[Estudo Bíblico] A Oração que conduz ao Perdão!

LEITURA BÍBLICA

Salmos 51:1-13

Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; apaga as minhas transgressões, segundo a multidão das tuas misericórdias.

Lava-me completamente da minha iniqüidade, e purifica-me do meu pecado.

Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim.

Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista, para que sejas justificado quando falares, e puro quando julgares.

Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe.

Eis que amas a verdade no íntimo, e no oculto me fazes conhecer a sabedoria.

Purifica-me com hissope, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais branco do que a neve.

Faze-me ouvir júbilo e alegria, para que gozem os ossos que tu quebraste.

Esconde a tua face dos meus pecados, e apaga todas as minhas iniqüidades.

Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto.

Não me lances fora da tua presença, e não retires de mim o teu Espírito Santo.

Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário.

Então ensinarei aos transgressores os teus caminhos, e os pecadores a ti se converterão.

INTRODUÇÃO

A oração é o modo pelo qual o homem fala com Deus e coloca diante dEle suas alegrias, tristezas, necessidades, anseios, enfim, tudo o que aflige sua alma. Quando se peca, é através da oração que se chega a Deus para confessar as culpas e pedir-lhe o seu perdão.

A oração que Davi fez, logo após ser confron­tado pelo profeta Natã a respeito de seu adul­tério (com Bate-Seba) seguido de assassinato (de Urias), é um exem­plo do que se deve fazer ao pecar, a fim de alcançar misericórdia diante de Deus.

I. O PECADO NOS AFASTA DE DEUS

1. O pecado afronta a Deus.

Pecado é a transgressão deliberada e consciente das leis estabelecidas por Deus.

O pecado afronta o caráter de Deus e a sua santidade. Esta falta de conformi­dade com a lei moral de Deus é re­belião; quem usa dessa prática se distancia da comunhão com Deus, que, por hipótese alguma, comun­ga com o pecado ou com alguém que permanece nesse estado.

Davi pecou gravemente e permaneceu em pecado até que, advertido pelo profeta, se arrependeu e suplicou ao Senhor o perdão.

2. As consequências do pecado.

Os relatos do rei Davi evi­denciam que o pecado entristece o Espírito Santo e causa separação entre Deus e o homem (Is 59.2).

Foi esse afastamento de Deus que Davi viveu. A única maneira de o crente manter comunhão com Deus, por meio do seu Espírito Santo, é andar segundo a sua von­tade (Rm 8.1,2,8,9,1 3,14).

3. Consciência do pecado.

A expressão que Davi usou para rogar a Deus a sua purificação, revela o reconhecimento do seu estado de impureza moral, pois havia cometido delitos contra a santidade de Deus e à sua Lei.

Ao pedir a Deus que o limpasse com hissopo (v.7), ele revela que se havia contaminado tal qual um leproso ou alguém que havia tocado em um morto; símbolos de impureza máxima em sua época (Lv 14; Nm 19. 16-19).

O pecado destrói a paz com Deus, e a falta dessa paz, como decorrência do pecado, é como um sinal vermelho, a fim de que o crente pare imediatamente e volte-se para Deus em oração.

É preciso que se arrependa, confes­se o seu pecado e abandone-o, e pela fé em Cristo, receba o perdão de Deus (1 Jo 1.7-9).

II. CONFISSÃO E PERDÃO

1. Reconhecer e confessar o pecado.

Ao pecar, Davi não considerou as consequências de seus atos. No entanto, assim que caiu em si como pecador, reconheceu a gravidade dos seus pecados cometidos e a necessida­de de confessá-los, para, em se­guida, pedir perdão.

Todo ser hu­mano deve saber que:

“Aquele que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará mise­ricórdia” (Pv 28.13)

O rei sabia que seu pecado era, em primeiro lugar, contra o próprio Deus (v.4). No Salmo 32, Davi mostra o dever e a necessidade de reconhecer e de confessar o pecado a Deus (Sl 32.1-5) e expressa a certeza do perdão do Senhor (v.5).

2. Conhecendo o cará­ter de Deus (vv.6,16).

Davi conhecia a Deus e sabia que só homens limpos de mãos e puros de coração entram no santuário (Sl 24.3,4). Seus salmos revelam que ele conhecia a Deus pessoalmente e tinha um relacionamento íntimo com o Senhor.

