dom. Lamentavelmente, isto é verdade em muitos lugares. Entretanto, o apóstolo Paulo faz questão de tratar desse assunto com os crentes de Corinto que estavam supervalorizando alguns dons em detrimento de outros. Precisamos resgatar a noção de serviço que Jesus Cristo ensinou nos Evangelhos, pois todos os dons vêm diretamente de Deus para melhor servirmos à igreja de Cristo.

2. Diversidade dos dons.

O que mais nos chama a atenção na lista de dons apresentada por Paulo em 1 Coríntios 12 não são os nove dons, mas a diversidade deles. Isto denota a unidade da Igreja de Cristo, mas simultaneamente a sua multiplicidade. O Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento tem razão quando fala que “talvez Paulo tenha selecionado estes noves dons por serem adequados à situação que havia em Corinto”, pois se compararmos a lista de Coríntios com Romanos e também Efésios, veremos que outros dons são relacionados de acordo com as necessidades de cada igreja local.

3. Autossuficiência e humildade.

Os dons espirituais são concedidos aos crentes pela graça de Deus, e não por méritos pessoais (Rm 12. 6; 1 Pe 4. 10). Não podemos orgulhar-nos e portar-nos de modo arrogante e autoritário no exercício dos dons, mas com humildade e temor a Deus.

Portanto, não use o dom que Deu lhe deu com orgulho, visando exaltação pessoal. Isto é pecado contra o Senhor e contra a Igreja!

Use-o com um coração sincero e transbordante de amor pelo próximo (1 Co 13). Não foi por acaso que o capítulo 13 (Amor) de Coríntios foi colocado entre o 12 (Dons) e o 14 (Línguas e Profecia).

CONCLUSÃO

O estudo dos dons de Deus aos homens é amplo e nos apresenta recursos pelos quais podemos servir ao Senhor e à sua Igreja. Esses dons são para os nossos dias, pois não há na Bíblia nenhum versículo que diga que os dons espirituais deixaram de existir com a morte do último apóstolo. Portanto, busquemos os dons do Espírito Santo, pois estão à nossa disposição. Eles são um exemplo da multiforme graça de Deus em dispensar instrumentos espirituais para a Igreja na história.

SUPLEMENTO 1

Subsidio Teológico [Dons espirituais]

Os dons espirituais, que são pela graça, mediante a fé, encontra-se na palavra grega mais usada para descrevê-los: charismata, ‘dons livre e graciosamente concedidos’, palavra esta que se deriva de charis, graça, o imerecido favor divino. Os carismas são dons que merecemos sem os merecermos. Dão testemunho da bondade de Deus, e não da virtude de quem os receberam.

Uma das falácias que frequentemente engana as pessoas é a ideia de como Deus abençoa ou usa alguém; isso significa que Ele aprova tudo o que a pessoa faz ou ensina. Mesmo quando parece haver uma ‘unção’, não há garantia disso. Quando Apolo chegou a Efeso pela primeira vez, não somente era eloquente em sua pregação: era também ‘fervoroso de espírito’. Tinha o fogo. Mas Priscila e Áquila perceberam que faltava algo. Logo, o levaram (provavelmente, para casa, afim de participar de uma refeição), e lhe explicaram com mais exatidão o caminho de Deus (At 18. 25, 26).

Era, pois o caminho de Deus a respeito dos dons espirituais, que Paulo, como um pai, desejava explicar com mais exatidão aos coríntios.

A esses dons ele dá o nome de ‘espirituais’ em 1 Coríntios 12. 1 (a palavra dom não se encontra no grego). A palavra, por si mesma, inclui algo dirigido pelo Espírito Santo [… ]”

(HORTON, Stanley M. A Doutrina do Espirito Santo no Amigo e Novo Testamento. 12. Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, P. 225).

SUPLEMENTO 2

Subsidio Teológico

“Os dons são dados, de fato, com a intenção divina de que todos recebam proveito deles (1 Co 12. 7). Isso não significa que todos têm um dom específico, mas há dons (manifestações, revelações, meios pelos quais o Espírito se torna conhecido) que são dados (continuamente) para o que for útil (proveitoso, para crescimento).

‘Útil’ significa algo que ajuda, especialmente na edificação da Igreja, tanto espiritualmente como em número de membros. (0 Livro de Atos tem um tema de crescimento numérico e geográfico. Deus quer que o Evangelho seja divulgado em todo o mundo). Pode ser ilustrado pelo mandamento do Senhor: ‘Negociai até que eu venha’ (Lc 19. 13). Ao partirmos para o ministério dos seus dons, Ele nos ajuda a crescer na eficiência e na eficácia, assim como fizeram os que usaram devidamente o que o Senhor lhes deu, na Parábola das Dez Minas (Lc 19. 1 5-19)” (HORTON, Stanley M. A Doutrina do Espirito Santo no Antigo e Novo Testamento. 12. Ed. Rio de Janeiro : CPAD, 2012, PP. 229, 30).

Fonte: CPAD

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[Estudo Bíblico & Exortação] A Doutrina do Arrependimento

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O arrependimento é uma graça do Espírito de Deus por meio da qual um pecador é humilhado em seu íntimo e transformado em seu exterior. A fim de proporcionar melhor entendimento, saiba que o arrependimento é um remédio espiritual formado de seis componentes especiais… Se um for deixado fora, o arrependimento perde o seu poder. Abaixo transcrevo seis componentes sobre o Arrependimento, extraído do livro de Thomas Watson.

Componente 1: Percepção do pecado.

A primeira parte do remédio de Cristo são olhos abertos (At 26.18). Este é um dos fatos importantes a observarmos no arrependimento do filho pródigo: ele caiu em si (Lc 15.17). Ele se viu como pecador e nada mais do que um pecador. Antes que um homem venha a Cristo, ele tem primeiramente de vir a si mesmo. Em sua descrição de arrependimento, Salomão considerou isto como o primeiro componente: “Caírem em si” (1 Rs 8.47). Uma pessoa deve, antes de tudo, reconhecer e considerar o que é o seu pecado e conhecer a praga de seu coração, antes que seja devidamente humilhado por ela. A primeira coisa que Deus criou foi a luz. Portanto, a primeira coisa que deve haver em uma pessoa arrependida é a iluminação. “Agora, sois luz no Senhor” (Ef 5.8). Os olhos são feitos tanto para ver como para chorar. Antes de lamentarmos pelo pecado, temos de vê-lo.

Disso, podemos inferir que, onde não há percepção do pecado, não pode haver arrependimento. Muitos que acham falhas nos outros não vêem nenhum erro em si mesmos… Pessoas são vendadas por ignorância e amor próprio. Por isso, não vêem o que deforma a sua alma. O Diabo faz com elas como o falcoeiro faz à sua ave: ele as cega e as leva encapuzadas ao inferno.

Componente 2: Tristeza pelo pecado.

“Suporto tristeza por causa do meu pecado” (Sl 38.18).

Ambrósio chamava essa tristeza de amargura da alma. A palavra hebraica que se traduz por ficar triste significa ter a alma, por assim dizer, crucificada. Isso precisa estar presente no verdadeiro arrependimento. “Olharão para aquele a quem traspassaram… e chorarão” (Zc 12.10), como se sentissem os cravos da cruz penetrando o seu lado. Uma mulher pode esperar ter um filho sem dores, assim como alguém pode esperar arrepender-se sem tristeza. Aquele que crê sem duvidar, põe sob suspeita a sua fé; aquele que se arrepende sem entristecer-se nos deixa incertos de seu arrependimento…

Esta tristeza pelo pecado não é superficial; é uma agonia santa. Nas Escrituras, ela é chamada de quebrantamento de coração: “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus” (Sl 51.17); um rasgamento do coração: “Rasgai o vosso coração” (Jl 2.13). As expressões bater no peito (Jr 31.19; Lc 18.13), cingir o cilício (Is 22.12), arrancar os cabelos (Ed 9.3) – todas essas expressões são apenas sinais exteriores de tristeza. Essa tristeza implica:

(1) Tornar a Cristo precioso. Oh! quão precioso é o Salvador para uma alma atribulada! Agora, Cristo é, de fato, Cristo; e a misericórdia é realmente misericórdia. Enquanto o coração não estiver repleto de compunção, ele não estará pronto para o arrependimento. Quão bem-vindo é um cirurgião para um homem que sangra por suas feridas!

(2) Implica repelir o pecado. O pecado gera tristeza, e a tristeza mata o pecado… A água salgada das lágrimas mata o verme da consciência.

(3) Implica preparar-se para receber firme consolo. “Os que com lágrimas semeiam com júbilo ceifarão” (Sl 126.5). O penitente tem uma semeadura de lágrimas, mas uma colheita deliciosa. O arrependimento rompe os abscessos do pecado, e, em seguida, a alma fica tranqüila… O ato de Deus em afligir a alma por causa do pecado é como o agitar da água que trazia cura, no tanque (Jo 5.4)

Contudo, nem toda tristeza evidencia o verdadeiro arrependimento… o que é esse entristecer piedoso? Há seis descrições:

1. A verdadeira tristeza espiritual é interior. 

É uma tristeza de coração. A tristeza dos hipócritas evidencia-se somente em sua face. “Desfiguram o rosto” (Mt 6.16). Mostram um rosto melancólico, mas a tristeza deles não vai além disso, como o orvalho que umedece a folha, mas não penetra a raiz. O arrependimento de Acabe foi uma exibição exterior. Seus vestidos foram rasgados, mas não o seu espírito (1 Rs 21.27). A tristeza segundo Deus avança mais além; é como uma veia que sangra internamente. O coração sangra por causa do pecado – “Compungiu-se-lhes o coração” (At 2.37). Assim como o coração tem a parte principal no ato de pecar, o mesmo deve acontecer no caso do entristecer-se. Paulo lamentava por causa da lei em seus membros (Rm 7.23). Aquele que lamenta verdadeiramente o pecado se entristece por conta das incitações do orgulho e da concupiscência. Ele se entristece por causa da “raiz de amargura”, embora ela nunca prospere até ao ponto de levá-lo a agir. Um homem ímpio pode sentir-se atribulado por pecados escandalosos; um verdadeiro convertido lamenta os pecados do coração.

2. A tristeza espiritual é sincera. 

É a tristeza pela ofensa, e não pela punição. A lei de Deus foi infringida, e seu amor, abusado. Isso leva a alma às lágrimas. Uma pessoa pode ficar triste e não se arrepender. Um ladrão fica triste quando é apanhado, mas não por causa do roubo, e sim porque tem de sofrer a pena… A tristeza piedosa se expressa principalmente por causa da transgressão contra Deus. Portanto, se não houvesse uma consciência a ferir, um diabo a acusar, um inferno para servir de castigo, a alma ainda se sentiria triste por causa da ofensa praticada contra Deus… Oh! que eu não ofenda o meu bom Deus, nem entristeça o meu Consolador! Isso parte o meu coração!…

3. A tristeza espiritual é repleta de confiança. 

É mesclada com fé… A tristeza bíblica afundará o coração, se a roldana da fé não o erguer. Assim como o nosso pecado está sempre diante de Deus, assim também a promessa de Deus tem de estar sempre diante de nós…

4. A tristeza espiritual é uma grande tristeza. 

“Naquele dia, será grande o pranto em Jerusalém, como o pranto de Hadade-Rimom” (Zc 12.11). Dois sóis se puserem no dia em que Josias morreu, e houve um enorme lamento fúnebre. A tristeza pelo pecado deve chegar a esse nível.

