[Vida com Propósito] Dia 23 – Como crescemos

Deus quer que cresçamos […] em tudo como Cristo. Efésios 4.15; Msg

O propósito disposto para nós não é que continuemos como crianças. Efésios 4.14; CH

Deus quer que você cresça.

O objetivo do Pai celestial é que você amadureça e desenvolva as características de Jesus Cristo. Lamentavelmente, milhões de cristãos envelhecem, mas nunca crescem. Emperram numa perpétua infância espiritual, permanecendo de fraldas e sapatinhos de crochê. O motivo é que nunca pretenderam crescer.

Crescimento espiritual não é algo automático. É necessário que haja um compromisso voluntário. Você deve querer crescer, decidir crescer, fazer um esforço para crescer e persistir em crescer. O discipulado — o processo de se tornar semelhante a Cristo — sempre começa com uma decisão. Jesus nos chama, e nós respondemos:

“Venha, seja meu discípulo”, Jesus lhe disse. Então Mateus levantou-se e o seguiu [Mateus 9.9].

Quando os primeiros discípulos escolheram seguir a Jesus, não compreendiam todas as implicações da decisão que haviam tomado. Simplesmente atenderam ao convite de Jesus. Isso é tudo de que você precisa para começar: decidir tornar-se um discípulo.

Nada molda mais sua vida que os compromissos que você escolhe fazer. Seus compromissos podem desenvolvê-lo ou destruí-lo, mas de qualquer forma serão determinantes para você. Diga-me com o que você está comprometido, e eu lhe direi aonde você estará em vinte anos. Tornamo-nos aquilo com que estamos comprometidos.

É nesse estágio do comprometimento que a maioria das pessoas perde o propósito de Deus para a vida delas. Muitos têm medo de se comprometer com qualquer coisa e simplesmente ficam vagando pela vida. Outros assumem compromissos superficiais, com valores conflitantes, o que leva à frustração e à mediocridade. Outros se comprometem inteiramente com objetivos seculares, como enriquecer ou ficar famoso, e acabam desapontados e amargos. Toda escolha tem conseqüências eternas; logo, é melhor que você escolha sabiamente. Pedro adverte:

E assim, já que tudo ao nosso redor se derreterá, que vidas santas e piedosas nós devemos viver! [2 Pe 3.11].

A parte de Deus e a sua parte. Tornar-se semelhante a Cristo é o resultado de fazer escolhas em conformidade com ele, dependendo de seu Espírito para ajudá-lo a consumar essas escolhas. Uma vez que tenha decidido seriamente se tornar semelhante a Cristo, você deve começar a agir de maneira diferente. Você precisará se livrar de alguns procedimentos antigos, desenvolver novos hábitos e intencionalmente mudar sua forma de pensar. Esteja certo de que o Espírito Santo o ajudará nessas mudanças. A Bíblia diz:

Ponham em ação a salvação de vocês com temor e tremor, pois é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele? [Fil 2.12-13].

Esse versículo mostra as duas partes do crescimento espiritual: ponham em ação e efetua em vocês. O ponham em ação é o nosso dever, e o efetua em vocês é o papel de Deus. Crescimento espiritual é um esforço de cooperação entre você e o Espírito Santo. O Espírito de Deus trabalha conosco, e não apenas em nós.

Esse versículo, direcionado aos crentes, não é sobre como ser salvo, mas sobre como crescer. Não trata de trabalhar pela salvação, porque você não pode somar nada ao que Jesus já realizou. Quando “põe em ação” seu corpo, você se exercita para desenvolvê-lo, não para conseguir um corpo.

Quando “põe em ação” sua mente, para resolver um quebra-cabeça, você já possui todas as peças — sua tarefa é juntá-las. Fazendeiros trabalham a terra não para a obter, mas para desenvolver o que já possuem. Deus lhe deu uma nova vida; agora você é responsável por desenvolvê-la “com temor e tremor”. Isso significa levar seu crescimento espiritual a sério! Quando as pessoas são desleixadas com seu crescimento espiritual, isso demonstra que não compreendem as implicações eternas (como vimos nos capítulos 4 e 5).

Alterando seu piloto automático. Para mudar sua vida, você deve mudar sua forma de pensar. Por trás de tudo que você faz, há um pensamento. Todo comportamento é motivado por uma crença, e toda ação é estimulada por uma atitude. Deus revelou isso milhares de anos antes de os psicólogos terem essa compreensão:

Tenha cuidado com o que você pensa, pois a sua vida é dirigida pelos seus pensamentos [Pv 4.23].

Imagine-se viajando em uma lancha, em um lago, com um piloto automático ajustado para o Leste. Se você decidir dar a volta e rumar para Oeste, haverá duas formas possíveis de mudar a direção do barco. Uma forma é agarrar a roda do leme e forçá-la fisicamente a rumar para o lado oposto do ajuste do piloto automático. Com pura e simples força de vontade, você poderia vencer o piloto automático, mas sentiria constantemente uma resistência. Seus braços acabariam por se cansar do esforço, você soltaria a roda do leme e a lancha instantaneamente voltaria a rumar para o leste, da forma em que estava programada.

É isso que acontece quando você tenta mudar sua vida com força de vontade. Você diz: “Vou me forçar para comer menos […] fazer mais exercícios […] deixar de me atrasar e de ser desorganizado”. Sim, a força de vontade pode produzir mudanças em curto prazo, mas cria uma pressão interna constante, porque você não lidou com a causa básica. A mudança não é natural, então você acaba por desistir, sai da dieta e deixa de se exercitar. Você rapidamente retorna aos padrões anteriores.

Há uma forma melhor e mais rápida: altere o ajuste do piloto automático — sua forma de pensar. A Bíblia diz:

Deixem que Deus os transforme em nova pessoa, mudando a maneira de vocês pensarem [Rm 12.2].

Seu primeiro passo em direção ao crescimento espiritual é começar a mudar sua forma de pensar. Toda mudança deve sempre ocorrer primeiro em sua mente. Sua forma de pensar determina sua forma de sentir, e o que você sente influencia sua forma de agir. Paulo disse:

Deve haver uma renovação espiritual de seus pensamentos e atitudes [Ef 4.23].

Para ser semelhante a Cristo, você deve desenvolver a mente de Cristo. O Novo Testamento chama esse desvio mental de arrependimento, que em grego quer dizer literalmente “mudar de idéia”. Você se arrepende sempre que muda sua maneira de pensar, ao adotar a forma de Deus pensar — sobre si mesmo, sobre o pecado, sobre Deus, sobre as outras pessoas, sobre a vida, sobre seu futuro e sobre tudo mais. Você assume a perspectiva e o enfoque de Cristo.

Recebemos a seguinte ordem:

Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar que Cristo Jesus tinha [Fil 2.5].

Isso se divide em duas partes. A primeira metade dessa alteração mental é parar de ter pensamentos imaturos, os quais são egocêntricos e egoístas. A Bíblia diz:

Deixem de pensar como crianças. Com respeito ao mal, sejam crianças; mas, quanto ao modo de pensar, sejam adultos [1 Co 14.20].

Os bebês são por natureza completamente egoístas. Eles só pensam em si mesmos e em suas necessidades. São incapazes de dar; só conseguem receber. Isso é uma forma imatura de pensar. Infelizmente, muitas pessoas nunca crescem além desse tipo de pensamento. A Bíblia diz que o pensamento egoísta é a fonte do comportamento pecaminoso:

Os que vivem segundo o próprio ego pecaminoso só pensam nas coisas que seu ego pecaminoso deseja [Rm 8.5].

A segunda parte da mudança que leva a pensar como Jesus é começar a ter pensamentos maduros, os quais se concentram nos outros, e não em você mesmo. Em seu grande capítulo sobre o que é o verdadeiro amor, Paulo concluiu que pensar nos outros é a marca da maturidade:

Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino e raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino [1 Co 13.11].

Hoje, muitas pessoas presumem que a maturidade espiritual é medida pela quantidade de informação bíblica e de doutrinas que conhecem. Embora conhecimento seja uma das dimensões da maturidade, isso não é toda a história. A vida cristã é muito mais do que credos e convicções; ela inclui conduta e caráter. Nossos atos devem ser coerentes com nossa fé, e nossas crenças devem ser respaldadas por um comportamento cristão.

O cristianismo não é uma religião ou uma filosofia, mas um relacionamento e um estilo de vida. A essência desse estilo de vida, como Jesus disse, é pensar nos outros, e não em nós mesmos. A Bíblia diz:

Devemos pensar no bem deles e tentar ajudá-los, fazendo coisas que agradam a eles. Nem mesmo Cristo tentou agradar a si mesmo [Rm 15.2-3].

Pensar nos outros é o cerne de se tornar semelhante a Cristo, e a melhor evidência de crescimento espiritual. Esse tipo de pensamento não é natural, é contra-cultural, raro e árduo. Felizmente, temos ajuda:

Deus nos deu o seu Espírito. Por isso não pensamos da mesma forma que as pessoas deste mundo [1 Co 2.12].

