[Estudo Bíblico] Os Males do Consumismo

LEITURA BÍBLICA

Eclesiastes 2.4-11.

4 – Fiz para mim obras magníficas; edifiquei para mim casas; plantei para mim vinhas.

5- Fiz para mim hortas e jardins e plantei neles árvores de toda espécie de fruto.

6- Fiz para mim tanques de águas, para regar com eles o bosque em que ; reverdeciam as árvores.

7-Adquiri servos e servas e tive ser­vos nascidos em casa; também tive grande possessão de vacas e ovelhas, mais do que todos os que houve antes de mim, em Jerusalém.

8 – Amontoei também para mim prata, e ouro, e jóias de reis e das províncias; provi-me de cantores, e de cantoras, e das delícias dos filhos dos homens, e de instrumentos de música de toda sorte.

9-E engrandeci-me e aumentei mais do que todos os que houve antes de mim, em Jerusalém; perseverou tam­bém comigo a minha sabedoria.

10- E tudo quanto desejaram os meus olhos não lhos neguei, nem privei o meu coração de alegria alguma; mas o meu coração se alegrou por todo o meu trabalho, e esta foi a minha porção de todo o meu trabalho.

11 – E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito; e eis que tudo era vaidade e aflição de espí­rito e que proveito nenhum havia debaixo do sol.

INTRODUÇÃO

A riqueza, a fama, o poder, os prazeres e o consumo desenfrea­do são ineficazes para satisfazer as necessidades da alma (Ec 6). Infelizmente, por essas coisas vãs, muitos têm empenhado tudo o que possuem, inclusive a própria vida (Mt 16.26). A Palavra de Deus nos adverte taxativamente sobre o gasto abusivo e desnecessário (Pv 21.20; Is 55.2). Nesta lição, aprenderemos sobre como nos livrar desta enfer­midade.

l – OS MALES DO CONSUMISMO

1. O apelo consumista nos meios de comunicação.

Muitos são impelidos, especialmente, pela propaganda difundida nas mídias eletrônicas (Rádio, TV, Internet), a comprarem aquilo de que realmente não necessitam. Os profissionais do marketing aproveitam-se das datas comemorativas tais como, Natal, Páscoa, Dia das mães, dos pais, dos namorados, das crianças, etc., para incitar as pessoas ao consumo. O pior do consumismo é que muitos acabam valorizando mais as coisas materiais que as espirituais (Pv 30.15; Mt 6.1-9-21).

O crente em Jesus deve resistir ao consumo inútil e à tentação do crédito fácil, propalados pela mí­dia. Lembre-se: “Crédito imediato é também dívida imediata!”. Façamos, pois, a oração de Agur: “Não me dês nem a pobreza nem a riqueza; mantém-me do pão da minha porção acostumada” (Pv 30.8,9).

2. O supérfluo em detrimen­to do essencial.

Essencial para o consumo é aquilo que, sem o qual, a vida exaure: comida, roupa, mo­radia e, na medida certa, o lazer. Até mesmo no que é indispensável devemos confiar mais em Deus que em nossos próprios esforços (Mt 6.25-34). O supérfluo é tudo aquilo que não é essencial à manutenção da vida. Sob a influência dos meios de comunicação, há os que suprimem itens prioritários à sobrevivência, para comprar produtos de griffe, por mero capricho. A Bíblia é enfática em seu ensino contra o desperdício (Is 55.2; 2 Tm 4.5).

3. A Compulsão pelas com­pras.

A vontade compulsiva de comprar pode estar associada a um distúrbio psicológico conheci­do como oneomania. Essa doença está associada a diversos fatores tais como: ansiedade, frustração, depressão, transtornos de humor e um desejo reprimido de possuir as coisas. Por isso há tantas pessoas endividadas, especialmente, pelo mau uso do cartão de crédito e de cheques especiais. É uma enfermi­dade que precisa ser tratada com seriedade e urgência (Pv 15.27; Ec 5.10;Jr 17.11; l Tm 6.10).

Obreiros, líderes e crentes em geral, portadores dessa doença, precisam de cura imediata para exercerem o ministério cristão sem impedimento, e glorificarem o santo nome de nosso Senhor Jesus Cristo (Rm 12.16; l 3.8,14; Cl 5.22).