5. A tristeza espiritual é, em alguns casos, acompanhada de restituição. 

Aquele que, por injustiça, errou contra outrem, em seus bens, lidando com fraude, deve em sã consciência realizar a compensação. Há um mandamento claro quanto a isso: “Confessará o pecado que cometer; e, pela culpa, fará plena restituição, e lhe acrescentará a sua quinta parte, e dará tudo àquele contra quem se fez culpado” (Nm 5.7). Por isso, Zaqueu fez restituição: “Se nalguma coisa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais” (Lc 19.8).

6. A tristeza espiritual é permanente. 

Não são algumas lágrimas derramadas ocasionalmente que servirão. Alguns derramarão lágrimas ao ouvirem um sermão, mas isso é como uma chuva de abril – logo acaba – ou como uma veia aberta e fechada novamente. A verdadeira tristeza tem de ser habitual. Ó cristão, a doença de sua alma é crônica, e a recaída, freqüente. Portanto, você tem de tratar-se com remédio continuamente, por meio do arrependimento. Essa é a tristeza “segundo Deus”.

Componente 3: Confissão de pecado.

A tristeza é um sentimento tão forte, que terá expressões. Suas expressões são lágrimas nos olhos e confissão nos lábios. “Os da linhagem de Israel… puseram-se em pé e fizeram confissão dos seus pecados” (Ne 9.2). Gregório de Nazianzo chamou a confissão de “um bálsamo para a alma ferida”.

A confissão é auto-acusadora. “Eu é que pequei” (2 Sm 24.17)… E a verdade é que por meio desta auto-acusação impedimos Satanás de acusar-nos. Em nossas confissões, nos identificamos com orgulho, infidelidade e paixão. Assim, quando Satanás, chamado de acusador dos irmãos, lançar essas coisas contra nós, Deus lhe replicará: “Eles já acusaram a si mesmos. Então, Satanás, você está destituído de motivos legítimos; suas acusações surgiram muito tarde…” Agora, ouça o que diz o apóstolo Paulo:

“Se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados” (1 Co 11.31).

Entretanto, homens ímpios, como Judas e Saul, não confessaram seus pecados? Sim, mas as suas confissões não eram verdadeiras. Para que a confissão de pecado seja correta e genuína, estas… qualificações precisam estar presentes:

1. A confissão tem de ser espontânea.

Tem de surgir como a água que brota do manancial, livremente. A confissão do ímpios é obtida à força, como a confissão de um homem sob tortura. Quando uma faísca da ira de Deus atinge a consciência dos ímpios ou estão sob o temor da morte, eles se prostrarão em confissão… Mas a verdadeira confissão flui dos lábios tal como a mirra jorra da árvore ou o mel da colméia, espontaneamente…

2. A confissão tem ocorrer com contrição. 

O coração precisa ressentir profundamente o pecado. As confissões de um homem natural procede de seu íntimo assim como uma água que passa por um cano. Elas não o afetam de maneira alguma. Mas a confissão verdadeira deixa impressões que pungem o coração. Ao confessar seus pecados, a alma de Davi sentiu-se sobrecarregada:

“Já se elevam acima de minha cabeça as minhas iniqüidades; como fardos pesados, excedem as minhas forças” (Sl 38.4)

Uma coisa é confessar o pecado, outra coisa é sentir o pecado.

3. A confissão tem de ser sincera. 

Nosso coração precisa estar em harmonia com a confissão. O hipócrita confessa o pecado, mas o ama, assim como um ladrão que confessa os bens roubados e continua a amar o roubo. Quantos confessam o orgulho e a cobiça, com seus lábios, mas se deleitam neles ocultamente… Um verdadeiro cristão é mais honesto. Seu coração anda em harmonia com usa língua. Ele é convencido dos pecados que confessa e detesta os pecados dos quais é convencido.

4. Na confissão verdadeira, o crente especifica o pecado.

O ímpio reconhece que é um pecador como todos os outros. Ele confessa o pecado de maneira geral… Um verdadeiro convertido reconhece seus pecados específicos. Ele se comporta à semelhança de uma pessoa enferma que vai ao médico e lhe mostra as feridas, dizendo: “Levei um corte na cabeça, recebi um tiro no braço”. O pecador entristecido confessa as diversas imperfeições de sua alma… Por meio de uma inspeção diligente de nosso coração, podemos achar alguns pecados específicos que tratamos com indulgência. Confessemos com lágrimas esses pecados, indicando-os pelo nome.

5. Um pessoa verdadeiramente arrependida confessa o pecado em sua fonte. 

Ela reconhece a contaminação de sua natureza. O pecado de nossa natureza não é somente uma falta do bem, mas também uma infusão do mal… Nossa natureza é um abismo e uma fonte de todo mal, dos quais procedem os escândalos que infestam o mundo. É essa depravação de natureza que envenena nossas coisas santas. Isso traz os juízos de Deus e paralisa em sua origem as nossas misericórdias. Oh! Confesse o pecado em sua fonte!…

Componente 4: Vergonha pelo pecado.

O quarto componente no arrependimento é a vergonha.

“Para que… se envergonhe das suas iniqüidades” (Ez 43.10)

O envergonhar-se é a força da virtude. Quando o coração se enegrece por causa do pecado, a graça faz o rosto envergonhar-se com rubor:

“Estou confuso e envergonhado, para levantar a ti a face” (Ed 9.6)

O filho pródigo, arrependido, ficou tão envergonhado de seus excessos que se julgava indigno de ser, outra vez, chamado filho (Lc 15.21). O arrependimento causa um acanhamento santo. Se Cristo não estivesse no coração do pecador, não haveria tanta vergonha se expressando no rosto. Há… algumas considerações sobre o pecado que nos causa vergonha:

1. Todo pecado nos torna culpados, e a culpa nos deixa envergonhados.

2. Em todo pecado, há muita ingratidão. E essa é a razão da vergonha. Abusar da bondade de Deus, como isso nos envergonha!… Ingratidão é um pecado tão grave, que Deus mesmo se admira dele (Is 1.2).

3. O pecado mostra o que somos, e isso nos causa vergonha. O pecado nos rouba as vestes de santidade. E nos deixa destituídos de pureza, deformados aos olhos de Deus; e isso nos envergonha…

4. Nossos pecados expuseram Cristo à vergonha. E não nos envergonharemos deles? Vestimos a púrpura; não vestiremos o carmesim?

5. Aquilo que nos deixa envergonhados é o fato de que os pecados que cometemos são piores do que os pecados dos incrédulos. Agimos contra a luz que possuímos.

6. Nossos pecados são piores do que os pecados dos demônios. Os anjos caídos nunca pecaram contra o sangue de Cristo. Cristo não morreu por eles… Com certeza, se sobrepujamos o pecado dos demônios, isso deve nos causar muita vergonha.

Componente 5: Ódio pelo pecado.

O quinto componente do arrependimento é o ódio pelo pecado. Os eruditos distinguem dois tipos de ódio: o ódio das iniqüidades e o ódio da inimizade.

Primeiramente, há um ódio ou abominação das iniqüidades.

“Tereis nojo de vós mesmos por causa das vossas iniqüidades e das vossas abominações” (Ez 36.31).

Um cristão verdadeiramente arrependido é alguém que detesta o pecado. Se uma pessoa detesta aquilo que faz seu estômago adoecer, ela deve, com muito mais intensidade, detestar aquilo que deixa enferma a sua consciência. É mais fácil abominar o pecado do que deixá-lo… Não amamos a Cristo enquanto não odiamos o pecado. Nuca anelaremos o céu, enquanto não detestarmos o pecado.

Em segundo, há um ódio da inimizade. 

Não há melhor maneira de descobrir vida do que por meio do movimento. Os olhos se movem, o pulso bate. Portanto, para constatar o arrependimento, não há sinal melhor do que uma antipatia santa para com o pecado… O arrependimento correto começa no amor a Deus e termina no ódio ao pecado.

Como podemos discernir o verdadeiro ódio para com o pecado?

1. Quando a pessoa se mantém resoluta contra o pecado. 

A língua lamenta amargamente o pecado, e o coração o odeia, de modo que, embora o pecado se apresente de forma atraente, nós o achamos detestável e o abominados com ódio mortal, sem levarmos em conta a sua aparência agradável… O diabo pode vestir e disfarçar o pecado com prazer e proveito, mas um verdadeiro penitente, que tem ódio secreto pelo pecado, sente repulsa e não se envolverá nele.

2. O verdadeiro ódio pelo pecado é abrangente.

Isso se aplica a dois aspectos: no que diz respeito às faculdades e ao objeto.

(a) O ódio pelo pecado é abrangente no que concerne às faculdades da alma, ou seja, há um desgosto para com o pecado não somente no juízo, mas também na vontade e nas afeições. Há alguns que são convencidos de que o pecado é maligno e, em seu juízo, têm uma aversão para com ele. Mas acham-no agradável e têm satisfação íntima nele. Nesse caso, há um desprazer do pecado no juízo e um aceitação dele nas afeições. No verdadeiro arrependimento, o ódio pelo pecado está presente em todas as faculdades da alma; não somente no intelecto, mas, principalmente, na vontade.

“Não faço o que prefiro, e sim o que detesto” (Rm 7.15)

Paulo não era livre do pecado, mas a sua vontade se posicionava contra o pecado.

(b) O ódio pelo pecado é abrangente no que concerne ao objeto. Aquele que odeia um pecado odeia todos… Os hipócritas odeiam alguns pecados que mancham sua reputação, mas o verdadeiro convertido odeia todos os pecados: os pecados que produzem vantagem, os pecados resultantes de nossas inclinações naturais, as próprias instigações da corrupção. Paulo odiava as obras do pecado (Rm 7.23).

3. O verdadeiro ódio pelo pecado se manifesta contra o pecado em todas as suas formas. 

Um coração santo detesta o pecado por causa de sua contaminação natural. O pecado deixa uma mancha na alma. Uma pessoa regenerada aborrece o pecado não somente por causa da maldição, mas também por causa do contágio. Ele odeia essa serpente não somente por causa de sua picada, mas também por causa de seu veneno. Abomina o pecado não somente por causa do inferno, mas como o próprio inferno.

4. O verdadeiro ódio pelo pecado é implacável. 

O cristão genuíno nunca mais se conciliará com o pecado. A ira pode experimentar conciliação, porém o ódio não pode experimentá-la…

5. Onde há verdadeiro ódio pelo pecado, nos opomos ao pecado em nós mesmos e nos outros. 

A igreja de Éfeso não podia suportar aqueles que eram maus (Ap 2.2). Paulo repreendeu arduamente Pedro por causa de sua dissimulação, embora este fosse um apóstolo. Com insatisfação santa, Cristo expulsou os cambistas do templo (Jo 2.15). Ele não tolerou que o templo sofresse uma mudança. Neemias repreendeu os nobres por sua usura (Ne 5.7) e pela profanação do sábado (Ne 13.17). Aquele que odeia o pecado não suportará a iniqüidade em sua família:

“Não há de ficar em minha casa o que usa de fraude” (Sl 101.7)

Que vergonha se manifesta quando os magistrados mostram força de espírito em suas paixões e nenhum heroísmo em suprimir o erro! Aqueles que não tem qualquer antipatia para com o pecado não conhecem o arrependimento. O pecado está neles como o veneno está em uma serpente e, por ser natural, lhe proporciona deleite.