Alguns capítulos adiante, veremos as ferramentas que o Espírito Santo usa para nos ajudar a crescer.

DIA 23

PENSANDO SOBRE MEU PROPÓSITO

Um item para reflexão: Nunca é muito tarde para começar a crescer.

Um versículo para memorizar: Não vivam como vivem as pessoas deste mundo, mas deixem que Deus os transforme por meio de uma completa mudança da mente de vocês. Assim vocês conhecerão a vontade de Deus, isto é, aquilo que é bom, perfeito e agradável a ele (Romanos 1.2.2; NTLH).

Uma questão para meditar: Em que área preciso parar de pensar do meu jeito e começar a pensar do jeito de Deus?

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[Vida com Propósito] Dia 22 – Criado para se tornar semelhante a Cristo

Deus já sabia o que ele faria desde o início. Ele decidiu desde o princípio moldar a vida daqueles que o amam com os mesmos parâmetros da vida de seu Filho […] Nele, vemos a forma original planejada para nossa vida. Romanos 8.29; Msg

Olhamos para o seu Filho, e vemos o verdadeiro propósito de Deus em tudo que foi criado. Colossenses 1.15; Msg

Você foi criado para se tornar semelhante a Cristo.

Desde o princípio, o plano de Deus tem sido fazê-lo à semelhança de seu Filho, Jesus. Esse é o seu destino e o terceiro propósito para sua vida. Deus anunciou sua intenção na criação:

Então disse Deus:Façamos o homem a nossa imagem, conforme a nossa semelhança [Gn 1.26].

Em toda a criação, somente o homem foi feito “à imagem de Deus”. Esse é um grande privilégio, que nos honra sobremaneira. Não sabemos tudo que essa frase abrange, mas conhecemos alguns dos aspectos que ela inclui: tal como Deus, somos seres espirituais — nosso espírito é imortal e sobreviverá ao nosso corpo terreno; somos inteligentes — podemos pensar, ponderar e solucionar problemas; como Deus, nós nos relacionamos — podemos dar e receber amor verdadeiro e somos dotados de consciência moral — podemos discernir entre o certo e o errado, o que nos torna responsáveis diante de Deus.

A Bíblia diz que todas as pessoas, e não apenas os crentes, detêm parte da imagem de Deus; esse é o motivo pelo qual o assassinato e o aborto são errados [Gn 9.6; Salmos 139.13-16; Tg 3.9]. Mas a imagem está incompleta, tendo sido danificada e distorcida pelo pecado. Então Deus enviou Jesus para restaurar a plena imagem que havíamos perdido.

Com o que se parece a plena “imagem e semelhança” de Deus? Ela se parece com Jesus Cristo! A Bíblia diz que Jesus é a imagem de Deus, a imagem do Deus invisível e a expressão exata do seu ser [2 Co 4.4; Col 1,15; Hb 1.3].

As pessoas usam freqüentemente a expressão “Tal pai, tal filho”, para se referir à semelhança familiar. Quando as pessoas vêem minha imagem em meus filhos, isso me agrada. Deus também quer que seus filhos tenham sua imagem e semelhança. A Bíblia diz:

[Você foi] criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade [Ef 4.24].

Deixe-me ser absolutamente claro: você jamais se tornará igual a Deus, ou mesmo a um deus. Essa mentira arrogante é a mais antiga tentação de Satanás. Satanás prometeu a Adão e Eva que, se seguissem seu conselho, seriam como Deus [Gn 3.5]. Muitas religiões e filosofias da Nova Era ainda promovem esta velha mentira: que somos divinos ou que podemos nos tornar deuses.

O desejo de ser um deus manifesta-se todas as vezes que tentamos controlar nossas circunstâncias, nosso futuro e as pessoas ao redor. Mas como criaturas jamais seremos o Criador. Deus não quer que você se torne um deus; ele quer que você se torne santo — que assuma valores, atitudes e caráter próprios dele. A Bíblia diz:

Busquem uma maneira completamente nova de viver — uma vida moldada por Deus, uma vida renovada no interior e que se demonstre na conduta de vocês, à medida que Deus reproduz detalhadamente o caráter dele em vocês [Ef 4.22-24].

O supremo objetivo de Deus para sua vida na terra não é o conforto, mas o desenvolvimento de seu caráter. Ele quer que você cresça espiritualmente e se torne semelhante a Cristo. Tornar-se semelhante a Cristo não significa perder a personalidade ou se tornar um clone autômato. Deus criou em você um caráter único; logo, logicamente não quer destruí-lo. O cristianismo ocupa-se da transformação do caráter, não da personalidade.

Deus quer que você desenvolva o tipo de caráter descrito nas bem-aventuranças de Jesus [Mt 5.1-12], nos frutos do Espírito [Gal 5. 22-23], no grande capítulo de Paulo sobre o amor [1 Co 13] e na lista de Pedro das características de uma vida produtiva e eficiente [2 Pe 1.5-8]. Toda vez que esquece que o caráter é um dos propósitos de Deus para sua vida, você se torna frustrado pela situação que o cerca. Você pensa consigo mesmo: “Por que isso está acontecendo comigo? Por que estou passando por momentos tão difíceis?”. A resposta é que a vida deve ser difícil! É isso que nos possibilita crescer. Lembre-se de que a terra não é o céu!

Muitos cristãos interpretam erroneamente a promessa de Jesus de vida em abundância [Jo 10.10], como se fosse saúde perfeita, estilo de vida confortável, felicidade constante, plena realização dos sonhos e o alívio instantâneo dos problemas por meio da fé e da oração. Em poucas palavras, esperam que a vida cristã seja fácil; esperam que o céu seja na terra.

Essa perspectiva voltada para si mesmo trata Deus como se fosse o gênio da lâmpada, que existe tãosomente para nos servir em nossa busca egoísta de realização pessoal. Mas Deus não é nosso criado, e, caso nos deixemos levar pela idéia de que a vida deve ser fácil, ou ficaremos grandemente desapontados, ou viveremos nos recusando a aceitar a realidade.

Nunca se esqueça de que a vida não gira em torno de você! Você existe para os propósitos de Deus, e não o contrário. Por que Deus lhe proporciona um céu sobre a terra, quando ele já planejou o verdadeiro céu para você na eternidade? Deus nos dá o nosso tempo na terra para construirmos e fortalecermos nosso caráter para o céu.

A obra do Espírito Santo de Deus em você

É tarefa do Espírito Santo produzir um caráter semelhante ao de Cristo em você. A Bíblia diz:

Conforme o Espírito do Senhor opera em nós, tornamo-nos mais e mais como ele e refletimos sua glória cada vez mais [2 Co 3.18].

O processo de transformação pelo qual nos tornarmos mais semelhantes a Jesus é chamado santificação; e esse é o terceiro propósito de sua vida sobre a terra.

Você não pode reproduzir o caráter de Jesus por seus próprios esforços. Decisões de Ano Novo, força de vontade e as melhores intenções não são suficientes. Somente o Espírito Santo tem o poder de realizar as transformações que Deus deseja para nossa vida. A Bíblia diz:

Deus está operando em vocês, dando-lhes o desejo de obedecê-lo e o poder para fazer o que lhe agrada [Fil 2.13].

Mencione “o poder do Espírito Santo”, e muitas pessoas imaginam manifestações miraculosas e emoções intensas. Mas na maioria das vezes o poder do Espírito Santo é liberado na sua vida de maneira tranqüila e despretensiosa, de modo que você nem se dá conta, nem tem nenhuma sensação. Ele freqüentemente nos toca com uma brisa suave [1 Reis 19.12].

As características de Cristo não são produzidas por imitação, mas por habitação. Nós permitimos que Cristo viva através de nós. Pois este é o segredo: Cristo vive em vós [Col 1.27]. E como isso acontece na vida real? Pelas escolhas que fazemos. Nós escolhemos fazer a coisa certa nas diversas situações de nossa vida e confiamos no Espírito Santo de Deus para nos dar força, amor, fé e sabedoria para fazê-la. Uma vez que o Espírito de Deus vive dentro de nós, essas coisas estão sempre à disposição quando pedidas.

Devemos cooperar com o trabalho do Espírito Santo. Por toda a Bíblia vemos uma importante verdade ilustrada repetidamente: o Espírito Santo libera poder no momento em que você dá um passo de fé. Quando Josué se defrontou com um obstáculo intransponível, as águas transbordantes do rio Jordão recuaram somente depois que os líderes pisaram na água corrente em obediência e fé [Josué 3.13-17]. A obediência libera o poder de Deus.

Deus espera que você aja primeiro. Não espere sentir-se poderoso ou confiante. Siga adiante na sua fraqueza, fazendo a coisa certa a despeito de seus medos e sentimentos. É assim que você coopera com o Espírito Santo, e essa é a forma que seu caráter se desenvolve.

