[Estudo Bíblico] A Oração Sacerdotal de Jesus Cristo

LEITURA BÍBLICA

João 17:1-4; 15-17; 20-22

Jesus falou assim e, levantando seus olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que também o teu Filho te glorifique a ti;

Assim como lhe deste poder sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos quantos lhe deste.

E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.

Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer.

Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.

Não são do mundo, como eu do mundo não sou.

Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade.

E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim;

Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.

E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um.

INTRODUÇÃO

A oração sacerdotal de Jesus, em João 17, expressa os sentimen­tos, pensamentos e vontades mais íntimas do Mestre em relação aos seus discípulos.

Este estu­do bíblico é re­levante, porquanto não somente revela o que nosso Senhor espera de sua Igreja, mas também evidencia a importância da intercessão de um líder em favor de seus liderados.

I. ORAÇÃO POR UMA VIDA DE COMUNHÃO COM O PAI

1. Relacionamento com Deus (17.2,3).

Nos seus últimos momentos, Jesus demonstra em suas palavras dirigidas ao Pai o seu anseio para que os discípu­los aprofundassem o conheci­mento deles referente a Deus.

Só conseguimos nos relacionar intimamente com alguém a quem conhecemos de modo profundo. Como o profeta Oséias recomen­da:

“Conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor” (6.3).

2. Meditação e prática da Palavra de Deus (Jo 17.6).

As Escrituras revelam o caráter de seu Autor e seus mais profundos anseios para o homem. A melhor maneira de conhecer o Pai e a sua vontade para seus filhos é medi­tar em sua Santa Palavra.

A Lei do Senhor é capaz de ensinar, redar­guir, corrigir, instruir em justiça (2 Tm 3.16), bem como produzir alegria (Jr 15.16), prosperidade (Sl 1.1-3) e vida eterna (Jo 6.63; Hb4.12; Sl 119.50).

3. Uma vida que glorifi­que a Deus (17.4).

O homem foi criado para glorificar a Deus (Is 43.7,21; 1 Co 6.20). Jesus, enquanto esteve na terra, viveu para glorificar a Deus em todos os seus atos (Jo 17.4).

De igual modo, o crente deve viver neste mundo para a glória do Senhor. À medida que nos relacionamos intimamente com o Senhor por meio da oração e da medita­ção em seus manda­mentos, o seu caráter vai sendo moldado em nós e, por conseguinte, externamos uma vida que glorifica ao Senhor. Que a Igreja de Cristo busque arden­temente agradá-Lo e glorificá-Lo em todo tempo (1 Co 10.31).

REFLEXÃO

“Se tivermos toda a Bíblia e nenhuma oração, teremos um grande monte de verdade, mas nenhum poder. Seria como ‘luz sem calor’. Por outro lado, se tivermos toda a oração, porém nenhum ensino bíblico, estaremos em perigo de nos tornarmos fanáticos – calor sem luz!” Warren W. Wiershe

II. ORAÇÃO POR PERSEVERANÇA, ALEGRIA E LIVRAMENTO

1. Perseverança (Jo 17.11,12).

Enquanto Jesus esteve com os discípulos, ensinava-os a verdade e conduzia-os para que não se desviassem desta. Entretanto, sabia que, na sua ausência, a fé desses homens poderia enfraquecer. Por isso, intercede ao Pai para que continuassem crendo nEle e guardando a sua Palavra, a fim de conseguirem perseverar no caminho, na fé, na verdade e na comunhão.

2. Alegria (Jo 17.13).

Je­sus ora para que a alegria dos discípulos permaneça na sua ausência. A alegria do cristão, produzida pelo Espírito Santo, torna-o mais forte e resistente às adversidades. Por essa razão, Paulo recomenda aos tessaloni-censes e filipenses: “Regozijai-vos” (Fp 4.4;1 Ts 5.16).

3. Livramento (Jo 17.15).

Por conhecer o mundo em que viveriam seus discípulos – um mundo que jaz no maligno- Jesus revela uma preocupação muito grande com eles. Sendo assim, roga a Deus, como um bom Pai, que livre seus filhos do mal, ou seja, dos perigos, das tentações e investidas do Diabo.

Podemos descansar na proteção divina, uma vez que estamos refugiados no esconderijo do Altíssimo (Sl 91.1). Contudo, é nosso dever orar e vigiar, “em todo o tempo” (Ef 6. 18), a fim de não entrarmos em tentação (Lc 22.40).

III. ORAÇÃO POR SANTIDADE, UNIDADE E FRUTOS ESPIRITUAIS

1. Santidade (Jo 17.17,19).

Jesus suplicou a Deus que santi­ficasse seus filhos. Ao longo de toda a Bíblia, observamos que o Senhor sempre requereu de seu povo separação total do mundo e do pecado, a fim de adorá-lo e servi-lo. Esse é um processo natural, porquanto, à proporção que nos aproximamos de Deus, afastamo-nos do pecado; e vice-versa. Tal santificação é obtida por meio da verdade, que é ao mesmo tempo Jesus e as Escrituras Sagra­das. Ser santo não é apenas um desejo do Noivo para a sua Noiva, é uma ordem (1 Pe 1. 16).

2. Unidade (Jo 17.21,22).

Em sua oração, Jesus ressalta a unidade existente entre Ele e o Pai. O Pai, o Filho e o Espírito Santo são Pessoas divinas e dis­tintas, mas são um em essência e vivem em perfeita unidade. Cristo anseia que seu Corpo viva de igual modo, unido. Essa virtude é conquistada e conservada por meio de um andar em Espírito (Gl 5.16-26).

3. Frutificação espiritual (Jo 17.18).

Assim como Deus en­viara o seu amado Filho ao mundo, Jesus enviaria seus discípulos, a fim de que produzissem frutos perma­nentes.

Aquele que está em Cristo -a Videira Verdadeira – naturalmente produz frutos da mesma espécie (Jo 15.5). É impossível estar ligado ao Senhor e, por conseguinte, desfru­tar de comunhão íntima com Ele, e não frutificar (15.4).

CONCLUSÃO

A oração intercessória de Je­sus no capítulo 17 de João revela, sobretudo, seu anseio por uma Igreja que desfrute de um relacio­namento profundo com Deus, reflita o seu caráter e busque única e exclusivamente a sua glória.

Fonte: CPAD/2010

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