Quão distantes estão do arrependimento aqueles que, ao invés de odiarem o pecado, amam-no! Para os santos, o pecado é um espinho nos olhos; para os ímpios, é uma coroa na cabeça:

“Que direito tem na minha casa a minha amada, ela que cometeu vilezas? Acaso, ó amada, votos e carnes sacrificadas poderão afastar de ti o mal? Então, saltarias de prazer” (Jr 11.15)

Amar o pecado é pior do que praticá-lo. Um homem bom pode precipitar-se cair em uma atitude pecaminosa, mas amar o pecado é desesperador. O que faz um porco amar o revolver-se na lama? O que faz um demônio amar aquilo que se opõe a Deus? Amar o pecado mostra que a vontade está no pecado; e, quanto mais a vontade estiver no pecado, tanto maior ele será. A obstinação faz com que não haja mais purificação para o pecado (Hb 10.26).

Oh! quantos existem que amam o fruto proibido! Amam as imprecações e os adultérios. Amam o pecado e odeiam a repreensão… Portanto, quando os homens amam o pecado, apegam-se àquilo que será a sua morte e brincam com a condenação, isso indica que “o coração dos homens está cheio de maldade” (Ec 9.3). Isso nos persuade a mostrar nosso arrependimento por meio de um ódio amargo para com o pecado…

Componente 6: Converter-se do pecado.

O sexto componente no arrependimento é converter-se do pecado… Esse converter-se é chamado de abandonar o pecado (Is 55.7), tal como um homem que abandona a companhia de um ladrão ou de um feiticeiro. É chamado de lançar para longe o pecado (Jó 11.14), como Paulo lançou de si aquela víbora, atirando-a ao fogo (At 28.5). Morrer para o pecado é a vida do arrependimento. No mesmo dia em que o crente se converte do pecado, deve se regozijar com um gozo eterno. Os olhos devem fugir de vislumbres impuros. O ouvido tem de fugir dos escárnios. A língua, do praguejamento. As mãos, dos subornos. Os pés, dos caminho das meretrizes. E alma, do amor à impiedade.

Esse converter-se do pecado implica uma mudança notável. Converter-se do pecado é tão visível, que os outros podem percebê-lo. Por isso, é chamado de uma mudança das trevas para a luz (Ef 5.8). Paulo, depois de ter recebido a visão celestial, ficou tão diferente, que todos se admiraram da mudança (At 9.12). O arrependimento transformou o carcereiro em um enfermeiro e médico (At 16.33). Ele cuidou dos apóstolos, lavou-lhes as feridas e serviu-lhes comida. Um navio se dirige ao leste; e o vento muda seu rumo para o oeste. De modo semelhante, um homem se encaminhava para o inferno, mas o vento contrário do Espírito soprou, mudou o seu rumo e o fez andar em direção ao céu… Essa mudança visível que o arrependimento produz em uma pessoa é como se outra alma se abrigasse no mesmo corpo.

Para identificar corretamente o converter-se do pecado, essas poucas coisas são necessárias:

1. Tem de haver um volver-se sinceramente do pecado. 

O coração é o primum vivens, a primeira coisa que vive. E tem de ser o primum vertens, a primeira coisa que se volve. O coração é aquilo por que o Diabo se empenha arduamente… No cristianismo, o coração é tudo. Se o coração não é convertido do pecado, ele não passa de uma mentira… Deus quer todo o coração convertido do pecado. O verdadeiro arrependimento não pode ter reservas nem outros ocupantes.

2. Tem de haver um volver-se de todo pecado. 

“Deixe o perverso o seu caminho” (Is 55.7)

Uma pessoa verdadeiramente arrependida abandona o caminho do pecado. Ela deixa todo pecado… Aquele que esconde um subversivo em sua casa é um traidor da nação. E aquele que satisfaz um pecado é um hipócrita traiçoeiro.

3. Tem de haver um volver-se do pecado por motivos espirituais. 

Um homem pode restringir seus atos de pecados e não converter-se do pecado da maneira correta. Atos de pecados podem ser restringidos por temor ou desígnio, mas uma pessoa verdadeiramente arrependida deixa o pecado com base em um princípio espiritual, ou seja, o amor de Deus… Três homens perguntaram um ao outro o que os fizera abandonar o pecado. Um disse: “Acho que são as alegrias do céu”. Outro respondeu: “Acho que são os tormentos do inferno”. Mas o terceiro disse: “Acho que é o amor de Deus; e isso ainda me faz abandonar o pecado. Como eu ofenderia o amor de Deus?”

A Doutrina do Arrependimento de Thomas Watson, Editora Pes.

Fonte: http://domingosmassa.com/2013/11/30/a-doutrina-do-arrependimento/

[Estudo Bíblico] A Glória de Cristo no deserto – R. C. Sproul

deserto (1)

Imediatamente após seu batismo, Jesus foi sujeitado ao teste mais rigoroso pelo qual já passou um ser humano. Esse evento foi ordenado por Deus. Era uma tarefa que Jesus devia executar, a fim de se qualificar para a função de Redentor nosso. Lucas introduz o acontecimento com as palavras:

“Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi guiado pelo mesmo Espírito, no deserto” (Lc 4.1)

Jesus foi dirigido pelo Espírito ao lugar da sua provação, o deserto da Judéia. Este deserto é um dos lugares mais ermos da terra, uma rara combinação de montanhas e desertos. Os habitantes desse meio inóspito incluem escorpiões, cobras e algumas espécies de pássaros. Quase toda a paisagem é completamente árida.

Tenho uma lembrança viva de uma viagem de ônibus de Jerusalém para o Mar Morto. O caminho inclui um trecho do deserto da Judéia. Olhando pela janela do ônibus , fui dominado por uma sensação de mau pressentimento. Imaginei um homem caminhando, sozinho até a parte mais remota desse lugar. Arrepiou-me pensar em ficar sozinho ali.

Por que Deus dirigiria alguém a um lugar como esse para ser exposto à tentação? A razão para a tentação de Cristo deve ser encontrada em seu papel de Novo ou Segundo Adão. Como já vimos antes, Jesus tomou sobre si todas as obrigações impostas pela aliança de Deus como homem. A primeira aliança foi a aliança com Adão.

A aliança da criação é uma aliança universal. Todo ser humano esta incluído na aliança da criação. Não há como escapar das obrigações que ela impõem. Todas as pessoas tem uma cópia de suas ordenanças escrita no seu coração. Paulo afirmou isso da seguinte forma:

“Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei; Os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os;” (Rm 2.14-15)

Os homens podem até negar a existência de Deus ou recusar a honrá-lo. Mas a descrença ou desobediência da pessoa em nada prejudica o ser de Deus. Deus existe quer se creia ou não nele. Sua aliança esta de pé, mesmo se escolhermos desconsiderá-la. Todo ser humano está, de forma inescapável, ligado a um relacionamento de aliança com Deus. A aliança que Deus fez com Adão foi feita com o representante de toda a raça humana.

Na aliança com Adão, as bençãos de Deus foram prometidas pela obediência e a maldição foi prometida pela desobediência. Adão foi então experimentado. Quando ele pecou contra Deus, violou a aliança e levou ao desastre a raça humana inteira.

O ponto crucial da tentação de Adão é que ele não agia como individuo isolado. Ele agia como representante de toda a humanidade. A consequência para a raça humana, por causa do fracasso de Adão, é resumida por Paulo:

“Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram.

Porque até à lei estava o pecado no mundo, mas o pecado não é imputado, não havendo lei. No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir.

Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos.

E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou. Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação. 

Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo. 

Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. 

Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos” (Rm 5.12-19)

Aqui, Paulo contrasta a derrota de Adão com a vitória de Cristo, o Novo Adão. Os dois, Adão e Jesus, serviram como representantes da aliança universal. Os dois foram submetidos a uma prova.

A obra de Cristo envolveu muito mais do que oferecer uma expiação para pagar os pecados do seu povo. Ele também teve de cumprir toda a justiça, a fim de merecer as recompensas da aliança para si mesmo e para aqueles a quem representou. Para Cristo ser nosso Salvador ele não só teve de morrer por nossos pecados, como também teve de viver uma vida de obediência para que pudesse ser nossa justiça.

A Bíblia diz que Cristo foi como nós em todos os pontos, a não ser em um: ele era sem pecado. O autor de Hebreus escreve:

“Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão. Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb 4.14-15)

O fato de Jesus nunca ter pecado é crucial para a nossa salvação. Sua impecabilidade inclui não somente liberdade do pecado ativo, mas também liberdade do pecado original. O conceito de pecado original é importante para nosso entendimento da tentação de Cristo.

Quando os teólogos falam de pecado original, não se referem ao primeiro pecado cometido por Adão e Eva. Eles se referem ao resultado daquela primeira transgressão, à natureza decaída que foi transmitida para a raça humana. O pecado original não é um ato, é uma condição.

É a condição do homem decaído que é descrita na Bíblia como sendo “na carne“. Isso quer dizer que, como criaturas caídas, nós somos escravizados pelo pecado, tendo o coração e a vontade inclinados para a desobediência.

Qual era a condição de Jesus quando enfrentou sua tentação? Na posição de Novo Adão enfrentando uma nova experiência, Jesus nasceu sem pecado original. Jesus possuía o mesmo estado moral que Adão possuía antes da queda. Jesus tinha a capacidade de pecar e a capacidade de não pecar. Como o primeiro Adão, ele teve uma escolha.

Alguns cristãos perguntam então: Era realmente possível Jesus ter pecado?

Se era humanamente impossível Jesus ter pecado, então sua provação foi apenas uma charada? Alguns insistem que, visto que Deus não pode pecar nunca e que Jesus é Deus encarnado, era impossível Jesus ter cometido pecado. A questão focaliza em como compreendemos as duas naturezas de Cristo. É óbvio que a natureza divina de Jesus não tem capacidade de pecar. Mas quanto a atuação de Jesus como Novo Adão, estamos tratando de sua natureza humana. Em Jesus, a natureza divina estava unida à natureza humana não caída. Isso significa que a natureza humana não tinha o pecado original. A natureza humana, como Adão antes da Queda, tinha a capacidade de pecar e a capacidade de não pecar.

Podemos então dizer que, quanto à sua natureza humana, era possível Jesus pecar. Devemos insistir que a natureza humana de Cristo tinha a capacidade de pecar assim como Adão pecou. Contudo, devemos também lembrar que essa natureza humana estava em intima união com a natureza divina, uma união que Adão não possuiu.

A tentação de Cristo não foi uma charada vazia. Toda a força do inferno estava mobilizada contra a natureza humana de Jesus. Em sua natureza humana, ele sofreu sob o peso da fome, da solidão e todos os outros perigos do deserto.

Para termos um retrato da severidade da prova dada a Jesus, observar alguns contrastes entre a experiência dele e a de Adão pode nos ajudar.

O lugar de provação de Adão foi o Éden, um paraíso, um jardim verdejante, com belo ambiente e comida abundante. Adão foi testado com o estômago cheio; Jesus foi testado em meio a um longo jejum.

