[Estudo Bíblico] O Ministério da Intercessão

LEITURA BÍBLICA

Gênesis 18:23-29;32-33
E chegou-se Abraão, dizendo: Destruirás também o justo com o ímpio?Se porventura houver cinqüenta justos na cidade, destruirás também, e não pouparás o lugar por causa dos cinqüenta justos que estão dentro dela?Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti. Não faria justiça o Juiz de toda a terra?Então disse o SENHOR: Se eu em Sodoma achar cinqüenta justos dentro da cidade, pouparei a todo o lugar por amor deles.E respondeu Abraão dizendo: Eis que agora me atrevi a falar ao Senhor, ainda que sou pó e cinza.

Se porventura de cinqüenta justos faltarem cinco, destruirás por aqueles cinco toda a cidade? E disse: Não a destruirei, se eu achar ali quarenta e cinco.

E continuou ainda a falar-lhe, e disse: Se porventura se acharem ali quarenta? E disse: Não o farei por amor dos quarenta.

Disse mais: Ora, não se ire o Senhor, que ainda só mais esta vez falo: Se porventura se acharem ali dez? E disse: Não a destruirei por amor dos dez.E retirou-se o SENHOR, quando acabou de falar a Abraão; e Abraão tornou-se ao seu lugar.
INTRODUÇÃO

O amor é a característica mais marcante do cristão (Jo 13.35). Esse amor deve ser demonstrado em todo o seu viver, inclusive em suas orações intercessórias.

Inter­cessão quer dizer orar a Deus em favor de outra pessoa. A Palavra ordena aos filhos de Deus a orar por seus irmãos (Ef 6.18,19), pela obra de Deus (Mt 9.38), pelas autoridades constitu­ídas (1 Tm 2.1,2) e até pêlos inimigos (Mt 5.44).

Se você, meu irmão, não é um inter­cessor, está perdendo a bênção de Deus. Por­tanto, entre na esfera da intercessão agora!

I. A ORAÇÃO INTERCESSÓRIA

1. No Antigo Testamen­to.

Entre o povo de Israel havia muitos homens fiéis, amorosos e dedicados, que perseveraram em oração a Deus por seus ir­mãos e pela nação inteira. Samuel (I Sm 7.8,9; 12.19-25), Moisés (Êx 32.11-14, 30-32; Dt 9.13-19), Jeremias (Jr 14.19-22), Esdras (Ed 9. 6-1 5), Daniel (Dn 9.3-19) e tantos outros servem como exemplo.

O próprio Deus menciona nomi­nalmente homens como Samuel e Moisés como intercessores (Jr 15.1). Estes homens santos se afligiam com o pecado do povo, sentiam a necessidade do perdão divino e choravam diante de Deus, suplicando-lhe uma solução.

2. Em o Novo Testamento.

O ministério da inter­cessão perante Deus continuou, sendo o Senhor Jesus o nosso supremo exemplo (Jo 17). Pessoas vinham ao Mestre pedindo por seus parentes, amigos e servos (Mc 5.22-43; 10.13; Jo 4.46-53).

Jesus demonstrou a prática da intercessão muitas vezes orando pelos per­didos (Lc 19.10), por Jerusalém e seus discípulos (Jo 17.6-26). Na igreja, a partir do livro de Atos e das Epístolas há muitos e va­riados exemplos de intercessões em oração, nos quais há grandes lições para a nossa vida cristã.

A igreja é incentivada a orar uns pelos outros (Tg 5.16; Ef 6.18). Ela deve habituar-se a pelas necessidades dos irmãos (At 12.5; 13.3). Na igreja, às ve­zes há grupos que se organizam e se intitulam “Os Intercessores”, mas não perduram.

O verdadeiro intercessor não gosta de aparecer. Ele em si mesmo se compraz em ver, mediante sua intercessão, o nome de Deus ser glorificado pelas bênçãos concedidas.