A Bíblia compara o crescimento espiritual a uma semente, a uma edificação e a uma criança em crescimento. Cada metáfora exige uma participação ativa: sementes devem ser plantadas e cuidadas, edificações devem ser construídas — elas não aparecem simplesmente — e crianças devem comer e se exercitar para crescer.

Embora esforço não tenha nada que ver com salvação, está relacionado com o crescimento espiritual. Pelo menos em oito ocasiões no Novo Testamento recebemos a ordem de nos esforçarmos [Lc 13.24; Rm 14.19; Ef 4.3; 2 Tm 2.15; Hb 4.11] em nosso crescimento, até nos tornarmos semelhantes a Jesus. Você não fica apenas por ali, à espera de que isso aconteça.

Paulo explica em Efésios 4.22-24 os três deveres para nos tornarmos semelhantes a Cristo. Em primeiro lugar, devemos abandonar nossa antiga maneira de agir:

Tudo […] referente àquela antiga forma de viver tem de ir embora. Está completamente corrompida. Livrem-se dela! [Ef 4.22]

Em segundo lugar, devemos mudar nossa forma de pensar:

Deixe que o Espírito transforme sua maneira de pensar [Ef 4.23].

A Bíblia diz que somos “transformados” pela renovação de nossa mente [Rm 12.2]. A palavra grega para transformado, metamorphosis (usada em Romanos 12.2 e 2 Coríntios 3.18), é usada atualmente para descrever a fantástica transformação sofrida pela lagarta ao se tornar borboleta. É uma bela descrição do que acontece espiritualmente conosco quando permitimos que Deus dirija nossos pensamentos: somos transformados de dentro para fora, tornando-nos mais belos e sendo liberados para vôos mais altos.

Em terceiro lugar, precisamos “adquirir” o caráter de Cristo ao desenvolver hábitos novos e dignos de Deus. O caráter é basicamente a soma dos hábitos; é como você habitualmente age. A Bíblia diz:

… revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade [Ef 4.24].

Deus usa sua Palavra, as pessoas e as circunstâncias para moldar você. Os três fatores são indispensáveis para o desenvolvimento do caráter. A Palavra de Deus supre a verdade que precisamos para crescer, os filhos de Deus suprem o apoio que precisamos para crescer e as circunstâncias suprem o ambiente que precisamos para pôr em prática as características de Cristo. Se você estudar e aplicar a Palavra de Deus, se reunir regularmente com outros crentes e aprender a confiar em Deus nos momentos difíceis, garanto que você se tornará mais parecido com Jesus. Veremos cada um desses ingredientes para crescimento nos capítulos a seguir.

Muitas pessoas presumem que tudo de que necessitam para crescer espiritualmente é estudo bíblico e oração. Mas algumas questões da vida nunca serão transformadas somente por estudo bíblico e oração. Deus usa as pessoas. Ele normalmente prefere operar por meio de pessoas a realizar milagres, de forma que dependemos uns dos outros para alcançar comunhão. Ele quer que cresçamos juntos.

Em muitas religiões, as pessoas consideradas mais santas e maduras espiritualmente são as que se isolam das outras em monastérios no topo de montanhas, afastadas do pernicioso contato com outras pessoas. Mas esse é um mal-entendido grosseiro. A maturidade espiritual não é uma busca individual e solitária! Você não pode crescer à semelhança de Cristo em isolamento. Você deve ter pessoas à volta e interagir com elas. Precisa fazer parte de uma igreja e uma comunidade. Por quê? Porque a verdadeira maturidade espiritual diz respeito a aprender a amar como Jesus amou, e você não pode ser semelhante a Jesus na prática sem que haja relacionamento com outras pessoas. Lembre-se: está tudo em torno do amor — amar a Deus e amar os outros.

Tornar-se semelhante a Cristo é um lento e longo processo de crescimento. A maturidade espiritual não é instantânea nem automática; é um desenvolvimento que durará o resto de sua vida. A respeito desse processo, Paulo disse:

Isso irá continuar até que sejamos maduros como Cristo é, e seremos iguais a ele [Ef 4.13].

Você é um trabalho em execução. Sua transformação espiritual, no que se refere a desenvolver o caráter de Jesus, durará o resto de sua vida, e mesmo assim não será completada aqui na terra. Ela só estará terminada quando você for para o céu ou quando Jesus voltar. Naquele momento, qualquer componente não resolvido em seu caráter será posto no mesmo pacote. A Bíblia diz que quando finalmente formos capazes de ver a Jesus em perfeição, nos tornaremos perfeitos como ele:

Não podemos sequer imaginar como seremos quando Cristo voltar. Porém sabemos que, quando ele aparecer, seremos semelhantes a ele, pois o veremos como realmente é [1 Jo 3.2].

Grande parte das confusões na vida cristã tem origem no desconhecimento da simples verdade de que Deus está muito mais interessado em edificar seu caráter do que em qualquer outra coisa. Preocupamo-nos quando Deus parece silencioso a respeito de determinados assuntos, como: “Qual carreira eu deveria escolher?”. A verdade é que existem muitas carreiras diferentes, que poderiam estar de acordo com a vontade de Deus para sua vida. O que mais importa para Deus é que, seja qual for sua escolha, você a desempenhe com a postura de Cristo.

Deus está muito mais interessado em quem você é do que no que você faz. Nós somos seres humanos e não fazeres humanos. Deus se preocupa muito mais com seu caráter do que com sua carreira, porque você levará o caráter para a eternidade, mas não a carreira.

A Bíblia adverte:

Não se tornem tão bem ajustados à sua cultura, à qual vocês se moldam mesmo sem pensar. Em vez disso, fixem sua atenção em Deus. Vocês serão transformados de dentro para fora […] Ao contrário da cultura que está ao seu redor, sempre conduzindo vocês para baixo, para o nível de imaturidade, Deus produz o melhor em vocês e desenvolve em vocês uma maturidade bem formada [Rm 12.2].

É preciso que você tome uma decisão contra a sua formação cultural, para se concentrar em se tornar mais semelhante a Jesus. Caso contrário, outras forças, como amigos, pais, colegas de trabalho e a cultura estabelecida, tentarão moldá-lo à própria imagem.

Lamentavelmente, um rápido exame em livros cristãos populares revela que muitos crentes abandonaram o modo de vida em razão dos grandes propósitos de Deus e contentaram-se com a estabilidade emocional e a realização pessoal. Isso é narcisismo, e não discipulado. Jesus não morreu naquela cruz apenas para que pudéssemos levar vidas equilibradas e confortáveis. O seu propósito é muito mais profundo: ele quer nos tornar como ele, antes de nos levar para o céu. Esse é nosso grande privilégio, nossa responsabilidade direta e nosso destino final.

DIA 22

PENSANDO SOBRE MEU PROPÓSITO

Um tema para reflexão: Fui criado para me tornar semelhante a Cristo.

Um versículo para memorizar: Conforme o Espírito do SENHOR trabalha em nós, tornamo-nos mais e mais como ele e refletimos ainda mais a sua glória (2 Coríntios 3.18; NLT).

Uma pergunta para meditar: No dia de hoje, em qual área de minha vida preciso rogar pela operação do Espírito Santo para me tornar mais semelhante a Cristo?

[Curiosidade] A origem do Papai Noel

Papai Noel na verdade é São Nicolau. Filho de nobres, Nicolau nasceu na cidade de Patara, na Ásia Menor, na metade do século III, por volta do ano 250. Foi consagrado bispo de Mira, atual Turquia, quando ainda era muito jovem e desenvolveu seu apostolado também na Palestina e no Egito.

Mais tarde, durante as perseguições do imperador Diocleciano, foi aprisionado até a época em que foi decretado o Edito de Constantino, sendo finalmente libertado. Segundo alguns historiadores, o bispo Nicolau esteve presente no primeiro Concílio de Nicéia, em 325.

Foi venerado como santo ainda em vida, tal era a fama que gozava entre o povo cristão da Ásia Menor. Morreu no dia 6 de dezembro de 326, em Mira. Imediatamente, o local da sepultura se tornou meta de intensa peregrinação.

São Nicolau é conhecido principalmente pelo seu carinho e cuidado para com os pobres e as crianças, já que ao receber por herança uma grande quantia de dinheiro, livremente partilhou com os necessitados. Certa vez, Nicolau sabendo que três pobres moças não tinham os dotes para o casamento e por isso o próprio pai, na loucura, aconselhou a prostituição, jogou pela janela da casa das moças três bolsas com o dinheiro suficiente para os dotes das jovens. Daí que nos países do Norte da Europa, usando da fantasia, viram em Nicolau o velho de barbas brancas que levava presentes às crianças no mês de dezembro. No hemisfério norte, dezembro é inverno.

O nome Nicolau vem de duas palavras gregas: nikos, que significa vitória, e de laos, “povo”; Nicolau significa, então, “vitória do povo.”