Adão tinha a Eva. Devemos lembrar que a esposa foi a criação especial de Deus para ser uma companheira perfeita. Adão e Eva foram sujeitos ao assalto do mal contra eles enquanto tinham um ao outro em quem encontrar apoio. Jesus enfrentou sozinho o tentador.

Para muitas pessoas, a solidão não é barreira ao pecado. Geralmente, constitui uma oportunidade para pecar, com a esperança de que o pecado passe despercebido. A Bíblia fala daqueles pecados cometidos em particular, acobertados pela escuridão. A presença de outras pessoas que podem testemunhar nosso comportamento muitas vezes serve para nos deter. Mas Jesus estava sozinho.

Outro contraste entre o primeiro Adão e o Segundo Adão foi a ausência e a presença do costume de pecar. Quando Adão e Eva foram testados, não havia o clima cultural de pecado. Não existia pecado nenhum. Era um ambiente cultural de pureza original. Quando Jesus entrou em sua tentação, ele o fez em um mundo acostumado ao pecado.

Era um ambiente que achava pouca ou nenhuma dificuldade em fazer concessões à fraqueza humana. Era uma cultura que aceitava um nível de comportamento bastante aquém da perfeição. Jesus teve de enfrentar o argumento comum:

“Que mal há em fazer uma pequena concessão ao mal? Todo mundo faz isso”.

O padrão para o qual Jesus foi chamado a sustentar foi um padrão que nenhum ser humano conseguiu alcançar. Diariamente somos atraídos a padrões que são mais baixos do que os padrões de Deus. Adotamos um relativismo moral no qual nos julgamos baseados na comparação com outros. Enquanto podemos apontar para outros que pecam mais do que nós, podemos descansar nossa consciência um pouco. Mas, para Jesus no deserto não havia esperança de que Deus iria julgá-lo pela estatística da média. A missão que Jesus recebeu foi de alcançar a obediência perfeita. Nada menos seria suficiente, se era para Ele se qualificar como o Cordeiro sem defeito.

Quando a carta aos Hebreus declara que “não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas” está nos fazendo lembrar que nosso Salvador foi submetido a uma tentação muito real. Jesus sentiu a força do assalto de Satanás nas profundezas de sua humanidade. Além da questão do estado no qual Jesus foi tentado, temos a considerar também a própria provação.

O assalto de Satanás à Jesus 

Já examinamos as questões teológicas com respeito à tentação de Jesus. Agora enfocaremos o assalto de que Satanás se utilizou para atrair Jesus. Seguiremos a narração do evento que Lucas nos apresenta:

“E Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e foi levado pelo Espírito ao deserto;

E quarenta dias foi tentado pelo diabo, e naqueles dias não comeu coisa alguma; e, terminados eles, teve fome.

E disse-lhe o diabo: Se tu és o Filho de Deus, dize a esta pedra que se transforme em pão.

E Jesus lhe respondeu, dizendo: Está escrito que nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra de Deus.

E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo.

E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero.

Portanto, se tu me adorares, tudo será teu.

E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vai-te para trás de mim, Satanás; porque está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás.

Levou-o também a Jerusalém, e pô-lo sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo;

Porque está escrito: Mandará aos seus anjos, acerca de ti, que te guardem,

E que te sustenham nas mãos, Para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra.

E Jesus, respondendo, disse-lhe: Dito está: Não tentarás ao Senhor teu Deus” (Lc 4.1-12).

Primeiro Satanás procurou chegar a Jesus tentando-o com a ideia de transformar pedra em pão. Jesus tinha passado quarenta dias sem comer.

A descrição de Satanás na Bíblia é de um ser sutil e esperto. Logo que apareceu em Gênesis 3.1, como a serpente que tentou Eva, ele é descrito nesses termos:

“A serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o Senhor Deus tinha feito, disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?”

Vê-se a sutileza da tentação de Satanás pela maneira em que ele expressa a sedução. Ele diz a Jesus: “Se és Filho de Deus, manda que esta pedra se transforme em pão”. A palavra chave é “se. O diabo com toda a sutileza levanta a questão sobre a identidade de Jesus.

A tentação tem força dupla. A primeira força trata abertamente da fome de Jesus. Em sua natureza, é claro que Jesus sentia a necessidade de comer. O desejo de comer que um homem faminto tem não é pecado. O apetite físico em si não tem valor moral negativo. Mas é um desejo. O desejo é um instigador forte para muitos tipos de pecado. Devemos considerar a explicação que Tiago nos oferece sobre esse ponto:

“Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte” (Tg 1.13-15).

Tiago insiste que Deus nunca é o tentador para o mal. Deus prova as pessoas, mas nunca as tenta a pecar. É claro que o Espírito Santo mandou Jesus ao deserto para ser provado. Mas o Espírito não foi o agente da tentação em si. Isso foi obra de Satanás.

Tiago descreve como a tentação ocorre:

“Cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz”. (Tg 1:14)

Tiago aqui faz uma analogia com o processo do parto. Assim como o nascimento da criança é a culminação da concepção, o pecado é a culminação do desejo mau. O pecado tem sua concepção nos desejos malignos do coração.

Como isso se aplica à tentação de Cristo? Será que Jesus teve de lutar contra seus desejos a fim de evitar dar à luz ao pecado (esta é a sugestão escandalosa tornada infame na versão do filme A Última Tentação de Cristo)?

É ponto crucial lembrar que, quando Tiago narra como os desejos maus conduzem ao pecado, ele está descrevendo a situação que se aplica à humanidade decaída. Tiago compreende perfeitamente que os desejos maus também estão sob o juízo de Deus porque pertencem ao complexo da pecaminosidade. Para Jesus ser livre do pecado original também significa que Ele estava livre dos maus desejos. Um só desejo mau no coração de Jesus teria sido o suficiente para desqualificá-lo de ser o Salvador.

Mas, se Jesus não teve maus desejos, como ele podê ser tentado? Aqui é preciso distinguir entre dois tipos de tentação, a tentação interna e a tentação externa. Tentação interna tem a ver com a luta contra desejos maus que Tiago discute. Tentação externa se refere a artimanhas que vêm de alguém ou de alguma coisa fora de nós mesmos. “Vamos assaltar um banco esta noite e ficar ricos”. Do mesmo jeito, posso ter um desejo de ser rico, mas não tenho nenhum desejo de assaltar um banco. Tal sugestão pode não suscitar nenhum desejo mau dentro de mim.  A tentação é puramente externa. É um convite a pecar que veio de alguém externo à minha pessoa.

A tentação de Jesus foi puramente externa. Cristo teve só de ouvir Satanás quando este o instigava externamente para que pecasse, sem ter de suportar a luta interna contra desejos carnais. Mas ele teve um desejo interno. Estava com fome. Tinha o desejo de alimentar-se, o que não constituiu pecado. Satanás procurou tentar Jesus a satisfazer um desejo legitimo usando de meios ilegítimos. Querer pão não teria sido pecado, mas transformar a pedra em pão teria sido, sim.

A artimanha sutil de Satanás fracassou. Jesus sem dúvida quis comida, mas quis muito mais obediência. Sua comida e bebida era fazer a vontade de Deus.
Satanás também tentou levantar questões na mente de Jesus sobre a confiabilidade da Palavra de Deus. Vejo isso como fazendo parte da verdadeira essência da tentação.

As palavras Se tu és Filho de Deus sutilmente levantam o assunto do status de Jesus com o Pai. É como se Satanás dissesse: “Como podes ser Filho de Deus e estar nesse lugar e nessas condições? Será que não fica rebaixada a dignidade do Filho de Deus? Deus abandonaria seu Filho em uma desolação dessa? Se és Filho de Deus, então certamente lhe é permitido tirar dessas pedras o alimento para começar o dia”.

Lembre-se do final da narrativa sobre o batismo de Jesus. Os céus se abriram, um pombo desceu e Deus falou audivelmente. A mensagem de Deus que veio do céu foi, que Jesus era seu amado Filho. Isto é, as últimas palavras que Jesus ouvira do Pai antes de entrar em tentação foram as palavras que o declaravam Filho de Deus.

Satanás focalizou seu ataque justamente na confiabilidade da Palavra de Deus. Ele levantou perguntas sobre a confiança de Jesus naquilo que Deus havia declarado.

Isso traz lembranças da tentação que a serpente apresentou a Adão e Eva.

“Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o SENHOR Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim? E disse a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim comeremos, Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais. Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis” (Gn 3.1-4).

Aqui, Satanás começou sua tentação com uma pergunta: “Será que Deus disse mesmo…?” O satânico assalto inicial sobre a raça humana começou com uma pergunta sobre a confiabilidade de Deus. Satanás conhecia muito bem que Deus não dissera às suas criaturas que não lhes era permitido comer de nenhuma das árvores do jardim. Na realidade, Deus tinha dito:

“De toda árvore do jardim comerás livremente” (Gn 2.16).

Eva defendeu a Deus nesse ponto rapidamente:

“E disse a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim comeremos,

Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais” (Gn. 3.2-3).

A serpente sugeriu que se Deus impôs quaisquer restrições às suas criaturas, então não eram verdadeiramente livres. O filósofo existencialista francês, Jean-Paul Sartre, argumentou que só a autonomia é a liberdade real – ser totalmente livre de toda a autoridade. Isso parece a reclamação que os pais ouvem dos filhos frequentemente. Se em seis dias seguidos permitimos que nossas crianças façam o que querem e no sétimo negamos um pedido, ouvimos as palavras de protesto: Você nunca me deixa fazer nada. Qualquer que tenha sido a sutileza da serpente no começo do argumento, dali ela passou a contradizer Deus sem sutileza nenhuma, abertamente:

“Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais. Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal” (Gn. 3.3-5).

Vocês, certamente, não morrerão. Aqui Satanás desafia diretamente a veracidade de Deus. Eva foi confrontada com um problema enorme, a questão de determinar quem estava dizendo a verdade. Será que deveria confiar em Deus, ou deveria entregar-se ao ceticismo da serpente?

O que levou a raça humana a cair em pecado foi a rejeição da confiabilidade de Deus. A manobra de Satanás funcionou bem com Adão e Eva. Ele usou a mesma técnica com Jesus. Quando Satanás desafiou Jesus a transformar pedras em pães na primeira tentação, Jesus respondeu citando a Bíblia! Ele respondeu:

“Está escrito: Não só de pão viverá o homem” (Lc 4.4).

E aqui Jesus cita o Antigo Testamento diretamente:

“E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram; para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do Senhor viverá o homem” (Dt 8.3).

A resposta de Jesus não só incluía uma citação da Bíblia, como era um texto bíblico que salientava a necessidade de viver pela fé na Palavra de Deus. É como se Jesus dissesse a Satanás: Eu não preciso comer pão para saber que sou o Filho de Deus. Meu Pai o declarou. Eu vivo de cada palavra que procede de sua boca.

Quando a primeira tentação falhou, Satanás passou para outra:

“E o diabo, levando-o a um alto monte, mostrou-lhe num momento de tempo todos os reinos do mundo.

E disse-lhe o diabo: Dar-te-ei a ti todo este poder e a sua glória; porque a mim me foi entregue, e dou-o a quem quero.

Portanto, se tu me adorares, tudo será teu.