II – COMÉRCIO E CONSUMO NO AMBIENTE CRISTÃO

1. O comércio no templo em Jerusalém (Jo 2.13-17; Mt 21.12,13).

Era no átrio dos gen­tios que os comerciantes vendiam animais para serem sacrificados, e os cambistas trocavam as moedas estrangeiras pela moeda do Templo, a fim de que os judeus pagassem o imposto sagrado (Mt 21.12). Essas atividades eram controladas pêlos sacerdotes e levitas, inclusive pela família de Anás, o sumo sacerdote. O problema é que eles majoravam o preço dos animais e cobravam exces­sivas taxas cambiais. Era a prática da corrupção e exploração do povo no recinto sagrado. O culto tornava-se apenas uma desculpa para o comér­cio fraudulento. Todavia, Jesus, na função de Filho de Davi, condenou os abusos e a corrupção (Mt 21.5-1 1).

2. Mercantilismo na Igreja.

Não podemos ignorar esta infame realidade: muitos exercem ativida­des entre o povo de Deus alegando um “ministério” que não existe. Há cantores evangélicos, pregadores, “ensinadores”, “missionários” e vende­dores itinerantes cuja vida particular desmente os padrões de santidade que eles fingem ser portadores no púlpito (Cl 2.23; 2 Tm 3.4,5). São artistas, exploradores do povo e das igrejas, que só vêem o promissor mercado evangélico à sua frente.

3. Comércio ou serviço cris­tão?

Há quem questione a compra e venda de produtos necessários ao desenvolvimento do serviço Cristão na igreja. A igreja, de fato, precisa de Bíblias, livros, folhetos e outros aparatos. Se tal atividade comercial é honesta e normal no mundo secular, por que seria condenável no âmbito cristão, se é feito com transparência e sem “torpe ganância”? (Tt l .7).

III – PROVISÃO DIVINA DAS NECESSIDADES DIÁRIAS

1. Pedindo a Deus a provi­são necessária (Pv 30.7,8).

Agur fizera apenas dois pedidos a Deus. Primeiro que Ele o resguardasse da mentira e da falsidade, porque desejava manter-se verdadeiro e íntegro. Segundo que o Senhor lhe concedesse o suficiente para satisfa­zer suas necessidades diárias. Agur não queria os excessos da riqueza, nem as privações da pobreza, mas, uma vida prudente e financeiramen­te equilibrada (Lc 12.29-31).

Na Oração Dominical, Jesus en­sinou o mesmo princípio (Mt 6.9-1 3, 25-34). Devemos buscar primeiro o Reino de Deus (v.33), mas o Pai também quer que oremos por nossas necessidades materiais – o “pão” (Mt 6.11).

Em Filipenses4.11-13, Paulo re­força o ensino de Jesus quando diz aos Filipenses: “aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido e sei também ter abundância” […] “estou instruído tanto a ter fartura como a ter fome, tanto a ter abundância como a padecer necessidade. Posso todas as naquele que me fortalece”.

2. Deus nos supre em todos os momentos (Fp 4.11-13,19).

Deus supriu todas as necessidades do profeta Elias (l Rs 17.2-7, 8-24). O rei Davi, quando idoso, pôde testificar sobre a provisão divina durante toda a sua vida (Sl 37.25; 23.1). Estamos diante do mesmo Deus que pode fazer isso agora, aí mesmo onde você se encontra. Ele não mudou, “é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente” (Hb 13.8; Dt 8.15-18; Lc 12.15; l Tm 6.17).

IV -COMO FUGIR DO CONSUMISMO

1. Evite o desperdício e o su­pérfluo.

Em João 6.1 2 Jesus ordenou que seus discípulos recolhessem os alimentos que sobrara para que nada se perdesse. Algumas vezes o orça­mento acaba porque gastamos com insensatez, onde não se deve ou não se pode (Is 55.2; Lc 15.13,14).

2. Economize, poupe e fuja das dívidas!

Economize compran­do no estabelecimento que é mais em conta. Racionalize os gastos com água, luz, telefone, etc. (Gn 41.35,36; Pv 21.20). Abra uma conta-poupança e guarde um pouco de dinheiro, por menor que seja a quantia. Fuja das dívidas!

3. Invista no Reino de Deus.

O dinheiro não é um mal em si mes­mo (l Tm 6.10), pelo contrário, pode e deve ser uma bênção para a obra do Senhor. Seja fiel nos dízimos e você verá a bênção de Deus sobre sua vida financeira (Ml 3. 1 0, 11).

CONCLUSÃO

Pobreza não é maldição (Dt 15.11; Mc 14.7), mas pode resultar de fatores diversos: guerra, catás­trofes, vícios, alcoolismo, jogos de azar, má administração dos bens e dos recursos econômicos.

Neste particular, a Palavra de Deus adverte que o beberrão e o comilão cairão em pobreza (Pv 23.20,21). Não compre fiado! Não peça emprestado! Liberte-se do consumo irresponsável! Jesus quer libertá-lo das garras do Consumismo. “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Se, pois, O Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.32,36).

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