Pela sua compaixão com os pobres e especialmente com as crianças, São Nicolau inspirou a lenda do Papai Noel; sendo confundido com ele. Chamado Nikolaus na Alemanha, passou a ser Santa Claus entre os anglo-saxões, Père Noël na França e Pai Natal em Portugal. No Brasil, Papai Noel.

[Vida com Propósito] Dia 21 – Protegendo sua igreja

Vocês foram unidos na paz por meio do Espírito. Portanto façam todo o esforço para continuar dessa maneira. Efésios 4.3; NCV

Acima de tudo, deixem que o amor dirija a vida de vocês, porque assim toda a igreja permanecerá unida em perfeita harmonia. Colossenses 3.14; RV

É sua função proteger a unidade de sua igreja.

A unidade da igreja é tão importante que o Novo Testamento dá mais importância a isso do que ao céu ou ao inferno. Deus deseja profundamente que experimentemos unidade e harmonia uns com os outros.

A unidade é a alma da comunhão. Destrua-a, e estará rasgando o coração do corpo de Cristo. É a essência, o âmago de como Deus pretende que experimentemos a vida conjunta na igreja. Nosso modelo supremo de unidade é a Trindade. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são totalmente unidos em um. O próprio Deus é o maior de todos os exemplos de amor sacrificial, altruísmo e harmonia perfeita.

Assim como qualquer pai, nosso Pai celestial tem prazer em ver os filhos em harmonia uns com os outros. Em seus últimos momentos, antes de ser preso, Jesus orou apaixonadamente pela nossa unidade [João 17.2-23]. Era nossa união que estava em primeiro lugar em sua mente naquelas horas agonizantes. Isso mostra a importância do assunto.

Nada na terra é mais valioso para Deus que sua igreja. Ele pagou o mais alto preço por ela e a quer protegida, especialmente dos danos devastadores causados pelas divisões, conflitos e discordâncias. Se você é parte da família de Deus, é sua responsabilidade preservar a unidade no local em que você congrega. Você foi encarregado por Jesus de fazer todo o possível para preservar a unidade, proteger a comunhão e promover a harmonia na sua igreja e entre todos os crentes. A Bíblia diz:

Façam todo o esforço para conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz [Efésios 4.3].

Como podemos fazer isso? A Bíblia nos dá orientações práticas.

Concentre-se no que temos em comum, não em nossas diferenças. Paulo nos diz:

Portanto, concentremo-nos nas coisas que contribuem para a harmonia e no crescimento de nossa comunhão conjunta? [Romanos 14.19].

Como crentes, partilhamos um Senhor, um corpo, um propósito, um Pai, um Espírito, uma esperança, uma fé, um batismo e um amor [Romanos 10.12; 12.4-5; 1 Co 1.10; 8.6;].Partilhamos a mesma salvação, a mesma vida e o mesmo futuro — fatores muito mais importantes do que as diferenças que poderíamos enumerar. É nesses temas, e não em nossas diferenças pessoais, que devemos nos concentrar.

Devemos nos lembrar que foi Deus que escolheu nos dar diferentes personalidades, formações, raças e preferências; logo, deveríamos apreciar essas diferenças, e não simplesmente tolerá-las. Deus quer unidade, não uniformidade. Mas, para o bem da unidade, não devemos deixar que nossas diferenças nos dividam jamais. Precisamos nos manter concentrados no que mais importa — aprender a amar uns aos outros como Cristo nos amou e cumprir os cinco propósitos de Deus para cada um de nós e sua igreja.

O conflito é normalmente sinal de que o foco foi desviado para assuntos menos importantes; coisas que a Bíblia chama de assuntos controvertidos [Romanos 14.1;2 Tm 2.23]. Quando nos concentramos em personalidades, preferências, interpretações, estilos ou métodos, a divisão sempre acontece. Mas, se nos concentramos em amar uns aos outros e em cumprir os propósitos de Deus, chegamos à harmonia. Paulo implorou por isso:

Irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo suplico a todos vocês que concordem uns com os outros no que falam, para que não haja divisões entre vocês; antes, que todos estejam unidos num só pensamento e num só parecer [1 Co 1.10].

Seja realista em suas expectativas. Uma vez que você tenha descoberto como Deus quer que seja a verdadeira comunhão, é fácil ficar desanimado pela disparidade entre o ideal e o real em sua igreja. Você deve amar apaixonadamente a igreja, a despeito de suas imperfeições. Ansiar pelo ideal enquanto critica o real é sinal de imaturidade. Em contrapartida, conformar-se com o real sem lutar pelo ideal é passividade. Maturidade é conviver com essa tensão.

Outros crentes irão decepcioná-lo e desiludi-lo, mas isso não é desculpa para deixar de congregar com eles. Eles são a sua família, mesmo quando não agem desse jeito, e você não pode simplesmente abandoná-los. Em vez disso, Deus nos disse:

Sejam pacientes uns com os outros, fazendo concessões às faltas dos outros por causa do amor que há em vocês [Efésios 4.2].

As pessoas ficam desiludidas com a igreja por muitas razões compreensíveis. A lista poderia ser bastante longa: conflitos, mágoas, hipocrisia, negligência, mesquinharias, legalismo e outros pecados. Em vez de ficarmos abalados e surpresos, devemos lembrar que a igreja é feita de pecadores de verdade, inclusive nós mesmos. Por sermos pecadores, magoamos uns aos outros, às vezes intencionalmente e às vezes sem querer. Mas, em vez de deixarmos a igreja, precisamos ficar e solucionar o que for de alguma forma possível. A reconciliação, não a evasão, é a estrada para um caráter mais forte e para uma comunhão mais profunda.

Divorciar-se da igreja ao primeiro sinal de decepção ou desilusão indica imaturidade. Deus tem coisas que quer ensinar a você e aos outros também. Além do mais, não há nenhuma igreja perfeita para onde escapar. Toda igreja tem seu próprio conjunto de fraquezas e problemas, e você logo ficará novamente desapontado.

Groucho Marx era famoso por dizer que não gostaria de pertencer a um clube que o aceitasse como sócio. Se uma igreja deve ser perfeita para satisfazê-lo, essa mesma perfeição irá excluí-lo dentre seus membros, porque você não é perfeito! Dietrich Bonhoeffer, ministro alemão que foi martirizado por resistir aos nazistas, escreveu o clássico livro sobre comunhão: Life together [A vida em conjunto]. Nele, ele dá a entender que a desilusão com a igreja local é algo bom, porque destrói nossas falsas expectativas de perfeição. Quanto mais rápido renunciarmos à ilusão de que uma igreja deve ser perfeita para que a amemos, mais rápido deixaremos de fingir e admitiremos que somos todos imperfeitos e precisamos de graça. Esse é o início da verdadeira comunidade.

Toda igreja deveria afixar uma placa: “Pessoas perfeitas não precisam entrar. Este é um lugar somente para os que admitem ser pecadores, precisam de graça e querem crescer”.

Bonhoeffer disse:

“Aquele que ama seu sonho de uma comunidade mais do que a comunidade cristã em si torna-se um destruidor desta […] Se não dermos graças diariamente pela congregação cristã onde fomos colocados, mesmo quando não há nenhuma grande experiência, nenhuma riqueza a ser descoberta, mas apenas muita fraqueza, pouca fé e dificuldades, e se, ao contrário, continuamos nos queixando de que tudo é reles e insignificante, então impedimos que Deus permita à nossa congregação crescer” [Livro Vida em Comunhão].

Prefira incentivar a criticar. É sempre mais fácil ficar de lado e atirar pedras naqueles que estão servindo do que se envolver e contribuir. Deus nos adverte repetidamente que não critiquemos, comparemos ou julguemos uns aos outros. Quando você critica o que outro crente está fazendo na fé e com sincera convicção, está interferindo nos assuntos de Deus:

Que direito você tem de criticar o servo de alguém? Somente Deus pode decidir se ele está fazendo o que é certo [Romanos 14.4].

Paulo acrescenta que não devemos julgar ou desprezar crentes com convicções distintas das nossas:

Por que, então, você critica as ações de seu irmão? Por que tenta fazer com que ele pareça pequeno? Todos seremos julgados um dia, não com base nos padrões uns dos outros nem mesmo por nossos próprios padrões, mas pelo julgamento de Deus [Romanos 14.10].

Sempre que eu julgo outro crente, quatro coisas acontecem instantaneamente: perco minha comunhão com Deus, exponho meu próprio orgulho e insegurança, coloco-me em uma situação pela qual serei julgado por Deus e prejudico a comunhão da igreja. Um espírito crítico é um vício dispendioso.

A Bíblia chama Satanás de acusador dos nossos irmãos [Ap 12.10]. Culpar e criticar os membros da família de Deus queixando-se deles é trabalho do Diabo. No momento em que fazemos o mesmo, estamos sendo ludibriados para fazer o trabalho de Satanás. Lembre-se, os outros cristãos, não importa quanto você discorde deles, não são o verdadeiro inimigo. Todo tempo que desperdiçamos comparando ou criticando outros crentes é um tempo que deveríamos ter usado na edificação da unidade da congregação. A Bíblia diz:

Estejamos unidos no emprego de toda a nossa energia para nos harmonizarmos uns com os outros, ajudando os outros com palavras encorajadoras, não os colocando para baixo por lhes apontar as faltas [Romanos 14.19].