3. O afastamento de Deus.

Como todo o crente que deso­bedece às ordenanças divinas, Davi estava sentindo a angústia resultante da falta de comunhão com Deus.

O pecado era como um muro, que o impedia de ver e sen­tir a presença de Deus. Para um homem acostumado à comunhão com o Criador, o vazio provocado pela falta desta doía como um cor­po com os ossos quebrados (v.8); a tristeza havia tomado conta de seu ser.

III. A RESTAURAÇÃO DO PECADOR

1. Arrependimento e con­trição.

Davi tinha consciência do seu pecado. Porém, sabia que Deus está sempre disposto a perdoar todo homem que, com o coração arrependido, volta-se para Ele, confessando as suas culpas e rejeitando-as, por meio da oração espontânea e sincera (Pv 28.13).

O perdão divino está à disposição de todos os pecadores que, arrependidos, confessam a Deus os seus pecados e aceitam a purificação provida pelo Senhor mediante o sangue de Jesus Cristo (Lc 24.46,47; 1 Jo 1.9).

Todavia, é necessário que se rejeite totalmen­te a prática do pecado, pois o que alcança misericórdia é aquele que confessa e deixa (Pv 28.13).

2. Mudança de atitude.

O verdadeiro arrependimento resul­ta em mudança de vida.Pode-se tomar como exemplo o Filho Pródigo!

Ele, distante do pai, sem dinheiro ou condições dignas de, inclusive, se alimentar reconheceu seu pecado e resolveu voltar. Con­fessou suas transgressões ao pai e pediu-lhe perdão.

O importante, porém, foi que a oração o levou à ação. Ele foi, fez tudo o que havia proposto e alcançou misericór­dia (Lc 15.11-24). Davi também demonstrou com atos sinceros e profundos o arrependimento, vindo da alma.

3. Renovação interior.

Na oração de Davi, pode-se ver que o Senhor já estava trabalhando em seu interior. Observe os desejos de Davi depois de confessar seus peca­dos e buscar o perdão de Deus:

a) Um espírito voluntário.

O que demonstra seu desejo e sua disposição de servir a Deus (v. 12).

b) Ensinar os caminhos do Se­nhor.

 Assim que se sente perdo­ado Davi se propõe a falar sobre o quanto Deus fora compassivo e misericordioso com ele, para que mais pecadores (como ele) se convertam de seus caminhos (v. 13). Davi não se contenta em apenas desfrutar o seu perdão; ele também quer que o mundo conheça o Deus perdoador.

c) Louvar a Deus.

Conhecen­do o seu Senhor, Davi sabia que, na situação de pecado em que se encontrava, seus louvores não seriam aceitos. Era necessário que, antes de oferecer sacrifí­cios, ele se quebrantasse diante de Deus. Só então, estaria livre para louvá-Lo (vv. 16,17).

Deus recebe o louvor dos filhos obe­dientes, que procuram viver de acordo com a Palavra; a estes Ele denomina verdadeiros adorado­res (Jo 4.23).

O verdadeiro louvor ao Senhor não está em palavras ou canções, mas primeiramente na vida santa e consagrada e no testemunho do adorador.

d) Prontidão para agradar a Deus.

Uma das características mais marcantes de um homem perdoado por Deus é o desejo profundo de agradá-Lo.

O próprio Jesus fez alusão a este fato, quando estava em casa de Simão (Lc 7.36-50).

A motivação maior do serviço do crente no Reino é o fato de ter sido perdoado, isto o constrange a fazer tudo e qualquer coisa para agradar ao Deus que o perdoou e o livrou da morte e do inferno.

Por isso, um dos desejos expressos por Davi em sua oração foi o de ser um prestador de serviço para Deus com espírito voluntário.

CONCLUSÃO

A oração é um instrumento de comunhão com Deus, inclusive para aquele que a perdeu por causa do pecado. Depois que o homem reconhece que pecou, através da oração sincera, como a do publicano em Lucas 18.10-14, pode confessar seus pecados ao Senhor e pedir-lhe o seu perdão.

O verdadeiro arre­pendimento, no entanto, implica na mudança de atitude e conduta daquele que pecou. A orientação amorosa do Senhor Jesus é: “vai-te e não peques mais” (Jo 8.11).