E Jesus, respondendo, disse-lhe: Vai-te para trás de mim, Satanás; porque está escrito: Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás” (Lc 4.5-8).

Essa tentação focaliza a missão de Jesus. Jesus recebera a promessa de ser rei e de ter toda a autoridade e glória atribuída a quem é o Rei dos reis. Mas primeiro Ele precisava cumprir a missão de Servo Sofredor de Israel. Seu reino seria alcançado através da humilhação, sofrimento e morte. Agora Satanás lhe oferecia o reino sem a necessidade de pagar o preço da humilhação. Eis o prêmio de pura glória sem o sofrimento. Jesus só teria de dar ao príncipe maligno deste mundo um momento de adoração. Talvez Satanás só quisesse que Jesus dobrasse o joelho, fizesse uma ligeira reverência. Bastaria isso para satisfazê-lo, porque com o menor ato de reverência a ele, a obediência de Jesus teria sido comprometida. Novamente, Jesus respondeu à tentação com a citação das Escrituras: 

“Jesus lhe respondeu: Está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a Ele darás culto” (Lc 4.8)

Jesus submeter-se a Satanás seria violar a Palavra de Deus. Em vez de quebrar os mandamentos, Jesus optou pelo caminho do sofrimento e humilhação.

Na terceira tentação, o próprio Satanás apela às Escrituras. Ele busca torcer a Palavra de Deus como ferramenta para seus próprios vis propósitos:

“Levou-o também a Jerusalém, e pô-lo sobre o pináculo do templo, e disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo; Porque está escrito: Mandará aos seus anjos, acerca de ti, que te guardem, E que te sustenham nas mãos, Para que nunca tropeces com o teu pé em alguma pedra. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Dito está: Não tentarás ao Senhor teu Deus” (Lc 4.9-12)

Satanás apela à Escritura e sugere que Jesus prove que as Escrituras são verdadeiras, colocando-as sob teste. É quando Jesus repreende Satanás por colocar Escritura contra Escritura. Satanás sugeriu um método de verificar a veracidade da Bíblia usando meios não permitidos na Palavra de Deus. Satanás retorna de novo à questão de Jesus ser Filho de Deus: “Se tu és Filho de Deus…” Jesus se recusou a comprometer a Escritura. Ele viveu seu próprio ensino de que a Escritura não pode ser transgredida.

Jesus também nos dá uma lição hermenêutica. Ele não quis nada com uma interpretação bíblica que considerasse um único trecho à parte do todo. Ele não interpretaria um trecho da Escritura de maneira a colocá-la em conflito com outro trecho.

Com a vitória de Jesus na terceira tentação, Satanás deixou-o sozinho, pelo menos por um tempo. Mateus nos oferece o acréscimo de uma informação maravilhosa:

“Com isto, o deixou o diabo, e eis que vieram anjos e o serviram” (Mt 4.11).

Satanás acabara de tentar a Jesus para provar que anjos viriam cuidar dele numa crise. Nenhum anjo esteve visível durante a tentação. Contudo, uma vez vencida a tentação, os anjos se manifestaram e assistiram às suas necessidades. Seu momento de triunfo sobre o assalto de Satanás foi unido a um momentâneo sabor de glória, indicado pela presença dos anjos ministradores. O Filho de Deus foi alimentado e confortado. Ele estava agora pronto para embarcar no seu ministério terreno.

Fonte: http://trilhandonocaminhoestreito.blogspot.com.br/2013/12/a-gloria-de-cristo-no-deserto-r-c-sproul.html

SUPLEMENTO

Todos nós cristãos, à semelhança de Cristo, passamos por Desertos, afim de sermos provados e aperfeiçoados! Assista abaixo o Deserto que vive, onde Deus se revelou e me libertou do Ateísmo!

[Estudo Bíblico] É correto: Julgar, expor o erro e citar nomes?

julgar

É correto: Julgar, expor o erro e citar nomes?

Pastor E.L. Bynum


Muitos hoje acreditam que é errado expor o erro e citar nomes. Liberais sempre creram nisso, mas em tempos recentes tal prática antibíblica tem sido abraçada amplamente por evangélicos e carismáticos/pentecostais. Agora estamos vendo esse mesmo erro fatal sendo proclamado e defendido por aqueles que dizem ser fundamentalistas crentes na Bíblia. Aqueles que são fiéis em expor o erro de acordo com a Bíblia são agora denunciados e acusados de serem “sem amor” e “odiosos”. Neste artigo queremos apresentar o ensino bíblico sobre este assunto de suma importância.
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I. PRATICAR O JULGAMENTO BÍBLICO É CORRETO
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Um dos versículos mais mal interpretados na Bíblia é:
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“Não julgueis, para que não sejais julgados”. (Mt 7:1)
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Toda Escritura deve ser tomada em seu contexto, se quisermos adequadamente entender o seu verdadeiro significado. Nos versículos de 2 a 5 deste mesmo capítulo é evidente que o versículo 1 está se referindo ao julgamento hipócrita. Um irmão que tem uma trave em seu próprio olho não deve julgar o irmão que tem um argueiro no seu. A lição é clara, você não pode julgar outro por seu pecado se você é culpado do mesmo pecado.
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Aqueles que se prendem ao “Não julgueis, para que não sejais julgados” para condenar aqueles que expõem o erro, devem ler o capítulo inteiro. Jesus disse:
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“Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas…” (vers. 15)
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Como podemos conhecer os falsos profetas se não os julgarmos pela Palavra de Deus? Se conhecermos os falsos profetas, como podemos falhar em alertar o rebanho desses lobos devoradores? Por toda a Bíblia encontramos provas de que devemos os identificar e os expor.
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“Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus”. (vers. 16,17).
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Será que o Senhor Jesus quis dizer que não podemos julgar a árvore (pessoa), mas somente o fruto de sua vida e doutrina? Certamente não, pois você não pode conhecer sem julgar. Todo julgamento deve ser baseado no ensino bíblico e não de acordo com caprichos ou preconceitos.
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“Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça” (João 7:24).
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Aqui nosso Senhor ordena que devemos “julgar segundo a reta justiça”, que é o julgamento baseado na Palavra de Deus. Se o julgamento é feito sobre qualquer outra base que não a Palavra de Deus, é uma violação a Mateus 7:1. O dicionário Webster diz que um juiz é “alguém que declara a lei”. O cristão fiel deve discernir, julgar na base da inspirada lei de Deus, a Bíblia.
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Um fornicário é descrito em 1 Coríntios 5:1-13. Paulo “julgou” (v.3), o homem, embora ele estivesse ausente, e disse à igreja em Corinto que eles “julgavam” (v.12) aqueles que estavam dentro. A palavra grega para “julgar” é a mesma aqui, como em Mateus 7:1. Paulo não viola “Não julgueis, para que não sejais julgados”, ao julgar o homem, nem de instruir a igreja para julgar também. Toda esta decisão foi de acordo com a Palavra de Deus.
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Uma pessoa que é capaz de discernir entre o bem e o mal tem pelo menos uma das grandes marcas da maturidade espiritual.
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“Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal” (Hebreus 5:14)
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W.E. Vine fala do significado de discernir: “uma distinção, uma discriminação clara, discernimento, julgamento, é traduzida como “discernir” em 1 Coríntios 12:10, de discernir espíritos, a julgar pelas provas de que eles estão mal ou de Deus“. Strong também concorda que os significados de julgar.
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Aqueles que não estão dispostos ou incapazes de discernir ou julgar entre o bem e o mal estão desta forma revelando tanto sua desobediência quanto/ou sua imaturidade.
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II. É CORRETO EXPOR OS FALSOS MESTRES
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Os falsos mestres são livres para espalhar suas doutrinas venenosas hoje porque há uma conspiração de silêncio entre muitos crentes da Bíblia. Lobos em pele de cordeiro são, assim, habilitados a assolar o bando, destruindo dessa maneira a muitos. João Batista chama os fariseus e saduceus (os líderes religiosos da sua época) de “raça de víboras” (serpentes) (Mateus 3:7). Hoje, ele seria acusado de ser sem amor, cruel, e de não ser cristão.
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Jesus disse aos fariseus religiosos:
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“Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca” (Mateus 12:34)
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Para muitos evangélicos e alguns fundamentalistas, isso seria uma linguagem inaceitável hoje, mas é uma linguagem bíblica e veio da boca do Filho de Deus.
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Ao ficar cara a cara com estes falsos mestres, Jesus Cristo, o filho de Deus, os chamou de hipócritas, guias cegos, cegos, sepulcros caiados, serpentes e raça de víboras (Mateus 23 :23-34). No entanto, somos informados de que hoje estamos em comunhão com homens cujas doutrinas são tão antibíblicas como os dos fariseus. Alguns dos que dizem que eles são cristãos bíblicos insistem em trabalhar com católicos romanos e outros heréticos. No entanto, segundo muitos, não devemos repreendê-los.
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Perto do início de seu ministério, Jesus subiu a Jerusalém. E achou no templo os que vendiam bois, e ovelhas, e pombos, e os cambiadores assentados. E tendo feito um azorrague de cordéis, lançou todos fora do templo, também os bois e ovelhas; e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derribou as mesas; E os seus discípulos lembraram-se do que está escrito: O zelo da tua casa me devorará” (João 2:13-16). Nosso Salvador é hoje apresentado como aquele que era manso, humilde, bondoso e amoroso, até mesmo para os falsos mestres, mas isso é totalmente falso. Ao lidar com falsos mestres e profetas, Suas palavras eram fortes e Suas ações simples e claras.
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Perto do fim do Seu ministério público, Cristo achou necessário purificar o templo novamente. A exposição das falsas doutrinas e práticas é um trabalho sem fim. Naquela época Ele disse:
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“Não está escrito: A minha casa será chamada, por todas as nações, casa de oração? Mas vós a tendes feito covil de ladrões” (Marcos 11:17)
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É diferente hoje? Os ladrões entram na casa de Deus, e roubam do povo de Deus a Bíblia e vendem suas Bíblias pervertidas. Ao mesmo tempo, este covil de ladrões roubam o povo, a doutrina da separação e a doutrina da santificação. Então você quase não pode dizer qual é o povo de Deus e o povo do mundo. Honestamente, não devem estes ladrões (falsos mestres) serem expostos?
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Em nossos dias, esses falsos mestres vieram às igrejas com seus livros, literatura, filmes, psicologia e seminários, e transformaram a casa do Pai em um covil de ladrões. É tempo de homens de Deus se levantar e expor os seus erros para que todos possam ver.
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A BÍBLIA NOS ADMOESTA A DENUNCIAR O ERRO