Recuse dar ouvidos a fofocas. Fofocar é transmitir informações quando você nem é parte do problema nem parte da solução. Você sabe que espalhar fofocas é errado, e não deve nem ouvi-las se quiser proteger sua igreja. Ouvir uma fofoca é como receptar mercadoria roubada; isso o faz igualmente culpado pelo crime.

Quando alguém começar a fofocar em seu ouvido, tenha a coragem de dizer: “Por favor, pare. Não preciso saber disso. Você já falou diretamente com a pessoa?”. Pessoas que fofocam para você também irão fofocar sobre você. Tais pessoas não são confiáveis. Se você dá ouvidos a fofocas, Deus diz que você é um criador de casos. Criadores de caso ouvem criadores de caso [Pv 17.4]. Esses são os que dividem igrejas, pensando apenas em si mesmos [Judas 19].

É triste que, no rebanho de Deus, as maiores feridas venham das outras ovelhas, e não de lobos. Paulo alertou sobre os cristãos canibais, que devoram uns aos outros e destroem a comunhão [Gálatas 5.15]. A Bíblia diz que esse tipo de encrenqueiro deveria ser evitado: A difamação revela segredos. Portanto, fique longe de quem é falador [Pv 20.19]. A forma mais rápida de pôr fim a um conflito, seja em uma igreja, seja em um grupo pequeno, é carinhosamente enfrentar os que estão fofocando e insistir em que parem. Salomão destacou que: Uma fogueira se apaga quando acaba a lenha; da mesma maneira, as brigas acabam quando o brigão e implicante é separado do grupo [Pv 26.20].

Pratique os métodos de Deus para a solução de conflitos. Além dos princípios mencionados no capítulo anterior, Jesus deu à igreja um processo simples dividido em três etapas:

Se o seu irmão pecar contra você, vá e, a sós com ele, mostre-lhe o erro. Se ele o ouvir, você ganhou seu irmão. Mas, se ele não o ouvir, leve consigo mais um ou dois outros, de modo que qualquer acusação seja confirmada pelo depoimento de duas ou três testemunhas. Se ele se recusar a ouvi-los, conte à igreja [Mateus 18.15-17].

Em meio a um conflito, temos a tentação de nos queixar a terceiros, em vez de corajosamente falar a verdade de maneira amorosa à pessoa com quem estamos aborrecidos. Isso só torna o assunto mais grave. Em vez disso, você deve ir diretamente à pessoa envolvida.

O confronto em particular é sempre o primeiro passo, e você deve tomá-lo o mais rapidamente possível. Se você não for capaz de resolver as coisas somente entre os dois, o próximo passo é levar uma ou duas testemunhas para ajudarem a confirmar o problema e reconciliar o relacionamento. E o que fazer se a pessoa ainda persistir teimosamente? Jesus ordena que se leve o assunto à igreja. E, se a pessoa ainda assim se recusar a escutar, você deve tratá-la como a um incrédulo.

Apóie o seu pastor e os líderes. Não existe um líder perfeito, mas Deus dá aos líderes a responsabilidade e a autoridade para que mantenham a unidade da igreja. Durante conflitos interpessoais, esse é um trabalho ingrato. Pastores têm freqüentemente a desagradável tarefa de agir como mediadores entre membros magoados e imaturos que estão em conflito. Eles também receberam a impossível tarefa de tentar fazer que todos fiquem felizes, o que nem Jesus conseguiu fazer!

A Bíblia é clara sobre como devemos nos relacionar com aqueles nos servem:

Sejam sensíveis a seus líderes pastorais. Ouçam seus conselhos. Eles estão atentos à condição da vida de vocês e trabalham sob a restrita supervisão de Deus. Contribuam para a alegria de sua liderança e não para os sobrecarregar. Por que tornar as coisas difíceis para eles? [Hebreus 13.17].

Os pastores algum dia estarão perante Deus e terão de prestar contas de como zelaram por você.

Eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas [Hebreus 13.17].

Mas você também terá de prestar contas. Você prestará contas a Deus sobre a forma que seguiu seus líderes.

A Bíblia dá aos pastores instruções específicas sobre como lidar com pessoas desagregadoras no meio da congregação. Eles devem evitar discussões e ensinar gentilmente o contrário, enquanto oram para que elas mudem. Devem admoestar os que são polêmicos, rogar por harmonia e unidade, repreender os que forem desrespeitosos com a liderança e remover os desagregadores da igreja, caso não considerem os dois avisos.

Protegemos a congregação quando honramos os que nos servem como líderes. Os pastores e anciãos necessitam de nossas orações, incentivos, apreço e amor. Recebemos as seguintes orientações:

Agora lhes pedimos, irmãos, que tenham consideração para com os que se esforçam no trabalho entre vocês, que os lideram no Senhor e os aconselham. Tenham-nos na mais alta estima, com amor, por causa do trabalho deles [1 Ts 5.12-13].

Eu o desafio a aceitar a responsabilidade de proteger e promover a união em sua igreja. Empenhe-se nisso com todo o seu esforço, e Deus irá se agradar. Nem sempre será fácil. Algumas vezes você terá de fazer o que é melhor para o corpo, e não para si mesmo, mostrando preferência pelos outros. Este é um dos motivos pelos quais Deus nos colocou em uma família eclesiástica: para aprendermos o altruísmo. Em comunidade, aprendemos a dizer “nós” em vez de “eu” e “nosso” em vez de “meu”. Deus diz:

Não pensem só em seu próprio bem. Pensem nos outros cristãos e no que é melhor para eles [1 Co 10.24].

Deus abençoa igrejas unidas. Na igreja de Saddleback, cada membro assina um pacto que inclui uma promessa de proteger nossa unidade. Conseqüentemente, a igreja jamais teve um conflito que dividisse a congregação. Tão importante quanto isso é o fato de todos quererem fazer parte dela, uma vez que se trata de uma comunidade unida e amorosa. Nos últimos sete anos, a igreja batizou mais de 9 100 novos convertidos. Quando Deus tem um punhado de novos cristãos que quer libertar, ele busca como incubadora a igreja mais carinhosa que puder encontrar.

O que você está fazendo no plano pessoal para tornar sua igreja local mais aconchegante e amorosa? Existem muitas pessoas em sua comunidade que estão procurando amor e um lugar ao qual pertencer. A verdade é que todo o mundo precisa e quer ser amado e, quando as pessoas acham uma igreja onde os membros verdadeiramente amam e se importam uns com os outros, elas vão dar um jeito de entrar ainda que as portas estejam trancadas.

DIA 21

PENSANDO SOBRE MEU PROPÓSITO

Um tema para reflexão: Tenho a responsabilidade de proteger a unidade de minha igreja.

Um versículo para memorizar: Portanto, concentremonos nas coisas que contribuem para a harmonia e no crescimento de nossa comunhão conjunta (Romanos 14.19; CH).

Uma pergunta para meditar: O que estou fazendo pessoalmente para proteger a unidade em minha família eclesiástica neste exato momento?

[Vida com Propósito] Dia 20 – Restaurando a comunhão quebrada

[Deus] restaurou o nosso relacionamento consigo por meio de Cristo e nos deu o ministério da restauração de relacionamentos. 2 Coríntios 5.18; GWT

Sempre vale a pena restaurar relacionamentos.

Uma vez que a vida consiste em aprender a amar, Deus quer que valorizemos os relacionamentos e nos esforcemos para mantê-los, em vez de descartá-los sempre que houver um desacordo, uma mágoa ou um conflito. Na verdade, a Bíblia diz que Deus nos deu o ministério da restauração de relacionamentos [2 Co 5.18]. Por esse motivo, boa parte do Novo Testamento é dedicada a nos ensinar a ter um bom relacionamento uns com os outros. Paulo escreveu:

Se vocês receberam algo por seguir a Cristo, se o amor dele fez alguma diferença na vida de vocês, se participar da comunidade do espírito significa algo para vocês […] concordem uns com os outros, amem uns aos outros, sejam amigos de verdade [Fil 2.1-2].

Paulo ensinou que a nossa habilidade de nos dar bem com as pessoas é uma marca de maturidade espiritual [Rm 15.5].

Uma vez que Cristo quer que sua família seja conhecida pelo amor entre seus membros [Jo 13.35], perder a comunhão é um testemunho deplorável para os que não crêem. Foi por isso que Paulo ficou tão envergonhado quando os membros da igreja de Corinto se dividiram em facções contrárias, chegando até mesmo a apresentar uns aos outros perante o juiz. Ele escreveu:

Que vergonha! Será que entre vocês não existe alguém com bastante sabedoria para resolver uma questão entre irmãos? [1 Co 6.5].