SUPLEMENTO

Subsídio 1

O Pecado e seu Domínio

“Infelizmente, para o questionamento do porquê de Davi ter pecado, a resposta é simples e, ao mesmo tempo, complexa: Ele pecou exatamente porque é um ser humano.

[…] Mesmo sendo o ‘homem segundo o coração de Deus’, ele não possuía uma natureza divina assim como Jesus Cristo que, apesar de ser chamado de ‘Filho de Davi’ — por sua ascendência ou natureza humana—, era Deus e, portanto, não sujeito a pecar (Hb 4.15; 1 Pe 2.21,22).

Ser um ‘homem de Deus’ (2 Cr 8.14), como Davi o era, infelizmente não significa invulnerabilidade ou imunidade em relação ao pecado. Talvez nisso reside o problema de muitas pessoas que se espelham em outras. Quando seus re­ferenciais fracassam, elas igualmente perdem a fé, pois caíram na ilusão de acreditar que existe alguém perfeito.

A doutrina do pecado ou hamartiologia é um dos grandes ensinos que precisa ser resgatado nos dias atuais. Saber que todos nós fomos afetados pela realidade do pecado, que por meio de um ato único entrou no mundo e, consequentemente, no seio da humanidade (Gn 3), é muito importante, pois mostra que a sua universalidade é algo que só pode ser resolvido com um único ato universal (Rm 5.18,19).

O pecado é, por definição, um desvirtuamento do propósito original de Deus para o homem, pois o ‘sentido básico da palavra é o de errar um alvo ou um caminho’ “.

 (CARVALHO, César Moisés. Davi. As vitórias e as derrotas de um homem de Deus. l. ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2009, pp. 147-8).

Subsídio 2

O Perdão Pela Confissão

“Qual é a garantia de que a confissão é importante para Deus? A própria Palavra de Deus. Ela garante que a confissão é premiada com a misericórdia.

‘O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia’ (Pv 28.13)

Deus sabe que estamos sujeitos às leis deste mundo, mais exige que pautemos uma vida dentro dos padrões estabelecidos por Ele. E quando nos afastamos desse padrão, Ele espera que admitamos nossa falha e retornemos para Ele por meio da confissão.

Todos nós conhece­mos o texto áureo da confissão:

‘Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça’ (1 Jo 1.9)

Não podemos ter por hábito apenas dizer para Deus o que fizemos como se lêssemos para Deus uma lista de nossas infelizes decisões e atos. Mais que enumerar pecados, Deus espera que concordemos com Ele que erramos e que precisamos do seu perdão.

E Davi reconheceu o seu erro. Ele sabia que em Deus acharia a graça para a recuperação de seu pecado. Deus, por meio da confissão de Davi, não permitiu que ele permanecesse naquela situação:

‘Os passos de um homem bom são confirmados pelo Senhor, e ele deleita-se no seu caminho. Ainda que caia, não ficará prostrado, pois o Senhor o sustém com a sua mão’ (Sl 37.23,24)

Como diz Richard D. Philips, ‘enquanto a verdade condena, a verdade e a graça juntas restauram o pecador‘.

Não estamos imunes ao pecado em um mundo decaído. Não po­demos dizer que jamais pecaremos, ou que ficaremos o tempo todo em vigilância. Mas podemos ter certeza de que Deus, em sua grande misericórdia, aceitará o pecador arrependido e o restaurará à comunhão perdida”

(COELHO, Alexandre. Davi. As vitórias e as derrotas de um homem de Deus. l.ed. Rio de Janeiro, CPAD, 2009, pp. 168-72).

Fonte: CPAD/2010

2 pensamentos sobre “[Estudo Bíblico] A Oração que conduz ao Perdão!

  1. amei.eu sofro muitas decepçoes com pessoas religiosas devido ao comportamento delas,que nao condizem com uma pessoa q se se diz cristao e conhecedor da palavra de Deus.e de repente eu me revolto e quero me afastar dos caminhos de Deus.nao consigo mais confiar em ninguem.mas eu sei que somos todos pecadores e que verdadeiramente bom e justo e so Deus e quem eu realmente posso me espelhar e so jesus.

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