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DEVEMOS PROVÁ-LOS

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“Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” (1 João 4:1)
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Toda a doutrina e seus ensinadores devem ser provados de acordo com a Palavra de Deus.
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“À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles” (Isaías 8:20)
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Cada mensagem, mensageiro e método devem ser julgados de acordo com a Palavra de Deus. A igreja de Éfeso foi elogiada por terem posto à prova os que dizem ser apóstolos, e o não são, e tu os achaste mentirosos” (Apocalipse 2:2). A igreja de Pérgamo foi repreendida porque seguia “a doutrina de Balaão” e “a doutrina dos nicolaítas, o que eu odeio” (Apocalipse 2:14,15). Nunca foi correto tolerar falsos mestres, mas eles devem ser julgados pela Palavra de Deus, e expostos. É claro que aqueles que querem desobedecer a Palavra de Deus vão procurar de todos os meios evitar esse ensino.
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DEVEMOS NOTÁ-LOS E EVITÁ-LOS
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“E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles” (Romanos 16:17)
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Aqueles que conduzem e ensinam de forma contraditória com a Palavra de Deus devem ser notados e evitados. Isto requer discernimento e decisão à luz da Bíblia. Os ecumênicos, os novos evangélicos e os fundamentalistas comprometidos vão resistir a qualquer esforço para obedecer a Escritura. Eles não podem ser notados e evitados a menos que sejam julgados de acordo com a Palavra de Deus.
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DEVEMOS REPREENDÊ-LOS
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“Portanto, repreende-os severamente, para que sejam sãos na fé” (Tito 1:13)
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Isto foi escrito a Tito, porque havia pessoas que iam de casa em casa subvertendo famílias inteiras com a falsa doutrina (v.10-16). Oral Roberts, Robert Schuller, Jimmy Swaggart, Pat Robertson, e outros estão subvertendo casas inteiras com sua falsa doutrina hoje. Será que devemos nos sentar silenciosamente, enquanto eles fazem isso, sem repreender e admoestar as pessoas a evitar o seu ensino? Não, o fiel servo do Senhor deve reter firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os contradizentes” (Tito 1:9).
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NÃO DEVEMOS TER COMUNHÃO COM ELES
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“E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as” (Efésios 5:11)
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Reprovar significa censurar, condenar, criticar, repreender e refutar. Como podemos obedecer a Escritura, a menos que os julguemos pela Palavra de Deus?
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NÃO DEVEMOS TRABALHAR COM ELES
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“Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebeu” (2 Tessalonicenses 3:6)
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Devemos nos afastar daqueles cuja doutrina e conduta não estão de acordo com a Palavra de Deus. O contexto mostra claramente que a obediência a sã doutrina é o que Paulo tem em mente, pois ele diz:
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“se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal, e não vos mistureis com ele, para que se envergonhe. Todavia não o tenhais como inimigo, mas admoestai-o como irmão” (2 Tessalonicenses 3:14-15)
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Paulo admoestou Timóteo para “afastar-se” de quem não conforma com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo, e com a doutrina que é segundo a piedade” (1 Timóteo 6:3-5).
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DEVEMOS NOS AFASTAR DELES
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Referente aos últimos dias, ele diz que alguns terão aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te”, pois essas pessoas são “nunca podem chegar ao conhecimento da verdade” (2 Timóteo 3:5,7). Como é que podemos nos afastar se não os identificarmos, e isto requer que a sua mensagem seja comparada com a Palavra de Deus. O objetivo do pregador verdadeiro é: pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina” (2 Timóteo 4:2). Isso geralmente é uma tarefa ingrata e impopular, mas é dever do homem chamado por Deus.
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NÃO DEVEMOS RECEBÊ-LOS EM NOSSA CASA
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“Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras” (2 João 10,11)
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Não há dúvida sobre quem João está falando, é “Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo …” (V.9). Por rádio, televisão e literatura, os falsos profetas são levados para as casas de muitos cristãos de hoje. Irmãos, isto não deveria acontecer!
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DEVEMOS REJEITÁ-LOS COMO HERÉTICOS
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“Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o” (Tito 3:10)
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Devemos rejeitar aqueles que negam a redenção pelo sangue de Cristo. Há muitos que negam essa ou alguma outra doutrina da Palavra de Deus. Se eles não atenderem a admoestação, então devem ser rejeitados.
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DEVEMOS ESTAR ALERTAS COM AQUELES QUE PREGAM OUTRO EVANGELHO
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Paulo advertiu sobre aqueles que pregavam outro Jesus … outro espírito… outro evangelho” (2 Coríntios 11:4). Como podemos conhecê-los, a menos que avaliemos o seu Jesus, o seu espírito e seu Evangelho pela Palavra de Deus? Paulo falou que esses pregadores são falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo” (2 Coríntios 11:13). Ele explica v.14-15, que estes pregadores são os ministros de Satanás. O homem chamado por Deus deve ser fiel assim hoje em expor os ministros de Satanás.
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Paulo advertiu os gálatas sobre aqueles que “transtornam o evangelho de Cristo”. Ele também disse:
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“Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema” (Veja Gálatas 1:6-9)
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Multidões hoje estão pregando um evangelho pervertido. Aqueles que ensinam a salvação através do batismo, ou por obras, estão ensinando um evangelho pervertido. Aqueles que pregam uma salvação que você pode perder estão pregando um evangelho pervertido. Os carismáticos/pentecostais, católicos, muitos evangélicos, e muitos fundamentalistas (?) estão pregando um evangelho pervertido. No entanto, nós somos suspeitos de cooperar com eles no evangelismo e trabalho cristão, de acordo com muitos hoje. Se não formos capazes de expor esses falsos profetas, então temos traído Jesus Cristo e Seu Evangelho.
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DEVEMOS NOS SEPARAR DELES
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“Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, E eu vos receberei” (2 Coríntios 6:17)
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Isto é muito simples. O povo de Deus deve sair da apostasia e do erro religioso. Como pode um crente na Bíblia permanecer em entidades e organizações, como convenções, comunhões ecumênicas e apóstatas? Como podem permanecer entre evangélicos condescendentes e insossos fundamentalistas?
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III. É CORRETO CITAR NOMES
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Muitos acreditam enganosamente que é errado denunciar o erro e citar nomes dos culpados, mas eles estão errados de acordo com a Bíblia.
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PAULO CITOU PEDRO PUBLICAMENTE
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Pedro foi culpado de prática antibíblica.
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“E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível. Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando, e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão.E os outros judeus também dissimulavam com ele, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação.Mas, quando vi que não andavam bem e direitamente conforme a verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?” (Gálatas 2:11-14)
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A questão toda gira em torno da salvação pela lei ou pela graça. Quando a integridade e a pureza do evangelho está em jogo, então não temos escolha quando se trata da questão de expor os erros e dar nomes.
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PAULO CITOU DEMAS POR AMAR O MUNDO
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“Porque Demas me desamparou, amando o presente século” (2 Timóteo 4:10)
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Aqueles que abandonam a causa de Cristo para a vida mundana e seus prazeres devem ser expostos e seus nomes citados.
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PAULO CITOU HIMENEU E ALEXANDRE
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Paulo disse a Timóteo a militar por elas boa milícia; Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé. E entre esses foram Himeneu e Alexandre, os quais entreguei a Satanás, para que aprendam a não blasfemar”(1 Timóteo 1:18-20). Os verdadeiros servos de Deus devem guerrear uma guerra boa, e citar os nomes daqueles que se afastaram da fé que uma vez foi entregue aos santos. Paulo não está aqui discutindo a fé da salvação, mas a fé como um sistema de doutrina. Estes homens fizeram naufrágio disto e Paulo os expôs e os chamou pelos seus nomes.
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PAULO CITOU HIMENEU E FILETO
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Ele disse a Timóteo para “procurar ser aprovado”, que ele poderia ser capaz de “manejar bem” a “palavra da verdade”. Mas evita os falatórios profanos, porque produzirão maior impiedade. E a palavra desses roerá como gangrena; entre os quais são Himeneu e Fileto; Os quais se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição era já feita, e perverteram a fé de alguns” (2 Timóteo 2:15-18). A falsa doutrina derruba a fé de alguns, então aqueles que estão a proclamando devem ser expostos.
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PAULO CITOU ALEXANDRE, O LATOEIRO
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Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe pague segundo as suas obras.Tu, guarda-te também dele, porque resistiu muito às nossas palavras” (2 Timóteo 4:14-15)
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É claro que este não é um problema de personalidade, mas um problema doutrinário. Alexandre tinha se posicionado contra as palavras e a doutrina de Paulo. Ele era um inimigo da verdade. Pastores piedosos enfrentam o mesmo problema todos os dias. Eles defendem e proclamam a verdade, então os seus membros vão para casa e ouvem essa verdade discutida por pregadores carismáticos/pentecostais de rádio e TV. Muitas vezes estes falsos profetas enviam suas publicações para as casas dos membros das igrejas verdadeiras. Então o homem de Deus tem que manter sua boca fechada, de acordo com muitos. Só um covarde vai ficar em silêncio quando a verdade da Bíblia está sob ataque.
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JOÃO CITOU DIÓTREFES
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“Tenho escrito à igreja; mas Diótrefes, que procura ter entre eles o primado, não nos recebe” (III João 9)
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Ele relatou como este homem tinha tagarelado contra ele “palavras maliciosas” (v.10). Ele ainda disse:
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“Amado, não sigas o mal, mas o bem. Quem faz o bem é de Deus; mas quem faz o mal não tem visto a Deus” (v.11)
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Não é errado citar os nomes daqueles cuja doutrina e prática é contrária à Palavra de Deus.
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Na verdade, toda a Bíblia está cheia de exemplos de falsos profetas, sendo nomeados e expostos. Toda esta conversa sobre o “amor moderno” é usado como uma desculpa para não expor o erro. Isto não é realmente bíblico, mas espantosamente desleixado.
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MOISÉS CITOU O NOME DE BALAÃO (Ver números 22-25).
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Pedro expôs o caminho de Balaãoque amou o prêmio da injustiça” (2 Pedro 2:15). Balaão era um profeta que estava na obra por dinheiro, como a maioria dos falsos profetas que hoje aparecem na TV. Eles pedem dinheiro e vivem como reis, enquanto multidões de pessoas ignorantes enviam-lhes o seu dinheiro arduamente ganho. Eles estão sempre construindo escolas, hospitais, redes de televisão por satélite, parques de diversão que tem até uma lâmina d’água para Jesus. E então nós devemos manter nossa boca fechada sobre esses charlatões religiosos? Como podemos ficar em silêncio e ser fiel a Deus?
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Judas expôs “o prêmio de Balaão” (Judas 11). João expôs a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, para que comessem dos sacrifícios da idolatria, e se prostituíssem” (Apocalipse 2:14). Isso vai direto ao cerne da questão, sobre a doutrina da separação. Balaão nunca amaldiçoou Israel, embora ele quisesse o salário que lhe foi oferecido para fazê-lo. Os homens de Israel cometeram prostituição “com as filhas dos moabitas … e inclinou-se aos seus deuses” (Números 25:1,2). Por que eles fizeram isso? Porque Balaão ensinou Balaque a quebrar a barreira de separação entre os moabitas e os israelitas. Sabemos que foi assim porque é claramente afirmado em Apocalipse 2:14 e Números 31:16. Este pecado resultou em 24 mil homens de Israel morrendo sob o julgamento de Deus.
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Os falsos mestres estão quebrando a barreira de separação entre o povo de Deus e da falsa religião. Existe muito pouco de pregação e ensino sobre a doutrina da separação. Balaão violou a doutrina da separação pessoal fazendo com que os homens de Israel cometessem fornicação com as mulheres moabitas. Ele violou a doutrina da separação eclesiástica, fazendo com que os homens de Israel se curvassem diante de Baal. Isso trouxe uma maldição sobre Israel. Até voltarmos a ensinar a verdade sobre a separação pessoal e eclesiástica, podemos esperar que o caos continue generalizado e destruindo o que temos hoje.
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Parece ser acreditada por muitos que algumas pessoas são muito importantes e poderosas para serem citadas ou expostas. Homens em altas posições, pastores de grandes igrejas, e aqueles com grande audiência de rádio e TV, estão supostamente acima de qualquer crítica. O que eles possam fazer ou dizer, não importa quão contrárias à Bíblia seja, é supostamente tudo certo. Nada poderia estar mais longe da verdade.
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NATÃ IDENTIFICOU O HOMEM
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Havia um homem em uma posição muito alta que era um adúltero secreto. Certamente este homem que ocupou o mais alto cargo na terra não poderia ser repreendido por um profeta humilde e impopular. Natã foi direto a presença de Davi,, revelou o pecado em forma de parábola, e então disse a Davi furioso, “Tu és este homem” (2 Samuel 12:7).
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HANANI CITOU O NOME DO REI JOSAFÁ
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Em muitos aspectos, Josafá era um bom rei, mas erroneamente ele se esqueceu praticar a separação religiosa. Ele fez seu filho casar com a filha ímpio rei Acabe. (Ver 2 Crônicas 18:1; 21:1-6),. Ele fez uma aliança com Acabe, e foi para a batalha de Ramote-Gileade com ele (2 Crônicas 18). Hanani disse ao rei Josafá:
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“Devias tu ajudar ao ímpio, e amar aqueles que odeiam ao SENHOR?” (2 Crônicas 19:2)
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Nós temos uma pergunta para aqueles que insistem em trabalhar com os carismáticos/pentecostais, os católicos e os membros de entidades ecumênicas: Devias tu ajudar ao ímpio, e amar aqueles que odeiam ao SENHOR?”
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Sim, é correto expor o erro e citar aqueles que estão no erro. É correto “batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 3). E como foi uma vez entregue nunca mais foi necessária uma revisão. É melhor tomar cuidado com falsos profetas… que introduzirão encobertamente heresias de perdição” (2 Pedro 2:1).
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Mensageiros fiéis devem alertar as ovelhas dos hereges, e os identificar pelo nome. Mas não é suficiente para tornar sua identidade amplamente conhecida, pois jovens ovelhas não entendem tal perigo, e muitas vezes não querem entender, o que tem causado tanta destruição de rebanhos por esses lobos.