Ele ficou escandalizado ao descobrir que não havia ninguém maduro na igreja para resolver o conflito pacificamente. Na mesma carta, ele disse:

Digo isto com toda a veemência que posso: Vocês devem estar de acordo uns com os outros [1 Co 1.10].

Se você quer a bênção de Deus em sua vida e quer ser conhecido como filho de Deus, deve aprender a ser um pacificador. Jesus disse:

Deus abençoa os que trabalham pela paz, pois eles serão chamados filhos de Deus [Mateus 5.9].

Note que Jesus não disse “Bem-aventurados os que amam a paz, pois todo mundo ama a paz”. Nem disse “Bem- aventurados os pacíficos”, que nunca se incomodam com nada. Jesus disse: Bem aventurados aqueles que trabalham pela paz — aqueles que procuram efetivamente solucionar conflitos. Pacificadores são raros porque fazer a paz é um trabalho árduo.

Como você foi moldado para ser parte da família de Deus e o segundo propósito de sua vida na terra é aprender a amar e a se relacionar com as pessoas, promover a paz é uma das habilidades mais importantes que você pode desenvolver. Infelizmente, a maioria de nós jamais aprendeu a resolver conflitos.

Promover a paz não é evitar conflitos.Fugir de um problema, fingindo que ele não existe, ou ter medo de falar nele é na verdade covardia. Jesus, o Príncipe da Paz, nunca teve medo de conflitos. Em determinada ocasião, ele provocou um conflito para o bem de todos. Algumas vezes precisamos evitar conflitos, outras precisamos criá-los e ainda outras precisamos solucioná-los. É por isso que precisamos orar pedindo a direção contínua do Espírito Santo.

Pacificar também não é acalmar. Sempre desistir, agir como capacho e permitir que os outros sempre o atropelem não era o que Jesus tinha em mente. Ele se recusou a voltar atrás em muitas questões, sustentando seus argumentos em face de uma oposição diabólica.

Como restaurar um relacionamento

Como crentes, Deus nos chamou para ajustar nossos relacionamentos uns com os outros [2 Co 5.18]. Seguem sete passos bíblicos para a restauração da comunhão.

Fale com Deus antes de falar com a pessoa. Converse sobre o problema com Deus. Se antes de mais nada você for orar a respeito do conflito em vez de fofocar com um amigo, descobrirá que em geral ou Deus muda o seu coração, ou muda o coração da outra pessoa, sem sua ajuda. Todos os seus relacionamentos seriam mais tranqüilos se você tão-somente orasse mais a respeito deles.

Assim como Davi compôs seus salmos, use a oração para desabafar verticalmente. Conte a Deus suas frustrações. Grite por sua ajuda. Ele nunca fica surpreso ou chateado com sua raiva, mágoa, insegurança ou qualquer outra emoção. Diga-lhe, portanto, exatamente como se sente.

A maioria dos conflitos tem suas razões em necessidades não-satisfeitas. Algumas dessas necessidades só podem ser alcançadas por Deus. Quando você espera que uma pessoa qualquer amigo, mulher, chefe ou membro da família — satisfaça uma necessidade que somente Deus pode atender, você está se candidatando à amargura e à decepção. Ninguém pode suprir todas as suas necessidades, exceto Deus.

O apóstolo Tiago notou que muitos de nossos conflitos são causados por falta de oração:

De onde vêm as guerras e contendas que há entre vocês? […] Vocês cobiçam coisas, e não as têm. […] Não têm porque não pedem [Tiago 4.1-2].

Em vez de confiarmos em Deus, confiamos que os outros nos farão felizes, e então nos zangamos quando eles nos decepcionam. Deus diz: Por que vocês não vêm primeiro a mim?

Tome sempre a iniciativa. Não importa se você ofendeu ou foi ofendido: Deus espera que você dê o primeiro passo. Não espere pela outra parte, vá primeiro a ela. Restaurar a comunhão perdida é tão importante que Jesus ordenou até mesmo que tivesse precedência sobre o culto de adoração. Ele disse:

Se você entrar no lugar da adoração e na hora de entregar a oferta você repentinamente se lembrar de um rancor que um amigo tem contra você, abandone sua oferta, deixe-a imediatamente, procure esse amigo e acerte as contas com ele. Então, só depois de fazer isso, volte e acerte as coisas com Deus [Mateus 5.23-24].

Quando a comunhão é prejudicada ou rompida, planeje imediatamente uma conferência de paz. Não fique procrastinando, arrumando desculpas, nem prometa: “Dou um jeito nisso um dia desses”. Programe um encontro o mais rápido possível. Demoras só aprofundam ressentimentos e pioram a situação. Quando se trata de conflitos, o tempo não cura nada; ele faz que as mágoas se aprofundem.

Agir rapidamente também reduz os danos espirituais para você. A Bíblia diz que o pecado, o que inclui conflitos não-resolvidos, bloqueia a comunhão com Deus e impede que as orações sejam respondidas [Pv 28.9;1 Pe 3.7], além de nos tornar infelizes. Os amigos de Jó lembraram a ele que ficar desgostoso e amargurado é loucura, é falta de juízo, que leva à morte, lembram também que com a sua raiva, você só está se ferindo [Jó 5.2; 18.4].

O sucesso de uma conferência de paz em geral depende de escolher o momento e o local adequado. Não se reúna se você estiver cansado, apressado ou for ser interrompido. O melhor momento é quando ambos estão tranqüilos.

Tenha compaixão pelos sentimentos dos envolvidos. Use mais os ouvidos do que a boca. Antes de procurar solucionar qualquer desavença, você deve primeiro dar ouvidos aos sentimentos das pessoas. Paulo aconselhou:

Que ninguém procure somente os seus próprios interesses, mas também os dos outros [Fil 2.4].

A frase “cuidar de” é a palavra grega skopos, de onde formamos as palavras “telescópio” e “microscópio”. Significa prestar total atenção! Concentre-se em seus sentimentos, e não nos fatos. Comece pela compaixão, e não pela solução.

Não comece tentando conversar com as pessoas sobre como elas se sentem. Apenas ouça-as e deixe-as descarregar emocionalmente, sem ficar na defensiva. Assinta com a cabeça, sinalizando que compreende mesmo quando não concorda. Sentimentos nem sempre são verdadeiros ou lógicos. Na verdade, ressentimentos nos fazem agir e pensar como tolos. Davi admitiu:

O meu coração estava cheio de amargura, e fiquei revoltado. Eu não podia compreender, ó Deus; era como um animal, sem entendimento [Salmos 73.21-22].

Todos agimos como animais quando estamos feridos.

Em contrapartida, a Bíblia diz:

A sabedoria do homem lhe dá paciência; sua glória é ignorar as ofensas [Pv 19.11].

A paciência vem do conhecimento, e o conhecimento vem de escutar a perspectiva dos outros. Quando ouve, você está dizendo: “Valorizo a sua opinião, preocupo-me com nosso relacionamento e você é importante para mim”. O ditado é verdadeiro: as pessoas não se importam com o que sabemos até que saibam que nos importamos.

Para restabelecer a comunhão, é preciso carregar o “fardo” de termos consideração para com as dúvidas e temores de outras pessoas — daqueles que sentem que essas coisas estão erradas.

Agrademos ao outro, e não a nós próprios, e façamos aquilo que é para o seu bem e assim o edificaremos no Senhor [Romanos 15.2].

É sacrificante absorver pacientemente a raiva dos outros, sobretudo quando ela é infundada. Mas lembre-se: foi isso que Jesus fez por você. Ele suportou uma fúria infundada e maliciosa para salvá-lo. Cristo não agradou a si próprio, mas, como está escrito:

Os insultos dos que te injuriaram caíram sobre mim [Romanos 15.3].

Confesse sua parte no conflito. Se você realmente deseja restaurar um relacionamento, deve começar admitindo os próprios erros e transgressões. Jesus disse que esta é a forma de ver as coisas com mais clareza:

Tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão [Mateus 7.5].

Já que todos temos pontos cegos, você precisará pedir a uma terceira pessoa que o ajude a avaliar suas ações antes de se encontrar com a pessoa com quem você tem um conflito. Também peça a Deus que lhe mostre quanto do problema foi causado por você. Pergunte: “Sou eu o problema? Estou sendo irrealista, insensível ou sensível demais?”. A Bíblia diz:

Se afirmarmos que estamos sem pecado, enganamos a nós mesmos [1 Jo 1.8].

A confissão é uma ferramenta poderosa para a reconciliação. Freqüentemente, a forma de lidarmos com um conflito cria um problema ainda maior do que o problema inicial em si. Quando você começa admitindo humildemente os seus erros, isso neutraliza a raiva da outra pessoa e desarma o seu ataque, porque ela provavelmente esperava que você ficasse na defensiva. Não dê desculpas nem transfira a culpa; apenas confesse sinceramente qualquer participação que você tenha tido no conflito. Aceite a responsabilidade pelos seus erros e peça perdão.