3. Nos dias atuais.

A Bíblia nos ensina que é dever do crente orar pelos outros (1 Jo 5.16;1 Tm 2.1,8; Ef 6.18;Tg 5.16). Contudo, não é só um dever, mas principal­mente um privilégio e um canal de bênção.

Aquele que persevera em orar pelos ostros, Deus levanta intercessores para orar por ele e, assim, todos são abençoados. A oração intercessória enquadra-se na verdade bíblica:

“Mais bem-aven-turada coisa é dar do que receber” (At 20.35).

Quem ora, se coloca diante de Deus, entra em sua pre­sença e nunca sai deste encontro da mesma forma que entrou. Ser alvo de uma oração é gratificante; orar é glorioso.

A prática de estar com Deus em oração, muda o homem (Gn 32.22-32). As pessoas conse­guem perceber a diferença daquele que cultiva a comunhão com Deus (Êx 34.29-35). Dentre os discípulos de Jesus, três conviveram mais com Ele; e dentre os três, um era-lhe ainda mais chegado.

II. CARACTERÍSTICAS DE UM INTERCESSOR

1. Perseverança.

Abraão foi um homem perseverante. Sua súplica a Deus por Sodoma e Gomorra demonstra sua diligência. Ele intercedeu diante de Deus e nisso perseverou até obter a resposta (Gn 18.22-33).

O inter­cessor não pode se deixar levar pelas dificuldades e aparentes “impossibilidades”. Foi o caso da mulher siro-fenícia perante Jesus. Apesar de ser ignorada e receber inicialmente um “não” do Senhor, como teste da sua fé, ela insistiu em seu pedido, humilhando-se diante dEle, até que foi atendida em sua petição (Mt l 5.22-28).

2. Altruísmo.

Em um autênti­co intercessor não pode haver ego­ísmo, mesmo porque, se alguém é egoísta, não é intercessor. O oposto do egoísmo é o altruísmo.A pessoa esquece de si mesma e cuida do outro por amor.

O caso de Moisés é emblemático. O Senhor falou em acabar com o povo de Israel e iniciar, a partir dele (Moisés), outro povo (Êx 32.7-14). O amor que Moisés tinha por aquelas pessoas, que com tanto zelo e devoção eram conduzidas por ele, dominava o seu ser. Esse amor o levou a rejeitar a proposta e interceder pelo povo que havia desprezado a Deus e ao próprio Moisés (Êx 32.1,4).

Na mesma ocasião, esse servo de Deus pediu para ser riscado do livro di­vino, caso o Senhor não perdoasse aos israelitas (Êx 32.30-32). Um fato semelhante é o de Jó, que em meio a severas provações, grande necessidade e graves problemas de saúde, intercedia diante de Deus por seus “amigos” (Jó 42.10).

O apóstolo Paulo, com profundo amor pelo seu povo e anseio por sua salvação, afirmou que abriria mão de sua própria salvação em favor deles (Rm 9.3). Jesus, crava­do no madeiro, sofrendo grandes dores, intercedeu por seus algozes (Lc 23.33,34), e pelo ladrão arre­pendido crucificado ao seu lado (w.40-43).

3. Empatia.

Empatia é, no campo natural, a capacidade de uma pessoa identificar-se com outra; harmonizar-se, combinar com outra pessoa, sentir o que ela sente, desejar o que ela quer, apreender do modo como ela apre­ende.

Interceder, no campo espiri­tual, é mais do que simplesmente apresentar pedidos em favor de outros diante de Deus. É ter a capacidade de se colocar no lugar daquela pessoa ou pessoas, sentir suas misérias, sua dor, seu estado, sua necessidade e, por conse­guinte, implorar a Deus por sua resposta.

Esdras e Jeremias foram exemplos nesta área. Eles mesmos não haviam pecado contra Deus, cometendo as abominações que o povo cometia em sua época. No entanto, em oração apresentaram o povo a Deus, rogando-lhe o seu perdão e implorando por salvação (Jr 14.18-22; Ed 9.6-1 5).