Traduzido por Edimilson de Deus Teixeira
Autor: Pastor E.L. Bynum
Fonte:  site Jesus  is  Savior

[Estudo Bíblico] Realmente haverá um Arrebatamento da Igreja antes da Tribulação do AntiCristo?

O arrebatamento da Igreja

Um monte de pessoas, incluindo muitos teólogos, concluíram que não há nenhuma maneira possível  de dizer se, ou não, o ‘arrebatamento’ dos santos será pré-, médio ou pós-tribulação. Mas estou aqui para informar a vocês, meus amigos, que, à luz da Palavra de Deus, a idéia de que “não há maneira de saber” se torna uma falsa premissa.

O Senhor deixou escrito de uma forma que torna incrivelmente fácil entender esse determinado assunto, se quisermos apenas dar atenção ao que a Escritura ensina claramente.

“Porque nada podemos contra a verdade, senão pela verdade. ” (2 Coríntios 13:8)

Curiosamente, vemos que é evidente a relação de certas palavras que são usadas repetidamente para nos ajudar a confirmar o assunto. Quanto à questão do “arrebatamento”, vemos que os termos :”mistério” e “a última ‘trombeta” estão associados entre si, como a seguir:

“Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. ” (1 Coríntios 15:52)

“Mas nos dias da voz do sétimo anjo, quando ele começar a soar, o mistério de Deus deve ser acabado, como ele anunciou aos seus servos, os profetas.” (Apocalipse 10:7)

Sabemos que este anjo na verdade é o sétimo a soar a sua trombeta, pois a Bíblia diz:

“E os sete anjos que tinham as sete trombetas prepararam-se para tocar.” (Apocalipse 8:6)

… E que, durante a sétima trombeta o arrebatamento acontecerá…

“Para isso, vos digo que, pela palavra do Senhor, que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com a voz do arcanjo, e com a trombeta de Deus: e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles, as nuvens, ao encontro do Senhor nos ares, e assim estaremos para sempre com o Senhor.
(1 Tessalonicenses 4:15-17)

Então, nós sabemos que neste grande evento (conhecido como o “Rapto Secreto” por muitos), o mesmo Senhor descerá à terra e, simultaneamente, arrebatará os seus santos. Assim, a segunda vinda e o arrebatamento acontecem ao ressoar da sétima trombeta, que só ocorre após os sete selos e as seis primeiras trombetas. Isso significa que este grande evento ocorre, imediatamente, após a tribulação e precede os últimos sete frascos de Deus, que são a Ira Divina sendo derramada sobre os ímpios.

Jesus Cristo mesmo afirmou claramente que seu retorno seria após a tribulação. Está escrito:

“Logo depois da tribulação daqueles dias, o sol escurecerá(1), e a lua não dará a sua luz(2), e as estrelas cairão do céu(3), e os poderes dos céus serão abalados(4): E ENTÃO aparecerá o sinal do Filho do homem no céu: e ENTÃO todas as tribos da terra se lamentarão, e verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória. E ele enviará os seus anjos com grande som de uma buzina, e eles ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma extremidade do céu para o outro. ” (Mateus 24:29-31)

Aqui podemos ver que, após a Grande Tribulação, deverá manifestar sinais nos céus. Com essa dica que o nosso amado Salvador nos deu, podemos fazer mais conexões e confirmações com as Sagradas Escrituras. Está escrito:

“Mas naqueles dias, depois daquela tribulação, o sol escurecerá(1), e a lua não dará a sua luz(2), E as estrelas cairão do céu(3), e os poderes que estão nos céus serão abalados(4). E ENTÃO, eles verão o Filho do homem vindo sobre as nuvens com grande poder e glória. E ele enviará os seus anjos, e ajuntará os seus escolhidos desde os quatro ventos, da extremidade da terra até a extremidade do céu. ” (Marcos 13:24-27)

Em Isaías, lemos:

“Eis que vem o dia do SENHOR, horrendo, com furor e ira ardente, para pôr a terra em assolação, e dela destruir os pecadores. Porque as estrelas dos céus e as suas constelações não darão a sua luz(3); o sol se escurecerá ao nascer(1), e a lua não resplandecerá com a sua luz(2). E visitarei sobre o mundo a maldade, e sobre os ímpios a sua iniqüidade; e farei cessar a arrogância dos atrevidos, e abaterei a soberba dos tiranos. Farei que o homem seja mais precioso do que o ouro puro, e mais raro do que o ouro fino de Ofir. Por isso farei estremecer os céus(4); e a terra se moverá do seu lugar, por causa do furor do SENHOR dos Exércitos, e por causa do dia da sua ardente ira(5*).” (Isaías 13:9-13)

“E mostrarei prodígios no céu e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas(1), e a lua em sangue(2), antes que o grande e terrível dia do SENHOR(5*). ” (Joel 2:30-31)

“O sol se converterá em trevas(1), e a lua em sangue(2), antes que o grande e glorioso dia do Senhor virá …” (Atos 2:20)

Percebemos que todos esses sinais ocorrem depois da Grande Tribulação, como foi profetizado por Jesus! E entra em total concordância com a abertura dos selos em Apocalipse, onde o Quinto Selo refere-se à Grande Tribulação. Está escrito:

“E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram. E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? E foram dadas a cada um compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram.” (Apocalipse 6:9-11)

E na abertura do Sexto Selo desencadeiam os Sinais supracitados. Está escrito:

“E, havendo aberto o sexto selo, olhei, e eis que houve um grande tremor de terra; e o sol tornou-se negro como saco de cilício(1), e a lua tornou-se como sangue(2); E as estrelas do céu caíram sobre a terra(3), como quando a figueira lança de si os seus figos verdes, abalada por um vento forte. E o céu retirou-se como um livro que se enrola(4); e todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares. E os reis da terra, e os grandes, e os ricos, e os tribunos, e os poderosos, e todo o servo, e todo o livre, se esconderam nas cavernas e nas rochas das montanhas; E diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro; Porque é vindo o grande dia da sua ira(5*); e quem poderá subsistir? (Apocalipse 6:12-17)

Somente depois desses sinais é que Jesus se manifesta em Glória e Poder. Então ocorre o Arrebatamento da Igreja e sua Ira é lançada sobre os ímpios! Isso ocorrerá depois da Sétima Trombeta do Sétimo Selo tocar! Então vem a IRA DIVINA! Está escrito:

“E o sétimo anjo tocou a sua trombeta, e houve no céu grandes vozes, que diziam: Os reinos do mundo vieram a ser de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre. E os vinte e quatro anciãos, que estão assentados em seus tronos diante de Deus, prostraram-se sobre seus rostos e adoraram a Deus, Dizendo: Graças te damos, Senhor Deus Todo-Poderoso, que és, e que eras, e que hás de vir, que tomaste o teu grande poder, e reinaste. E iraram-se as nações, e veio a tua ira(5*), e o tempo dos mortos, para que sejam julgados, e o tempo de dares o galardão aos profetas, teus servos, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra.” (Apocalipse 11:15-18)

“E eu vi no céu outro sinal grande e admirável: sete anjos que tinham as sete últimas pragas;. Porque nelas é consumada a ira de Deus” (Apocalipse 15:1)

“E ouvi uma grande voz do templo, que dizia aos sete anjos: Ide, e derramar as taças da ira de Deus sobre a terra.” (Apocalipse 16:1)

(Observação: siga os números e você poderá perceber a relação entre os eventos!)

Agora, a pergunta que não quer calar: -Então a que livramento o Senhor se refere que irá nos conceder em Ap. 3:10? (Verso altamente usado pelos defensores do Arrebatamento Secreto)

“Como guardaste a palavra da minha paciência, também eu te guardarei da hora da tentação que há de vir sobre todo o mundo, para tentar os que habitam na terra. (Apocalipse 3:10)

A resposta encontra-se na Bíblia! Está escrito:

“Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece.” (João 3:36)

“Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.” (Romanos 5:9)
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“E esperar dos céus a seu Filho, a quem ressuscitou dentre os mortos, a saber, Jesus, que nos livra da ira futura.” (1 Tessalonicenses 1:10)
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“Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançarmos a salvação por nosso Senhor Jesus Cristo …” (1 Tessalonicenses 5:9)
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O livramento refere-se à Ira Divina e não à Grande Tribulação do AntiCristo! Então, pelo que estudamos, faz sentido lógico e perfeito sermos “arrebatados” por nosso Salvador e, em seguida, a IRA se derramar sobre a Terra após a nossa partida.