Invista contra o problema, não contra a pessoa. Não há como solucionar o problema se você estiver preocupado em identificar a culpa. Você terá de fazer uma escolha. A Bíblia diz:

A resposta calma desvia a fúria, mas a palavra ríspida desperta a ira [Pv 15.1]

Você nunca se fará entender estando zangado, então escolha cuidadosamente as palavras. Uma resposta branda é sempre melhor que uma resposta sarcástica.

Na solução de conflitos, a maneira em que você fala é tão importante quanto o que você fala. Se você falar de forma ofensiva, a outra pessoa ouvirá de forma defensiva. Deus nos diz:

Quem tem coração sábio é conhecido como uma pessoa compreensiva; quanto mais agradáveis são as suas palavras, mais você consegue convencer os outros [Pv 16.21].

Irritar as pessoas jamais funciona, e você nunca é persuasivo quando é áspero.

Durante a Guerra Fria, ambos os lados concordaram em que algumas armas eram tão destrutivas que jamais deveriam ser usadas. Atualmente, as armas químicas e biológicas foram banidas, e os estoques de armas nucleares estão sendo reduzidos e destruídos. Para o bem da comunhão, você deve destruir seu arsenal de armas nucleares relacionais, ou seja: condenar, menosprezar, comparar, rotular, insultar, ser irônico e sarcástico. Paulo resume tudo isso desta forma:

Não digam palavras que fazem mal aos outros, mas usem apenas palavras boas, que ajudam os outros a crescer na fé e a conseguir o que necessitam, para que as coisas que vocês dizem façam bem aos que ouvem [Efésios 4.29].

Coopere tanto quanto possível. Paulo disse:

Façam todo o possível para viver em paz com todas as pessoas [Romanos 12.18].

A paz sempre tem uma etiqueta de preço. Às vezes custa o nosso orgulho; freqüentemente custa o nosso egoísmo- Pelo bem da comunhão, faça o melhor que puder para chegar a um acordo, adapte-se aos outros e mostre preferência pelas necessidades deles [Rm 12.10; Fil 2.3]. Uma paráfrase da sétima bem-aventurança de Jesus diz: Você é bem-aventurado quando mostra às pessoas como cooperarem em vez de competirem e brigarem. É então que você descobre quem realmente é e o seu lugar na família de Deus [Mt 5.9].

Dê ênfase à reconciliação, não à solução. Não é realista esperar que todos concordem a respeito de tudo. A reconciliação se atem ao relacionamento, enquanto a solução se atém ao problema. Quando focamos a reconciliação, o problema perde importância e não raro se torna irrelevante.

Podemos restabelecer um relacionamento mesmo quando somos incapazes de resolver nossas diferenças. Os cristãos muitas vezes discordam sincera e legitimamente dando opiniões divergentes; mas podemos discordar sem ser desagradáveis. O mesmo diamante tem diferentes aspectos quando visto de diferentes ângulos. Deus espera unidade, não uniformidade. Podemos caminhar de braços dados sem concordarmos em todos os assuntos. Isso não significa que você deva desistir de encontrar uma solução. Você pode precisar continuar conversando e até mesmo discutindo — mas faça issocom espírito de harmonia. Reconciliação significa fazer as pazes, não necessariamente esquecer o assunto.

Com quem você precisa entrar em contato, por causa deste capítulo? Com quem você precisa restaurar a comunhão? Não demore mais nem um segundo. Dê uma parada agora mesmo e converse com Deus sobre essa pessoa. Então pegue o telefone e comece o processo. Esses sete passos são simples, mas não são fáceis. É necessário muito esforço para restaurar a comunhão com alguém. Foi por isso que Pedro recomendou:

Esforcem-se para viver em paz com os outros [1 Pe 3.11].

Mas, quando trabalha pela paz, você está fazendo o que Deus faria. É por isso que Deus chama os pacificadores de seus filhos [Mateus 5.9].

DIA 20

PENSANDO SOBRE MEU PROPÓSITO

Um tema para reflexão: Sempre vale a pena restaurar os relacionamentos.

Um versículo para memorizar: Façam todo o possível para viver em paz com todas as pessoas (Romanos 12.18; NTLH).

Uma pergunta para meditar: Com quem preciso restaurar meu relacionamento no dia de hoje?

[Vida com Propósito] Dia 19 – Cultivando a comunidade

Vocês podem desenvolver uma comunidade saudável e robusta que viva de acordo com Deus e desfrute os resultados se tão-somente derem conta da árdua tarefa de se relacionarem bem uns com os outros, tratando-se digna e honradamente. Tiago 3.18; Msg

Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos, à vida em comum, à refeição comunitária e às orações. Atos 2.42; Msg

Comunidade exige comprometimento.

Somente o Espírito Santo pode criar uma verdadeira comunhão entre crentes, mas ele processa isso através das escolhas e compromissos que fazemos. Paulo trata dessa dupla responsabilidade:

Vocês estão unidos na paz por meio do Espírito. Esforcem-se, portanto, para continuar unidos desse modo [Efésios 4.3].

É necessário tanto o poder de Deus quanto o nosso esforço para produzir uma comunidade cristã amorosa.

Infelizmente, muitas pessoas crescem em famílias com relacionamentos perniciosos, então carecem das habilidades relacionais necessárias à verdadeira comunhão. Elas devem ser ensinadas a lidar e se relacionar com as outras pessoas na família de Deus. Felizmente, o Novo Testamento é repleto de instruções sobre como partilhar uma vida. Paulo escreveu:

Escrevo-lhe estas coisas, [para que] saiba como viver na família de Deus. Essa família é a igreja [1 Timóteo 3.14-15].

Se você está cansado de comunhão fajuta e gostaria de cultivar uma comunidade amorosa com uma comunhão verdadeira em seu grupo pequeno, classe de escola dominical ou igreja, será necessário fazer algumas escolhas difíceis e assumir alguns riscos.

Formar uma comunidade exige sinceridade. Você deverá ter uma grande dedicação a falar a verdade de forma carinhosa, mesmo quando preferir passar por cima de um problema ou desconsiderar um assunto. Embora seja muito mais fácil permanecer em silêncio enquanto os outros à sua volta prejudicam a si próprios e aos outros com alguma prática pecaminosa, essa não é a atitude de amor a ser tomada. Poucas pessoas podem contar com alguém que as ame o suficiente para dizer-lhes a verdade (mesmo quando a verdade machuca), então continuam em caminhos de autodestruição. Nós freqüentemente sabemos o que precisa ser dito a alguém, mas nossos temores nos impedem de dizer. Muitas comunidades são sabotadas pelo medo: ninguém tem coragem de falar em meio ao grupo, enquanto a vida de um membro desmorona.

A Bíblia nos manda falar a verdade em amor [Efésios 4.15], porque não podemos ter uma comunidade sem sinceridade. Salomão disse:

A resposta sincera é sinal de uma amizade verdadeira [Pv 24.26].

Algumas vezes, isso significa importar-se a ponto de carinhosamente questionar aquele que estiver pecando ou sendo tentado a pecar. Paulo diz:

Irmãos, se alguém for surpreendido em algum pecado, vocês, que são espirituais, deverão restaurá-lo com mansidão [Gálatas 6.1-2].

Muitas comunidades e grupos pequenos permanecem superficiais por terem receio de conflitos. Toda vez que uma questão vem à tona e pode causar tensão ou desconforto, é imediatamente encoberta, a fim de preservar uma falsa sensação de paz. O Sr. “Panos Quentes” intervém e tenta aplacar os ânimos. O assunto nunca é resolvido, e todos vivem com uma frustração dissimulada. Todos sabem do problema, mas ninguém fala sobre ele abertamente. Isso cria um ambiente doentio de segredos, onde floresce a fofoca. A solução de Paulo era direta:

Chega de mentiras, chega de fingimento. Fale a verdade ao seu próximo. Afinal, no corpo de Cristo, estamos todos ligados uns aos outros. Quando você mente para os outros, você acaba mentindo para si mesmo [Efésios 4.25].

A verdadeira comunhão, seja no casamento, seja na amizade, seja na sua igreja, depende da franqueza. Na verdade, o túnel do conflito é a travessia para a intimidade em qualquer relacionamento. Até que vocês se importem o suficiente para confrontar e solucionar os obstáculos encobertos, jamais ficarão íntimos uns dos outros. Quando um conflito é tratado corretamente, crescemos em intimidade uns com os outros ao enfrentar e resolver nossas diferenças. A Bíblia diz:

No final, as pessoas valorizam a sinceridade mais que a bajulação [Pv 28.23].

Franqueza não é uma licença para dizer o que você quer, onde quiser e sempre que quiser. Não é grosseria. A Bíblia diz que existe um tempo certo e um modo certo de fazer cada coisa [Ec 8.6]. Palavras impensadas deixam feridas permanentes. Deus nos manda falar uns aos outros na igreja como carinhosos membros da mesma família:

Não repreenda asperamente o homem idoso, mas exorte-o como se ele fosse seu pai; trate os jovens como a irmãos, as mulheres idosas como a mães, e as moças como a irmãs [1 Tm 5.1-2].