Neemias, o governador, fez a mesma coisa (Ne 9.33,37). Em Jesus esta carac­terística é notória; Ele sentia a dor das pessoas, o que o levava à com­paixão (Lc 7.11 –13; Mt 9.36; 14.14). Quando viu a dor de Maria ao perder seu irmão, chorou (Jo 11.32-35). O cristão deve sempre ter em si esta virtude (Rm 12.15) ao interceder diante de Deus por outro.

III. A FORÇA DA ORAÇÃO COLETIVA

l. Nínive.

O Senhor havia de­terminado a destruição de Nínive. Seus habitantes, no entanto, deci­diram arrepender-se e humilhar-se diante de Deus, como um só ho­mem, apregoando um jejum que incluía até os animais, clamando a Deus por misericórdia e pela revogação da sentença destrui­dora que fora motivada por eles mesmos. Apesar dos protestos do profeta Jonas, tiveram sua petição atendida, e todo o povo foi salvo da destruição (Jn 3.5-10).

2. Israel.

Quando Ester to­mou conhecimento do terrível e destruidor edito real que decretava a morte de todos os judeus, ela e suas auxiliares decidiram orar e je­juar para que o Senhor preservasse ávida dos Descendentes de Abraão e desse vitória sobre seus inimigos. Mais uma vez, Deus respondeu à oração (Et 4. 15-17; 8.1-17).

3. Igreja Primitiva.

A igreja começou em plena atmosfera de oração (At 2.42). Eles apresenta­vam seus pedidos a Deus de forma unânime. Quando Pedro foi preso, a igreja reuniu-se para interceder a Deus por ele (At 12.1-17).

Aquela reunião de súplica fopi certamente transformada em reunião de louvor e agradecimento a Deus pela oração respondida!

CONCLUSÃO

Orar pelos outros é um dever e uma prova de que o amor de Deus está derramado no coração do intercessor. Buscara Deus com fé é o modo correto de começar. To­dos os cristãos devem desenvolver uma vida de oração e intercessão, buscando ter em si virtudes como altruísmo, perseverança e empatia espiritual. Assim fazendo, além de aprimorar sua vida de comunhão com Deus, o cristão estará cum­prindo o mandato divino de amar ao próximo como a si mesmo.

Subsídio Bibliográfico

Intercessão

“O vocábulo hebraico ‘paga’ ocorre 46 vezes no Antigo Testamento. Sua forma verbal significa ‘encontrar-se’, ‘pôr pressão sobre’ e, finalmente, ‘pleitear’. Já sua forma causativa, com lê (‘para’), significa ‘interceder diante de’. O texto a seguir é um exemplo de seu uso no Antigo Testamento.

‘Pelo que lhe darei a parte de mui­tos, e, com os poderosos, repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma na morte e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos e pêlos transgressores intercedeu [fez inter­cessão]'(Is 53.12).

Em o Novo Testamento, a palavra ‘intercessão’ vem do termo grego entugcnano, que significa ‘apelar a’, ‘pleitear’, ‘fazer intercessão’, ‘orar’. Duas bem familiares e preciosas pas­sagens incluem este vocábulo:

E da mesma maneira também o ‘Espírito ajuda as nossas fraquezas; porque não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós com gemi­dos inexprimíveis. E aquele que exami­na os corações sabe qual é a intenção do Espírito; e é ele que segundo Deus intercede pêlos santos’ (Rm 8.26,27).

‘Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens’ (1 Tm 2.1).

[…] A ‘intercessão’ representa ‘o ato de uma ou mais pessoas, hu­manas ou divinas, que fazem inter­cessão a Deus em favor de outrem”‘ (BRANDT, Robert L; BICKET, ZenasJ. Teologia Bíblica da Oração. Rio de Janeiro, CPAD, 4. ed., 2007, p.29).

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