Nós também podemos notar que este grande evento doloroso é referido, como se ocorresse em um dia. Ele é muitas vezes chamado de ‘O Dia do Senhor‘ nas Escrituras e está destinado para os ímpios! Está escrito:

“Nem a sua prata nem o seu ouro poderão livrá-los no dia da ira do Senhor. No fogo do seu zelo o mundo inteiro será consumido, pois ele dará fim repentino a todos os que vivem na terra. ” (Sofonias 1:18)

“Atirarão sua prata nas ruas, e seu ouro será tratado como coisa impura. Sua prata e seu ouro serão incapazes de livrá-los no dia da ira do Senhor e, não poderão saciar sua fome e encher os seus estômagos; serviram apenas para fazê-los tropeçar na iniqüidade.” (Ezequiel 7:19)

“Multidões, multidões no vale da Decisão! Pois o dia do Senhor está próximo, no vale da Decisão. O sol e a lua escurecerão, e as estrelas já não brilharão.O Senhor rugirá de Sião e de Jerusalém levantará a sua voz; a terra e o céu tremerão. Mas o Senhor será um refúgio para o seu povo, uma fortaleza para Israel. (Joel 3:14-16)

“O Senhor dos Exércitos tem um dia reservado para todos os orgulhosos e altivos, para tudo o que é exaltado para que eles sejam humilhados;”(Isaías 2:12)

“Pois é o dia da vingança do Senhor, e o ano de retribuições pela causa de Sião”. (Isaías 34:8)

“Pois o dia está próximo, o dia do Senhor está próximo; será dia de nuvens, uma época de condenação para as nações.” (Ezequiel 30:3)

“Ah! Aquele dia! Sim, o dia do Senhor está próximo; como destruição poderosa da parte do Todo-poderoso, ele virá.” (Joel 1:15)

“Toquem a trombeta em Sião; dêem o alarme no meu santo monte. Tremam todos os habitantes do país, pois o dia do Senhor está chegando. Está próximo!” (Joel 2:1)

“Ai de vocês que anseiam pelo dia do SENHOR! O que pensam vocês do dia do SENHOR? Será dia de trevas, não de luz. Será como se um homem fugisse de um leão, e encontrasse um urso; como alguém que entrasse em sua casa e, encostando a mão na parede, fosse picado por uma serpente. O dia do SENHOR será de trevas e não de luz. Uma escuridão total, sem um raio de claridade.” (Amós 5:18-20)

“Cala-te na presença do Senhor Deus: para o dia do Senhor está à mão: porque o Senhor preparou um sacrifício, e santificou os seus convidados. O grande dia do Senhor está próximo; está próximo e logo vem. Ouçam! O dia do Senhor será amargo; até os guerreiros gritarão. Aquele dia será um dia de ira, dia de aflição e angústia, dia de sofrimento e ruína, dia de trevas e escuridão, dia de nuvens e negridão,” (Sofonias 1:14-15)

“Mas segundo a tua dureza e coração impenitente, acumulas contra ti mesmo ira para o dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus … ” (Romanos 2:5)

“Prova clara do justo juízo de Deus, para que sejais havidos por dignos do reino de Deus, pelo qual também padeceis; Se de fato é justo diante de Deus que dê em paga tribulação aos que vos atribulam, E a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder, Como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo; Os quais, por castigo, padecerão eterna perdição, ante a face do Senhor e a glória do seu poder, Quando vier para ser glorificado nos seus santos, e para se fazer admirável naquele dia em todos os que crêem…” (2 Tessalonicenses 1:5-10)

Após examinar todas essas escrituras, podemos começar a ver um esboço do que está por vir. Aparentemente, os santos de Deus (passaram, estão passando e) passarão pela tribulação, testemunhando a marca da besta e o antiCristo. Então, depois que enfrentarmos as provações da nossa fé (e espero que estejamos no poder do Senhor Jesus Cristo), Deus deve voltar na sua glória com seus anjos celestiais, recolhendo seus eleitos e lidará com a Ira e a Vingança sobre os ímpios.

Inacreditável? Independentemente do que você acredita, uma coisa é certa, o Senhor Jesus Cristo está voltando!

“Visto que tudo será assim desfeito, que tipo de pessoas é necessário que vocês sejam? Vivam de maneira santa e piedosa, esperando o dia de Deus e apressando a sua vinda. Naquele dia os céus serão desfeitos pelo fogo, e os elementos se derreterão pelo calor. Todavia, de acordo com a sua promessa, esperamos novos céus e nova terra, onde habita a justiça. Portanto, amados, enquanto esperam estas coisas, empenhem-se para serem encontrados por ele em paz, imaculados e inculpáveis.” (2 Pedro 3:11-14)

Exatamente. Arrependa-se dos seus pecados, se você já não o fez, porque o Senhor não retarda a sua promessa! E o Deus de toda consolação irá mantê-lo e abençoá-lo na sua graça abundante!

“Estejam sempre atentos e orem para que vocês possam escapar de tudo o que está para acontecer, e estar de pé diante do Filho do homem”. (Lucas 21:36)

Maranata!!!!

OBS: Eu dou mais alguns detalhes sobre os Sinais do Tempo do Fim na Palestra abaixo!

[Estudo Bíblico] Predestinação – Deus realmente separou a Maioria da Humanidade para o Inferno?

LEITURA BÍBLICA

Romanos 8:29-30

Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.

E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou.

ESTUDO BÍBLICO

“Na sua onisciência, Deus predestina­ria um número exato de pessoas para ser condenado e outro para descansar eternamente? Teria cada homem seu destino traçado?”

Acreditamos que Deus, na sua onis­ciência, sabe quantos vão vencer a bata­lha da fé e terminar triunfantes na eterna glória, porém, isso nada tem a ver com a predestinação fatalista.

No que tange à predestinação, ela se baseia, em essência, no “conhecimento anterior” de Deus, no sentido de que o seu “amor eterno”, a preocupação e o interesse pelos crentes é que está em foco. Aqueles sobre quem fixou seu coração de antemão, portanto, são aqueles que se tornaram o alvo de seu decreto determinador.

Esse decreto determinador não é um mero pronunciamento judicial, mas é, sem dúvida, acompanhado por um poder orien­tador e criador, através do Espírito Santo, que garante o cumprimento do propósito de Deus.

O grande alvo da predestinação é a chamada dos crentes dentro do tempo, e o resultado de ambas as coisas é a transfor­mação do crente segundo a imagem de Cristo, tanto moral (no que tange à partici­pação do crente na própria santidade de Deus, tal como Cristo dela participa), como metafísica (no que convence a natu­reza essencial de Cristo). Está escrito:

“Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante.

Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual.

O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu.

Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais.

E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial.”

1 Coríntios 15:45-49

Não existe, portanto, predestinação para a condenação. Por exemplo: O caso do endurecimento do coração de Faraó, por dez vezes consecutivas, a Bíblia diz que ele mesmo se endureceu contra a ordem de Deus (Êx 7.13; 8.15,19,32; 9.7,34,35; 13.15; 14.22), e dez vezes lemos que Deus o endu­receu: Êx 4.21; 7.3; 9.12; 10.20,27; 11.10; 14.4,8,17. Theodoret assim explica o caso: “O sol, pelo seu calor, torna a cera mole e o barro duro, endurecendo um, amolecendo outro, produzindo pela mesma ação resultados contrários. Assim a longanimidade de Deus faz bem a alguns e mal a outros; al­guns são amolecidos e outros endurecidos“. Contudo, cremos que esse amolecimento ou esse endurecimento vêm daquilo que o homem apresenta a Deus: um coração contrito, ou orgulhoso.

Deus não endurece o coração de um in­divíduo, necessariamente com uma inter­venção sobrenatural; o endurecimento pode ser produzido pelas experiências nor­mais da vida, operando através dos princí­pios e do caráter da natureza humana, que são determinados por Ele. Esta verdade é profundamente hebraica. Um exemplo se­melhante desta forma hebraica de pensa­mento encontra-se em Marcos 4.12, onde Jesus apresenta sua razão para ensinar a verdade sob a forma de parábola. Está escrito:

“Para que, vendo, vejam, e não percebam; e, ouvindo, ouçam, e não entendam; para que não se convertam, e lhes sejam perdoados os pecados.” Marcos 4:12

Em outras palavras, apesar de a Bíblia declarar que Deus predestina para a vida, para a transformação segundo a imagem de Cristo e para a santidade, isso não quer dizer que Ele predestine algumas pessoas para a condenação, conforme os teólogos calvinistas mais radicais têm imaginado. Deus predestina segundo a sua presciência. Está escrito:

“Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas.” 1 Pedro 1:2

As Escrituras denominam tão-somente os crentes de eleitos, chamados, escolhidos e predestinados, mas sempre relacionados com a sua posição em Cristo, como as varas na videira.

“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”  2 Co 5:17

O fatalismo e a predestinação absoluta nunca fizeram parte da doutrina e tradição apostólica, e são comuns às seitas heréti­cas que se consideram favoritas da divin­dade e responsáveis pelo desinteresse, frus­tração e miséria de muitos indivíduos, po­vos e igrejas.

Analisando a idéia do destino na lin­guagem popular, vemos que significa uma forma sobrenatural, indomável e irresistí­vel, da qual não podemos fugir e que limita a nossa liberdade e vontade.

Por ser uma maneira muito cômoda de pensar e de agir, é ela perfilhada por várias religiões e filosofias (fatalismo) e até por confissões religiosas (predestinação abso­luta), mas sem base no ensino das Sagra­das Escrituras.

Desde épocas imemoriais o homem tem tido o hábito de acumular na lembrança, através da sua agitada existência, peque­nos fracassos, desventuras e fatalidades, e com elas construiu um monstro a que deu o nome de “destino”, que compreende como uma determinação imutável, esquecendo as inúmeras bênçãos, vantagens e vitórias alcançadas sobre a adversidade.

Sendo o destino o fim para que tende qualquer ação, o lugar a que se dirige a pessoa ou objetivo em causa, está ele sujei­to às leis espirituais e materiais que regem o universo. Assim, a vida é composta de bons e maus sucessos, em conformidade com o tempo, o local, o ambiente, a experiência e a atitude do indivíduo em relação a esses elementos. Cada homem tem, pois, que procurar, na prática de uma boa consciên­cia, o caminho da verdade e do dever, se­jam quais forem as conseqüências da sua determinação.

Está escrito na Bíblia que só Deus é realmente bom, e ainda pode ser melhor já que é visto ser a personificação do Amor: Lc 18.19; 1 Jo 4.8. Como pessoa livre, per­feita e justa, criou o homem à sua imagem e tornou-se o alvo de toda a dedicação: Gn 1.26,27; Sl 8. Como podia Deus fazer acep­ção dentre as suas criaturas e determinar-lhes destinos diferentes, senão aqueles que eles próprios como seres livres e feitos a se­melhança da mesma divindade, desejarem de “motu próprio” trilhar? Rm 2.11-16; 10.12-17.

Deus não apenas seria imperfeito, mas também a encarnação da matéria e malda­de, se nos induzisse a acreditar no Evangelho para nossa salvação, quando afinal já determinara que nos havíamos de perder ou salvar.

Portanto, nenhum homem, grupo ou organização tem privilégios diante de Deus, a não ser aquele que aceita Jesus como Salvador. Porque Deus não faz acep­ção de pessoas, e muito menos predetermi­na, para certos grupos, um juízo, um desti­no cruel na eternidade. Sobre o assunto a Bíblia diz:

“Vivo eu, diz o Senhor Jeová, que não tenho prazer na morte do ímpio mas em que o ímpio se converta do seu ca­minho, e viva: convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois por que razão morrereis?” Ez 33.11a

“Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais” Jr 29.11

Jesus abençoe a todos!

Paz…

Arauto de Cristo