Lamentavelmente, milhares de comunidades foram destruídas por falta de honestidade. Paulo teve de repreender a igreja de Corinto pelo seu código de silêncio passivo, ao permitir a imoralidade em sua comunidade. Visto que ninguém tinha coragem de enfrentar o problema, ele disse:

Vocês não podem simplesmente virar para o outro lado e esperar que isso vá embora por si mesmo. Exponham a situação e lidem com ela […] melhor a desolação e o constrangimento do que a condenação […] Vocês deixam isso passar como sendo algo pequeno, mas é tudo, menos pequeno […] Não deveriam agir como se tudo estivesse tranqüilo, quando um de seus companheiros cristãos é promíscuo ou delinqüente, é impertinente com Deus ou indelicado com os amigos, quando se embebeda ou se torna ganancioso e voraz. Vocês não podem simplesmente concordar com isso, agindo como se fosse um comportamento aceitável. Não sou responsável pelo que fazem os de fora, mas não teríamos alguma responsabilidade por aqueles de dentro de nossa comunidade? [1 Co 5.3-12].

Formar uma comunidade exige humildade. A presunção, o convencimento e o orgulho obstinado destroem a comunhão mais rápido que qualquer outra coisa. O orgulho ergue muros entre as pessoas; a humildade ergue pontes. A humildade é o ungüento que acalma e suaviza as relações. É por isso que a Bíblia diz:

Sejam todos humildes uns para com os outros [1 Pe 5.5].

A vestimenta adequada à comunhão é a postura humilde. O resto do último versículo diz:

… porque Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes[1 Pe 5.5].

Essa é a outra razão pela qual precisamos ser humildes: o orgulho obstrui a graça de Deus em nossa vida, a qual devemos ter para crescer, nos transformar, ser sarados e ajudar os outros. Recebemos a graça de Deus ao admitir humildemente que precisamos dela. A Bíblia diz que, no momento em que somos arrogantes, vivemos em oposição a Deus! Essa é uma maneira tola e perigosa de viver.

Você pode desenvolver a humildade de várias maneiras práticas: admitindo suas fraquezas, sendo paciente com as fraquezas dos outros, estando aberto para admoestações e pondo os outros em evidência. Paulo orientou:

Tenham a mesma atitude uns para com os outros. Não sejam orgulhosos, mas estejam dispostos a associar-se a pessoas de posição inferior. Não sejam sábios aos seus próprios olhos [Romanos 12.16].

Aos cristãos em Filipos ele escreveu:

Humildemente considerem os outros superiores a si mesmos. Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros [Fil 2.3-4].

Humildade não é pensar menos de si mesmo, mas pensar menos em si mesmo; humildade é pensar mais nos outros. Os humildes concentram-se de tal forma em servir os outros, que não pensam em si.

Formar uma comunidade exige cortesia. Somos corteses quando respeitamos nossas diferenças e somos cuidadosos com os sentimentos uns dos outros e pacientes com as pessoas que nos irritam. A Bíblia diz:

É preciso carregar o “fardo” de termos consideração para com as dúvidas e temores de outras pessoas — daqueles que sentem que essas coisas estão erradas. Agrademos ao outro, e não a nós próprios, e façamos aquilo que é para o seu bem e assim o edificaremos no Senhor [Rm 15.2].

Paulo disse a Tito:

O povo de Deus deve ser generoso e cortês [Tito 3.2].

Em toda igreja e em todo pequeno grupo, há sempre pelo menos uma pessoa “difícil”, e normalmente mais que uma. Essas pessoas podem ter carências emocionais, insegurança profunda, maneirismos irritantes e escassas habilidades sociais. Você deve chamá-las de pessoas NTE (“Necessária Tolerância Extra”).

Deus pôs essas pessoas em nosso meio tanto para benefício delas quanto nosso. Elas são uma oportunidade para crescermos e um teste para a comunhão. Será que conseguiremos amá-las como irmãos e irmãs, tratando-as com dignidade?

Em uma família, a aceitação não se baseia em quanto você é esperto, bonito ou talentoso. Baseia-se no fato de pertencermos uns aos outros. Defendemos e protegemos a família. Um membro da família pode ser um pouco pateta, mas ainda assim é um de nós. Da mesma forma, a Bíblia diz:

Sejam dedicados uns aos outros como uma família afetuosa. Aprimorem-se em demonstrar respeito uns para com os outros [Romanos 12.10].

A verdade é que todos temos excentricidades e traços de temperamento irritantes, mas comunidade não tem nada que ver com compatibilidade. O fundamento para termos comunhão é nosso relacionamento com Deus: somos uma família.

Um segredo para a cortesia é saber de onde as pessoas estão vindo. Descubra o histórico delas. Quando você souber por que coisas passaram, certamente será mais compreensivo. Em vez de pensar na distância que elas ainda têm a percorrer, pense na distância que já percorreram apesar da dor que carregam.

Outra parte da cortesia é não subestimar as dúvidas das outras pessoas. O fato de você não temer alguma coisa não torna esse sentimento inválido. A verdadeira comunidade se forma quando as pessoas sabem que é seguro partilhar seus medos e suas dúvidas sem serem julgadas.

Formar uma comunidade exige sigilo. Somente em um ambiente seguro, onde houver um acolhimento carinhoso e sigilo confiável, as pessoas se abrirão e compartilharão suas maiores mágoas, necessidades e erros. Sigilo não significa ficar em silêncio enquanto seu irmão ou irmã peca, e sim saber que aquilo que for comentado no grupo ficará restrito ao grupo. O grupo precisa conviver com isso e evitar a fofoca.

Deus detesta a fofoca; principalmente quando é maldosamente disfarçada como “pedido de oração” a favor de alguém. Deus diz:

Os maus provocam discussões, e quem fala mal dos outros separa os maiores amigos [Pv 16.28].

A fofoca sempre causa mágoa e discórdia, e isso destrói amizades. Deus é claro quando nos orienta a advertir os que causam dissensão entre cristãos [Tito 3.10]. Eles podem se enfurecer e deixar seu grupo ou igreja ao serem enfrentados por causa de suas ações que semeiam a discórdia; mas a comunhão da igreja é mais importante que qualquer indivíduo.

Formar uma comunidade exige constância. Você deve manter um contato constante e regular com seu grupo, a fim de desenvolver a verdadeira comunhão. Relacionamentos exigem tempo. A Bíblia nos diz:

Não abandonemos, como alguns estão fazendo, o costume de assistir às nossas reuniões. Pelo contrário, animemos uns aos outros [Hebreus 10.25].

Devemos desenvolver o hábito de nos reunir. Hábito é algo que você faz com freqüência, e não uma vez ou outra. Você tem de passar tempo com as pessoas — muito tempo — para estabelecer relacionamentos íntimos. É por isso que a comunhão é tão superficial em muitas igrejas; não passamos tempo suficiente juntos, e o tempo que passamos é usado normalmente para ouvir uma única pessoa falar.

Uma comunidade não é formada de acordo com nossa conveniência (“Vamos nos reunir quando eu tiver vontade”), mas na convicção de que ela é necessária para nossa saúde espiritual. Se você quiser cultivar uma comunhão verdadeira, isso significará reunir-se mesmo quando você não tenha vontade, porque você acredita que é importante. Os primeiros cristãos se reuniam todos os dias!

Regularmente eles adoravam juntos no templo todos os dias, reuniam-se em grupos pequenos nas casas para a Comunhão, e participavam das suas refeições com grande alegria e gratidão [Atos 2.46].

Viver em comunhão requer investimento de tempo.

Se você é membro de um grupo pequeno ou de uma classe de escola dominical, recomendo que se faça um pacto entre todos, o qual inclua as nove características da comunhão bíblica: “Partilharemos nossos verdadeiros sentimentos (autenticidade), incentivaremos uns aos outros (reciprocidade), apoiaremos uns aos outros (compaixão), perdoaremos uns aos outros (misericórdia), falaremos a verdade com amor (sinceridade), admitiremos nossas fraquezas (humildade), respeitaremos nossas diferenças (cortesia), não fofocaremos (sigilo) e faremos do grupo uma prioridade (constância)”.

Quando você olha a lista de características, torna-se evidente o motivo por que comunhão é tão rara. Ela significa desistir de nosso individualismo e independência para nos tornar interdependentes. Mas os benefícios de dividir a vida com os outros suplanta largamente os custos e nos prepara para o céu.

DIA 19

PENSANDO SOBRE MEU PROPÓSITO

Um tema para reflexão: Comunidade exige comprometimento.

Um versículo para memorizar: Nós compreendemos o que é o amor quando descobrimos que Cristo deu sua vida por nós. Significa que temos de dar nossa vida pelos outros crentes (1 João 3.16; GWT).

Uma pergunta para meditar: Como posso hoje ajudar a criar as características de uma comunidade verdadeira em meu grupo pequeno e em minha igreja?